Skip to content

19 de novembro de 2014

Os movimentos de Obaluaê, por Antonio Mainieri

Autorretrato de Antonio Mainieri

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695. Aproveitamos a data para apresentar o ensaio Atotô do fotógrafo Antonio Mainieri, aluno recém-formado no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul de 2014.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

No início do ano, Mainieri visitou um culto de quimbanda e se impressionou com a plasticidade do ritual – sobretudo, com a forma como os movimentos desempenhavam um papel fundamental na cerimônia. Mais tarde, conheceu uma casa de religião de candomblé em Cachoeirinha, onde viria a fazer as imagens de uma homenagem a Obaluaê  – o título da série, Atotô, é uma saudação a esse orixá.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Em iorubá, Obaluaê (umas das grafias possíveis) significa “rei e senhor da terra”. É associado à morte, da mesma forma que sua mãe, Nanã. Também se atribui a essa figura o controle sobre as doenças, principalmente as epidêmicas. Nos rituais, é representado coberto de palha – para cobrir as marcas deixadas pela varíola, segundo algumas lendas.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

“Busquei explorar o movimento e a dança, que possuem fortes significados nas religiões africanas”, conta o fotógrafo. “O movimento aparece em uma espécie de transe para atingir o sagrado, a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos”, explica. As imagens valorizam movimentos circulares em sentido anti-horário feitos pelos participantes do ritual.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Mainieri destaca a importância da formação do Curso Anual para a realização do trabalho. “O curso te obriga a amadurecer ideias e estéticas. Os professores são não somente bons no que fazem, mas também muito acessíveis. E o contato com os colegas faz uma diferença enorme”, relata o fotógrafo.

Comments are closed.