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25 de julho de 2012

Josef Koudelka e suas fotografias do exílio

Retrato de Josef Koudelka.

O tcheco Josef Koudelka realizou uma das grandes fotorreportagens da história antes de saber o significado da palavra “fotojornalismo” ou sequer conhecer seu mais célebre veículo, a revista “Life”. Obedecendo à sua intuição, ele registrou os sete dias de protestos que agitaram Praga em 1968, quando a cidade foi ocupada pelas forças militares da União Soviética. Com o talento reconhecido por nada menos do que a agência Magnum Photos, de Robert Capa e Cartier-Bresson, ele seguiu produzindo monografias consideradas verdadeiras obras-primas do século XX.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

Nas fotografias realizadas na fatídica semana de 68, Koudelka correu grandes riscos para conseguir capturar cenas incrivelmente comoventes da resistência tcheca ao exército soviético que sairia vencedor, encerrando o período conhecido como Primavera de Praga. O fotógrafo utilizou uma câmera primitiva e rolos de filme de cinema cortados em tiras. Esses registros foram contrabandeados para fora do país e publicados em um grande jornal sob a assinatura P.P. (Prague Photographer), pois Koudelka temia represálias. Esse trabalho se tornou um divisor de águas para Koudelka, que conseguiu asilo político em Londres e, embora ainda sob a proteção do anonimato, teve suas fotos reconhecidas internacionalmente com o prêmio Robert Capa Gold Medal Award.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

Nos anos seguintes, já associado à Magnum, Koudelka deu continuidade a um projeto começado em 1962. Com a chegada de cada verão, ele partia em viagens pela Europa documentando grupos de ciganos. Ele obtinha a permissão de várias famílias na Checoslováquia, Romênia, Hungria, França e Espanha para se juntar a elas por longos períodos nos quais dormia ao ar livre e fotografava o peculiar estilo de vida desses grupos. O resultado dessa cruzada, muitos retratos em preto e branco revelando personagens um tanto irreais, transformou-se no seu primeiro livro: “Gypsies”, publicado em 1975.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

Sem a possibilidade de retornar ao país natal e inquieto demais para permanecer num só lugar por muito tempo, Koudelka manteve um estilo de vida nômade, intercalando temporadas em Londres com viagens constantes. Em 1988, publicou seu segundo livro, “Exiles”. O conjunto dessas fotos é um testemunho do estado de espírito do homem que vive no exílio, elas parecem falar sobre a natureza da alienação.

"Gypsies". Foto: Josef Koudelka.

"Exiles". Foto: Josef Koudelka.

Breve cronologia de Josef Koudelka – Nasceu em 1938, numa pequena cidade da região de Morávia, na antiga Checoslováquia. Ele realizou suas primeiras fotografias ainda como estudante, nos anos 50. No início da década de 1960, enquanto trabalhava como engenheiro, começou a fotografar ciganos na Checoslováquia e aceitar encomendas para fotografar peças de teatro em Praga. Em 1967, tornou-se fotógrafo em tempo integral. Em 1987, Koudelka ganhou a cidadania francesa. Em 1991, retornou a Checoslováquia pela primeira vez.

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