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21 de maio de 2012

Yousuf Karsh: o retratista dos imortais

Yousuf Karsh Self Portrait.

“O fascínio interminável pelas pessoas que fotografo está naquilo a que chamo a sua força interna. Faz parte do segredo de difícil descrição que se esconde dentro de cada um e a tentativa de captá-lo em filme tem sido o trabalho da minha vida.” Yousuf Karsh

Pablo Picasso, 1954. Foto: Yousuf Karsh.

Andy Warhol. Foto: Yousuf Karsh.

Para muitos, ver o portfólio de Yousuf Karsh (1908 – 2002) é como ter acesso a um importante pedaço da história da humanidade sob um ponto de vista íntimo — como se a face dos retratados representasse, em um só tempo, aquilo que escondem e aquilo que os torna célebres. Considerado um dos mestres da fotografia do século 20, e provavelmente um dos principais retratistas do século, é autor de icônicas imagens de músicos, artistas, cientistas e outras personalidades importantes, de Albert Einstein à Rainha Elisabeth.

Albert Einstein, 1948. Foto: Yousuf Karsh.

Ernest Hemingway, 1957. Foto: Yousuf Karsh.

A vida de Karsh começou em meio a guerra, em Mardin, uma cidade ao leste do Império Otomano, atual Turquia. Cresceu testemunhando a fome, as atrocidades e deportações constantes por parte das autoridades sobre a minoria armênia, na época chamada de “homens doentes da Europa”. Após a irmã morrer de fome, fugiu com a família para a Síria a fim de escapar da perseguição. Dois anos depois, seus pais conseguiram o enviar para o Canadá para viver com seu tio, George Nakash, um fotógrafo de Quebec. Karsh contava que foi o mais animado passageiro do navio que o levou à nova e promissora terra, onde, como refugiado, frequentou a escola e estudou fotografia.

Elizabeth Taylor. Foto: Yousuf Karsh.

Audrey Hepburn. Foto: Yousuf Karsh.

Em 1928, aos 20 anos de idade, foi a Boston trabalhar como aprendiz de John Garo, um dos mais importantes fotógrafos de estúdio do período. Cerca de 12 anos depois, retornou a Ottawa para abrir seu próprio atelier e iniciar uma carreira. Como uma atividade social extra-curricular, frequentava o Ottawa Little Theatre, um teatro da cidade que, coincidentemente, foi o responsável por impactar fundamentalmente sua visão artística. O ambiente cênico, com suas luzes incandescentes dramáticas, criou uma nova janela de expressão para Karsh, que seria convertida em possibilidade, também, para seus assuntos fotográficos. Foi por casualidade que em 1941 Karsh fez a imagem que mudaria sua vida para sempre: uma amizade casual com o primeiro ministro canadense o deu a oportunidade de fotografar Winston Churchill em sua visita para discursar no Parlamento Canadense após o ataque a Pearl Harbor. Essa imagem se tornaria o retrato mais reproduzido de todos os tempos e estabeleceria Karsh como o principal fotógrafo de celebridades da sua época.

Winston Churchill, 1941. Foto: Yousuf Karsh.

Vladimir Nabokov. Foto: Yousuf Karsh.

Muito por conta de sua experiência com teatro, Karsh se tornou um mestre na iluminação de estúdio. Uma de suas práticas mais distintas era iluminar as mãos do modelo separadamente. Certa vez, o jornalista britânico George Perry escreveu no The Sunday Times que “quando os famosos começavam a querer a imortalidade, chamavam Karsh”. Com a câmera Calumet 8 x 10 que usou na maior parte de sua carreira, captava a essência de seus assuntos no instante do retrato.

Joan Miró, 1966. Foto: Yousuf Karsh.

George Bernard Shaw, 1943. Foto: Yousuf Karsh.

Karsh publicou mais de 15 livros e tem exposições permanentes em museus do mundo inteiro. Fez retratos até pouco antes de sua morte, em 2002.

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