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2 de agosto de 2016

Faisal Al Fouzan: os trabalhadores imigrantes e apátridas do Kuwait

À margem do progresso sugerido pela arquitetura espetacular do Kuwait, milhares de pessoas sobrevivem de forma precária e trabalham em condições deploráveis, já denunciadas por entidades como a Human Rights Watch. Na série Friday Gathering [Reunião de sexta-feira], Faisal Al Fouzan aproxima-se desse cotidiano e dos contrastes dessa realidade.

Pelo menos dois grupos marginalizados integram a força de trabalho no Kuwait. Os imigrantes figuram em maior volume: estima-se que componham 80% do total de trabalhadores do país. Além deles, há também os Bidun, como são chamadas os mais de cem mil apátridas que residem – muitas vezes de forma ilegal – no Kuwait e que encontram inúmeras dificuldades para mudar sua situação dentro do país.

Desde 2010, os imigrantes contam com uma legislação que determina um máximo de horas de trabalho, folga semanal e férias. A regulamentação, no entanto, excluiu trabalhadores domésticos, os quais se queixam de confinamentos, trabalhos prolongados, falta de pagamento ao longo de meses, bem como abusos verbais, físicos e sexuais.

A situação torna-se ainda mais complicada devido ao sistema de “patrocínio” (kafala), espécie de tutela à qual os imigrantes precisam se submeter: a residência legal de cada um deles está vinculada a um empregador. Para desvincular-se antes de três anos de kafala, é necessário o consentimento do empregador. Caso o imigrante, no decorrer desse período, deixe seu patrocinador sem consentimento, ele é considerado um foragido, podendo ser detido e mesmo deportado.

Fotógrafo auto-didata, Faisal Al Fouzan dedica-se à paisagem urbana do Kuwait e seus conflitos sociais, retratando principalmente populações marginalizadas. Fouzan também lança um olhar para o cotidiano do país – sua arquitetura e suas cenas cotidianas. Participou da Bienal de Veneza de 2012 e participou de diversas exposições coletivas no Oriente Médio e na Europa. Em 2014, foi premiado pela Magnum Foundation.


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