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Posts from the ‘Os professores’ Category

21
ago

A fotografia por Fernando Schmitt, Leopoldo Plentz e Ricardo Chaves

 

Plural em todos seus aspectos, a fotografia é celebrada ao redor do mundo no mês de agosto – uma forma de recordar o anúncio da invenção do daguerreótipo, de Louis Jacques Mandé Daguerre, em 19 de agosto de 1839, na França. Em 2014, perguntamos a três professores do Centro de Fotografia: O que há de mais essencial na tua relação com a fotografia? Neste ano, estendemos a questão a Fernando Schmitt, Leopoldo Plentz e Ricardo Chaves.

 

“Acho que é a desconfiança que constitui a essência da minha relação com a fotografia. Como professor e pesquisador, penso a desconfiança como método para pôr constantemente em cheque as certezas que se estabelecem, como método para acreditar com cautela. Como fotógrafo, desconfio que cada fotografia que faço é uma tentativa de enxergar as coisas em profundidade, embora saiba que as imagens que produzo apenas descrevem uma superfície visível. E desconfio de qualquer um que vê em uma fotografia, manipulada ou não, a verdade absoluta ou apenas mentiras. Um pouco como Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas: ‘Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.’”

– Fernando Schmitt


Fernando Schmitt – Sem título, 2015

 

“O prazer. O prazer de ver e fotografar. O ato fotográfico, por si só, é lúdico e se disto resultar em uma imagem interessante, melhor. Tenho sempre a sensação de estar pegando algo alheio, como uma inocente criança que descobre alguma coisa e corre para mostrar: olha o que achei!”

– Leopoldo Plentz


Leopoldo Plentz – Grande Arco, Paris, 2001

 

“Para mim a fotografia sempre representou uma oportunidade. Primeiro, aprender tecnicamente a fotografar, coisa que antes das câmeras automáticas era fundamental para que se obtivesse, não uma resposta boa, mas uma resposta. Dominado, mesmo que precariamente, esse primeiro desafio, veio a oportunidade de: O que fazer com isso? Logo descobri que me pagavam (algum) para que eu fosse ao encontro das notícias. Bingo! Uma vida inteira fazendo e vivendo disso. Um jeito de conhecer as coisas (e ir se conhecendo) diante de provações, por vezes, radicais. Conhecer, situações, gente e lugares é o legado do qual mais grato sou da profissão que escolhi.”

– Ricardo Chaves


Ricardo Chaves – Acidente com avião da Varig, 1989

24
abr

Os objetos inexplicáveis de Clovis Dariano

 

 

Até 30 de maio, o professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Clovis Dariano apresenta a exposição Objetos Inexplicáveis na galeria Bolsa de Arte (Visconde do Rio Branco, 365). A mostra, composta por 16 trabalhos em grande e médio formato, traz fotografias que colocam em evidência um misterioso objeto, posicionado em meio a paisagens de campo e praia.

 

 

 

“Não é um objeto aplicado, fotografado separadamente”, conta Dariano a quem fica intrigado pela posição do objeto nas fotos. É o próprio fotógrafo quem intervém fisicamente na paisagem – uma interferência “não ruidosa”, nas palavras de Dariano. Afora o objeto em suspensão, o horizonte é outro elemento recorrente. Dariano conta que buscou paisagens com características de planície, e brinca: “Cidreira é o maior estúdio do mundo”, referindo-se a uma das locações do trabalho.

 

 

 

As imagens vêm sendo obtidas desde 2012 – há também fotografias feitas em outras situações geográficas, que não estão presentes na mostra da Bolsa de Arte. O objeto em destaque nas fotografias tem origem anterior, na série Simbiose, exibida no ano 2000, na Usina do Gasômetro – um exemplo da recente retomada de trabalhos mais antigos por parte do fotógrafo.

 

 

 

Clovis Dariano estudou pintura com Paulo Porcella de 1965 a 1967, diplomou-se como técnico em propaganda em 1969, cursou o Instituto de Artes da UFRGS de 1970 a 1974, realizou pesquisas em arte conceitual com Julio Plaza de 1972 a 1973, estudou gravura em metal com Iberê Camargo em 1973 e fotografa e dirige o seu próprio estúdio desde 1970. Em 1977 funda o “Nervo Óptico – uma publicação aberta às novas poéticas visuais”, juntamente com os artistas Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Mara Álvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos. Possui obras no Museu Francês da Fotografia, Museu de Arte da UFRGS, na coleção Joaquim Paiva, Coleção Gerdau, entre outras.

 

 

 

Exposição Objetos Inexplicáveis, de Clovis Dariano
Galeria Bolsa de Arte (Visconde do Rio Branco, 365 – Bairro Floresta / Porto Alegre)
De 23 de abril a 30 de maio de 2015
Visitação de segunda à sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h30

 

2
abr

A memória de Porto Alegre na Fototeca Sioma Breitman

Fototeca Sioma Breitman. Foto: Carlos Ferrari

 

O solar Lopo Gonçalves, visto na imagem acima, guarda um precioso acervo da história da fotografia em Porto Alegre. A casa, localizada na Rua João Alfredo, 582, no bairro Cidade Baixa, é a sede do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, que acolhe a Fototeca Sioma Breitman. No post de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre esse espaço e sobre o trabalho realizado no local pelo professor do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul Guilherme Lund.

 

Acervo. Foto: Guilherme Lund

 

Entre os fotógrafos que fazem parte do acervo, destaque para nomes importantes do desenvolvimento da fotografia em Porto Alegre, tais como Virgilio Calegari, Irmãos Ferrari, Lunara, Olavo Dutra, Léo Guerreiro e Pedro Flores. A Fototeca também acolhe a coleção João Pinto Ribeiro Netto, com imagens das décadas de 1920 e 30, e a coleção Eva Schmid, que reúne fotos de estúdio e da cidade no final do século 19. Há ainda vistas aéreas obtidas na segunda metade do século 20 que colocam em evidência as transformações urbanas ocorridas em décadas mais recentes.

 

Guilherme Lund. Foto: Carlos Ferrari

 

O trabalho que Lund realiza desde o segundo semestre de 2013 junto à Coordenação de Memória Cultural da Prefeitura começou com uma consulta geral ao material da fototeca. Depois iniciou-se a digitalização e a organização e classificação das fotos. “O objetivo é criar boas práticas de conservação, digitalização e acessibilidade para, a partir daí, construir uma política de captação de novas imagens e tornar o espaço um centro de referência”, explica o professor. Abaixo, vemos um exemplo desse trabalho desenvolvido por Lund. A primeira mostra a digitalização de uma cópia disponível no acervo. A segunda é resultado da digitalização de um negativo de médio formato (6 x 6) da mesma fotografia. O processo amplifica a quantidade e a qualidade de informação presente na imagem, como se percebe no aumento da variação tonal obtida.

 

Digitalização de cópia disponível na Fototeca Sioma Breitman. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

Qualificação da imagem através da digitalização de negativo de médio formato. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

A Fototeca conta com aproximadamente 9.000 fotografias. A informatização do acervo foi iniciada em 1999, com apoio da Fundação Vitae. Todas as imagens já foram inseridas no banco de dados criado pelo Programa Donato 3.2, disponibilizado pelo Museu Nacional de Belas Artes. Os trabalhos preparam o acervo para oferecer um material organizado, contribuindo para a preservação da memória e do patrimônio cultural da cidade. A diretora do Museu, Leticia Bauer, ressalta o “amplo interesse da comunidade” pelo acervo, consultado por pesquisadores de diversas áreas. Além disso, destaca que a Fototeca está em processo de ampliação de sua estrutura, de modo a qualificar o espaço de trabalho e aumentar sua capacidade de conservação.

O agendamento para consulta do acervo e solicitação de imagens digitalizadas pode ser feito pelo telefone (51) 3289 8276 ou pelo e-mail maranunes@smc.prefpoa.com.br. O trabalho de pesquisadores no local é realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h.