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19 de abril de 2012

Pieter Hugo, fotógrafo da África subsaariana

Pieter Hugo Portrait, 2009.

O fotógrafo Pieter Hugo vive na Cidade do Cabo, na África do Sul, mas costuma cruzar o continente africano em busca de uma boa história. O conjunto da sua obra, bastante focada em retratos de grande formato, poderia compor uma galeria de tipos humanos peculiares: curandeiros, apicultores, albinos, lavadores de taxis, criadores de hienas, e por aí vai.

Chris Nkulo and Patience Umeh, 2008. Foto: Pieter Hugo.

Hugo começou a fotografar quando o apartheid chegava ao fim e se tornou herdeiro da tradição fotográfica política da África do Sul, marcada por fotos impactantes como as de David Goldblatt. Mas a denúncia presente no seu trabalho é bem diferente: sem opinar sobre o que é certo ou errado, ele elege temas com a ambição de mostrar uma África complexa, muito além da miséria que repercute na mídia.

O material para dois de seus livros foi conseguido na Nigéria, inclusive a famosa série The Hyena and Other Men (2005–2007). O trabalho nasceu do fascínio de Hugo por um grupo de homens que domavam hienas e desfilavam com elas pelas ruas de Lagos como se fossem animais de estimação. Para falar de Nollywood (2008), uma das maiores indústrias cinematográficas do mundo, o fotógrafo pediu que atores encenassem mitos e símbolos dos filmes como se estivessem em sets.

Alhaji Hassem with Ajasco, 2007. Foto: Pieter Hugo.

Abdullahi Mohammed with Gumu, 2007. Foto: Pieter Hugo.

Looking Aside(2003–2006) é constituída por retratos realizados em estúdio de pessoas cuja aparência costuma causar desconforto. Ao aproximar a câmera de albinos e cegos, Hugo força o espectador a encarar o que na vida real o faria desviar os olhos.

Steven Mohapi, Johannesburg, 2003. Foto: Pieter Hugo.

Em 2004, com “Rwanda 2004: vestiges of a genocide”, Hugo produziu um documento poderoso do genocídio da tribo Tutsi em Ruanda. Ao saber que, quase dez anos depois do massacre, os rastros da violência continuavam presentes, o fotógrafo viajou até o país e revelou os vestígios da tragédia por meio de retratos, paisagens e objetos abandonados.

Genocide site, Ntarama Catholic Church, 2004. Foto: Pieter Hugo.

Na sua monografia mais recente, intitulada “Permanent Error”, o artista rumou para Accra, a capital de Gana, e documentou Agbogbloshie, um imenso lixão que recebe detritos eletrônicos de várias partes do mundo. Em suas fotos, montanhas de monitores, celulares e videogames estragados parecem compor um cenário pós-apocalítptico onde, no entanto, várias pessoas trabalham diariamente.

Yakabu al hasan, 2009. Foto: Pieter Hugo.

Abdulai Yahaya, 2010. Foto: Pieter Hugo.

Com vários livros publicados, Pieter Hugo é considerado um dos grandes nomes da fotografia contemporânea. Em 2006, ele obteve o primeiro lugar na categoria “retratos” do World Press PhotoEm 2011, mesmo ano em que veio ao Brasil participar do 7º Paraty em Foco, o artista venceu o Prix Seydo Keita, o mais prestigioso prêmio de fotografia na África.

Emeka Uzzi, 2009. Foto: Pieter Hugo.

Emeka Onu, Enugu, Nigeria, 2008. Foto: Pieter Hugo.

Recentemente, aventurou-se como cineasta. Ao lado de Michael Cleary, Hugo assina a direção e a filmagem do clipe “Control”, versão do DJ sul-africano Spoek Mathambo para “She’s Lost Control”, do Joy Division. A filmagem em preto e branco dialoga com a temática do vídeo no qual personagens  negros interagem com tinta e poeira branca.

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