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11 de maio de 2012

Gustave Le Gray e a fotografia como arte inovadora

Gustave Le Gray Self Portrait, 1850-52.

Figura central da fotografia francesa do século 19, Gustave Le Gray nasceu em 1820, em Paris, e estudou para se tornar pintor. Migrou para a fotografia em 1847 e, antes mesmo de criar as imagens marinhas que o tornariam eterna referência, consagrou-se como um dos mais renomados pioneiros do novo ofício. Além de artista de primeira ordem, lecionou e escreveu uma série de manuais de instrução fotográficos amplamente distribuídos.

Lighthouse and Jetty, Le Havre, 1856-57. Foto: Gustave Le Gray.

Seascape with Sailing Ship and Tugboat, 1857. Foto: Gustave Le Gray.

The Great Wave, Sète 1857. Foto: Gustave Le Gray.

Le Gray estudou pintura no estúdio de Paul Delaroche e construiu seu primeiro daguerreótipo em 1947. Entretanto, suas maiores contribuições artísticas e técnicas foram realizadas no campo da fotografia em papel, por ele experimentada no ano seguinte. Em um de seus tratados, publicado em 1950, previa sem erros, se desconsiderado o meio digital, que o “futuro inteiro da fotografia era em papel”. No mesmo documento, esboçava uma variação do processo cunhado por William Henry Fox Talbot, afirmando que se os negativos de papel fossem encerados antes da sensibilização, gerariam uma imagem mais nítida, o que rapidamente comprovou.

The Road to Chailly, Fontainebleau, 1856. Foto: Gustave Le Gray.

Study of Trees and Pathways, 1849. Foto: Gustave Le Gray.

Ao lado de nomes como Édouard-Denis Baldus e Hippolyte Bayard, tornou-se um dos cinco fotógrafos responsáveis por documentar as missions héliographiques. O objetivo dessas missões patrocinadas pelo governo francês era reparar importantes monumentos do país. Em 1950, passou a ensinar fotografia, motivado pelo desejo de que ela fosse incluída no meio das artes ao invés de cair no domínio da indústria e do comércio. No ano seguinte, tornou-se membro fundador da Societé Héliographique, a primeira instituição fotográfica do mundo, e, mais tarde, da Societé Française de Photographie.

Camp de Châlons Setting the Emperor's Table, 1857. Foto: Gustave Le Gray.

Camp de Châlons: Zouaves, 1857. Foto: Gustave Le Gray.

Zouave Storyteller, 1857. Foto: Gustave Le Gray.

Em 1855, estabeleceu o “Gustave Le Gray et Cie”, seu opulente estúdio de fotografia. Apesar do fluxo constante de clientes ricos, a construção luxuosa acumulou enormes dívidas. Talvez para amenizar esses problemas, talvez por gostar mais de desafios artísticos do que da rotina de retratos, Le Gray produziu, no mesmo período, algumas de suas obras mais populares e memoráveis, como a poética série de paisagens marítmas que o tornou famoso internacionalmente.

The Brig, 1856. Foto: Gustave Le Gray.

Cavalry Maneuvers, Camp at Châlons, 1857. Foto: Gustave Le Gray.

Na época do ensaio, intitulado “Sète”, a fotografia do estático já dava lugar a cenas do cotidiano. Ou seja, o tempo de exposição necessário para a captação da imagem fotográfica já não era mais tão longo para demandar um assunto imóvel. Muitas das imagens anunciam, como “La Grande Vague” (1857) (ou “a grande onda”), essa transformação da fotografia na arte do instantâneo. Sua maior inovação, entretanto, foi outra. Para resolver o problema da adequação de diferentes tempos de exposição para o céu e para o mar, Le Gray encontrou uma solução que remete a técnica da fotografia HDR popular nos dias de hoje, na qual duas imagens são sobrepostas para a criação de uma só. A fim de que ambos, céu e mar, tivessem a mesma qualidade, usou duas placas de vidro diferentes e as imprimiu no mesmo suporte, um procedimento imperceptível na imagem final.

Pius IX's Railroad Car, 1859. Foto: Gustave Le Gray.

Pavilion Mollien, the Louvre, 1859. Foto: Gustave Le Gray.

Hypostyle Hall, Temple of Amon, Karnak, 1867. Foto: Gustave Le Gray.

Mesmo com o sucesso das imagens (mais de 50 mil francos em encomendas), ele fechou o estúdio, abandonou a esposa e os filhos e fugiu para escapar dos credores. Juntou-se a Alexandre Dumas para velejar pelas antigas civilizações como a Grécia, famosa na história e nos mitos. Desentenderam-se após dois meses de viagem e Le Gray desembarcou em Malta. Seguiu para o Líbano e, finalmente, para o Egito, onde fotografou e lecionou pintura até o final de sua vida, em 1884.

Gnarled Oak Tree near the l'Épine Crossroads, 1852. Foto: Gustave Le Gray.

The Beech Tree, 1855-57. Foto: Gustave Le Gray.

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