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9 de setembro de 2016

A banheira de George, por Corinna Kern

 

 

O ensaio George’s Bath [A banheira de George] da fotógrafa alemã Corinna Kern restringe-se a um único ponto de observação, sempre numa mesma peça da residência de seu personagem. As imagens, obtidas a 90 graus da banheira, mostram uma estanha rotina, colocando o espectador em dúvida sobre o que está acontecendo. Por que aqueles objetos estão naquele local de banho?

 

 

 

 

A chave para o entendimento da série está fora das imagens: George Fowler, 72 anos à época do ensaio, é um acumulador compulsivo. A banheira é um dos únicos espaços de sua casa em que (ainda) é possível fazer atividades como lavar louça e roupas, ler e, claro, tomar banho.

 

 

 

 

É possível perceber uma dupla abordagem no trabalho de Corinna. Por um lado, a fotógrafa documenta o uso atípico da banheira e o raro dinamismo da casa de um acumulador. O ponto de vista adotado ressalta os diferentes momentos dessa rotina e sua repetição – sem qualquer dramatismo, vale destacar.

 

 

 

 

O segundo aspecto que podemos observar é a forma como Corinna aborda uma questão – o comportamento compulsivo de George – sem mostrar diretamente o acúmulo de objetos. A fotógrafa demanda que o espectador imagine o que acontece nos outros cômodos da casa, apresentando a situação a partir de um olhar oblíquo que revela sua potência justamente pelo que não é visível nas fotografias.

 

 

 

 

Alemã, a fotógrafa Corinna Kern vive entre Israel e Alemanha. Seus trabalhos retratam comunidades marginalizadas e modos de vida pouco convencionais. Possui mestrado em fotojornalismo pela Universidade de Westminster, de Londres, e teve suas fotos publicadas em periódicos como Time, CNN, Vice, Die Zeit e Esquire.

 

 

 

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