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27 de setembro de 2013

As mulheres que sangram, por Sarah Elliott

Retrato de Sarah Elliott

O ensaio que ilustra este post é um belo exemplo da eficiência da fotografia em evocar sentimentos e mensagens que as palavras muitas vezes falham em transmitir. O debate acerca do aborto é constante, mas, aqui, são as imagens que servem como um argumento contundente. E se a internet é um dos principais palcos dos embates verbais acerca desse tema polêmico, não foi por acaso que, graças à sua popularização na rede, o trabalho se tornou o mais conhecido de Sarah Elliott, a fotógrafa que o assina. Baseada no Quênia, a americana documentou de forma assustadoramente íntima a realidade das clinicas clandestinas de aborto no país.

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

O título do premiado trabalho, Poor Choices (“escolhas pobres”, em tradução literal) possui duplo sentido: sugere que é uma escolha a se lastimar, mas indica, também, que as mulheres que correm risco de vida ao fazê-la são as de baixa renda. Para registrar essa realidade, Elliott acompanhou jovens que persistiram em seu desejo de controlar a gravidez indesejada, desafiando a criminalização do aborto no país e os riscos que corriam.

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

De acordo com a fotógrafa, os métodos disponíveis e as condições de higiene e segurança dessas clínicas são determinadas pela classe social das pacientes. “Estudos têm mostrado que as leis restritivas não impedem o aborto, apenas inibem o acesso ao aborto seguro. Limitar o acesso a esse procedimento é algo devastador para a vida, a saúde, a família e a comunidade dessas mulheres, além de para o sistema de saúde e, finalmente, para o país como um todo”. Cerca de 2600 mulheres morrem anualmente após abortos ilegais no Quênia, e 21 mil são hospitalizadas depois desses procedimentos. Em clínicas privadas, um aborto clandestino, feito por um profissional, custa cerca de R$ 100.

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

Nascida em 1984, Sarah Elliott graduou-se na Parson’s School of Design, em Nova Iorque, como bacharel em Fotografia. Seu trabalho é centrado na documentação de questões sociais em países da África, sempre focado na situação das mulheres. Além dos direitos reprodutivos no Quênia, também documentou a mortalidade maternal na Etiópia e os papéis da mulher na Revolução do Líbano.

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

Foto: Sarah Elliott

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