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25 de janeiro de 2013

“Ainda tenho o sentimento que algumas das minhas imagens podem construir pequenas pontes entre as pessoas” René Burri

Retrato de René Burri.

Veterano integrante do Magnum, René Burri é um fotógrafo que vive e trabalha entre as cidades de Zurique, sua terra natal, e Paris. Com um acervo repleto de imagens em preto e branco, mas que inclui também diversas obras em cor, documentou guerras, eventos cotidianos e momentos delicados na história mundial, favorecido pela neutralidade de seu passaporte e por seu espírito repleto de coragem jornalística e sensibilidade. Até hoje, só sai de casa com sua Leica a tiracolo. “É o meu terceiro olho. Estou sempre com ela”.

Foto: René Burri.

Foto: René Burri.

Nascido em Zurique, em 1933, tirou sua primeira fotografia aos 13 anos sob incentivo do pai. A estreia foi logo no terreno do fotojornalismo e da fotografia documental: registrou o então primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, que desfilava pela cidade em um carro aberto. Formou-se como fotógrafo na Escola de Artes de Zurique apenas porque na época não havia no país cursos de cinema, seu desejo original. Entre 1954 e 19855, trabalhou como assistente de cinegrafista no filme documental da Disney rodado na Suíça, Switzerland (1956). Foi em 1956 que começou a trabalhar profissionalmente como repórter fotográfico. Seu trabalho autoral ganhou impulso no mesmo ano, ao realizar uma reportagem fotográfica sobre uma escola de crianças surdas-mudas que acabou sendo comercializada pela legendária Magnum. De correspondente, tornou-se membro permanente em 1959 e chegou a presidir a agência, em 1982.

Foto: René Burri.

Foto: René Burri.

Uma de suas fotografias mais emblemáticas foi feita no Brasil, mais precisamente em São Paulo, em 1960. Dramática, sofisticada e vertiginosa, Men on a Rooftop, “homens no telhado” em tradução literal, fez parte de um ensaio para a revista Praline que reuniu cenas de ruas feitas em cidades latinoamericanas. Como outras peças contempladas, revela contrastes próprios do continente: tem a elegância de poucos homens e o caos urbano enquadrados e encapsulados no mesmo frame. Na época, Burri já começava a fazer experimentos com geometria em suas imagens – e como estudante, já havia se apaixonado pela emergente arquitetura moderna, tornando-se amigo próximo de Le Corbusier e Oscar Niemeyer. Por aqui, também clicou a arquitetura de Brasília, em especial o que chamou de “seu aspecto humano”. Da passagem por Cuba, leva algumas das mais icônicas imagens de Che Guevara já registradas, além do hábito de fumar charutos, que mantém até hoje.

Foto: René Burri.

Foto: René Burri.

Uma curiosidade interessante sobre Man on a Rooftop, Burri conta, é que naquela época Henri Cartier-Bresson limitava os fotógrafos ao uso de lentes de 35mm a 90mm, e a imagem foi feita com uma 180mm. “Quando eu lhe mostrei a foto, ele disse ‘brilhante, René’. Fui para a rua e gritei ‘há!’. Ele me ouviu, perguntou o que foi e eu respondi apenas ‘nada, esquece’, e nunca disse a ele. Naquele momento, me soltei de meu mentor. Eu matei meu mentor!”, relembra.

Foto: René Burri.

Foto: René Burri.

Foi justamente a neutralidade do passaporte suíço somada a sua declarada fome pelo desconhecido que lhe possibilitou fotografar muitas situações que significariam empecilhos para fotógrafos de outras nacionalidades. Entre elas, vale destacar a Berlim de 1961, dividida pela Guerra Fria e ocupada pelos aliados na iminência da construção do Muro. Ao decorrer de sua trajetória, também documentou conflitos no Oriente Médio e na África, além de percorrer todo os Estados Unidos.

Entre seus livros mais recentes estão Brasília (2011), Blackout New York (2009), Nous sommes treize à table (2008) e Che Guevara Cigar Box (2004)

Foto: René Burri.

Foto: René Burri.

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