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Posts from the ‘Preto e Branco’ Category

23
nov

Evandro Teixeira e seus registros históricos do Brasil

Um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro, Evandro Teixeira presenciou importantes momentos da história do país. Hoje, aos 83 anos, o fotógrafo é lembrado por seus registros, em diferentes partes do mundo, e suas fotos integram acervos de museus como o de Belas Artes de Zurique, na Suíça, o Museu de Arte Moderna La Tertulia, na Colômbia, e o Masp, em São Paulo.

O papa João Paulo II em sua segunda visita ao Brasil (Salvador, Bahia, 1991)

Nascido na cidade baiana de Irajuba, iniciou sua carreira jornalística em 1958, no jornal O Diário de Notícias, em Salvador, mas logo foi transferido para o Diário da Noite, na cidade do Rio de Janeiro, onde mora até hoje. Tornou-se uma figura mítica do fotojornalismo em 1963, quando ingressou no Jornal do Brasil e nele permaneceu por 47 anos.

Evandro esteve presente em lugares e momentos marcantes da história do Brasil e até de outros países. Algumas das suas coberturas mais importantes foram a chegada do general Castello Branco ao Forte de Copacabana durante o golpe militar de 1964, a repressão ao movimento estudantil no Rio de Janeiro, em 1968, e a queda do governo Salvador Allende, no Chile, em 1973, entre outras.

Tomada do Forte de Copacabana no golpe de militar (1964)

Cavalaria em ação na igreja da Candelária, em protesto durante a missa pela morte do estudante Edson Luís (1968)

Passeata dos 100 mil (Cinelândia, Rio de Janeiro, 1968

O jornalista que cobriu duas ditaduras disse ao portal Photos que se orgulha de ser um profissional inspirador para seus colegas de profissão e que o fotojornalismo é uma ferramenta importante no registro da história. Por ocasião das manifestações de 2013, Evandro foi questionado sobre como foi a sensação de reviver os protestos de 1968 e disse que procurou participar e sentir de perto o movimento. “As reivindicações são outras, mas os ideais são os mesmos. Não podia ficar fora! Hoje, não estou mais preso a um jornal, mas continuo com a minha missão e paixão, fotografar. Afinal, esta é a minha profissão.”

Redigido por Carolina Camejo
Hub ESPM-sul

16
nov

O ato fotográfico para além da fotografia – Feco Hamburger

Retrato de Fico Hamburger

 

Fotógrafo, artista e professor, Fernando Império Hamburger, conhecido como Feco Hamburger, nasceu em 1970 em São Paulo, onde vive até hoje. Estudou Física na Unicamp e Linguística na USP, mas se aproximou da fotografia se especializando em fine-art printing. Em suas obras, explora a percepção do tempo na trama entre uma relação visível com a natureza e o contraditório.

Feco é irmão do cineasta, roteirista e produtor Cao Hamburger, que dirigiu, dentre outras obras, o programa infantil Castelo Rá-tim-bum de 1994 até 1997 e o filme Xingu em 2011.

De 1991 a 1994, trabalhou como assistente de Bob Wolfenson, referência nacional como retratista, fotógrafo de nus e de moda. Em 1996, quando abriu seu próprio estúdio, Hamburger fotografou em diversos lugares do Brasil e até mesmo fora do país para revistas, capas de livros, discos e agências de publicidade. De lá pra cá, trabalhou com diversas marcas, como MTV, Tim, Pampers, Marie Claire, entre outras. No começo dos anos 2000, voltou-se para a pesquisa de novas linguagens fotográficas e outras mídias.

Em entrevista para o site do Pivô, espaço de arte contemporânea, Hamburger diz não saber se tem um processo criativo claro, às vezes tem uma ideia que surge de algum pensamento ou de uma imagem.

Sua primeira exposição individual, Noites em Claro, foi realizada em 2004 na Pinacoteca de São Paulo.

Foto: Feco Hamburger

Foto: Feco Hamburger

Seu trabalho já foi exposto na Pinacoteca do Estado de São Paulo – onde também possui acervo de obras -, no Museu de Arte Moderna e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Em 2012, recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo na categoria de melhor ensaio fotográfico e menção especial no Prêmio Brasil de Fotografia.

“O campo da arte é onde posso trabalhar com grau máximo de liberdade, ainda que na medida elástica do possível. Entre o controle e o deixar existir, as relações. As porosidades, o vazio, o contraditório. O tempo”, diz Hamburger em seu site. O artista entende seu trabalho para além da fotografia. Para ele, o ato fotográfico é um ponto de partida “para lidar com a coisa, sua natureza e condição, e não mais com seu objeto”.

Seu mais recente trabalho, chamado de Eppur si Muove, referência a polêmica frase de Galileu Galilei: “no entanto, se move”. Este projeto tem como intuito desafiar os limites da fotografia e da representação, para o fotógrafo há um espaço/tempo elástico entre o documento fotográfico e o sonho de mundo, é nisto que Feco se interessa.

Foto: Feco Hamburger. Hayabusa ou O falcão peregrino, 2018, Jato de tinta sobre papel de algodão e aço inox, 100 x 150 cm

 

Foto: Feco Hamburger. Moby Dick 2, 2018, Impressão jato de tinta sobre papel de algodão 90x150cm.

EPPUR SI MUOVE 6

Foto: Feco Hamburger. Via Lactea 3 Lago com 1 objeto voador, 2018, Impressão jato de tinta sobre papel de algodão, aço inox 71x160cm.

Redigido por Rafaela Knevitz
Hub ESPM-Sul
19
out

O conjunto de excluídos de Anders Petersen: O Café Lehmitz

Retrato de Anders Petersen

Retrato de Anders Petersen

Anders Petersen nasceu em 1944 na cidade de Estocolmo, na Suécia. Começou a estudar pintura no ano de 1961, em Hamburgo, na Alemanha. Aos 22 anos, teve contato com Christer Strömholm e sua obra. Strömholm foi seu professor, iniciando-o na fotografia.

Foto: Anders Petersen

Em 1967, Anders começa a fotografar um bar em Hamburgo, o Café Lehmitz. Suas fotos buscavam retratar os frequentadores do local: prostitutas, travestis, alcoólatras e viciados em drogas. “Lehmitz foi meu primeiro trabalho que levei a sério. Eu realmente me identifiquei com essas pessoas e sua situação, esse grupo que estava fora da sociedade. Eu os respeitava. Eu me senti fortemente ligado a eles”, contou em entrevista ao jornalista Simon Bowcock, do The Guardian.

Foto: Anders Petersen

“As pessoas do Café Lehmitz tiveram uma presença e uma sinceridade que eu sentia falta. Tudo bem estar desesperado, ser terno, ficar sozinho ou aproveitar a companhia dos outros. Houve um grande calor e tolerância neste cenário desprovido”, disse o fotógrafo ao Rosphoto.org.


Foto: Anders Petersen

As sessões duraram três anos e, em 1970, o fotógrafo realizou sua primeira exposição, contendo 350 fotografias ambientadas no Lehmitz.

Em 1978, o projeto virou livro e, hoje, é um dos mais conceituados da história da fotografia europeia. O músico Tom Waits utilizou uma foto de Petersen na capa do seu álbum “Rain Dogs”.

Foto: Anders Petersen

Seu trabalho no Café Lehmitz o tornou conhecido por suas fotografias em preto e branco, seu estilo documental e a busca por retratar o íntimo das pessoas. Petersen expôs internacionalmente e ganhou vários prêmios durante sua carreira.

Redigido por Luis Henrique Cunha
HUB ESPM-Sul