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7 de junho de 2016

Duane Michals: narrativa, representação e realidade (Parte IV)

 

 

Em nosso quarto post sobre o trabalho de Duane Michals – confira aqui as partes I, II e III –, encontramos novamente o interesse do fotógrafo em explorar os limites da linguagem fotográfica. Com humor sutil, a série Madame Schrödinger’s Cat [O gato de Madame Schrödinger, 1998] aborda uma reflexão do físico austríaco Erwin Schrödinger, de 1935, que busca enxergar na prática os desdobramentos de uma questão da física quântica. A partir dessa referência, Michals faz uma espécie de tradução do pensamento de Schrödinger.

[LEGENDAS TRADUZIDAS]

 

Madame Schrödinger pergunta-se: seu gato perdido estará ou não dentro da caixa?

 

O gato, que pode estar ou não dentro da caixa, pergunta-se: Madame Schrödinger está ou não fora da caixa?

 

Madame Schrödinger e seu gato perguntam-se: quais as probabilidades de você estar lendo isso nesse momento?

 

Levada para o campo da fotografia, a questão de Schrödinger nos faz pensar nos limites da compreensão do espectador diante de uma imagem – tudo aquilo que ele não percebe e que está fora do enquadramento. Michals mostra também o quanto a linguagem fotográfica é rica para pensarmos não só seus próprios limites, como também outros limites interpretativos – da física quântica à realidade mais cotidiana. Que informações Madame Schrödinger, o gato e o espectador têm à disposição para entender o mundo a sua volta? Como cada um constrói suas verdades? Como abordam aquilo que não conseguem enxergar? Mais uma vez, Michals nos conduz em direção a questões complexas, construindo narrativas com o mínimo de elementos, levados a sua potência máxima com o apoio de legendas.

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