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17 de maio de 2016

Fatemeh Behboudi: Mães da paciência

 

 

Em qualquer conflito armado, a tragédia das vidas perdidas se multiplica se pensarmos que cada morte traz consigo o sofrimento daqueles que ficam e precisam aprender a lidar com as ausências. Há também outro tipo de dor, perturbadora de modo distinto: aquela da expectativa de que alguém volte, por menos provável que isso possa parecer. Na série Mothers of Pacience [Mães da paciência], a fotógrafa Fatemeh Behboudi acompanha de perto a eterna espera de mulheres iranianas por seus filhos, desaparecidos durante a guerra entre Irã e Iraque.

 

 

 

 

Iniciada em 1980, com a invasão iraquiana de territórios do Irã, a guerra entre os dois países se estendeu até 1988 – considerada, portanto, o mais longo conflito bélico convencional do século 20. Depois de assinada a paz, contabilizou-se em 10 mil o número de soldados iranianos dos quais não se sabia o paradeiro.

 

 

 

 

“Nasci durante a guerra, e toda minha infância e juventude foi perdida em nome dela. Todos os dias, escutava que os corpos de um grande número de mártires haviam sido trazidos. Fui com minha família receber os corpos de desconhecidos e vi mães que procuravam os de seus filhos”, recorda a fotógrafa. Nos últimos anos, em torno de 7 mil corpos foram encontrados no Irã, mas devido a dificuldades de identificação, foram registrados como mártires anônimos e enterrados. Do outro lado da fronteira, no Iraque, estima-se que 5 mil corpos ainda estejam sem terem sido sepultados.

 

 

 

 

Na rotina das mães, o apego a cartas e roupas que ficaram para trás é constante. Depois de décadas de espera, muitas delas acabam conseguindo identificar seus filhos por meio de exames de DNA e de objetos encontrados junto aos corpos. Com intervalos de alguns meses, são realizados enterros de corpos encontrados próximos da fronteira Irã-Iraque. Os funerais são atendidos por muitas das mães que ainda aguardam alguma notícia de seus desaparecidos.

 

 

 

 

Nascida no Teerã, capital do Irã, Fatemeh Behboudi estudou fotografia e, depois de graduar-se em 2007, trabalhou em veículos e agências de comunicação iranianas. Nos últimos anos, tem participado e recebido distinções de diversas festivais e exposições relacionados à fotografia.

 

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