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12 de maio de 2011

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Retrospectiva de Guy Bourdin chega a Porto Alegre

Retrato de Guy Bourdin.

Do dia 13 de maio ao dia 10 de junho de 2011, Porto Alegre sedia, na Casa de Cultura Mario Quintana, uma exposição de fotografias, filmes e editoriais em movimento produzidos por ninguém menos que Guy Bourdin, um dos mais importantes fotógrafos de moda do século 20. Intitulada de Retrospective Guy Bourdin e com curadoria de Shelly Verthime, em parceria com o herdeiro do artista, Samuel Bourdin, a exposição já passou por cidades como Londres, Melbourne, Paris, Amsterdam, Pequim, Tóquio, Moscou e, em 2009, São Paulo. A iniciativa é da Oi Futuro, com apoio da ESPM-Sul e do Governo do Estado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, a Casa de Cultura Mario Quintana e o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.

Foto: Guy Bourdin.

A influência de Guy Bourdin é notória em nomes da atualidade, como o fotógrafo David Lachapelle, o cineasta David Lynch e a cantora Madonna, que foi processada pelo filho de Guy, Samuel, quando reproduziu imagens assinadas por Bourdin no videoclipe de Hollywood, lançado em 2003. Contemporâneo de Helmut Newton, outro conceituado fotógrafo de moda, compartilhou com ele o gosto por controvérsia e estilização, mas, de acordo com Gilles de Bure, autor de “Guy Bourdin (Photofile)”, de uma maneira menos convencional e formal.

Foto: Guy Bourdin.

Nascido em Paris em 1928 e batizado de Guy Banarès, foi abandonado pelos pais com menos de 2 anos e adotado por Maurice Désiré Bourdin, que o educou com a ajuda da mãe, Marguerite Legay. Foi em 1948, ao prestar serviço militar no Dakar, que Bourdin teve seu primeiro contato com fotografia, treinando como um cadete na Força Aérea Francesa. Ao retornar, em 1950, Guy conheceu Man Ray, tornando-se seu pupilo, e no mesmo ano realizou sua primeira exposição de desenhos e pinturas. A segunda, já de fotografias, veio em 1952 e também foi sediada em Paris. Na época, fotografava paisagens e, ao colocar em cena os passantes, começou um processo de experimentação e aperfeiçoamento, intuindo seus futuros editoriais de moda. Os ensaios para a Vogue começaram em 1955 e perduraram com sucesso até 1987.

Foto: Guy Bourdin

Sua formação foi feita na França do pós-guerra, em um clima social conservador cheio de tabus e de censura, o que colaborou por seu fascínio pelos artistas Man Ray, Edward Weston e Magritte. Influenciado pelo Surrealismo, assimilou o estilo principalmente no que se refere à liberdade e à ousadia. Para a curadora da Retrospective Guy Bourdin 2011, Shelly Verthime, a fotografia de moda foi o meio por ele escolhido para mandar sua mensagem, difícil de decodificar por explorar reinos entre o absurdo e o sublime: “Sua percepção única das artes, da publicidade, da moda e da vida, somada a seu trabalho inovador, marcou uma nova era no mundo da criação de imagem. A narrativa de suas fotografias, tão cuidadosamente preparada, faz com que o espectador mergulhe em um mundo de fantasia, glamour, prazer, perigo e suspense”.

Foto: Guy Bourdin.

Ainda de acordo com ela, quando o artista começou a produzir imagens de ícones da moda, fotografou e filmou compulsivamente suas observações sobre aquele universo. “Por isso, os registros também oferecem novas perspectivas de sua busca visual e emocional acerca de um mundo específico”, interpreta, enfatizando o perfeccionismo do fotógrafo e o quanto ele estudava cada imagem, buscando aprimorar seu olhar.

Na publicidade, Guy se tornou referência com os anúncios da marca de sapatos Charles Jourdan, com quem contribuiu durante 14 anos. Seu senso de humor afiado e sua estética erótica ganharam ainda mais força na fotografia comercial. Nas palavras de Verthime, a singularidade de seu trabalho também se encontra no jogo entre o real e o irreal, entre o mistério e o surrealismo: “Enquanto todos os anúncios são iguais, ele explora o olhar através de uma fechadura”. Em seu currículo ainda estão campanhas para Chanel, Issey Miyake, Emanuel Ungaro, Gianni Versace, Loewe, Pentax e Bloomingdale’s.

Foto: Guy Bourdin.

Para Shelly, Bourdin uniu o olhar de um pintor à liberdade de um fotógrafo, criando imagens com histórias inesperadas e composições e cores fascinantes: “Assim, por misturar foto e arte contemporânea, ele se tornou um dos precursores da fotografia no mundo da moda”. Ainda de acordo com ela, seus trabalhos ligados a grandes nomes como Christian Dior e Charles Jourdan, fazem parte, hoje, do imaginário coletivo.

“Através de sua obra, Guy Bourdin deu um novo sentido à fotografia, deixando claro que o mais importante é seduzir pela imagem, e não pelo produto” Shelly Verthime, curadora da exposição


Foto: Guy Bourdin.

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