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12 de abril de 2013

Cornell Capa, um “fotógrafo preocupado”

Retrato de Cornell Capa.

A missão declarada do fotógrafo húngaro-americano Cornell Capa (1918-2008) era lançar ao mundo fotografias memoráveis capazes de impactar e combater as injustiças sociais. Em 1968, ele resumiu esse objetivo com o título do livro The Concerned Photographer. A expressão, que pode ser traduzida como “fotógrafo preocupado”, era usada por ele para descrever autores de imagens com um princípio humanitário nas quais “um sentimento humano genuíno predomina sobre o cinismo comercial ou o formalismo desinteressado”.

Essa determinação transformou Capa em um dos grandes fotojornalistas do seu tempo, e cronista sofisticado do cenário político americano. Suas coberturas das campanhas eleitorais de Nelson Rockfeller, Adlai Stevenson e, sobretudo, dos irmãos Robert e John Kennedy (JFK) entraram para a história. Capa testemunhou em primeira mão as reações emocionadas que JFK despertava nas pessoas, especialmente nos jovens. Entre suas imagens icônicas, está uma fotografia de 1960 das mãos do então candidato à presidência estendidas para seus eleitores extasiados.

Quando JFK foi eleito presidente, Capa entendeu que os Estados Unidos entravam em um novo momento. Por isso, convocou escritores e fotógrafos da Magnum, entre eles Henri Cartier-Bresson, Elliot Erwitt e Burt Glinn, para documentar os primeiros cem dias da nova administração. Este esforço originou o livro Let Us Begin: The First 100 Days of the Kennedy Administration, frequentemente citado como o primeiro exemplo de um trabalho de “história instantânea” e um marco do fotojornalismo. Após o chocante assassinato de JFK, Cornell Capa voltou a sua câmera para a comovente campanha de seu irmão, Bobby Kennedy, para senador, em 1964.

Foto: Cornell Capa.

Foto: Cornell Capa.

Conforme o sobrenome denuncia, Cornell era o irmão mais novo do lendário fotógrafo de guerra Robert Capa. Sua vocação humanitária a princípio o motivou a ser médico, mas a necessidade de ganhar dinheiro o levou a trabalhar para Robert, Henri Cartier-Bresson e David Seymour (Chim) revelando seus filmes no banheiro de um hotel em Paris. Foi após essa experiência que Cornell se mudou para Nova Iorque e construiu uma carreira invejável como fotojornalista. Sempre focado em questões sócio-políticas, trabalhou na revista Life entre 1946 e 67, para a agência Magnum, a partir de 1954, e dirigiu o influente International Center of Photography (ICP) que ele mesmo fundou em Nova Iorque.

Ao longo da sua trajetória, Cornell procurou se manter longe das guerras que eventualmente mataram o irmão, definindo-se como um “fotógrafo da paz”. Mas assim como  Robert, Cornell Capa parecia estar sempre perto, muito perto, dos motivos das suas fotos. O estilo pessoal de fotografar combinava bem com os preceitos da revista Life: imagens na qual o tema é expresso com clareza, a composição é forte, o efeito gráfico é impactante, e com um toque de esperteza ou humor.

Foto: Cornell Capa.

Foto: Cornell Capa.

A partir de 1953, Capa viajou frequentemente para a América Central e do Sul cobrindo conflitos políticos, eleições, e assuntos relacionados à liberdade de expressão e aos direitos trabalhistas. Ele esteve presente no colapso do regime ditatorial de Juan Perón na Argentina, em 1955, e na Nicarágua após o assassinato do ditador Anastasio Somoza. Nos anos 60 e 70, uniu-se a antropólogos e sociólogos em trabalhos de denúncia sobre o drama de tribos amazônicas ameaçadas, exposto no livro Farewell to Eden(1964), e  as duras condições enfrentadas pelos cidadãos mais pobres na América Central.

Foto: Cornell Capa.

Foto: Cornell Capa.

Além de fotos icônicas, o engajamento de Capa está expresso com profundidade em importantes ensaios fotográficos, entre eles um estudo pioneiro sobre crianças com deficiência mental, uma reportagem sobre as dificuldades dos idosos nos EUA e uma série sobre uma geração de jovens empresários ambiciosos publicada no livro New Breed on Wall Street (1969).

Cornell Capa faleceu em 2008, aos 90 anos, unindo-se aos “fotógrafos preocupados” a quem ele havia prestado homenagem em 1966, com a criação do International Fund For Concerned Photography, e mais tarde com o ICP, criado em 1974 para dar novo impulso ao fotojornalismo.

Foto: Cornell Capa.

Foto: Cornell Capa.

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