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14 de maio de 2012

A liberdade em cores de Ernst Haas

Ernst Haas Portrait.

Ernst Haas (1921 – 1986) é aclamado como uma das mais importantes figuras da fotografia do século 20, além de, como William Eggleston e Joel Meyerowitz, ser considerado um artista pioneiro no uso de cores. Membro da célebre Magnum Photos, tem em seu acervo mais de 250 cópias coloridas e 100 mil negativos em preto e pranco, além de um extenso número de escritos e experimentos com luzes e formas abstratas.

Galloping Horses. Foto: Ernst Haas.

Motion Runners, 1958. Foto: Ernst Haas.

Como muitos dos fotógrafos precursores no uso de cores, Haas começou sua carreira artística como pintor. Nascido em Viena, na Áustria, estudou Medicina e largou o curso para trabalhar na revista Heute. Seu ensaio de prisioneiros de guerra que chegavam para se refugiar na cidade chamou a atenção de Robert Capa, que o convidou para integrar a recém fundada Magnum Photos. Ao lado de Werner Bischof, Haas foi um dos primeiros e únicos colaboradores a ser chamado diretamente pelos fundadores, Capa, David Seymour, Henri Cartier-Bresson, George Rodger e Bill Vandivert.

Pool Reflections, 1977. Foto: Ernst Haas.

Third Avenue, New York, 1952. Foto: Ernst Haas.

Mudou-se para Nova Iorque e logo começou a fotografar e publicar as imagens coloridas que se tornariam sua assinatura, carregadas de cores saturadas e características pictóricas, mas sempre com leveza. Em 1953, publicou uma série de 24 páginas sobre a cidade para a revista Life. Por trazer um conceito de ensaio sem amarras com o jornalismo tradicional, “Images of a Magic City” foi considerado um marco na fotografia editorial — e gerou a produção de matérias nos mesmos moldes nas cidades de Paris e Veneza. Em 1958, Haas já era consiedrado um dos dez melhores fotógrafos do mundo de acordo com informações da revista Popular Photography.

Central Park, 1952. Foto: Ernst Haas.

New York in the Fog, 1980. Foto: Ernst Haas.

Uma bela forma de compreender seu trabalho é através de seus escritos, nos quais expunha com liberdade sua visão da fotografia como “uma nova filosofia do olhar”, em suas próprias palavras. Em muitos desses textos, Haas dizia que essa arte era uma ponte entre a ciência e a arte: era através das fotos que artistas e cientistas poderiam encontrar um denominador comum em sua busca pela síntese de uma visão moderna do tempo e do espaço. “Nós podemos escrever novos capitulos em uma língua visual, na qual a prosa e a poesia não necessitam mais de tradução”. Em um momento de crescente mecanização do homem, a fotografia se tornava, para ele, o exemplo perfeito de um problema paradoxal: “Como humanizar-se, como superar uma máquina da qual estamos totalmente dependentes… a câmera.”

Street Reflections, 1952. Foto: Ernst Haas.

Foto: Ernst Haas.

O trabalho do fotógrafo, para ele, era transcender a realidade sem a deformar, trazendo uma ordem subjetiva a um caos objetivo. Em sua primeira exposição individual, sediada no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque), em 1962, o curador John Szarkowski afirmava no release oficial: “Nenhum fotógrafo teve tanto sucesso ao expressar uma algria plena através do seu olhar”. Para Haas, as cores eram a alegria. E não pensamos na alegria, nos deixamos levar por ela.

City Railings, 1955. Foto: Ernst Haas.

Hot Frunkfurters, 1955. Foto: Ernst Haas.

Essa alegria que marca sua obra está relacionada com a liberdade com a que construía as imagens, muitas delas deliberadamente fora de foco, com fortes efeitos visuais. O uso do processo dye transfer ajudava a criar as cores vivas e brilhantes que também atrairiam a publicidade. Entre as campanhas que clicou, vale citar uma série para a marca de cigarros Marlboro, em 1980. Entre outros de seus trabalhos marcantes fora do fotojornalismo estão os célebres registros das filmagens de Os Desajustados (1961), com Marilyn Monroe.

Malrboro Man, Morning Her. Foto: Ernst Haas.

Marilyn Monroe em "Os Desajustados". Foto: Ernst Haas.

No mesmo ano em que faleceu, 1986, Haas recebeu o prêmio Hasselblad, em Nova Iorque.

“Estilo não tem fórmula, mas tem uma chave secreta: é a extensão de sua personalidade. [...] Não estacione. Estradas vão te levar lá, mas eu aviso, nunca tente chegar. A chegada é a morte da inspiração.”
Ernst Haas

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