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27 de junho de 2011

Fotojornalismo impressionista: Alejandro Chaskielberg é o vencedor do prêmio mundial de fotografia da Sony

Retrato de Alejandro Chaskielberg.

Por encarar o desafio de encontrar uma forma particular, criativa e artística de fazer fotojornalismo, o fotógrafo argentino Alejandro Chaskielberg, 34 anos, desenvolveu uma série de trabalhos que remetem tanto a cenas de cinema quanto a quadros impressionistas, mas sem deixar de retratar a realidade.

Foto da série "La Creciente". Foto: Alejandro Chaskielberg

“La Cresciente”, registro sobre os moradores das ilhas do Delta do Rio Paraná, na Argentina, rendeu a ele o prêmio L’Iris D’Or Sony World Photography Awards, no qual concorreu com cerca de 105 mil imagens enviadas por fotógrafos de 162 países. Além de conquistar os doze jurados, ele também foi premiado na categoria “Pessoas” dentro do segmento “Fotojornalismo e Documentário”. Com a distinção, ele embolsou 25 mil dólares, ganhou uma câmera Sony Digital SLR e passou a integrar a Academia Fotográfica Mundial junto com os vencedores das edições anteriores, a britânica Vanessa Winship (2008), o norte-americano David Zimmerman (2009) e o italiano Tommaso Ausili (2010).

Foto da série "La Creciente". Foto: Alejandro Chaskielberg

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Chaskielberg contou que é um amante da pintura e, principalmente, do impressionismo. “Comecei no fotojornalismo e a primeira vez que consegui desabrochar uma forma visual de representar a realidade foi com a série ‘High Tide’ [tradução de 'La Creciente' no inglês]“, conta. Para produzir a série, realizada entre 2007 e 2009, ele conviveu com a população que vive às margens da parte argentina do rio Paraná.

Foto da série "La Creciente". Foto: Alejandro Chaskielberg

Ter convivido com as famílias da comunidade durante dois anos e conquistado sua confiança antes de fotografar foi fundamental, também, para que sua técnica funcionasse na prática. Alejandro afirma não intervir digitalmente nas imagens, manipulando-as apenas com a câmera e a luz. Por se utilizar de longos tempos de exposição, os fotografados devem permanecer imóveis enquanto são clicados: “Gosto de fotografar à noite, com a lua cheia, e de usar longos tempos de exposição, de cinco a dez minutos. A perspectiva é diferente”.

Foto da série "La Creciente". Foto: Alejandro Chaskielberg

Outro de seus trabalhos dialoga com “La Cresciente”. “Borders”, em que Chaskielberg une homem a água, registrou banhistas de uma área próxima à fábrica de celulose instalada na divisa entra a Argentina e o Uruguai, que gera atrito entre os dois países. Enquanto em “La Cresciente” ele se valeu da luz do luar, em “Borders”, utilizou um flash potente, mesmo fotografando sob a luz do dia.

Fotos da série "Borders". Foto: Alejandro Chaskielberg

O presidente do júri do prêmio L’Iris D’Or afirmou que, este ano, não houve dificuldade alguma na escolha do vencedor. Nas palavras dele, “as fotografias premiadas contam verdades sólidas, sobre o trabalho pesado, o espírito de comunidade e a sobrevivência econômica marginal”.

Foto da série "La Creciente". Foto: Alejandro Chaskielberg

Formado pelo Instituto Nacional de Cine y Artes Audivisuales, Chaskielberg começou a trabalhar aos 18 anos como repórter fotográfico para jornais de Buenos Aires, ganhando reconhecimento com a série “Argentina Crisis”, que retratou a crise enfrentada pelo país latino-americano em 2001. Em 2008 foi convidado para participar do projeto “All Roads” da National Geographic e em 2009 foi apontado pela revista Photo District News como um dos 30 fotojornalistas emergentes mais importantes do mundo. No ano passado, esteve no Brasil como palestrante convidado do festival Paraty em Foco.

Foto da série "La Creciente". Foto: Alejandro Chaskielberg

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