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6 de agosto de 2013

Chico Albuquerque: pioneiro da fotografia tupiniquim

Retrato de Chico Albuquerque.

Francisco Afonso de Albuquerque (1917-2000), o Chico Albuquerque, é um dos pioneiros da fotografia publicitária nacional. Mais do que isso, é de sua autoria a primeira campanha assinada por um brasileiro: um registro de modelo e produto para a Johnson & Johnson, da J. W. Thompson, em 1948. Sua trajetória na fotografia, entretanto, começou antes, ainda na adolescência.

Foto: Chico Albuquerque.

Foto: Chico Albuquerque.

Cearense de Fortaleza, Chico Albuquerque manifestou cedo seu talento para o ofício. Aos 15 anos, fotografou um documentário de curta-metragem e, aos 17, já trabalhava como fotógrafo profissional. Foi apenas com 25, entretanto, que foi apresentado à composição. Ao fazer a fotografia de cena de It’s All True (1942), filme sobre a América Latina encomendado como parte da política de boa vizinhança do presidente norte-americano Roosevelt, Chico aprendeu sobre a divisão áurea do retângulo com ninguém menos que Orson Welles, diretor do longa.

Foto: Chico Albuquerque.

Foto: Chico Albuquerque.

Em 1945, Chico mudou-se para São Paulo e não demorou para conquistar o mercado. Abriu seu estúdio próprio em 1946 na Avenida Rebouças e, bem relacionado, assinou imagens famosas de várias personalidades. Entre elas estão o paisagista Burle Marx, o pintor Aldemir Martins, o presidente Juscelino Kubitschek, a atriz Odete Lara, entre tantos outros. No mesmo ano, ingressou no Fotocine Clube Bandeirante, desempenhando um papel de liderança no movimento fotoclubista da cidade ao lado de figuras como German Lorca, Thomaz Farkas, Geraldo de Barros e Eduardo Salvatore. O engajamento no fotoclubismo foi uma das formas com que Chico ajudou a promover o desenvolvimento da fotografia no Brasil.

Foto: Chico Albuquerque.

Foto: Chico Albuquerque.

Ao se aposentar, em 1975, 30 anos depois da chegada em São Paulo, Chico retornou à Fortaleza, mas não parou de fotografar: montou outro estúdio e permaneceu ativo e produtivo. Dedicou-se a ensaios de naturezas-mortas com frutas típicas brasileiras e destacou-se na elogiada exposição 130 Fotos de personalidades paulistanas, realizada na Galeria Fotóptica, em 1982. Seu papel permaneceu decisivo tanto na estruturação do mercado publicitário quanto na transformação do fotojornalismo local. Nas palavras de Patrícia Veloso, responsável pela editora nordestina Terra da Luz, “quando ele voltou de São Paulo, já era respeitado no mercado. Se hoje a fotografia do Ceará conquistou reconhecimento nacional e internacional, deve muito a ele”.

Foto: Chico Albuquerque.

Foto: Chico Albuquerque.

Entre suas publicações mais famosas está Mucuripe, editado em 1989, com imagens da praia homônima em dois momentos distintos, 1952 e 1988. Os registros mostram, além da paisagem cearense, o cotidiano dos jangadeiros e a importância do mar em suas vidas. Chico nunca parou de fotografar. Seu último trabalho foi em 2000, seu último ano de vida, quando assinou a campanha publicitária da Del Rio aos 83 anos.

Foto: Chico Albuquerque.

Foto: Chico Albuquerque.

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