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Posts from the ‘Retrato’ Category

31
mar

Supranav Dash: profissões em desaparição na Índia

 

 

O projeto Marginal Trades [Transações marginais], realizado desde 2011 pelo fotógrafo indiano Supranav Dash, documenta profissões que estão desaparecendo na Índia. Com influência marcante de grandes nomes da fotografia como Atget e August Sander, o ensaio resgata a história de diversos ofícios relacionados ao sistema de castas tradicional no país.

 

 

 

 

O fotógrafo explica que desde o início do século 19, os indianos eram proibidos de realizar outra profissão que não aquela designada para sua casta – a cada uma delas era atribuído um ofício determinado. A tradição se manteve ao longo de quase dois séculos, transformando-se apenas durante o processo de globalização iniciado nas últimas décadas do século 20.

 

 

 

 

“As gerações atuais da Índia se recusam a seguir as profissões de seus ancestrais. Elas se tornaram mais ousadas e mudam para as possibilidades de trabalho mais lucrativas. O abandono das práticas tradicionais também é resultado de salários baixos, do desejo de escapar dos estereótipos do sistema de castas, da negligência constante das classes privilegiadas – a quem essas pessoas servem – e de um governo que não se abre para reformas sociais”, define o fotógrafo, que busca de alguma forma preservar um pouco da memória de um passado que tende a desaparecer pouco a pouco.

 

 

 

 

Explorando temas como identidade, questões de gênero, deslocamentos e o sistema de castas,  Supranav Dash vive atualmente entre Calcutá e Nova York. Estudou artes e contabilidade na Índia e mais tarde especializou-se em fotografia na School of Visual Arts de Nova York. Seu trabalho já foi publicado em periódicos de destaque como Wired, Huffington Post e Time.

 

 

 

 

24
fev

Os retratos de Hellen van Meene

 

 

Estranhamento, intimidade, beleza, flagrante e encenação se misturam nos retratos da fotógrafa holandesa Hellen van Meene. Sua produção se concentra em retratos de crianças e adolescentes, evocando mistérios de seus retratados. O uso meticuloso da luz natural é uma das principais características de seu trabalho.

 

 

 

 

Ao mesmo tempo que as imagens revelam certo rigor na composição, percebe-se que a fotógrafa conquista a intimidade de seus personagens – em sua maioria, garotas. Revelam-se as mudanças de fisionomia, a vulnerabilidade e a potência subjetiva das fotografadas, em retratos que fazem aflorar a curiosidade sobre como vivem, o que pensam e sentem as meninas de van Meene.

 

 

 

 

Um detalhe biográfico curioso da fotógrafa é que, já estudando em Amsterdã, ela retorna a sua cidade natal (Alkmaar, Holanda) para desenvolver seus primeiros trabalhos – não à toa, o local onde passou a infância e a adolescência. Para van Meene, há algo de realmente especial nos anos finais da infância e no período da adolescência. Ao observar os personagens da fotógrafa, é como se nos conectássemos de novo com camadas da personalidade que se ocultam durante a vida adulta.

 

 

 

 

 

As fotos de Hellen van Meene (Alkmar, Holanda, 1972) participam de exposições desde 1996 e fazem parte do acervo de instituições como o Guggenheim e o MoMA de Nova York. Ela vive em Heinoo (Holanda) e atualmente dedica-se também a outras abordagens além dos retratos de adolescentes.

 

27
jan

Ícones do século 20, por Philippe Halsman

 

 

Nascido em Riga, na Letônia, o fotógrafo Philippe Halsman (1906-1979) tem em seu currículo um dado que faz dispensar maiores apresentações: ao longo de sua carreira, ele assinou nada mais, nada menos do que 101 capas da revista Life. Seus retratos inventivos incluem fotos de Andy Warhol, Mohammed Ali, Marilyn Monroe, Alfred Hitchcock, entre outras estrelas.

 

 

 

 

Halsman iniciou sua trajetória de fotógrafo na Paris dos anos 1930. Mais tarde, abriu um estúdio de retratos em Montparnasse, onde fotografou nomes da cena artística como André Gide, Marc Chagall, André Malraux e Le Corbusier. Na época, usava uma câmera reflex que ele mesmo havia desenhado.

 

 

 

 

Chegou aos Estados Unidos em 1940, após a invasão alemã na França, durante a Segunda Guerra Mundial. Seu visto de emergência teria sido intermediado, segundo relatos, por Albert Einstein. Apenas cinco anos depois, em 1945, Halsman foi eleito presidente da American Society of Magazine Photographers, instituição na qual lutou por direitos dos fotógrafos, e em 1951 passou a integrar o time de fotógrafos da Magnum.

 

 

 

 

Entre seus retratos mais célebres, estão alguns que fez de Salvador Dalí. Os saltos do pintor diante da câmera deram início a uma marca do fotógrafo: pedir um salto a seus fotografados ao final dos ensaios, movimento que chamou de “jampology”. Pode-se dizer que Halsman é responsável por enriquecer nosso imaginário das figuras que marcaram o século 20 nas mais variadas linguagens artísticas.