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11 de outubro de 2012

As jornadas políticas, sociais e religiosas de Abbas

Autorretrato de Abbas Attar.


“Minha fotografia é um reflexo que ganha vida na ação e leva à meditação. A espontaneidade – o momento suspenso – intervém durante a ação, no visor ocular” Abbas Attar

Em sua biografia no site da Magnum Photos, agência que integra desde os anos 1980, Abbas Attar é descrito como um fotógrafo nato. Iraniano radicado em Paris, dedica boa parte de sua existência à documentação da vida política e social em sociedades em conflito. O corpo principal de seu trabalho consiste na cobertura de guerras e revoluções em Biafra, Bangladesh, Irlanda do Norte, Vietnã, Oriente Médio, Chile, Cuba e África do Sul durante o Apartheid.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Nascido em 1941, Abbas foi membro da Sipa, de 1971 a 1973, e da Gamma, de 1974 a 1980. Ingressou na Magnum em 1981, tornou-se um membro em 1985 e, hoje, é o vice-presidente da sede parisiense da agência. Para muitos, o que mais chama a atenção em suas imagens é o rigor da composição, que parece sempre cuidadosamente elaborada, mesmo em situações extremas. Tal precisão consiste em uma das mais controversas e emblemáticas características do Fotojornalismo: espanta tanto pela crueza quanto pela beleza quase ofensiva que consegue conferir ao caos.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

De 1978 a 1980, Abbas fotografou a revolução no Irã, para onde voltou em 1997 após 17 anos de expatriação voluntária. Seu livro Iran Diary 1971-2002(2002) é uma interpretação crítica da história do local, clicada e escrita como um diário pessoal. Durante esses anos de exílio, viajou constantemente. Entre 1983 e 1986, ingressou em uma jornada pelo México com a intenção de “fotografar um país da mesma maneira que alguém escreveria um romance sobre ele”. O resultado foi a exibição e o livro Return to Mexico: Journeys Beyond the Mask (1992) (algo como “Retorno ao México: Jornadas Através da Máscara”, em livre tradução), que ajudou a delinear ainda mais precisamente sua estética fotográfica. Nas palavras dele, ao contrário do escritor, que possuí a palavra, o fotógrafo é possuído por sua fotografia, pelos limites da realidade que deve transcender se não quiser se tornar seu prisioneiro.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Abbas sempre possuiu uma preocupação fundamental com a questão da religião. De 1987 a 1994, seu foco foi o ressurgimento do Islã em todo o mundo. O livro e a subsequente exposição Allah O Akbar: A Journey Through Militant Islam (1994), focados no Islã militante, passaram por 29 países e quatro continentes, atraindo ainda mais atenção mundial após os ataques de 9/11 por jihadistas islâmicos nos Estados Unidos. Faces of Christianity: A Photographic Journey (2000), obra posterior, voltou-se ao cristianismo, explicando-o como um fenômeno político, ritual e espiritual.

 

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Seu interesse por religião o levou, em 2000, a iniciar um projeto sobre Animismo no qual procurou descobrir como um ritual irracional havia reemergido em um mundo cada vez mais definido pela ciência e a tecnologia. Abandonou a empreitada em 2002, no aniversário dos atentados às Torres Gêmeas, para começar um projeto de longo prazo sobre o choque de religiões, definidas, segundo ele, mais pela cultura do que pela fé. Para Abbas, essas crenças revisitadas ganham formatos de ideologia e são fontes das lutas estratégicas mais emblemáticas do mundo contemporâneo.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

De 2008 a 2010, viajou pelo mundo do Budismo, fotografando-o com o mesmo olhar cético que marcou todo o seu trabalho e que pautaria, também, um projeto similar sobre Hinduísmo iniciado no ano passado e ainda em andamento.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

Foto: Abbas Attar / Magnum.

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