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4 de junho de 2014

A sombra de Chernobyl, por Gerd Ludwig

Retrato de Gerd Ludwig

A primeira visita do fotógrafo alemão Gerd Ludwig à região da usina de Chernobyl, na Ucrânia, foi em 1993, como correspondente da National Geographic. O interesse pela história do local foi tanto que, em 2005, ele retornou às proximidades do reator número 4 da planta nuclear, onde ocorreu a tragédia. Mais tarde, em 2011, ao se completaram 25 anos do acidente, Gerd lançou um projeto de financiamento coletivo para dar sequência a sua cobertura. O resultado é The Long Shadow of Chernobyl [A extensa sombra de Chernobyl], inicialmente um aplicativo para iPad, que no último mês de maio foi transformado em um livro de 252 páginas, com imagens das expedições do fotógrafo.

Foto: Gerd Ludwig

Foto: Gerd Ludwig

Nos anos 70, a cidade de Pripyat, localizada a poucos quilômetros da usina, foi construída para acolher os trabalhadores de Chernobyl. Seus aproximadamente 50 mil habitantes foram evacuados nos dias posteriores ao acidente – tempo mais que suficiente para uma contaminação massiva por radiação. Alguns locais da cidade podem ser visitados sob a supervisão de guias civis e militares. Fica evidente a decadência nas construções, provocada por mais de 25 anos sem habitantes nem qualquer tipo de manutenção nos prédios da cidade.

Foto: Gerd Ludwig

Foto: Gerd Ludwig

A sombra à qual se refere o fotógrafo no título da série diz respeito ao número de mortes relacionadas ao acidente, estimado em mais de 100 mil pessoas, em decorrência de doenças provocadas pela nuvem de radiação formada após o acidente, que se espalhou pela Ucrânia e por outros países da região.

Foto: Gerd Ludwig

Foto: Gerd Ludwig

Em Belarus, situado ao norte da Ucrânia, há pessoas que fazem tratamento contra o câncer provocado pela radiação expelida durante o acidente. O país foi um dos territórios mais atingidos após o acidente.

Foto: Gerd Ludwig

Foto: Gerd Ludwig

A cada nascimento na região, fica a expectativa sobre a saúde das crianças que tiveram seus pais expostos à radiação. Aqueles que perderam amigos e familiares, além de terem que enfrentar o luto, lidam com o temor em relação à própria saúde e às consequências  do contato com a radiação.

Foto: Gerd Ludwig

Foto: Gerd Ludwig

As coberturas de Ludwig mostram que a herança de Chernobyl não se limita às mortes que ocorreram em seguida à explosão. Para muitos, é como se aquele 26 de abril de 1986 ainda não tivesse acabado.

Foto: Gerd Ludwig

Foto: Gerd Ludwig

Gerd Ludwig nasceu em Alsfeld, Alemanha. Inicialmente estudou Literatura Alemã, Ciências Políticas e Educação Física na Universidade de Marburg, mas interrompeu seus estudos para trabalhar na Escandinávia e nos Estados Unidos. Quando retornou à Alemanha, estudou fotografia por cinco anos, graduando-se no curso de Foto-design da Universidade de Essen, em 1972. Trabalhou para diversas publicações locais e internacionais. Viveu em Nova York e atualmente mora em Los Angeles, dedicando a maior parte da sua produção a coberturas da National Geographic.

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