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23 de outubro de 2013

A cápsula do tempo de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944)

Autorretrato de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

As imagens presentes neste post, pauta sugerida pelo fotógrafo Fernando Bueno, oferecem um vívido retrato de um mundo perdido: o Império Russo às vésperas da Primeira Guerra Mundial e da subsequente revolução. Não por acaso, o autor, Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863–1944), é uma figura especial na história da fotografia. Formado em química, dedicou sua vida ao desenvolvimento de técnicas fundamentais para as primeiras fotos coloridas. Responsável por pioneiras patentes de filmes a cores, foi encarregado de documentar os avanços do Império, bem como sua rica diversidade cultural.

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Essas imagens, feitas de 1909 a 1915, tinham como objetivo serem mostradas nas escolas. Os assuntos vão das antigas igrejas e mosteiros medievais às ferrovias e fábricas, símbolos de uma potência industrial emergente. Também não faltam registros da vida cotidiana das crianças, mulheres, religiosos e trabalhadores russos. Essa ambiciosa documentação do Império teve seu planejamento iniciado em 1900, e contou com apoio imediato do Czar Nicolau II. Prokdin-Gorskii estudou e documentou onze regiões, viajando em um vagão de trem equipado com uma câmera escura fornecido pelo Ministério dos Transportes. Ele possuía, também, toda a parafernália necessária, além de permissões ilimitadas para visitar áreas de acesso restrito, sempre com o apoio da burocracia do império.

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

O processo desenvolvido por Prokúdin-Gorski tirava três fotos monocromáticas em sequência, cada uma com um filtro de cor diferente, verde, azul e vermelho. Graças ao chassis triplo da câmera, as três exposições fixavam-se na mesma placa de vidro. Os negativos preto e branco assim obtidos eram positivados e exibidos com um projetor triplo que contava com os mesmo filtros de cor, reconstituindo a cena em tons fieis aos originais. Imprimir as fotos, no entanto, não era possível.

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Essa cápsula do tempo foi aberta graças à Biblioteca do Congresso de Washington, que em 1948 comprou as placas de cristal originais dos herdeiros do fotógrafo. Os diapositivos originais foram limpados e digitalizados há três anos e o resultado desse esforço está disponível em uma exposição online, The Empire That Was Russia. A alta qualidade das imagens, combinada com as cores brilhantes, torna difícil a alguns espectadores crer que se tratam de fotografias com mais de 100 anos.

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Foto: Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Prokudin-Gorskii abandonou a Rússia em 1918, assim que descobriu sobre o assassinato do Czar e sua família. Morou na Noruega e na Inglaterra até estabelecer-se em Paris, onde faleceu em 1944.

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