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Posts from the ‘Retrato’ Category

4
abr

Kristofer Dan-Bergman: retratos pós-conflitos na África

 

 

Ruanda, Burundi e Uganda são alguns dos países africanos que, nas últimas décadas, sofreram com graves conflitos, genocídios e migrações forçadas de milhares de pessoas. Na região, atuam instituições como a Global Good Fund, da qual o fotógrafo Kristofer Dan-Bergman é colaborador. Foi através dele que a ONG desenvolveu uma parceria com outra iniciativa, a Spark Micro Grants, que ajuda comunidades rurais pobres. Dessas articulações, nasceram as imagens que vemos no post de hoje.

 

 

 

 

Os retratos buscam restaurar – junto às demais propostas das entidades – um pouco da dignidade de pessoas que sofreram diversos traumas nos últimos anos. Dan-Bergman percorreu então diversos vilarejos do leste africano em busca dessas imagens, realizando também vídeos de entrevistas utilizados pela Spark Micro Grants para divulgar suas ações.

 

 

 

 

O fotógrafo conta que buscou apresentar seus personagens em meio à simplicidade de seus entornos, com todo o cuidado para não ser demasiadamente intrusivo. Os retratos escapam da dramatização excessiva, tampouco colocam os fotografados em posturas heroicas. Dan-Bergman parece querer mostrar que aquelas pessoas são gente, apenas, em busca de uma vida com o mínimo de condições para existir e voltar a sonhar.

 

 

 

 

Kristofer Dan-Bergman nasceu na Suécia e atualmente vive em Nova York. Já desenvolveu trabalhos de cunho social em países como Ruanda, Quênia e Camboja. Divide sua atuação também com projetos comerciais e pessoais, com exposições em diversas instituições.

31
mar

Supranav Dash: profissões em desaparição na Índia

 

 

O projeto Marginal Trades [Transações marginais], realizado desde 2011 pelo fotógrafo indiano Supranav Dash, documenta profissões que estão desaparecendo na Índia. Com influência marcante de grandes nomes da fotografia como Atget e August Sander, o ensaio resgata a história de diversos ofícios relacionados ao sistema de castas tradicional no país.

 

 

 

 

O fotógrafo explica que desde o início do século 19, os indianos eram proibidos de realizar outra profissão que não aquela designada para sua casta – a cada uma delas era atribuído um ofício determinado. A tradição se manteve ao longo de quase dois séculos, transformando-se apenas durante o processo de globalização iniciado nas últimas décadas do século 20.

 

 

 

 

“As gerações atuais da Índia se recusam a seguir as profissões de seus ancestrais. Elas se tornaram mais ousadas e mudam para as possibilidades de trabalho mais lucrativas. O abandono das práticas tradicionais também é resultado de salários baixos, do desejo de escapar dos estereótipos do sistema de castas, da negligência constante das classes privilegiadas – a quem essas pessoas servem – e de um governo que não se abre para reformas sociais”, define o fotógrafo, que busca de alguma forma preservar um pouco da memória de um passado que tende a desaparecer pouco a pouco.

 

 

 

 

Explorando temas como identidade, questões de gênero, deslocamentos e o sistema de castas,  Supranav Dash vive atualmente entre Calcutá e Nova York. Estudou artes e contabilidade na Índia e mais tarde especializou-se em fotografia na School of Visual Arts de Nova York. Seu trabalho já foi publicado em periódicos de destaque como Wired, Huffington Post e Time.

 

 

 

 

24
fev

Os retratos de Hellen van Meene

 

 

Estranhamento, intimidade, beleza, flagrante e encenação se misturam nos retratos da fotógrafa holandesa Hellen van Meene. Sua produção se concentra em retratos de crianças e adolescentes, evocando mistérios de seus retratados. O uso meticuloso da luz natural é uma das principais características de seu trabalho.

 

 

 

 

Ao mesmo tempo que as imagens revelam certo rigor na composição, percebe-se que a fotógrafa conquista a intimidade de seus personagens – em sua maioria, garotas. Revelam-se as mudanças de fisionomia, a vulnerabilidade e a potência subjetiva das fotografadas, em retratos que fazem aflorar a curiosidade sobre como vivem, o que pensam e sentem as meninas de van Meene.

 

 

 

 

Um detalhe biográfico curioso da fotógrafa é que, já estudando em Amsterdã, ela retorna a sua cidade natal (Alkmaar, Holanda) para desenvolver seus primeiros trabalhos – não à toa, o local onde passou a infância e a adolescência. Para van Meene, há algo de realmente especial nos anos finais da infância e no período da adolescência. Ao observar os personagens da fotógrafa, é como se nos conectássemos de novo com camadas da personalidade que se ocultam durante a vida adulta.

 

 

 

 

 

As fotos de Hellen van Meene (Alkmar, Holanda, 1972) participam de exposições desde 1996 e fazem parte do acervo de instituições como o Guggenheim e o MoMA de Nova York. Ela vive em Heinoo (Holanda) e atualmente dedica-se também a outras abordagens além dos retratos de adolescentes.