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18 de maio de 2012

Alfred Eisenstaedt e as imagens que contam histórias

Alfred Eisenstadt Portrait.

Autor de muitas das fotografias mais representativas do último século, Alfred Eisenstaedt (1898 – 1995) ajudou a definir o que seria o fotojornalismo nos Estados Unidos e no mundo. Começou a fotografar profissionalmente após os 30, mas sua carreira durou mais de 50 anos, a maioria deles dedicados à revista Life. Ao todo, publicou mais de 2500 imagens em reportagens e 90 capas.

Tha Parisians, 1963. Foto: Alfred Eisenstaedt.

Ladies at Party, 1943. Foto: Alfred Eisenstaedt.

Nascido na Prússia, atual Polônia, mudou-se para Berlim aos 8 anos, deixando a cidade apenas quando Hitler tomou o poder. Ganhou sua primeira câmera aos 14, uma Eastman Kodak nº3 de fole, presente de um tio. Ao atingir a maioridade, foi recrutado pelo exército alemão para lutar na Primeira Grande Guerra e, em 1918, foi o único sobrevivente de uma explosão de granada. Demorou um ano até conseguir voltar a caminhar, interessando-se por fotografia novamente durante a recuperação.

Foto: Alfred Eisenstaedt.

Foto: Alfred Eisenstaedt.

Quando se tornou vendedor de cintos e botões, investia o dinheiro que conseguia poupar em equipamento fotográfico. Começou a revelar suas imagens no banheiro e a aprender o ofício de forma autodidata. Depois de vender sua primeira cópia para um jornal local pelo equivalente a 12 dólares, já aos 31 anos, decidiu assumir a fotografia como profissão. Arrumou um emprego na Pacific and Atlantic Photos, que se transformaria na gigante agência de notícias Associated Press, e começou a trabalhar com a inovadora Leica 35mm, marca que o acompanharia pelo resto da carreira, variando apenas na atualização dos modelos.

Corps de Ballet, Paris Opera, 1930. Foto: Alfred Eisenstaedt.

George Balanchine's School of American, 1936. Foto: Alfred Eisenstadt.

Com a ascensão do Nazismo na Alemanha, emigrou para os Estados Unidos, mais precisamente para o distrito de Queens, em Nova Iorque, onde morou pelo resto de sua vida. Já notório por seu estilo destemido, foi procurado por Margaret Bourke-White e Henry Luce para fazer parte de um projeto ainda anônimo que se tornaria, seis meses depois, a revista Life. Pela icônica publicação, cobriu os efeitos da Segunda Guerra no Japão, a pobreza na Itália e a presença de tropas norte-americanas na Coreia. Além de estes e outros importantes eventos políticos, é responsável por imagens históricas de personalidades famosas como Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, John Fitzgerald Kennedy e Sophia Loren, sua modelo favorita.

Marilyn Monroe, 1953. Foto: Alfred Eisenstaedt.

Sophia Loren, 1964. Foto: Alfred Eisenstaedt.

Tornou-se conhecido na Life por sua capacidade de transformar todo e qualquer assunto em imagens poderosas. O trabalho de um fotógrafo, como o próprio escreveu, era “encontrar e captar o momento do storytelling“, e nisso ele era sempre bem sucedido. Seu domínio da Leica permitia que fizesse cliques em momentos inesperados, criando fotografias com uma atmosfera de intimidade. Para muitos, sua maior qualidade era justamente a forma como comunicava a essência de uma história em apenas uma foto.

Foto: Alfred Eisenstadt.

New Hampshire Girls RPTC, 1942. Foto: Alfred Eisenstadt.

Ainda que seja essencialmente lembrado por sua capacidade de retratar momentos memoráveis de personalidades famosas, seu registro mais famoso não é de uma celebridade, mas de dois anônimos — e até hoje a identidade de ambos é desconhecida. Em meio às celebrações que tomaram conta da Times Square no V-J Day, data da rendição japonesa que deu fim à Segunda Guerra Mundial, Eisenstaedt clicou um marinheiro beijando uma enfermeira. A imagem romântica foi capa da revista Life e rodou o mundo por representar fielmente o clima no país após o encerramento do conflito. Anos depois, Edith Shain revelou ser a personagem clicada e deu à imagem uma nova versão: não havia sido espontânea, mas produzida. Depois do clique, alguns dizem que cada um seguiu para um lado. Outros, que o marinheiro distribuiu mais beijos. Mesmo com toda a polêmica e especulação, a fotografia se tornou um ícone do fotojornalismo e da paz mundial.

V-J Day, 1945. Foto: Alfred Eisenstaedt.

Estação de New York, 1944. Foto: Alfred Eisenstaedt.

Eisenstaedt regressou à Alemanha novamente apenas aos 81 anos para uma mostra em sua homenagem. Trabalhou até os últimos dias de sua vida, supervisionando a impressão de suas fotografias para futuras exposições e livros. Morreu em 24 de agosto de 1995, aos 96.

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