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26 de novembro de 2014

A imaginação múltipla de Youngho Kang

Autorretrato de Youngho Kang.

“Olhei-me no espelho, fotografei-me e criei novas imagens com a minha imaginação. Em outras palavras, o espelho tornou-se o espaço onde me transformei em diretor e em ator que está no palco – dançando, ao mesmo tempo que me fotografava.” Assim, Youngho Kang descreve o ensaio 99 Variations [99 variações], série de autorretratos nos quais o fotógrafo sul-coreano se transforma em personagens múltiplos e misteriosos.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

Em um experimento a la Cindy Sherman, pelas características cinematográficas das figuras, Kang conta que, ao se transformar em tantos “eus”, foi parar em um lugar que chama de “esfera da imaginação”. O número 99, ele explica, refere-se a uma totalidade de cem “eus” menos um – a fração que produz essas imagens.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

“Durante o processo, descobri a androginia que se escondia em mim”, afirma o fotógrafo. Tal percepção teve como desdobramento não só figuras mais próximas ora do femininos, ora do masculino, como também personagens que escapam a classificações mais definitivas, com características que por vezes flutuam entre o humano e o divino. “Tudo coexiste e está inter-relacionado”, diz Kang.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

No seu apreço pela imaginação, o fotógrafo define o processo como image-telling, um contar de histórias por meio de imagens que guardaria certas peculiaridades, indo além de uma narrativa mais convencional. “Image-telling é o mesmo que apresentar aos espectadores ferramentas para a imaginação – como dar um novo instrumento musical, em vez de oferecer uma narrativa já completa”, explica.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

“Depois dessas 99 imagens, voltarei pela estrada que percorri e vou repensar o poder da imaginação, o significado das imagens e sua relação comigo”, diz Kang, referindo-se à intensidade do processo de desenvolvimento da série.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

Nascido em Seul, em 1970, Kang é conhecido pela alcunha de Dancing Photographer, devido a forma como se comunica com os modelos enquanto fotografa – dançando, ou como uma espécie de regente, utilizando a música para preencher os ambientes onde realiza seus ensaios.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

Sem uma formação específica em fotografia, Kang estudou Língua e Literatura Francesa na Universidade de Hongik e já teve suas fotos estampando as páginas de publicações como Vogue, Bazaar e Elle, além de ter trabalhado em comerciais de marcas como Coca-Cola, Motorola e Samsung. Com exposições em museus e galerias internacionais, apresentou no National Museum of Modern and Contemporary Art de Seul a performance 99th Variation [99a variação], que coloca o ensaio – e a imaginação do fotógrafo – em diálogo com outras linguagens artísticas.

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