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25 de abril de 2012

Bahia intensa: a fotografia apaixonada de Mario Cravo Neto

Autorretrato de Mario Cravo Neto.

No último dia 20, o fotógrafo e artista Mario Cravo Neto completaria 65 anos. Faleceu em 2009, em Salvador (BA), onde nasceu, fez suas principais fotografias, desenhos e esculturas e deixou boa parte de seu legado. Para muitos, “Mariozinho”, como era chamado, criou uma forma inédita de olhar a Bahia, seu povo e as entranhas de sua religiosidade, dedicando-se com delicadeza corajosa ao candomblé e ao catolicismo.

Deus da Cabeça(e), 1988, e Voodoo(d), 1988. Fotos: Mario Cravo Neto.

Óde(e), 1988, e Mandala(d), 1989. Fotos: Mario Cravo Neto.

Seu interesse pelo ofício surgiu ainda menino ao conviver com fotógrafos do mundo inteiro que passavam pela cidade. O contato se dava por meio de seu pai, Mario Cravo Junior, integrante da primeira geração de artistas plásticos modernistas baianos. Conhecer o trabalho desses fotógrafos, e de outros amantes das artes que frequentavam sua casa, seria definido por ele como um pano de fundo, um meio onde vislumbraria formas de criar o que gostaria de expressar. A influência das pinturas rupestres, de Brancusi, Pierre Verges, Faulkner, Ezra Pound, Carl Jung e outras manifestações artísticas ocidentais também são atribuídas a seu pai, de quem recebeu as primeiras orientações no campo da escultura e do desenho.

Mãe Branca(d), 1990, e Ângela e Lukas, torso com penas brancas(e), 1989. Fotos: Mario Cravo Neto.

Abrigo(e), 1990, e Akira com talco(d), 1997. Fotos: Mario Cravo Neto.

Em 1964, acompanhou o pai no programa “Artists on Residence”, patrocinado pela Ford Foundation e sediado em Berlim. Por lá, manteve contato com o artista italiano Emilio Vedova (1919 – 2006) e com o fotógrafo Max Jakob. Mudou-se para Nova Iorque em 1968 para estudar na Arts Students League. Foi orientado pelo precussor da arte conceitual na cidade, Jack Krueger, e aventurou-se pela primeira vez nos campos da escultura em acrílico e da fotografia, realizando o ensaio em cores On the Subway.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Ao retornar ao Brasil, mergulhou no universo religioso afro-cristão característico de Salvador. As imagens em preto e branco feitas em estúdio durante o período o tornariam uma referência internacional. As das ruas da capital baiana estão entre as mais conhecidas já feitas no estado brasileiro, atrás apenas dos registros do francês Pierre Verger.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Definido pelos amigos como neurótico pela perfeição e por ser constantemente contestador, sua obra capta o misticismo com uma sensibilidade assustadora, áspera. Mescla, em um só tempo, pacto cultural e crítica social. Cravo Neto valoriza a importância da cultura e da simbologia baiana, mas denuncia em cores a miséria local, em especial do Pelourinho. Para muitos, como o artista visual Valdomiro Bezerra, ele atualiza a visão de valorização da cultura baiana que já havia emergido nos anos 1940 com artistas como Odorico Tavares, Caribé, e os próprios Mario Cravo Junior e Pierre Verger.

Criança com balão(e), 1990, e Silêncio, 1992. Fotos: Mario Cravo Neto.

Pedro com dois cachorros(e), 1989, e Homem com peixes. Fotos: Mario Cravo Neto.

A Flecha em Repouso, sua última exposição, em 2008, reflete a luta contra um câncer, mas fora do âmbito pessoal. Mostra, em imagens inéditas, a batalha pela vida de uma forma geral. O pai, Cravo Júnior, ainda vive. Durante a mostra Eternamente Agora – Um Tributo a Mário Cravo Neto, em 2010, falou sobre o filho pela primeira vez depois de sua morte, definindo-o como um amigo, confidente, irmão e colega.

Exposição Flecha em Repouso. Foto: Mario Cravo Neto.

Exposição Flecha em Repouso. Foto: Mario Cravo Neto.

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