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15 de novembro de 2016

A casa de Reynaldo, por Eduardo García

 

 

Um velho teatro que se torna uma casa com ares de palácio decadente. Nela vive Reynaldo Loti Perez, protagonista da série Home, do fotógrafo cubano Eduardo García. Suas imagens em preto e branco, de forte carga poética, mostram a rotina de um homem de poucos recursos materiais num local público que transformou em seu lar.

 

 

 

 

O interesse do fotógrafo parece ser menos o de documentar um exemplo dos problemas de moradia em Cuba, e sim retratar um personagem bastante singular que se apropriou de parte do teatro Campoamor, em Havana. García relata que Reynaldo mudou-se para a capital cubana no final dos anos 80, oriundo da província de Granna.

 

 

 

 

Com a morte de seu avô, Reynaldo ficou sem casa e acabou encontrando o teatro enquanto buscava emprego. Passou a trabalhar no local e a morar em um dos três camarins do Campoamor. Vive lá desde então, enfrentando as condições precárias da construção.

 

 

 

 

As imagens da série abrem espaço para a imaginação do espectador sobre a história de vida e a rotina de Reynaldo. De certa forma, as fotografias também servem de metáfora para a realidade de Cuba – um tempo em suspensão, alguma nostalgia e poucas perspectivas de mudança. Além disso, com o uso do preto e branco a tornar tudo mais homogêneo, é como se a construção e corpo de Reynaldo fossem feitos da mesma matéria que se desgasta, mas que resiste à passagem do tempo.

 

 

 

 

Nascido em 1978 em Havana, Eduardo García vive na capital cubana e colabora com um curso de fotografia do Novo México, nos EUA, desde 2011. Estudou no Instituto Enrique José Varona e na Academia de Arte Antonio Díaz Peláez. Desenvolveu inicialmente trabalhos em torno do audiovisual e de instalações, dedicando-se à fotografia urbana a partir de 2009. Algumas de suas fotografias fazem parte de coleções privadas de países europeus e das Américas.

 

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