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13 de junho de 2011

A composição nas Artes Plásticas e na Fotografia

Nebulosa projetada. Retrato do professor Luiz Barth. Foto: Juliano Araujo

Qual o diferencial dos melhores fotógrafos do mundo? É com esta pergunta que Luiz Barth começa sua aula sobre composição no Curso de Fotografia da ESPM-Sul. Para o professor, quando a importância da composição nas Artes Plásticas é assimilada, desvenda-se porque algumas fotografias são mais atraentes que outras tão parecidas, além de se tornar possível relacioná-las com imagens provenientes de pinturas também consagradas. Na aula em questão são expostas as regras de composição tradicionais, que vem desde os gregos e eram manipuladas com perfeição por artistas como Leonardo da Vinci, autor das duas obras mais reproduzidas da história, a Mona Lisa e a Santa Ceia. Barth afirma que este é o verdadeiro “Código da Vinci”: algumas dessas normas foram guardadas em segredo e transmitidas de forma velada durante séculos.

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci | A Virgem e o Menino com Santa Ana, de Leonardo Da Vinci

A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci

As duas formas de composição na fotografia
Professor e mestre em Artes Plásticas pela UFRGS, Barth iniciou a aula mostrando imagens de Annie Leibovitz dirigindo e compondo durante o making of de um ensaio e o resultado final desse trabalho. O objetivo era apresentar um tipo de composição na qual o fotógrafo faz o que Barth chama de “direção de cena”, une várias imagens de diferentes procedências em uma só. Alguns dos ensaios de Annie, como o exemplificado em aula, no qual ela relê fragmentos de clássicos da Disney com famosos atores de Hollywood, ilustram um tipo de fotografia que usufrui de pleno domínio tecnológico e de planejamento e estudo prévio: “é um tipo de foto difícil de ser feito, mas para o qual existem inúmeras ferramentas de produção e pós-produção disponíveis”, define. As imagens em questão foram fotografadas separadamente, produzidas em estúdio, com todos os elementos fotografados à parte e depois montados digitalmente.
Foto: Annie Leibovitz

Foto: Divulgação

Foto: Annie Leibovitz

Foto: Divulgação

Esse controle sobre os elementos já não é possível no fotojornalismo, por exemplo. O enquadramento correto e a composição ideal dependem do posicionamento do fotógrafo e do momento em questão. Certas vezes, é necessário esperar um movimento natural, seja ele de pessoas, da luz ou de qualquer elemento, para clicar.
Para mostrar outro tipo de fotografia, e uma outra forma de composição, foram apresentadas fotos do Hubble Space Telescope, o telescópio que foi colocado em órbita por um ônibus espacial em 1990. Por captar imagens extremamente nítidas, fez as mais detalhadas fotografias do universo de todos os tempos, muitas delas responsáveis por significativos avanços em astrofísica. Para Barth, tratam-se das imagens mais importantes da história: “Se não fosse a invenção da fotografia, nunca poderíamos ver esta nebulosa”, declarou ao apresentar aos alunos a famosa Nebulosa Carina. “Com uma foto tão ampla, existem possibilidades infinitas. Em cada uma de suas reproduções existe uma escolha de enquadramento. Céu e estrelas permitem qualquer intervenção estética, é uma escolha de composição do olhar”, explica.

Vista do satélite Hubble da Nebulosa. Foto: Nasa

As estrelas e a organização do caos
A aula seguiu com imagens de gases iluminados e nebulosas como a da Águia, a Heliz, e a mais famosa dessas imagens, Deep Field, que apresenta um conjunto de galáxias. “Há menos de um século, os conhecimentos eram restritos à nossa galáxia, nem se acreditava que existissem outras”, introduz Barth, antes de começar outro tópico da aula, referente ao estudo das estrelas ao longo dos tempos. O professor explica que faz parte da nossa estrutura cerebral não aceitar o caos, tentar e querer organizar tudo, inclusive as estrelas. Esse fenômeno da organização é uma importante parte da composição: “países e povos que não tem relação, nem contato, em tempos em que a comunicação não era como ela é hoje, estudaram as estrelas de forma semelhante”.
Desde a Mesopotâmia, o zodíaco já era identificado nas estrelas. “O prefixo ‘zoo’ vem do grego, significa animais, e os símbolos vistos nas alturas, provenientes da conexão de estrelas e seus movimentos no céu, sempre foram associados aos bichos”. Outro aspecto interessante mostrado por Barth foi o fato de que é comum para muitos povos acreditar que a constelação que está em cima, no centro do céu, tem influência na vida e no cotidiano.

Organização dos zodíacos em diferentes povos.

A forma pela forma
Depois de ilustrar a necessidade do homem de organizar as estrelas, o próximo passo foi mostrar seu anseio por construir coisas belas, começando por adornos no próprio corpo. Foram expostas fotos de representantes de tribos indígenas em ocasiões especiais, pintados, maquiados e com piercings, e uma frase de Herbert Reed, autor de “A origem da forma na arte”: “Andam nus, mas anseiam por enfeitar-se”. Foi lançada, então, uma nova pergunta: Por que enfeitar-se?
Para auxiliar (ou dificultar) na busca por essa resposta, outro exemplo primitivo foi utilizado: as primeiras ferramentas eram lascadas, depois foram polidas e, posteriormente, adornadas. Por que adornar utensílios e ferramentas? Herbert Reed explica que, neste caso, tudo faz parte de uma sequência evolucionária. A primeira, é a concepção do objeto como uma ferramenta. A segunda, a criação e o aperfeiçoamento da ferramenta a um ponto de máxima eficiência. E, por último, está o refinamento da ferramenta além do ponto da eficiência, no sentido de uma concepção da forma em si mesma. Barth completou afirmando que, de qualquer modo, a forma, quando se divorcia da função, ganha a liberdade de se desenvolver segundo novos princípios ou leis, hoje chamados de estéticos.

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