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16 de março de 2011

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Mestres da Fotografia: Richard Avedon

Hoje inciamos a série Mestres da Fotografia, onde abordaremos um pouco da vida e obra de fotógrafos importantes. Os primeiros posts serão dedicados aos 3 fotógrafos base das primeiras aulas de Projeto do Curso de Fotografia da ESMP-Sul: Richard Avedon, Irvin Penn e Henri Cartier-Bresson. Artistas cuja genialidade permitiu a produção de fotos atemporais, verdadeiras obras de arte que se confundem com a história da fotografia e servem de inspiração e aprendizado para todos os fotógrafos, independente do nível de atuação.

Richard Avedon

Natural de Nova Iorque, Richard Avedon nasceu em 1923 em uma família de origem judaica-russa e teve os primeiros contatos com a fotografia aos 12 anos, no YMHA Camera Club (link) Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, Avedon serviu as forças armadas como fotógrafo Segunda Classe da Marinha Mercante. Durante os dois anos que esteve lá, usou a Rolleiflex com lente dupla que havia ganhado de presente de seu pai para fazer os retratos de identificação dos tripulantes. Foi nessa época em que adquiriu mais conhecimentos técnicos e começou a desenvolver um estilo dinâmico. Após dois anos, Avedon deixou a Marinha Mercante para trabalhar com fotografia de moda e estudar com o diretor de arte Alexey Brodovitch, no Laboratório de Design da New School for Social Research.

Em 1945, ele montou estúdio próprio e passou a trabalhar como fotógrafo freelancer para diversas revistas como Theater Arts, Life, Look Magazines e Harpe’s Bazaar, onde se destacou rapidamente e, com o apoio de Brodovitch, teve ascensão meteórica. Lá ele desenvolveu uma abordagem original para fazer fotografias de moda: incentivadas por Avedon, as modelos eram colocadas em ação, atuando e sorrindo. Também nesta época, inspirado pelo fotojornalista e fotógrafo de moda Martin Munkacsi, Avedon saiu do estúdio e fotografou modelos nas ruas, em casas noturnas, arenas de circo e em outros lugares até então incomuns.

 

Veruschka, poncho de John Paul Goebel, Tojimbo, Japão, Fevereiro 1966

Suzy Parker e Robin Tattersall vestindo Gres, Moulin Rouge, Paris, Agosto 1957

Ele era fascinado pela capacidade da fotografia de sugerir a personalidade de seus modelos: “As minhas fotografias não vão além da aparência externa. Tenho muita fé nela. Uma boa aparência externa está cheia de pistas.” disse ele, que fotografava poses, atitudes, estilos, roupas e acessórios como se fossem vitais.

Quando parou de trabalhar para a Harper’s Bazaar, em 1965, Avedon iniciou uma relação duradoura com a revista Vogue até 1988. Ele também estabeleceu parcerias criativas com a francesa Egoiste e com a norte-americana The New Yorker, onde revigorou seu estilo com dinamismo teatral. Além disso, ele fez peças publicitárias para marcas como Calvin Klein, Versace, e Revlon.

Carmen, vestindo Cardin, Paris

Veruschka vestindo Kimberly, Nova York, Janeiro 1967

Versátil, Avedon também registrou momentos conflituosos como o movimento dos direitos civis no Sul dos E.U.A e a Guerra do Vietnã, onde fotografou estudantes, artistas, ativistas contraculturais e as vítimas da guerra, tanto nos Estados Unidos como no país asiático.

Em 1976 ele produziu para a revista Rolling Stone um ensaio chamado The Family, um retrato da “power elite” que comandava os Estados Unidos na época. Ao todo, 69 banqueiros, políticos, líderes sindicais e editores foram fotografados sem nenhuma intervenção de Avedon. Cada um pode escolher as roupas e a pose que lhe agradasse, impedindo que as opiniões do fotógrafo interferissem em cada um dos registros.

 

Capa The Family Rolling Stone, 1976

Da esquerda para a direita: Jimmy Carter, candidato democrata para presidente dos USA e Gerald Ford, presidente dos USA

Katharine Graham e Nelson Rockfeller, vice presidente dos USA

Rose Mary Woods, secretária do presidente Richard Nicon e Henry Kissinger, secretário do estado

Mas alguns dos retratos mais extraordinários de toda sua obra são de seu pai, Jacob Israel Avedon, durante os últimos anos de vida. A difícil aceitação da doença e a conseqüente morte foram enfrentadas por ele com a fotografia, que sempre utilizou para superar momentos difíceis “é como se os sentimentos saíssem de dentro de mim e fossem colocados no papel” contou ele.

Jacob Israel Avedon, Sarasota, Florida, Outubro de 1969

Jacob Israel Avedon, Sarasota, Florida, Outubro de 1972

No início dos anos 80 Avedon iniciou um trabalho que culminaria em sua obra prima: In the American West, lançado em 1985, retratou os membros da classe trabalhadora: açougueiros, mineiros, condenados, garçonetes, dentre outros, foram fotografados em frente a um fundo branco. Apesar do aparente minimalismo, Avedon enfatizou que esses retratos não deveriam ser considerados como simples registros de pessoas, mas sim “o momento, uma emoção ou um fato que se transforma em uma fotografia já não é um fato, mas uma opinião “. Avedon produziu e publicou vários livros ao longo dos anos, dentre eles Observations (1959), Nothing Personal (1964), Portraits (1976), Photographs 1947–1977 (1978) e In the American West (1985).

Inúmera personalidades como Marilyn Monroe, Beatles, Andy Warhol, Natassja Kinski, Truman Capote, Bob Dylan, Stravinsky e tantos outros foram registrados pelas lentes de Avedon, que faleceu em 2004 quando trabalhava em um ensaio para o The New Yorker. Além disso, ele estava desenvolvendo um projeto chamado Democracy, baseado na eleição presidencial de 2004 nos E.U.A.

 

Bob Dylan, década de 60

The Beatles, 1967

Janis Joplin 1969 e Bjork 2004

Para completar o que contamos aqui, o fotógrafo Juliano Araújo, do Centro de Fotografia da ESPM-RS, sugere o documentário Darkness and Light, que dá prioridade às duas principais vertentes exploradas por Avedon: o retrato e a fotografia de moda. Aliás, ele é considerado um dos inovadores do gênero, como conta Dorian Leigh Parker, ícone entre as modelos fotográficas dos anos 40: “ Antes dele, as modelos ficavam paradas como uma estátua. Avedon mudou o ambiente da fotografia de moda. Ele participava, ele fazia parte da foto. O modo como se movimentava com sua Rolleiflex era como se ele dançasse com você e aí você reagia, é claro”.

“Moda é uma das mais ricas formas de expressão dos desejos, ambições, medos, insegurança e segurança da humanidade”Richard Avedon

No vídeo, uma grande mostra fotográfica ganha destaque com diferentes narrações e depoimentos que, além de ambientar o espectador, destacam peculiaridades do estilo fotográfico e pessoal de Avedon. Vale ressaltar que um dos pontos fortes do documentário são os depoimentos profundos e inspirados do próprio fotógrafo, que conta histórias de bastidores, como detalhes sobre o ensaio de Marilyn Monroe, além de histórias de vida e de sua profunda relação coma fotografia.

Além do documentário, o site de Avedon também é obrigatório. Muito bem organizado, com fotos separadas por seção, ele dá uma pequena amostra da grandiosidade da obra deste fotógrafo singular. Mas é melhor você ter um certo tempo disponível: é praticamente impossível não passar um bom tempo contemplando enquadramentos, modelos, luminosidade, composição e muitos outros fatores que fazem a obra de Richard Avenon encantadora.

“Para ser um artista, para ser um fotógrafo, é preciso nutrir coisas que as pessoas descartam”Richard Avedon

Foto: Richard Avedon Nastassja Kinski e a Serpente

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