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25 de setembro de 2012

Alessandra Sanguinetti e as aventuras de Gille e Belinda

Alessandra Sanguinetti e sua filha Catalina.

Nascida em 1968 em Nova Iorque, onde vive atualmente, Alessandra Sanguinetti é fotojornalista, fotógrafa documental e membro da Magnum Photos desde 2007. Viveu na Argentina de 1970 até 2003 e tem fotografias em coleções públicas e privadas, tais como o Museum of Modern Art de Nova Iorque (MoMA) e The San Francisco Museum of Modern Art. Já publicou, também, em revistas como The New York Times Magazine, LIFE e Newsweek.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Como mostram alguns dos principais ensaios de seu portfólio, Sanguinetti tem na infância e na cultura algumas de suas principais temáticas. Embora as obras Palestine (2004) e Sweet Expectations (1992) sejam ótimos exemplos dessa abordagem, a mais famosa e significativa delas é possivelmente The Adventures of Guille and Belinda and The Enigmatic Meaning of Their Dreams (2004) — “as aventuras de Guille e Belinda e o enigmático significado de seus sonhos”, em tradução literal —, que demorou quase uma década para ser concluída e cujas fotos ilustram este post.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Em 1999, Sanguinetti começou a trabalhar em uma série de imagens documentando a vida de duas jovens e inseparáveis primas, Guille e Belinda, que viviam na fazenda de sua família em uma zona rural próxima a Buenos Aires. Curvada sobre a íntima relação da dupla, a fotógrafa acompanhou sua rotina — rica, porém frágil e em uma comunidade altamente fechada e homogênea — durante nove anos. O resultado são imagens inspiradas nos sonhos, fantasias, anseios e medos que caracterizam a transição física e psicológica da infância à vida adulta.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

A ideia de construir a série, que se tornou exposição e livro, foi, em parte, obra do acaso. Sanguinetti conheceu-as quando tentava fotografar animais perto da fazenda de seus pais para um projeto diferente (e nunca concluído). “Beli e Guille estavam sempre correndo, escalando, perseguindo galinhas e coelhos”, contou a fotógrafa, em entrevista ao The New Yorker. Às vezes, tirava uma foto das duas apenas para que se afastassem e parassem de espantar os animais, até mudar de ideia, no início do verão de 1999. “Elas tinham 9 e 10 anos na época e, um dia, ao invés de pedir para que fossem embora, deixei-as ficar”.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

A fotógrafa conta que, como se tratavam de crianças, simplesmente brincavam, e costumavam transformar suas ideias para fotografias em novas brincadeiras. “Qualquer sugestão de imagem que eu dava, elas adaptavam para sua própria situação”, relembra. Sanguinetti define o período como o mais feliz de sua vida, talvez pelo fato de que, nas palavras da própria, significou uma desculpa para certa regressão, para se tornar criança novamente. “Eu havia passado um tempo na Suécia, que pode ser extremamente escura e fria. Quanto voltei à Argentina, lá estavam elas”.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Essas imagens foram exibidas pela primeira vez em 2004, mas a segunda parte do projeto foi concluída quase dez anos depois. The life that came(2009) (algo como “a vida que seguiu” ou “a vida que veio”), sediada como exposição na Yossi Milo Gallery, em Nova Iorque, mostra de forma subjetiva a maneira como as duas, já jovens mulheres, enfrentam o crescimento, a maternidade e os relacionamentos.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Se nas primeiras fotos a atmosfera lúdica e surreal das brincadeiras da infância é marcada, também, por certa crueza, os registros não perdem a poesia do início quando passam a mostrar o amadurecimento das duas. Ainda assim, Sanguinetti pontua que se trata do momento em que a obra deixa de ser sobre fantasias e sonhos e foca na realidade — tudo sem subtrair o lirismo e a doçura quase pueril que caracteriza o conjunto das imagens.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

Série: "As aventuras de Guille e Belinda". Foto: Alessandra Sanguinetti.

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