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5 de junho de 2015

Alex Van Gelder: a elegância obscena dos corpos

 

 

À primeira vista, certa repulsa é inevitável – mesmo ao olhar dos mais carnívoros. Com mais atenção, entretanto, percebe-se que os “Retratos de carne” de Alex Van Gelder são, de fato, fruto de uma construção visual elaborada que remete à pintura – seja na tradição do retrato ou da natureza-morta. Um curioso encontro entre vísceras e uma composição cuidadosa e controlada.

 

 

 

 

A série foi realizada em um matadouro de Benin e revela particularidades culturais. “Os açougueiros africanos não usam serras elétricas como os europeus: eles cortam a carne com as mãos, o que produz uma variedade de estilos. O matadouro ficava a céu aberto, e em frente funcionava um mercado onde vendiam a carne ainda quente”, conta Alex, que passou um ano no local obtendo as imagens.

 

 

 

 

Por vezes, a composição nos faz imaginar o trabalho de um taxidermista que explora anatomias de forma meticulosa. Já outras fotografias sugerem um olhar interessado na própria crueza dos corpos e no que isso nos fala sobre a vida e a morte – a aparência de algumas das tripas fotografadas revela que há pouco tempo aqueles animais estavam vivos.

 

 

 

 

Da combinação do apuro compositivo com a imersão na carne resultam imagens estranhamente elegantes, que nos provocam a encontrar beleza na obscenidade dos corpos e sua finitude.

Nascido na Bélgica, Alex Van Gelder vive e trabalha em Paris. Atuou por anos na África e tornou-se colecionador da fotografia produzida no continente. Sua relação com a temática “vida e morte” tem também outro destaque: uma série de fotografias das mãos de Louise Bourgeois (a pedido da própria artista) obtidas ao longo dos seus últimos anos de vida.

 

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