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23 de abril de 2013

Decadência, por Matthias Haker: a beleza do abandono

Retrato de Matthias Haker. Foto: Arquivo Pessoal / Facebook.

“Todos sabem que nossas cidades foram feitas para serem destruídas”, canta Caetano Veloso, em inglês, na canção “Maria Bethânia”, do segundo de seus dois álbuns feitos durante o exílio londrino, no início da década de 1970. Ainda que as motivações do compositor baiano tenham sido outras, é possível compreender o insight que deu origem ao trecho quando conferirmos o trabalho de Matthias Haker, fotógrafo alemão cujas imagens ilustram este post. Seus registros de locais exuberantes, outrora habitados e bem cuidados, nos quais a presença humana deu lugar à invasão de fungos, mofo, plantas, teias de aranha, cobras e outros animais, remete inevitavelmente à efemeridade da vida, à soberania da natureza e à assustadora riqueza em cores que se origina do aparente vazio.

Foto: Matthias Haker.

Foto: Matthias Haker.

Estudante de Ciências de Computação em Dresden, na Alemanha, Haker descobriu sua paixão por fotografia em 2008, e desde então locais abandonados são seu assunto preferido. As imagens fazem parte de um grande ensaio, Decay, “decadência”, em português, e, além do sucesso que fazem na internet, já foram exibidas em Berlim. Uma das características que as torna tão especiais é o sigilo que Haker mantém a respeito do endereço dos locais retratados. Em resposta a muitos dos curiosos que o questionam sobre essas construções abandonadas, o fotógrafo afirma nem todos conseguem ver a beleza que ele vê – e não agem de maneira tão respeitosa nesses ambientes. “Eu vi muito vandalismo, furto e outras péssimas coisas acontecerem a essas construções desde que elas se tornaram populares, e sinto que tudo que posso fazer é protegê-las”, sintetiza. Assim, tanto as direções quanto a nacionalidade dos espaços permanecem secretas, o que torna suas imagens ainda mais misteriosas. Para capturar em uma só fotografia todas as cores existentes, Heker se utiliza da técnica HDR, unindo várias exposições em uma só imagem.

Foto: Matthias Haker.

Foto: Matthias Haker.

Um pouco de sua identidade, imagens em HDR, e do gosto por locais abandonados, Matthias divide com David Pinzer, seu amigo e também fotógrafo. Ainda que Pinzer tenha se especializado na fotografia de moda, muitos dos lugares registrados por Heker também estão disponíveis, em imagens semelhantes, no portfólio do colega. Atualmente, a dupla se encontra em uma jornada fotográfica na Escócia – não se sabe se em busca de construções como aquelas presentes em Decay. Aos curiosos, fica a dica: Pinzer não tem a preocupação de manter sigilo sobre os endereços desses locais, em seu Flickr é possível encontrar algumas pistas.

Foto: Matthias Haker.

Foto: Matthias Haker.

Autodidata, Heker se dedica principalmente a projetos autorais, mas também aceita trabalhos comissionados, em especial nos campos da fotografia de arquitetura e interiores, nas quais se especializou, além de retratos, moda e casamentos.

Foto: Matthias Haker.

Foto: Matthias Haker.

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