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Posts from the ‘Preto e Branco’ Category

14
fev

Josh White e os subterrâneos de Seul

 

 

O olhar de um canadense em meio às multidões da capital sul-coreana. O fotógrafo Josh White (também conhecido como JT White) fez uma mudança repentina em sua vida: abandonou o curso de direito e foi dar aulas de inglês para crianças em Seul. Com a fotografia, encontrou uma maneira de se conectar com as pessoas e a cultura de sua nova residência.

 

 

 

 

 

Seguindo a tradição da street photography, as fotografias em preto e branco mostram fragmentos do dia a dia da cidade e dão indícios da postura do fotógrafo nas capturas. Revela-se a imersão de White no cotidiano de Seul, em busca de instantes que sugerem momentos de intimidade e de solidão na rotina agitada da metrópole.

 

 

 

 

 

Em entrevistas, o fotógrafo conta que seu interesse em fotografar os personagens anônimos de Seul nasceu da experiência incômoda de ser estrangeiro num país totalmente diferente de sua terra natal. Segundo conta, com sua câmera, White passou a entender melhor o lugar onde vivia e a se conectar mais com as pessoas ao seu redor. Junto a isso, encontrou uma linguagem para se expressar e para traduzir sua experiência em contato com uma nova e surpreendente realidade.

 

 

 

 

 

Josh White cresceu na ilha de Newfoundland, no leste do Canadá, onde foi jogador de hóquei na adolescência. Viveu um ano nos Estados Unidos, no estado de Winsconsin, e retornou ao Canadá para concluir o Ensino Médio. Iniciou a faculdade de direito e mais tarde foi viver na Coreia do Sul. Sua inspiração vem do desejo de contar histórias e dos encontros que a fotografia lhe propicia.

 

 

 

 

13
jan

Javier Corso: o lado sombrio da Finlândia

 

 

Admirada por seus elevados padrões de bem-estar e igualdade social, a Finlândia possui um lado menos conhecido internacionalmente, mas vivido de forma intensa por seus habitantes. É essa faceta de tons mais sombrios que o fotógrafo espanhol Javier Corso apresenta na série Fishshot [nome de uma bebida popular no norte da Europa].

 

 

 

 

“É um documentário sobre a solidão, o isolamento emocional e repressão dos sentimentos na sociedade finlandesa”, define o fotógrafo. “Esses problemas aumentam quando as pessoas começam a beber para enfrentá-los. O consumo excessivo de álcool está presente em mais da metade dos casos de suicídio, homicídio e violência de gênero”, relata.

 

 

 

 

No documentário homônimo ao ensaio, dirigido por Lucía Pérez de Souto, com fotografia de Corso, especialistas falam especialmente sobre a dimensão do alcoolismo na sociedade finlandesa – e sobre como o consumo excessivo de álcool surge como companhia para muitas pessoas que vivem sozinhas e não buscam ajuda para tratar de suas questões mais íntimas. É esse universo subjetivo que o fotógrafo busca retratar em suas imagens.

 

 

 

 

Nascido em 1989 na Espanha, Javier Corso é diretor e fundador da agência de documentários OAK stories. Seu trabalho fotográfico visa aspectos da condição humana em microescala e já foi publicado em espaços como o site Lighbox, da revista TIME, VICE e El País.

 

13
dez

Suzanne Stein: o cotidiano de Skid Row, em Los Angeles

 

 

“As pessoas se abrem comigo porque se sentem honradas pela atenção. Me orgulha a permissão que me concedem para escutá-las e fotografá-las em momentos bastante intensos. Eu amo fotografar e busco criar coleções de imagens que reflitam a vida e seus momentos peculiares – em corridas, feiras, praias, desfiles… Mas aquelas fotos que eu me esmero para conseguir em Skid Row estão no meu coração. Descobri que todo mundo quer ser escutado por outra pessoa.”

 

 

 

 

O relato da fotógrafa norte-americana Suzanne Stein explica sua relação com os moradores de uma imensa área de Los Angeles, conhecida como Skid Row, onde vivem pelo menos seis mil pessoas em situação de vulnerabilidade – muitos dos quais, sem casa para morar.

 

 

 

 

Stein busca respeitar certos limites para preservar a imagem dos moradores de Skid Row e também sua própria integridade mental. Por vezes, diz a si mesma que é hora de partir. Ela também atende aos pedidos daqueles que não desejam ser fotografados. Dessa maneira, consegue acompanhar a vida da região e contar as histórias de quem lá vive em sua página do Tumblr.

 

 

 

 

“Enquanto me envolvo no processo, consigo me distanciar das situações que testemunho. É no fim do dia, muitas vezes, voltando para casa, que sou impactada pelo enorme peso do que vivenciei. Às vezes, quando termino uma dessas sequências, me restam poucas habilidades além do mais essencial: parar no sinal vermelho, mover meu corpo e comer algo que esteja no meu carro”, conta a fotógrafa em seu site.

 

 

 

 

Muitos dos fotografados somem sem deixar rastros, outros estão viciados em drogas e há ainda aqueles que correm riscos de serem agredidos física e sexualmente. Stein mostra o lado marginalizado de uma cidade que se notabilizou por seus estúdios de cinema e pelo imaginário da vida nos Estados Unidos construído por sua indústria. Imagens que são como um negativo do sonho americano.