Skip to content

Posts from the ‘Sem categoria’ Category

15
set

Muhammed Muheisen: a nova geração de refugiados afegãos

Retrato de Muhammed Muheisen

Já falamos aqui a respeito do fotógrafo Muhammed Muheisen e do seu olhar para o cotidiano de zonas de conflito. Neste post trazemos uma série de retratos de crianças afegãs que vivem na periferia da capital paquistanesa, Islamabad, onde se concentra uma parte significativa dos refugiados oriundos do Afeganistão.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

Segundo informações da Associated Press, há aproximadamente 3,8 milhões de afegãos refugiados no Paquistão. Os números oficiais, no entanto, não incluem um milhão de pessoas que possivelmente vive de forma ilegal em território paquistanês.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

As comunidades de refugiados afegãos são consequência dos conflitos vividos pelo país nas últimas décadas, a começar pela invasão soviética do Afeganistão em 1979. Ao final da guerra, dez anos depois, conflitos civis ocasionaram uma nova fuga em massa de afegãos. Mais tarde, um novo capítulo: a tomada do poder pelo Talibã levava mais refugiados ao Paquistão.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

Nesse contexto, gerações de refugiados se sucedem vivendo longe do seu país de origem. A vida em terras paquistanesas, no entanto, está longe de ser viável. Os afegãos enfrentam o estigma de sua identidade nacional relacionada ao terrorismo, condição que torna difícil a integração dos refugiados, que se encontram, portanto, entre dois caminhos igualmente complicados: voltar para um país extremamente pobre e instável ou então seguir enfrentando as adversidades para se adaptar.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

A situação de exclusão, contudo, não é exclusiva dos afegãos. Segundo o relatório Tendências Globais 2012, do Alto Comissariado das Nações Unidas, há cerca de 45,2 milhões de refugiados ao redor do mundo. Desse total, 28,8 milhões de pessoas foram forçadas a fugir internamente, sem cruzar as fronteiras de seus países, enquanto 15,4 milhões obtiveram status de refugiado em outros territórios. Um em cada quatro refugiados no mundo é afegão, tendo como destino, em sua maioria, países como Paquistão e Irã.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

Nascido em Jerusalém (1981) e graduado em Jornalismo e Ciências Políticas, Muhammed Muheisen vive atualmente em Islamabad, trabalhando como fotógrafo-chefe da Associated Press. Desde 2001 atuando na agência, cobriu conflitos entre Israel e Palestina e em países como Iraque, Afeganistão, Iêmen, Egito e Síria. Recebeu diversas distinções como o Prêmio Pulitzer de Breaking News (2005) e o primeiro prêmio do National Headliner Awards (2012).

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

8
set

Numo Rama, a palo seco

Retrato de Numo Rama

A série Carnívoros, de Numo Rama, leva-nos a um espaço de crueza – da carne, da vida, da morte, da sobrevivência. Imagens em preto e branco de um matadouro, lugar onde não há concessões, da mesma forma que não são condescendentes as fotos de Rama.

Foto: Numo Rama

Foto: Numo Rama

“A vida de peão não me permite ser um fotógrafo contínuo. Então, penso a fotografia enquanto conserto as cercas, ou preparo o arreio para domar cavalo. É de onde tiro tempo para longas reflexões e programo mentalmente tudo”, explica o fotógrafo ao jornal O Estado de São Paulo. Aos 45 anos, nascido em Araruna (Paraíba), Rama vive atualmente em um rancho, no município de Pedra da Boca (na divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte), depois de ter rodado o mundo por 16 anos, fazendo diversos trabalhos temporários.

Foto: Numo Rama

Foto: Numo Rama

“Dos embates das realidades desse chão que voltei a pisar em 2000 venho extraindo a energia necessária para fazer uma fotografia com o volume e a força pertinentes à vida de meus ancestrais e das pessoas que encontro por aqui”, conta o fotógrafo. Embate, energia, força: palavras que, de fato, são associadas facilmente ao universo criado pelas imagens de Rama.

Foto: Numo Rama

Foto: Numo Rama

“A estética do sertão tem uma força muito própria. Tudo no presente por aqui teve muitos passados, e com uma câmera simples, analógica e muita pretensão tento juntar tudo numa única imagem”, explica Rama.

Foto: Numo Rama

Foto: Numo Rama

“Vivi em muitos lugares, principalmente em grandes cidades, onde não há espaço nem tempo, onde formataram o tempo, onde o tempo está em extinção. Todo meu trabalho é pensado com o tempo, somos bons amigos”, conta o fotógrafo. De volta ao mundo rural, Rama aborda a passagem do tempo exibindo os rastros deixados pela atividade humana e pelos corpos dos animais.

Foto: Numo Rama

Foto: Numo Rama

Quando o fotógrafo diz ver o mundo “a partir desse Nordeste que pare retirantes e retornados”, não tarda muito até pensarmos em João Cabral de Melo Neto, em mortes e vidas severinas. Assim como o poeta, Rama é conciso, sem sentimentalismos – e parece seguir o conselho dos versos finais de A palo seco, de João Cabral: “não o de aceitar o seco por resignadamente, mas de empregar o seco porque é mais contundente”.

Foto: Numo Rama

Foto: Numo Rama

11
ago

Christian Åslund: congelado no tempo

 

 

Questões sociais e ambientais são os principais focos do trabalho desenvolvido pelo fotógrafo sueco Christian Åslund. No post de hoje, apresentamos imagens da série Frozen in time [Congelado no tempo], feita no arquipélago de Svalbard, entre a Noruega e o Polo Norte, mais especificamente em uma localidade chamada Pyramiden [Pirâmides], um campo de mineração soviético desativado em 1998 – o arquipélago atualmente pertence à Noruega.

 

 

 

O lugar é testemunha tanto das transformações ambientais que resultam no degelo de calotas polares quanto da antiga influência soviética na região. Hoje em dia, uma cidade fantasma de largas avenidas recebe os curiosos por lugares abandonados.

 

 

 

O nome “Pirâmides” refere-se a uma montanha próxima da cidade, cuja exploração de carvão iniciou em 1910, a partir de uma expedição sueca. As ilhas foram anexadas pela Suécia e, mais tarde, em 1927, foram vendidas aos russos. A partir de 1941, com o desenrolar da 2a Guerra Mundial, o local foi evacuado, voltando a funcionar somente em 1948.

 

 

 

Entre os anos 1960 e 1980, o trabalho em Svalbard era bastante popular, devido às atividades culturais e esportivas propiciadas pelo governo soviético aos trabalhadores – uma piscina, um centro cultural e uma livraria com mais de 50 mil títulos estavam entre as atrações.

 

 

 

As fotos de Åslund mostram alguns desses espaços de convívio, bem como outros detalhes da arquitetura e do que restou das décadas gloriosas do local – uma espécie de cápsula do tempo de uma parte da história do século 20.

 

 

 

Vivendo atualmente em Estocolmo, Christian Åslund atuou como fotógrafo de diversos jornais e revistas, retratando situações relacionadas a conflitos sociais e ambientais. Já trabalhou junto a diversas ONGs, inclusive em projetos desenvolvidos pelo Greenpeace.