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19 de junho de 2013

Fotógrafo Fernando Schmitt ministra aula aos alunos do Módulo de Formação

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

“Aqui eu tenho o papel de provocador”. Com essa fala o fotógrafo Fernando Schmitt iniciou a aula de Ensaio II do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

Como a disciplina de Ensaio I mostrou, o trabalho precisa respeitar uma unidade formal, temática ou conceitual. Porém, na aula em questão, o objetivo de Fernando era instigar os alunos justamente a questionarem essas noções básicas de ensaio fotográfico, considerando, entretanto, que elas sirvam de norte em suas produções.

Porto-alegrense radicado em São Paulo, Fernando Schmitt é graduado em jornalismo e mestre em comunicação social. Atualmente, trabalha na coordenação do Atelie Fotô junto com o fotógrafo Eder Chiodetto. O ateliê mantém quatro Grupos de Estudo e Criação em Fotografia, todos com curadoria de Chiodetto, e visa ser um centro produtor de fotografia contemporânea que auxilie no desenvolvimento dos processos criativos de seus participantes. Seu principal foco, aliás, está justamente na discussão em torno da edição, de como desenvolver estética e conceitualmente um corpo de trabalho, seja ele uma série autoral ou um ensaio.

Foto: Eric Souza.

Foto: Eric Souza.

Fernando comentou sobre a importância da busca de referências para “saber que não se está inventando a roda de novo”. Apesar de muito já ter sido feito na área da fotografia, ela se renova à medida que são pensadas outras leituras para um mesmo assunto: mais combinações de referências e temas, elementos separados que reunidos podem resultar em algo diferente e original. O ensaio “Shangai”, do coletivo Baita Profissional, ao qual pertence, não possuía uma unidade facilmente perceptível. Entretanto, as fotos foram feitas com um filme de baixo custo importado da China que dá nome ao trabalho. Eis a unidade.

Já o ensaio “Library of Dust”, de David Maisel, retrata meras latas velhas enferrujadas e corroídas, porém carregadas de significado. As latas guardam uma história triste que Maisel escolheu contar através da fotografia. Armazenados em um hospital psiquiátrico, os recipientes guardam restos mortais de antigos pacientes que foram totalmente esquecidos por seus familiares. O depósito colecionou cinzas dos que estiveram internados na instituição entre os anos de 1883 e 1970.

Library of Dust. Foto: David Maisel.

Unfortunate Events. Foto: Michael Wolf.

Para questionar o que define a fotografia na atualidade, Fernando Schmitt mostrou trabalhos em que a foto não é batida pela pessoa que realizou a composição. “Suns (from sunsets) from Flickr”, de Penelope Umbrico, é uma seleção de fotos de pôr-do-sol retirados da plataforma Flickr, unindo somente os sois recortados em uma composição. Todos transformados em uma única foto. Seguindo o exemplo de fotografia não autoral, o ensaio feito a partir de fotos do Google Street View, chamado “Unfortunate events”, de Michael Wolf, mostra cenas inusitadas das ruas, captadas pelo carro do Google.

Para Fernando, a fotografia pode ir além do que nosso olho está acostumado a ver: “Se a fotografia profissional já é um patamar atingido, a minha questão é mostrar que o ponto mais cômodo não é o único, nem o melhor ponto. [...] O objetivo é abrir portas para que os alunos possam pensar o ensaio de uma forma diferente”. Ainda nas palavras de Fernando, a técnica adquirida é apenas o primeiro passo para fotografar: é a ampliação da visão que faz com que a fotografia de fato se desenvolva.

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