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Posts from the ‘Os professores’ Category

2
abr

A memória de Porto Alegre na Fototeca Sioma Breitman

Fototeca Sioma Breitman. Foto: Carlos Ferrari

 

O solar Lopo Gonçalves, visto na imagem acima, guarda um precioso acervo da história da fotografia em Porto Alegre. A casa, localizada na Rua João Alfredo, 582, no bairro Cidade Baixa, é a sede do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, que acolhe a Fototeca Sioma Breitman. No post de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre esse espaço e sobre o trabalho realizado no local pelo professor do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul Guilherme Lund.

 

Acervo. Foto: Guilherme Lund

 

Entre os fotógrafos que fazem parte do acervo, destaque para nomes importantes do desenvolvimento da fotografia em Porto Alegre, tais como Virgilio Calegari, Irmãos Ferrari, Lunara, Olavo Dutra, Léo Guerreiro e Pedro Flores. A Fototeca também acolhe a coleção João Pinto Ribeiro Netto, com imagens das décadas de 1920 e 30, e a coleção Eva Schmid, que reúne fotos de estúdio e da cidade no final do século 19. Há ainda vistas aéreas obtidas na segunda metade do século 20 que colocam em evidência as transformações urbanas ocorridas em décadas mais recentes.

 

Guilherme Lund. Foto: Carlos Ferrari

 

O trabalho que Lund realiza desde o segundo semestre de 2013 junto à Coordenação de Memória Cultural da Prefeitura começou com uma consulta geral ao material da fototeca. Depois iniciou-se a digitalização e a organização e classificação das fotos. “O objetivo é criar boas práticas de conservação, digitalização e acessibilidade para, a partir daí, construir uma política de captação de novas imagens e tornar o espaço um centro de referência”, explica o professor. Abaixo, vemos um exemplo desse trabalho desenvolvido por Lund. A primeira mostra a digitalização de uma cópia disponível no acervo. A segunda é resultado da digitalização de um negativo de médio formato (6 x 6) da mesma fotografia. O processo amplifica a quantidade e a qualidade de informação presente na imagem, como se percebe no aumento da variação tonal obtida.

 

Digitalização de cópia disponível na Fototeca Sioma Breitman. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

Qualificação da imagem através da digitalização de negativo de médio formato. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

A Fototeca conta com aproximadamente 9.000 fotografias. A informatização do acervo foi iniciada em 1999, com apoio da Fundação Vitae. Todas as imagens já foram inseridas no banco de dados criado pelo Programa Donato 3.2, disponibilizado pelo Museu Nacional de Belas Artes. Os trabalhos preparam o acervo para oferecer um material organizado, contribuindo para a preservação da memória e do patrimônio cultural da cidade. A diretora do Museu, Leticia Bauer, ressalta o “amplo interesse da comunidade” pelo acervo, consultado por pesquisadores de diversas áreas. Além disso, destaca que a Fototeca está em processo de ampliação de sua estrutura, de modo a qualificar o espaço de trabalho e aumentar sua capacidade de conservação.

O agendamento para consulta do acervo e solicitação de imagens digitalizadas pode ser feito pelo telefone (51) 3289 8276 ou pelo e-mail maranunes@smc.prefpoa.com.br. O trabalho de pesquisadores no local é realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h.

 

10
out

O Jardim das Delícias de Leopoldo Plentz

O interesse por objetos e materiais abandonados, sem valor de uso, já foram tema de três trabalhos recentes do professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Leopoldo Plentz. Em Topografia, restos de árvores cortadas; em Arqueologia Urbana, itens de consumo amalgamados no asfalto; e em Coisas Inúteis, sobras do cotidiano. A partir de 18 de outubro, Plentz retoma o assunto, com fotos inéditas, na exposição Jardim das Delícias. A mostra integra o VI Festival Internacional de Fotografia Photovisa, realizado na cidade de Krasnodar, no sudoeste da Rússia.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Os rejeitos se confundem com o solo e parecem evidenciar um processo de transformação levado a cabo pela gravidade – inexorável, como lembra o professor – e pelo consumo. Outro conceito orienta a concepção do trabalho: o acúmulo, resultado da postura de colecionador do fotógrafo em relação aos objetos descartados que encontra pelas ruas.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

As fotografias convidam o espectador a decifrar o que acontece no aparente caos das imagens. Nas palavras do professor, o trabalho “aborda temas universais e atemporais com elementos contemporâneos, gerando imagens que podem ser de nós mesmos, ou, no caso das fotografias aqui apresentadas, de coisas que não interessam mais enquanto coisas, mas apenas enquanto fonte de imagens”.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

O festival russo sugere a seguinte pergunta aos fotógrafos que participam da sua programação: “O que é importante e precioso para mim?” Plentz responde: “O que me desperta a atenção são as coisas sem importância: casas velhas, um jardim mal cuidado, uma parede impregnada de imagens, um canto da minha casa, enfim, a percepção da beleza e da elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo”.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

5
fev

Um curso com modelos fora do comum

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Na última semana rolou o último dos cursos de verão do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos. Ministrado por Ana Carolina e Manoela Trava Dutra, formadas no nosso Curso Anual de Fotografia, ele mostra na teoria e na prática as técnicas desenvolvidas pela dupla para clicar cães e gatos. Essa edição foi a primeira a contar com a ilustre presença de gatos, ou melhor, gatinhos, por serem filhotes, mas também teve cães, já tradicionais colaboradores das aulas.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Ana Carolina e Manoela são responsáveis pelo projeto Cão em Quadrinhos, que se utiliza da fotografia de animais tanto para fazer a alegria de donos corujas quanto para dar vida a iniciativas beneficentes. O projeto “Amizade não se compra”, por exemplo, fotografa animais abandonados em estúdio para ajuda-los a encontrar um novo lar. A lógica é extremamente bem-sucedida:  imagens espontâneas e profissionais, bem distantes do ar urgente que essas fotos costumam ter, valorizam os bichinhos, acelerando sua adoção. A vivência na área, dos books pagos para mascotes ao trabalho voluntário, fez não apenas com que as fotógrafas desenvolvessem técnicas – na prática, no estudo do comportamento dos cães e no aprendizado empírico, fruto da própria paixão –, mas que identificassem um mercado emergente na área, também nos setores de marketing e design. Foi esse insight que originou a criação do curso.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Nessa edição, composta por cinco encontros, os alunos assistiram um breve histórico do trabalho da dupla, conheceram o assunto que fotografariam de forma mais profunda, tiveram dicas de iluminação e uma densa aula sobre o comportamento dos animais. Nas palavras de Ana Carolina, é necessário compreender as técnicas na teoria, mas já contando com a presença de um cachorro para entender como aplica-las. Depois, tiveram uma aula totalmente prática. Diferente do que as professoras pensavam, os gatos foram mais fáceis de fotografar do que os cães. “Mas foi bom que tivemos um cão mais difícil”, conta Ana, “pois os alunos tiveram um desafio logo de cara”. Para encerrar, ainda levaram as imagens para o computador, ministrando ensinos de Photoshop e Lightroom repletos de exercícios de tratamento.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.