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5 de outubro de 2012

As nuances de Tepito, por Adriana Zehbrauskas

Retrato de Adriana Zehbrauskas.

Nascida em São Paulo, Adriana Zehbrauskas é uma das mais importantes fotógrafas brasileiras. Formada em Comunicação – e em Linguística e Fonética pela Sorbonne, em Paris –, trabalhou no jornal Folha de São Paulo durante 11 anos, nos quais viajou extensivamente pelo Brasil e o mundo. Agora, mora na Cidade do Mexico, onde trabalha como freelancer e contribui regularmente para importantes veículos, como The Guardian e The New York Times. São as imagens de um de seus mais importantes e recentes ensaios feitos por lá, Tepito (2011), que ilustram este post.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

Localizado no coração da Cidade do México, Tepito concentra em dez quarteirões milhares de contradições. Formando um mosaico de cores gritantes, comércio, crime, vendedores ambulantes, traficantes e cidadãos comuns disputam espaço em ruas estreitas e de leis próprias. Conhecido como “Barrio Bravo”, o local possui uma longa tradição de desafio à autoridade e péssima reputação por conta de seus altos índices de violência. É considerado, para muitos, um mundo à parte, caótico e sem leis – e costumam dizer que os moradores de lá têm mais dificuldade em conseguir empregos. De forma clara, crua e com extrema definição, as imagens de Zehbrauskas revisitam seus personagens e cenários de forma extremamente próxima, quase íntima, penetrando em um mundo onde forasteiros costumam dificuldade de entrar.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas..

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

Para inúmeros moradores de outros cantos da cidade, trata-se da visão do inferno. Um bairro onde a pirataria é tão comum que o próprio conceito de autenticidade parece sem sentido; onde entregas de drogas são feitas por meninos que fumam charutos e apenas um tipo de policial é temido: o honesto. Além de captar esse segmento mais gritante da essência de Tepito, as imagens de Zehbrauskas retratam lados menos conhecidos da vizinhança. Gerações nascidas e criadas no local ainda apresentam orgulhosos vestígios de um tempo em que tudo era diferente. Durante muitos anos, ainda sem alto influxo de traficantes e outros criminosos, Tepito era uma comunidade conhecida por características bem diferentes das que chamam a atenção hoje em dia. Sua comunidade era intensamente unida, amiga e trabalhadora. Clubes esportivos, igrejas e galerias de arte de outrora que ainda resistem representam o que resta dessa era.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

Em seus cliques, Zehbrauskas capta, também, um dos mais fortes elementos sociais da vida cotidiana no local: a religião. Por lá, crenças católicas tradicionais cedem espaço ao poderoso culto da Santa Muerte, esqueleto feminino macabro cujas origens remetem à era pré-colombiana do México. Adorada tanto por membros do crime organizado quanto por cidadãos comuns, é a ela que os moradores oram. Seja pela recuperação de pertences roubados, da saúde ou de familiares sequestrados.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

Tepito. Foto: Adriana Zehbrauskas.

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