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11 de janeiro de 2013

Elliott Erwitt, a fotografia do sorriso

Retrato de Elliott Erwitt.

Conhecido por imagens em preto e branco repletas de humor, leveza e ironia, Elliott Erwitt é um fotógrafo franco-estadounidense que faz parte da mítica agência Magnum desde 1953. Para muitos, trata-se de um dos poucos fotógrafos que se dedicou ao riso na fotografia. Seu forte trabalho documental concentrou-se na captação do inusitado, nos momentos indiscretos, na busca por certo descuido informal em meio a cenários formais. Por isso, suas imagens costumam provocar sorrisos. Não gargalhadas, nem tampouco um riso fácil, óbvio ou vulgar. Sorrisos.

Foto: Elliott Erwitt.

Foto: Elliott Erwitt.

Nascido Ervitz, em Paris, filho de judeus-russos, emigrou para os Estados Unidos com sua família aos 10 anos, em 1939. No país onde se estabeleceu, estudou Cinema no Los Angeles City College e na New School for Social Research. No ano em que concluiu seus estudos, começou a trabalhar como fotógrafo assistente ao servir no exército americano, passando pela França e pela Alemanha. Foi influenciado fundamentalmente pelos fotógrafos que conheceu, Edward Steichen, Robert Capa e Roy Stryker. Este, direitor do departamento de fotografia da Farm Security Administration (instituição criada com o objetivo de combater a pobreza rural, uma das principais consequências da Grande Depressão), contratou Erwitt para um projeto na Standard Oil Company. Trabalhando como freelancer, produziu trabalhos para revistas como Look, Life e Holiday. Foi ao entrar na Magnum, em 1953, a convite de Capa, que começou a clicar projetos ao redor do mundo.

Foto: Elliott Erwitt.

Foto: Elliott Erwitt.

Inspirado pelas composições rigorosas de Henri Cartier-Bresson, Elliott se diferencia dele por buscar o bizarro e a graça no proibido, ao invés de focar-se no “momento decisivo” mais dramático, silencioso. Essa aparente tranquilidade e leveza na escolha de temáticas e abordagens pode ser interpretada como uma postura diante da vida. Curiosamente, depois de seu primeiro divórcio, em 1960, sua casa pegou fogo, queimando grande parte de seus arquivos.

Foto: Elliott Erwitt.

Foto: Elliott Erwitt.

Por olhar para baixo, buscando ângulos e cenas menos observadas, animais são um de seus principais assuntos, em especial cães, presença constante em sua obra. Muitas vezes, eles aparecem combinados com alguma característica do comportamento humano, parecendo retratar a realidade de seus donos. Entre os livros publicados especialmente sobre eles, estão Son of Bitch (1974), Dog Dogs (1998), Woof (2005) e Elliott Erwitt’s Dogs (2008). Outra marca de sua fotografia – e essa pode ser relacionada a sua formação em Cinema – são as sequências, fruto de um olhar contínuo e observador. Brincando com os limites da narrativa e da poesia, esses ensaios e conjuntos de imagens são a maior evidência de que as vezes o momento decisivo pode ser plural.

Mais recentemente, Erwitt criou um alter ego, o pretensioso André S. Solidor, definido por ele como “um artista contemporâneo, proveniente de alguma das colônias francesas no Caribe, não lembro qual”. Seu objetivo foi satirizar os excessos que caracterizam muito da produção fotográfica nos dias de hoje.

Foto: Elliott Erwitt.

Foto: Elliott Erwitt.

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