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Posts from the ‘Retrato’ Category

9
abr

As prisões sob a ótica de Michal Chelbin


Reprodução: Antero de Alda

“Eu prefiro uma imagem que apresenta mais questões do que respostas”. Assim Michal Chelbin resume suas próprias obras. Nascida em Israel, no ano de 1974, a fotógrafa vive desde 2006 em Nova Iorque.

Seu interesse pela fotografia começou aos 15 anos de idade quando entrou no departamento de fotografia de sua escola em seu país de origem. Formada na Wizo Academia de Educação e Design, na cidade de Haifa, Israel, Michal sempre quis “criar sua própria imagem” e conseguiu com imagens que prendem a atenção e que causam questionamentos ao seu público. Seus trabalhos já foram exibidos nos Estados Unidos, na Galeria de Fotógrafos de Londres e no Museu de Arte de TelAviv. Sua primeira monografia chamase “Estranhamente familiar” e foi publicada na Primavera de 2008.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Estranhamente Familiar”

“Minhas imagens assumem a forma de retratos e se concentram em contrastes visuais. Acho que as pessoas são os assuntos perfeitos para eu investigar, pois possuem qualidades contrastantes que aparentemente não podem coexistir nelas como seres humanos. Eu gosto quando uma fotografia deixa um gosto de mistério ou tem alguns enigmas, para que nem tudo seja resolvido na imagem. Em outras palavras, prefiro uma imagem que apresente mais perguntas que respostas. Para mim, a imagem é como um portão para milhares de histórias possíveis, algumas atraentes e algumas perturbadoras.”

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Sua obra mais recente de sucesso chama-se “Veleiros e Gansos”. Michal passou cerca de seis anos percorrendo o Leste Europeu e explica o porquê: “Acho que parte do motivo pelo qual sou atraído por pessoas da antiga União Soviética é porque elas são cheias de contradições, difíceis por fora, mas quentes por dentro. Eles são muito determinados e disciplinados, especialmente as crianças, o que torna o trabalho do fotógrafo um pouco mais fácil. ”, conta a fotógrafa.

“Veleiros e Gansos” foi capturada em sete prisões espalhadas pela Ucrânia e na Rússia, e explora a sensação de se sentir preso e vigiado constantemente. O seu título se refere aos murais e aos fundos bucólicos e fantásticos que a fotógrafa encontrou durante seu deslocamento nas prisões em que visitou. Essas contradições da vida na prisão podem ser vistas em fotografias de mulheres vestindo uniformes floridos da prisão, assassinos trabalhando como cuidadores de crianças das mulheres recém chegadas às prisões femininas e em jovens garotas servindo ao lado de mulheres idosas.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

“No meu trabalho, tento criar um senso de mistério e narrativas multidimensionais. Nada é obviamente resolvido, e as perguntas aparecem para o espectador: quem é essa pessoa? Por que ele está vestido assim? O que significa estar trancado? É um ato humano? É justo? O que vemos quando olhamos para uma pessoa trancada? Nós o punimos com nossos olhos? Um assassino ainda parece um assassino? É humano ser fraco e assassino ao mesmo tempo? ”, completa a artista.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

 

 

2
abr

Uma vida através das câmeras

Foto: MetalMagazine

 

A fotógrafa Heather Sten atualmente trabalha e vive em Nova Iorque. Crescida em River, na Califórnia, e criada por uma mãe imigrante, Sten passou a maior parte de sua vida sendo influenciada a ser médica. Contudo, começou a fotografar aos 14 anos, em 2003, e segue sua carreira até hoje.

Heather vive em meio ao tumulto e correria de uma das cidades mais frenéticas do mundo, e esse ritmo tem impacto direto em suas fotografias. Rodeada de muita agitação, a fotógrafa busca retratar em seu trabalho a personalidade das pessoas em momentos de calmaria no dia a dia.

Foto: Heather Sten

 

“Minha casa precisa ser um lugar quieto e tranquilo, pois quando se é fotógrafo em Nova Iorque, você está correndo o tempo todo”, afirma Heather.

 

Foto: Heather Sten – Con Chau

Con Chau

Inspirada por dois instrutores, por conta do medo de perder a matriarca da família, Heather criou um diário visual chamado Con Chau, que retratava a vida de sua avó com Alzheimer, aos dezessete anos.

Quando questionada pela revista Metal Magazine, Sten disse que o projeto era o mais emocional entre todos. Confira um trecho da entrevista (traduzida do inglês):

“Con Chau é o projeto mais emocional que eu já fiz e o mais próximo do meu coração, e quando estava editando o projeto, foi logo após a morte de minha avó. Então eu acho que um monte de imagens que escolhi acabou sendo um reflexo de meus sentimentos e de como eu queria mostrar isso”

 

Foto: Heather Sten – Con Chau

 

Assim que se formou na Art Center College of Design, a jovem fotógrafa fez ensaios com inúmeras personalidades da música e do cinema, tais como Spike Lee, Lena Waithe, Tiffany Haddish, Stormy Daniels, Neko Case e Glenn Close para veículos como The New York Times, Time, Vice e Google. Sten afirma que ama conhecer pessoas novas e fotografá-las, o que considera muito interessante já que costumava ser tímida quando mais jovem.

 

Andrew Lincoln, ator britânico conhecido por protagonizar a série de televisão ‘’The Walking Dead’’, fotografado por Heather Sten.

Neko Case, cantora e compositora estadunidense, fotografada por Heather Sten.

Steven Yeun, ator, dublador e cantor sul coreano, conhecido pelo seu papel na série ‘’The Walking Dead’’.

Veja mais sobre o trabalho de Heather Sten no site: http://www.heathersten.com/

4
jan

A diversidade retratada por Rubén Plasencia

Retrato de Rúben Plascencia
Retrato de Rúben Plascencia
Foto: www.laopinion.es

Rúben Plasencia é um fotógrafo espanhol que retrata em suas fotografias temas relacionados a preconceitos, culturas desconhecidas e emoções. Seu talento é reconhecido mundialmente, tendo concorrido a prêmios como o Festival Le Voyage à Nantes, em Nantes e o Festival Circulation, em Paris, ambos em 2014. Apesar de hoje ser um artista de sucesso, reconhece que sempre há uma fase conturbada na carreira de todos os artistas, fase que ele retratou em sua série ‘’O Artista Desconhecido”, produzida no ano de 2015.

The Unknown Artist

The Unknown Artist

The Unknown Artist

The Unknown Artist

 

Nesta obra, Plasencia retrata, como o próprio nome diz, os artistas desconhecidos. Pode ser ser observado que Plasencia oculta os rostos dos artistas e justifica essa escolha na descrição do seu projeto em seu próprio site.

“Eles começam sem rosto, sem referências, apenas com suas próprias ferramentas para enfrentar um mundo tão complexo da arte. Com apenas a melhor carta que poderiam ter: sua obra de arte.”

Rúben Plasencia começou a obter reconhecimento por suas obras algum tempo depois do início de sua carreira, sempre retratando aspectos que não são muito debatidos pela sociedade. Por exemplo, em “Luta Canária”, Plasencia retrata os lutadores da Canarian Wrestling”, uma luta tradicional do Oriente que é bastante desconhecida no Ocidente. Com isso, foca em uma cultura diferente daquela a qual estamos habituados.

Lucha Canaria

Lucha Canaria

Seu debate visual sobre culturas diferentes e preconceito atinge o ápice na obra Obscure, produzida em 2013. Nesta obra, pessoas cegas são fotografadas com intuito de debater sobre a “verdadeira essência do ser”.  A série fotográfica de Plasencia entra no assunto de preconceito, padrões de beleza e doenças genéticas, abrangendo assim uma série de assuntos polêmicos que não costumam ser debatidos pelas sociedades.

O site Lens Culture, traz um artigo escrito por Plasencia, no qual o fotógrafo explica suas fotografias, contando o que pensou ao realizá-las e o que quer transmitir com elas:

“Preconceitos e estereótipos racistas continuam a dominar nossas sociedades – julgamentos que são feitos em um nível que é apenas superficial. Em “Obscure”, criei retratos dos cegos. Esses rostos criam uma zombaria de nossa dependência irrefletida da visão. Um cego procura formas mais confiáveis de ler nas entrelinhas e entender as essências, não sendo mais capaz de recorrer à visão como o único meio confiável.”

Para o fotógrafo a importância do projeto está em nos colocar de frente aos olhos daqueles que não podem ver e que através disto possamos valorizar o que significa ter a visão.


Resultado de imagem para obscure ruben

Obscure

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Obscure

Ainda longe de encerrar a carreira, Rúben Plasencia crava sua importância no mundo fotográfico e social, ao retratar em suas obras temas tão profundos e pouco debatidos.

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