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17 de outubro de 2012

Kadão entre os melhores do fotojornalismo brasileiro

Retrato de Ricardo "Kadão" Chaves. Foto: Dudu Contursi.

Em sua quarta edição, o livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro reúne imagens de importantes repórteres fotográficos do país, muitas delas premiadas no Brasil e no exterior, contemplando registros que vão de fatos cotidianos a acontecimentos marcantes. Entre os profissionais que assinam a versão 2012 do anuário, encontra-se o professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Ricardo Chaves, o Kadão, autor do ensaio Vidas Ausentes, publicado no jornal Zero Hora em 14 de novembro de 2010.

Finalista do Prêmio Esso em 2011, a reportagem mostra quartos vazios, mas com objetos e pertences de jovens do Rio Grande do Sul que tiveram a vida interrompida por acidentes de trânsito. Kadão conta que a ideia surgiu do diretor de redação da época, Ricardo Stefanelli, inspirado por uma matéria do The New York Times que mostrava quartos de soldados americanos mortos na Guerra do Iraque. “Ele achou o ensaio bastante interessante, impactante, e resolveu adaptar para a nossa guerra, a guerra do trânsito, a que mais mata gente no Brasil”, relembra. Convertendo as estatísticas em histórias particulares, a reportagem trouxe a tona a transformação na vida dos pais após a tragédia.

Vidas Ausentes. Foto: Ricardo "Kadão" Chaves.

Vidas Ausentes. Foto: Ricardo "Kadão" Chaves.

Kadão considera a matéria uma das mais duras de sua carreira. Desafiada a encontrar quartos de vitimas do trânsito mantidos intactos pelos pais, a repórter que assina o texto, Kamila Almeida, entrou em contato com mais de 100 famílias até encontrar pessoas que preservassem o quarto de seus filhos quase exatamente como eles haviam deixado – e que ainda estivessem dispostas a falar sobre o assunto. No jornal impresso, foi publicada apenas a imagem, uma por página, com uma pequena legenda. Mas, Kadão conta, aproveitando as novas mídias, os dois acharam que deveriam pegar um depoimento dos pais. “Como acreditamos que seria cruel editar um vídeo explorando a dor da pessoa, solucionamos com um slideshow, gravando depoimentos e cobrindo com fotografias. Eu não achei que seria tão difícil fazer, mas muitas vezes acabávamos o trabalho abraçados aos pais, chorando junto”.

Com apoio do Grupo RBS e Fundação Thiago Gonzaga, o ensaio foi transformado em conteúdo para a prevenção de acidentes e exposição itinerante. Depois de 30 dias no Shopping Iguatemi, na Capital, passou por diversas cidades gaúchas em 2011. Criado em 2008, O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro tem como objetivo servir como referência dentro e fora do país. Além de homenagear os fotojornalistas que labutam no cotidiano das redações, busca preservar seus melhores cliques para que sirvam de exemplo aos profissionais iniciantes. A edição deste ano contempla mais de 200 imagens de 96 repórteres fotográficos de revistas, jornais e agências do Brasil.

Na última quinta-feira, 11 de outubro, Kadão realizou sua já tradicional aula na sede de Zero Hora, jornal no qual iniciou sua carreira no fim dos anos 1960 e onde, hoje, trabalha há 20 anos. Os alunos puderam conhecer na prática a rotina de trabalho de um fotojornalista dentro da redação: como são organizadas as pautas, a compra de imagens em agências, o arquivo de fotografias do jornal, etc.

Foto: Camilo Santa Helena.

Foto: Camilo Santa Helena.

 

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