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25 de maio de 2012

“Meu coração está nos livros que faço” James Mollison

James Mollison Portrait

James Mollison é um dos fotógrafos que encontra no trabalho comercial a verba necessária para executar seus projetos autorais. Queniano e criado na Inglaterra, vive há mais de 10 anos em Veneza, na Itália, onde foi morar em 1998 para trabalhar no laboratório de criatividade da Benetton. Suas imagens foram amplamente publicadas em veículos como The New York Times, The Guardian, The New Yorker e Le Monde.

Nascido em 1973, Mollison estudou Arte e Design na Universidade de Oxford e Cinema e Fotografia na Newport School of Art and Design. Mesmo confiante na qualidade de sua formação, o fotógrafo conta que nos primeiros anos de atuação não se sentia satisfeito com nada que criava, o que mudou quando começou a explorar com mais afinco o uso de cores e a viajar a lugares interessantes à trabalho.

Mollison conta que ao perceber que os projetos que mais o realizavam eram os seus próprios — e que tentar convencer os editores a concretizar suas ideias era geralmente uma luta vã — decidiu fazer seus ensaios de forma autônoma. O primeiro deles, James and other Apes (2004), clicado em 2003, mostra uma série de close ups de macacos. A inspiração foi o insight de que costumamos pensar em cada espécie animal de forma genérica, não como seres com características particulares individuais. Os retratos macro revelam detalhes da expressão de cada um dos gorilas, chimpanzés, orangotangos, entre outros.

Foto: James Mollison.

Foto: James Mollison.

Foto: James Mollison.

O mais jornalístico de seus trabalhos é The Memory of Pablo Escobar (2007), que exigiu intensa pesquisa e inúmeras entrevistas. Com centenas de imagens e alguns depoimentos, o livro conta a história da mais rica e violenta gangue da Colombia. Sua obra seguinte, The Disciples (2008), deu origem a sua primeira exposição individual, sediada na Hasted Hunt Gallery, em Nova Iorque. O objetivo da obra era mostrar a maneira como diversos grupos utilizam celebridades para formar sua própria identidade. Para isso, Mollison frequentou shows de diferentes artistas ao longo de três anos e reuniu fotos de seus mais dedicados fãs. A imagem preferida do autor foi feita em uma apresentação de Rod Stewart em Manchester, em 2005, que mostra lado a lado vários sósias do cantor.

Rod Stewart. Foto: James Mollison.

Madonna. Foto: James Mollison.

Oasis. Foto: James Mollison.

Em 2011 um de seus ensaios se espalhou como um viral pela internet. Com direitos infantis como pauta, mas total liberdade de criação, Mollison se viu pensando sobre a importância que o local onde dormia desempenhou durante os primeiros anos de sua vida. Com essa ideia em mente, viajou ao redor do mundo para retratar 26 crianças e seus respectivos quartos. O resultado foi Where Children Sleep (2010), que possui páginas duplas com imagens dos personagens em um fundo neutro e, do outro lado, o lugar onde dormem, reflexo de seus sonhos, rotinas e condições econômicas. Mesmo que não tenha sido seu mote principal, é impossível não sentir desconforto ao perceber o contraste entre a realidade de cada uma delas. O livro contém um mapa que mostra todos os países contemplados — o que inclui Brasil, representado pela carioca Thais, na época com 11 anos.

Indira, sete anos, de Kathmandu, Nepal. Foto: James Mollison.

Ahkôhxet, oito anos, mora na Bacia do Amazonas, Brasil. Foto: James Mollison.

Natio, quinze anos, Quênia. Foto: James Mollison.

Kaya, quatro anos, Tóquio, Japão. Foto: James Mollison.

Em 2009, voltou a seu país de nascimento para fotografar a imensa variedade de pessoas que está no campo de refugiados Dadaab, localizada na fronteira do Quênia com a Somália. O trabalho comercial segue sendo o meio de financiamento de seus projetos autorais. Ele assume que, de certa forma, mescla sua base em fotografia documental com a plasticidade de seus trabalhos editoriais quando constrói seus livros. Entre os assuntos mais frequentes estão retratos de celebridades, editoriais de moda e campanhas. “Às vezes fazemos pautas ótimas, mas muitas são feitas apenas para que eu possa concretizar meus outros projetos”, conta.

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