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27 de maio de 2013

David Douglas Duncan, de Ismael para Maestro

Retrato de David Douglas Duncan.

Revolucionário da arte no século XX, o espanhol Pablo Picasso foi fotografado por um dos maiores profissionais de sua geração: o fotojornalista David Douglas Duncan. Através de registros únicos da vida do pintor, Duncan perpetua a intimidade do artista em sua casa, com seus amigos e em seu cotidiano com o ofício. Deste trabalho nasce uma amizade que serviu de inspiração por toda a sua carreira.

A ideia do encontro entre Pablo Picasso e David Duncan surgiu do célebre fotógrafo Robert Capa, amigo dos dois artistas, morto na guerra da Indochina por uma mina terrestre. Duncan não esqueceu da sugestão de Capa – deveria conhecer Picasso – e aproximou-se do artista com uma visita, sem nada saber a seu respeito, levando um anel de presente ao novo amigo. Assim, ele passou a frequentar a casa de Picasso e era tratado como se fosse da família, fotografando tudo o que quisesse.

Foto: David Douglas Duncan.

Foto: David Douglas Duncan.

Da intensa convivência, Duncan fez milhares de fotos entre as poucas conversas que tiveram. “Minha linguagem era a fotografia”, explica. E Picasso jamais pediu para que ele o fotografasse, apenas o deixava fazer seu trabalho enquanto realizava o dele. Dentre fotos alegres e descontraídas, a exceção em destaque é a foto do rosto de Picasso, capturada no momento em que ele folheava This is War, livro do fotógrafo sobre a guerra: “Foi quando eu tirei esta foto, quando ele descobriu minhas imagens da Coréia. Chocado e completamente horrorizado”, relembra.

Foto: David Douglas Duncan.

Foto: David Douglas Duncan.

Duncan o chamava de “Maestro” e Picasso o apelidou de “Ismael”, assim se referiam um ao outro. A amizade de 17 anos perdurou até a morte de Picasso, em 1973. O livre acesso à vida do pintor rendeu mais de 15 mil fotos e sete publicações com o tema. Em 1958 foi lançado o primeiro livro dedicado ao artista com o título “O mundo privado de Pablo Picasso”. O material que suas lentes registraram ainda rendeu publicações póstumas, tal a admiração do fotógrafo por seu amigo Maestro. “Eu cobri muitos, muitos assuntos como fotógrafo. Este é o melhor.” – conclui Duncan.

Foto: David Douglas Duncan.

Foto: David Douglas Duncan.

Um fotógrafo de sorte

David Douglas Duncan nasceu em Kansas, Missouri, no dia 23 de janeiro de 1916. Sua primeira aventura como fotógrafo aconteceu no dia 24 de janeiro de 1934, quando, ainda estudante de arqueologia na Universidade do Arizona, ganhou as ruas com uma câmera nova para fotografar um incêndio no antigo Congress Hotel. A sorte do rapaz, então com 18 anos, foi ter registrado, sem saber de quem se tratava, o famoso ladrão de bancos John Dillinger tentando recuperar uma maleta de dinheiro em meio ao caos do incêndio. Apenas dias depois, quando Dillinger e sua gangue foram presos, é que descobriu quem havia fotografado. Esta experiência teve um impacto importante em sua escolha pela fotografia.

Foto: David Douglas Duncan.

Foto: David Douglas Duncan.

Ainda amador, formou-se na Universidade de Miami em Zoologia e Espanhol e, posteriormente, tornou-se editor em diversos jornais do país. Serviu pelos Estados Unidos como fuzileiro naval na Segunda Guerra Mundial e cobriu como fotojornalista as guerras da Coréia e do Vietnã pela revista Life. Além dos retratos de Picasso, sem dúvida seu trabalho de maior prestígio, publicou mais de vinte livros sobre fotografia e vive atualmente com sua esposa, na França.

Foto: David Douglas Duncan.

Foto: David Douglas Duncan.

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