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Posts from the ‘Os alunos’ Category

13
ago

Fotógrafa conquista o mundo fotografando com smartphone.

Divulgação: site Superinteressante


Gaúcha de Lageado (RS), Luisa Dörr ganhou projeção internacional em 2017, após ser convidada pela revista Time para retratar as maiores influentes norte-americanas – entre elas a Oprah Winfrey, Hillary Clinton e Selena Gomes. Doze retratos compuseram as capas da série de reportagem especial intitulada “Firsts: women who are changing the world”. O fato de ela ter fotografado essas grandes celebridades com seu celular causou um grande burburinho, tornando-a também uma pioneira.

O projeto Firsts cresceu rapidamente e a revista resolveu transforma-lo em uma série de 46 fotografias, além dos vídeos e, tudo isto acabou virando um livro.

Foto: Time

A Luisa foi nossa aluna no Curso Avançado de Fotografia em 2011, durante as aulas ela já explorava o celular como ferramenta. Em uma de suas entrevistas ela comentou que nem sempre tem uma câmera no bolso, mas o celular está sempre com ela.

Luisa, ao centro da fotografia, durante as aulas do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. Foto: Centro de Fotografia ESPM.

Luisa e alunos junto com o professor Clóvis Dariano, durante as aulas do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. Foto: Centro de Fotografia ESPM.

Além do telefone Luisa utiliza todo seu conhecimento em fotografia, composição, luz, além do aplicativo snapseed para tratar as imagens da revista e para impressão passou as fotografias por um processo de interpolarização, segundo entrevista do jornal El País.

Para ela a câmera, seja do celular ou profissional, não criam, são apenas um meio que auxiliam no processo. Quem segura e manipula a ferramenta é que estabelece o resultado final. Ela acredita que a escolha do equipamento pelo fotógrafo será cada vez mais livre.

Bastidores da Luisa com a equipe da Time.

Bastidores: Luisa fotografando Serena Williams

Além do trabalho para revista Time, Luisa tem uma aproximação muito grande com a temática do feminino, muitos de seus projetos ressaltam a beleza e o empoderamento da mulher. Entre eles estão o projeto Maysa, que documenta a trajetória de uma adolescente paulista que busca o sonho de se tornar uma miss.

Foto: Projeto Maysa, por Luisa Dorr

Foto: Projeto Maysa, por Luisa Dorr

Em 2019, Luisa foi a primeira brasileira a vencer o prêmio da World Press Photo com seu projeto Falleras. A fotógrafa contou para o jornal El País que este projeto surgiu no meio de uma viagem familiar. “…de forma despretensiosa”, conta ela. Neste projeto ela acompanhou a festa popular espanhola “Fallas de Valencia” e produziu uma série de retratos intimistas das mulheres em suas vestimentas tradicionais.

Na mesma entrevista ela pontua que o fotógrafo é um autor e protagonista, que deve ir atrás de suas próprias histórias e não esperar por um trabalho pago. “Entendo que muitos fotógrafos estão desesperados com essa falta de lugares para publicar. A falta de oportunidades e meios precisa ser recompensada com o talento do fotógrafo em achar pautas interessantes e autorais, mas é um processo cansativo em que muitos vão ficando pelo caminho”, reflete.

 

Foto: Projeto Falleras, por Luisa Dorr

Foto: Projeto Falleras, por Luisa Dorr

O trabalho de Luisa pode ser conferido através de seu site e seu instagram.

http://luisadorr.blogspot.com/
https://www.instagram.com/luisadorr/?hl=pt-br

 

30
out

Henrique Olsen: do asfalto de Porto Alegre para a natureza selvagem

Retrato Henrique Olsen

Foi nas ruas de Porto Alegre, em 2014, que Henrique Olsen, 24 anos, iniciou sua carreira na fotografia, com foco em skateboarding. Ele trabalhou como fotógrafo na empresa Matriz Skate Shop e tem imagens publicadas em sites especializados como Tribo Skate e The Berrics. Formado no nosso Curso Anual de Fotografia (ESPM-Sul, em Porto Alegre), ele é estudante de Publicidade e Propaganda e foi membro e funcionário do Centro de Fotografia, também aqui, na ESPM-Sul. Atualmente trabalha como freelancer.

Foto: Henrique Olsen

Há dois anos, a natureza passou a se tornar sua principal inspiração. Por meio da fotografia de natureza, Olsen deseja contar histórias com o intuito de emocionar as pessoas.

“Mesmo que eu conscientize e emocione apenas uma única pessoa, fico feliz”, afirmou o fotógrafo em entrevista ao portal G1.

Foto: Henrique Olsen

Nessa nova fase, viajou para diversos lugares, como Venezuela, Ilhas Galápagos, Bora Bora e Deserto do Atacama. “Antes de escolher um destino, sempre pesquiso muito sobre o local. Acesso, habitantes, histórias locais e principalmente a fauna e flora”. As imagens produzidas durante as viagens já foram compartilhadas nas redes sociais da National Geographic Brasil e BBC Brasil.

Em maio de 2018, Olsen expôs suas fotografias sobre as Ilhas Galápagos no Espaço Cultural ESPM-Sul, trabalho desenvolvido durante uma expedição de 20 dias.  Através das imagens o fotógrafo buscou conscientizar as pessoas a respeito das mudanças climáticas.

Foto: Henrique Olsen

Foto: Henrique Olsen
Conheça mais trabalhos do Henrique em:
www.henriqueolsen.com
@henriqueolsen
Redigido por Carolina Camejo
Hub ESPM
12
jan

Baita Profissional traz Shanghai a Porto Alegre

Você já foi pra Shanghai? Fotografou a Torre Pérola Oriental, o impressionante sistema de trens e os coloridos luminosos à noite? Se fez isso, com certeza você chegou a cogitar – mesmo que por brincadeira – realizar uma exposição chamada Shanghai, não é? Pois o Baita Profissional, um coletivo formado por 15 fotógrafos que buscam criar trabalhos despojados, provocativos e bem humorados teve a mesma idéia, mas baseado em um proposta um tanto incomum.

A história toda teve origem quando Anderson Astor, um dos membros do coletivo e ex- aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, pediu a uma amiga trouxesse dos E.U.A alguns filmes, já que possui câmeras analógicas e o preço seria bem mais em conta. Só que no aeroporto o raio-x danificou grande parte dos rolos, deixando eles sem nenhuma chance de serem utilizados. Então Anderson buscou alternativas de baixo custo na internet e chegou até um filme preto e branco chinês de qualidade e marca completamente desconhecidos, chamado – veja só –  Shanghai GP3 100. A partir daí, na contra-mão da atualidade que nos cerca com tecnologia, ele sugeriu ao Baita Profissional que  deixasse as câmeras digitais de lado e seguisse o fio condutor do projeto: fotografar qualquer tema, desde que utilizando o filme Shanghai GP3 100 que, segundo Anderson, “É um filme mediano, vale para experimentação. Pra quem gosta de lomo, por exemplo, é uma boa alternativa devido ao baixo custo”

AndersonAstor

Crédito: Anderson Astor

O resultado é a exposição Shanghai, que teve sua primeira versão apresentada em 2010 na Usina do Gasômetro e também fez parte da programação do Canela Foto Workshops, em fevereiro deste ano. Pra quem perdeu – ou quer conferir de novo – Shanghai estará no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa (Andradas, 959) a partir de amanhã até o dia 28 de maio.

Crédito: Edy Kolts

Crédito: EdyKolts

Participam da amostra os Baita Profissionais: Anderson Astor (ex-aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Andréa Graiz, Carlos Stein, Eduardo Aigner, Edy Kolts (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Fábio Del Re, Fabrício Barreto, Fernando Schmitt, Guilherme Ko Freitag, Lucas Cuervo Moura, Marcelo Cúria, Paulo Backes, Ricardo Jaeger, Tamires Kopp, Ubirajara Machado e os fotógrafos convidados Ricardo “Kadão” Chaves (Editor de Fotografia do Jornal Zero Hora), Raul Krebs (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, Fotógrafo publicitário e ex-baterista) e Leopoldo Plentz (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul).

Crédito: Raul Krebs
Crédito: Raul Krebs

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Ricardo "Kadão" Chaves

Exposição Shanghai
Abertura: 01 de Abril de 2011, às 19h30
Local: Museu de Comunicação Hipólito José da Costa – Andradas, 959
Visitação: 02 de Abril a 28 de Maio de 2011, de terça à sábado, das 9hs às 18hs
20
out

Retratos de Silvia Giordani propõem jogos de representação

La Fiancée. Foto: Silvia Giordani.

Qual a criança que nunca brincou de vestir a roupa da mãe ou do pai? A artista Silvia Giordani parte dessa brincadeira que tantos têm no passado para criar a série de fotografias Mise en Scène. Na releitura de Silvia, quando o passa-tempo lúdico é transportado para o estúdio, coloca em jogo questões relacionadas ao corpo e a sua representação. Silvia se interessa pelas maneiras como as pessoas constroem a sua imagem diante da câmera. Com este trabalho, ela olha para o efeito que a expectativa de ser retratada, as roupas e o cenário causam na criança que ainda não aprendeu os códigos sociais de postura.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

Realizado em 2012 durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, Mise en Scène tem atraído atenção de especialistas e começa agora a percorrer uma série de espaços expositivos. Está em cartaz até 26 de maio em mostra do programa Exposições 2013, no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP). As cinco fotografias apresentadas lá, em sala reservada, são as fotos que compõem este post. Em setembro, Silvia apresenta o trabalho ao público gaúcho em exposição individual na Associação Chico Lisboa, e, no mês seguinte, em mostra coletiva no MAC-RS.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

Nesta entrevista para o blog do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, a artista dá detalhes sobre a realização da série Mise en Scène:

O que te motivou a abordar essa brincadeira que as crianças fazem com as roupas dos pais?

A ideia surgiu ao observar crianças brincado desta maneira. Pensei em fotografar para observar o que aconteceria em um ambiente menos despojado do que o interior de uma casa. No estúdio já não era uma brincadeira, pois se tratava da representação de um adulto. Seria muito diferente se eu ficasse na espreita fotografando crianças brincando.

Depois eu fotografei outras sete crianças, meninas e meninos. Essas fotos ainda estão em estudo.

Comente as escolhas técnicas e estéticas que tu fizeste como o fundo escuro, o tapete e os outros elementos do cenário… qual o motivo para eles estarem lá?

Eu fiz vários testes com fotos na rua, em casa, em outras locações, mas no estúdio o fundo era limpo e a atenção se volta só para a criança e os objetos. Os tapetes têm a função de criar um cenário. Por um lado são uma marcação de território, para a criança não sair da área iluminada, e por outro, eles ajudam a compor a cena. Eu usei várias coisas: cadeira, almofada, telefone. Esses elementos ajudam na variação de poses, e também dão certo glamour.

Nas fotos de Mise en Scène existe uma distorção entre o corpo e a maneira como ele se apresenta. A criança está séria, fazendo poses artificiais, vestindo roupas que não são suas. Quais as reflexões que tu estás procurando despertar na pessoa que vai ver o teu trabalho?

Cada pessoa reage de forma diferente e faz reflexões de acordo com suas experiências.

Tu tens uma especialização em Teoria Psicanalítica e isso é perceptível nos teus trabalhos. Podes falar sobre a influência dessa formação no Mise en Scène?

Isso me favoreceu especialmente no momento de escolher a faixa etária das crianças e em saber que é importante a presença da mãe no momento de fotografar. A criança interagia com o olhar da mãe. Nessa faixa etária que eu escolhi, de 5 anos, no máximo 6, a criança tem uma espontaneidade maior. Depois é diferente. Com 8 anos a postura é outra, voltada para o que a sociedade espera de uma mulher ou de um homem, muito moldada por clichês.

Como é a tua interação com a criança no momento de fotografar?

A criança é que cria as poses. A única direção é que a criança permaneça na região onde a luz foi preparada. O tapete e a cadeira ajudam com isso, delimitam uma área, criam um palco.

Primeiro é feito um convite para a criança, pergunto “tu queres fazer fotos como se tu fosses a mamãe?” Aí se ela topa, a mãe e a criança escolhem juntas os trajes. A criança tem que “se achar”, tem que estar de acordo e satisfeita com a escolha do que ela vai usar. A participação dela nessa escolha de roupas e acessórios é importante. No estúdio, eu pendurava tudo em cabides, colares, bolsas, e perguntava o que ela queria usar primeiro. Eu também dava sugestões. Aí a criança já entrava no clima. As luzes dos flashes deixavam o estúdio com clima de palco.

Essa série é um desdobramento das questões que tu já vinhas trabalhando em outras ocasiões?

O desconforto de ver um corpo de criança com trajes adultos pode ser relacionado ao estranhamento causado pelas bonecas do projeto Das Unheimliche. A reação do fotografado diante da câmera já havia sido observada por mim no projeto coletivo Construções. A pesquisa sobre o corpo e a identidade têm permeado todos os meus projetos.

Para saber mais sobre Silvia Giordani, acesse o site da artista.

9
dez

Curso Anual de Fotografia encerra 2016 com apresentação de projetos dos alunos

 

 

“Tu aprendes a dar um novo sentido para o próprio olhar fotográfico, o que é até engraçado porque, depois de certo tempo, tu começas a enxergar potencial para uma boa foto nas cenas mais simples do cotidiano. Posso dizer que decidir fazer o curso foi uma das melhores decisões que eu tomei na minha vida até agora, sem sombra de dúvidas. Faria tudo de novo.” Assim a fotógrafa Camila de Oliveira define sua trajetória ao longo do Curso Anual de Fotografia, que concluiu suas atividades de 2016 no mês de dezembro.

 

 

 

 

Duas turmas completaram a formação oferecida pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul em uma apresentação de projetos com os professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos, que compuseram a banca, avaliando os projetos e sugerindo possíveis abordagens para futuros trabalhos dos alunos. “Quando comecei não tinha nenhuma técnica em fotografia, porém muita curiosidade. A troca de experiência com os professores e colegas me possibilitou conhecer um pouco desse mundo infinito da fotografia”, ressaltou a fotógrafa Jacqueline Baptista após a apresentação do seu trabalho.

 

 

 

 

A transformação na relação com a fotografia, proporcionada pela formação, é unânime nos comentários dos alunos. “O curso abriu milhares de portas de criação e imaginação no meu processo fotográfico. Entrei como amadora e hoje tenho a fotografia como profissão”, afirmou a fotógrafa Aline Brandão. Os projetos desenvolvidos seguem sendo trabalhados e revistos pelos fotógrafos nas carreiras que ganham forma a partir das experiências com colegas e professores no Curso Anual de Fotografia.

 

25
nov

Memórias e paisagens nas calçadas de Porto Alegre, de Vera Carlotto

 

 

“Para mim, muitas vezes, caminhar olhando para baixo é um ato de reflexão. Nesse caminhar me deparei com desenhos sob meus pés. Sempre digo que a pedra me escolheu, e eu pude ver os grafismos contidos nela.” Assim a fotógrafa Vera Carlotto descreve a gênese do projeto que deu origem à exposição Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, em cartaz nas Salas Negras do MARGS até 15 de janeiro.

 

 

 

 

 

A mostra apresenta 27 imagens que revelam grafismos – “camadas de rastros, respirações, pulsações, memórias, cores, linhas e formas”, nas palavras da fotógrafa – encontrados em superfícies de pedra basáltica das calçadas de Porto Alegre. Fora do MARGS, as fotografias que compõem a série também foram instaladas em calçadas da Praça Germânia, do Instituto Ling e do bairro Petrópolis (nas ruas Cel. Corte Real, Dario Pederneiras e Professor Langendonck).

 

 

 

 

 

Ao longo de cinco anos, percorrendo em torno de cinquenta ruas da cidade, foram capturadas mais de três mil imagens. “Os desenhos na superfície são fósseis, frutos da penetração de elementos da natureza na rocha, da riqueza de minerais que ela possui, da forma de extração e da exposição a intemperes”, descreve. As fotografias se dividem em três eixos: Natureza – remetendo a trabalhos de artistas chineses de diferentes séculos –, Rupestres – fazendo alusão a desenhos pré-históricas – e Curvas – linhas e fragmentos com inspiração na obra da artista Tomie Othake.

 

 

 

 

 

A fotógrafa destaca o desenvolvimento dos primeiros passos do trabalho durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. “A discussão com colegas e professores foi muito rica e impulsionou meu projeto. A partir daí passei a buscar mais imagens nas calçadas”, relembra Vera. Entre outros momentos, ela destaca a sugestão dos professores para explorar arquivos de imagens antigas que havia produzido, bem como as inúmeras sugestões de referências e abordagens. Nascida em 1962, em Porto Alegre, Vera Carlotto é formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul (2014). Nos anos 1990, viveu em Londres, dedicando-se à escultura e a estudos na Richmond Adult & Community College. Já realizou exposições como Portonírico (2012), na sala J.B. Scalco do Solar dos Câmara, e Mosaicografia (2016), no largo Glênio Peres, ambas na capital gaúcha, entre outras mostras.

 

Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, de Vera Carlotto
Salas Negras do MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/n° – Centro Histórico de Porto Alegre)
Até 15 de janeiro, sempre de terça-feira a domingo, das 10h às 19h

 

29
abr

Carlos Heuser: Zona de Transição

 

 

Habituado desde criança a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, o fotógrafo Carlos Heuser desenvolveu um olhar atento em direção ao entorno das estradas – a todos aqueles lugares e situações nos quais nos detemos por frações de segundo e que muito em seguida desaparecem da nossa memória. Tendo a fotografia como linguagem, Heuser isola alguns desses instantes e espaços na série Zona de Transição, finalista do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte de 2016.

 

 

 

“No início, eram viagens de trem. Mais tarde, viagens pelas rodovias que foram sendo construídas no Rio Grande do Sul. Concomitantemente, o estado foi sendo urbanizando. As cidades foram crescendo, a paisagem se modificando. Onde antes só havia campo e mato, foram surgindo construções. O ensaio fala dessa transição do verde para o urbano”, comenta o fotógrafo, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

 

 

 

As imagens, obtidas entre 2014 e 2015, mostram a presença humana nesses lugares de passagem. Por vezes enigmáticas, apresentam também o caráter escultórico de certos rastros e ruínas deixados pela ação do homem. Em seu silêncio, as zonas de transição de Heuser se revelam lugares de extrema potência para a imaginação do espectador.

 

 

 

Professor do Instituto de Informática da UFRGS, engenheiro e fotógrafo, Carlos Heuser é formado em Engenharia Eletrônica, com mestrado e doutorado em Ciência da Computação. Trabalha com fotografia desde os anos 1970, quando montou um laboratório caseiro junto com sua esposa, a também fotógrafa e ex-aluna do Curso Anual de Fotografia Eliane Heuser.

 

 

 

O fotógrafo participou de exposições coletivas como Imaginarium (Saguão do Aeroporto Salgado Filho, 2007; e Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, 2009); Na Patagônia (Espaço STB-Brasas, 2007); POA_237 (Casa de Cultura Mario Quintana, 2009) e Múltiplos Olhares: 9 fotógrafos (Café do MARGS, 2016).

 

 

20
nov

Apresentação de portfólios marca conclusão do Curso Anual de Fotografia

Depois de diversas experiências ao longo de 2015, chegou a hora de materializar os aprendizados da formação do Curso Anual de Fotografia. Nesta semana, a Turma A concluiu o percurso iniciado em março, na ESPM, com uma apresentação de ensaios desenvolvidos nas últimas semanas do Módulo Avançado. Os professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos participaram do encontro, avaliando os trabalhos e sugerindo possíveis desdobramentos.

 

Foto: Marília Lopez

 

Veras destacou a pluralidade dos ensaios: “de retratos a paisagens, passando por reapropriações de fotos de família, ensaios de teor feminista e sofisticadas experiências em preto e branco”. Uma particularidade da turma chamou atenção: o grupo era composto exclusivamente por mulheres. “Quase todas têm pouca ou nenhuma experiência profissional no campo da fotografia, mas se mostram muito vivamente interessadas em arriscar-se na invenção de imagens”, disse Veras.

 

Foto: Marília Lopez

 

“Os trabalhos, no geral, estão prontos para ter continuidades expositivas ou de publicação”, comentou Dariano. Na mesma linha de raciocínio, para Bakos “a produção apresentada experimentava com técnicas e temas fora do comum, com maturidade e ótimas reflexões”.

 

Foto: Marília Lopez

 

Concluída a formação, a aluna Marta Ribeiro destacou a estrutura da escola e a disponibilidade dos professores como pontos importantes para o desenvolvimento profissional ao longo do curso. “Cheguei à ESPM buscando limar arestas, aprimorar a prática e trocar experiências”, explica. Também formanda do Curso Anual, Débora Dreschler ressaltou o comprometimento dos professores e o legado da formação: “Eu saio do curso completamente satisfeita, com muito mais conhecimento, novos contatos e novas amizades”.

 

Foto: Marília Lopez

 

24
mar

Santa criança morte, de Alexandre Medeiros

 

 

Formado pelo Curso Anual de Fotografia em 2014, o fotógrafo Alexandre Medeiros inaugura sua primeira exposição individual nesta quinta-feira (26 de março) na galeria Lunara, no 5o andar da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. A mostra, intitulada Santa criança morte, segue aberta ao público até 26 de abril (confira o serviço no final do post). Alexandre nos contou um pouco mais sobre o projeto, desenvolvido desde o ano passado, ao longo da formação do Curso Anual.

 

 

 

“A criança faz da morte um jogo inofensivo”, conta o fotógrafo no texto que acompanha as imagens da mostra, destacando a forma como as crianças lidam com a questão. Alexandre busca repensar a morte para além do sentido de colapso, abordando o que há de misterioso em torno dessa temática. “Assassinamos a criança que existe dentro de nós quando a visão racional sobre a finitude da existência sobrepõe o mistério, a fantasia, o lúdico”, analisa.

 

 

 

Alexandre destaca a importância de sua experiência como aluno do Curso Anual. “Foi crucial ter desenvolvido o trabalho no Centro de Fotografia da ESPM, em virtude da orientação dos professores. Além de serem ótimos fotógrafos, eles se engajam de forma visceral com os projetos, participam dos insights dos alunos”, relembra.

 

 

 

Exposição Santa criança morte, de Alexandre Medeiros
Galeria Lunara – 5° andar da Usina do Gasômetro (Avenida Presidente João Goulart, 551 – Centro – Porto Alegre)
Abertura: 26 de março de 2015, 19h30
Visitação até 26 de abril de 2015, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

 

19
nov

Os movimentos de Obaluaê, por Antonio Mainieri

Autorretrato de Antonio Mainieri

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695. Aproveitamos a data para apresentar o ensaio Atotô do fotógrafo Antonio Mainieri, aluno recém-formado no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul de 2014.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

No início do ano, Mainieri visitou um culto de quimbanda e se impressionou com a plasticidade do ritual – sobretudo, com a forma como os movimentos desempenhavam um papel fundamental na cerimônia. Mais tarde, conheceu uma casa de religião de candomblé em Cachoeirinha, onde viria a fazer as imagens de uma homenagem a Obaluaê  – o título da série, Atotô, é uma saudação a esse orixá.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Em iorubá, Obaluaê (umas das grafias possíveis) significa “rei e senhor da terra”. É associado à morte, da mesma forma que sua mãe, Nanã. Também se atribui a essa figura o controle sobre as doenças, principalmente as epidêmicas. Nos rituais, é representado coberto de palha – para cobrir as marcas deixadas pela varíola, segundo algumas lendas.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

“Busquei explorar o movimento e a dança, que possuem fortes significados nas religiões africanas”, conta o fotógrafo. “O movimento aparece em uma espécie de transe para atingir o sagrado, a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos”, explica. As imagens valorizam movimentos circulares em sentido anti-horário feitos pelos participantes do ritual.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Mainieri destaca a importância da formação do Curso Anual para a realização do trabalho. “O curso te obriga a amadurecer ideias e estéticas. Os professores são não somente bons no que fazem, mas também muito acessíveis. E o contato com os colegas faz uma diferença enorme”, relata o fotógrafo.

12
mar

“9 Olhares” que nasceram no Centro de Fotografia da ESPM-Sul

Foto: Desirée Ferreira

Como define o professor-coordenador do Centro Manuel da Costa, o encerramento do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul costuma ter mais gosto de começo do que de fim. Foi por isso que, como contamos aqui, surgiu a ideia de dar continuidade ao trabalho dos alunos que se destacaram no Módulo Avançado. Assim, 14 fotógrafos graduados em 2012, escolhidos por uma Comissão de Seleção formada pelos professores das Disciplinas de Projeto, foram premiados com um curso ministrado por Bernardo de Souza. São alguns dos frutos desse curso, materializado na forma do livro online “9 Olhares”, que deram origem a este post.

Foto: Milene Gensas

Foto: Luis Francisco Silva

Nas palavras de Bernardo de Souza, as dinâmicas dos encontros foram a da “orientação artística, conceitual e técnica às potencialidades de inserção do trabalho apresentado nos diversos nichos do mercado de circulação”. Dos 14 alunos, todos se beneficiaram, vendo novas possibilidades nos trabalhos que executavam, e 9 destes optaram por arrematá-los na proposta da publicação “9 Olhares”.

Foto: Silvia Giordani

Foto: Schari Kozak

Vale relembrar que o objetivo de Bernardo, de acordo com o próprio era identificar os pontos fortes e fracos do corpo discente, “atento a não deixa-los confinados a uma mesma prática e afinando seu olhar sobre o mundo”. Desde 2005 Bernardo desenvolve projetos de artes visuais para a Prefeitura de Porto Alegre, como exposições, ciclos de cinema, publicações, premiações, seminários e programas pedagógicos. Paralelamente, também atua como curador independente, realizando projetos junto a outras instituições públicas e privadas.

Foto: Tiago Capelini

17
abr

Canela Photo Workshops 2013 aproxima estudantes e mestres da fotografia

Alunos do Centro de Fotografia ESPM-Sul. Foto: Schari Kozak.


A bela e fria cidade de Canela, na Serra Gaúcha, foi contagiada pela movimentação em torno do Canela Photo Workshops, festival que realizou a sua 11ª edição entre 10 e 14 de abril. Mais de 400 pessoas circularam pelas exposições, palestras e cursos promovidos com grandes nomes da fotografia no Brasil. Foi, sobretudo, uma oportunidade de aproximação entre estudantes e veteranos da área, que puderam aproveitar o ambiente informal do CFW para trocar ideias. Os alunos do Centro de Fotografia ESPM-Sul ainda reservaram um tempo para explorar a cidade e fazerem suas próprias fotos. No final deste post, eles dão outras visões do evento.

Foto: Schari Kozak.


Foto: Rodrigo Baleia.

O fotógrafo Raul Krebs, um dos organizadores, reforça que o Canela Photo Workshops vai além de oficinas, palestras, leituras de portfólios, mesas-redondas. É nos momentos de descontração que o principal objetivo do evento se concretiza: “Mantivemos o carater informal que sempre existiu nas edições do CFW e conseguimos realizar um encontro para discussão de ideias”, conta Krebs. Ele também percebe que, ano a ano, o público do festival começa a ser consolidado: “São fotógrafos, em sua maioria, com as mais diversas experiências e áreas de atuacão. Mas temos a presença de cineastas, escritores, artistas e produtores culturais. Além dos estudantes, claro. Mas o CFW acaba envolvendo toda a comunidade canelense.”

Foto: Rodrigo Baleia.

Evandro Teixeira, Orlando Britto, Claudio Edinger e Fernando Bueno. Foto: Rodrigo Baleia.

A edição de 2013 do festival trouxe várias atrações inéditas, como os projetos irreverentes da dupla Hans Georg e Ana Rodrigues (Foto120, Stendal, Escambo), a oficina de fotografia subaquática, e o Leilão Virtual de duas fotografias vintage através de duas galerias (Galeria da Gávea/RJ e Bolsa de Arte/POA) - que vai até o dia 24/4. A organização trouxe de volta as atividades que fizeram sucesso em 2012 como o dia de palestras, a cobertura fotográfica feita por Rodrigo Baleia, da National Geographic, e uma exposição no famoso Palácio das Hortênsias.

Outra grande novidade foi a montagem das exposições de Raul Krebs e Leopoldo Plentz nas Ruínas do Cassino, local destinado a abrigar o futuro Instituto Canela de Fotografia e Artes Visuais – Casa da Fotografia Brasileira. Aliás, o instituto acaba de ganhar um presidente: Eduardo Bueno (Peninha) foi empossado durante o evento.

Foto: Rodrigo Baleia.

Eduardo "Peninha" Bueno. Foto: Rodrigo Baleia.

Entre os diversos palestrantes que estão no mercado há muito tempo, o nome de Eduardo Biermann chamou a atenção, pois o ex-aluno e ex-funcionário do Centro de Fotografia da ESPM de apenas 23 anos falou do ponto de vista de quem acaba de entrar no mercado e já é considerado uma das promessas da sua geração. Biermann apresentou um conjunto de fotografias de shows de rock e relatou a experiência de vencer um concurso e trabalhar com a marca Nike. Outra ex-aluna, a fotógrafa Roberta Borges, ministrou uma das oficinas mais inusitadas do evento: “Fotografando com caixa estanque”, com prática de fotografia embaixo d’água. Na exposição 12 Fotógrafos ainda foi possível conferir o talento de quatro fotógrafos formados pelo Centro de Fotografia ESPM-Sul: Gabriela MO, Marcelo Donadussi, Lucia Simon e Alexandre Raupp.

Krebs aponta a programação de sábado (13/04) como o ponto alto do evento. Neste dia, os participantes puderam se familiarizar com os trabalhos de alguns dos maiores nomes da fotografia, além de aprender com entidades e profissionais da imagem técnica, entre eles: Rui Faquini, Rodrigo Baleia, Angela Magalhaes, Fernanda Chemale, Rogerio Reis, Evandro Teixeira, Fernando Bueno, Orlando Britto, Marga Pasquali, Leopoldo Plentz, Isabel Amado, Mayra Rodrigues, Delfim Martins, Eduardo Bueno, Hamdam e, finalmente, Claudio Edinger, o palestrante master.

Fernando Bueno e Eduardo Biermann. Foto: Schari Kozak.

Eduardo Biermann. Foto: Schari Kozak.

Neste dia, vários alunos atuais do Centro de Fotografia foram até Canela. A seguir, eles tomam a palavra para comentar o evento:

“Eu achei bem interessante as dicas do banco de imagens, eles não aceitam qualquer coisa”, afirma Renan Reloken Stein relembrando a palestra que reuniu Delfim Martins e Mayra Rodrigues para falar do mercado de fotografia, os direitos autorais e a comercialização de fotografias em banco de imagens.

Claudio Edinger e Peninha. Foto: Rodrigo Baleia.

Claudio Edinger e Peninha. Foto: Eduardo Biermann.

A arquiteta Wu Day Yi, também aluna do Curso Avançado se impressionou especialmente com a palestra “Mulheres Caiapós”, de Rui Faquini: “Ele realizou um projeto de capacitação em que ele ensinava índias a lidarem com máquinas fotográficas e registrarem o seu cotidiano. Na mão delas a máquina não era algo invasivo e as têm algumas fotos lindas!”

“Gostei muito do trabalho da Fernanda Chemale que eu ouvia falar, mas não conhecia”, comenta o aluno Luiz Heitor Marini. Ele apreciou, principalmente, o ambiente social do evento e a hospitalidade da cidade: “Eu gostei de estar ali, encontrei amigos, fotógrafos das antigas, pessoas bem entusiasmadas. E senti uma grande simpatia nas pessoas da cidade. Quando eu ia pedir informações, elas já identificavam que eu estava participando do Festival pelo crachá e me tratavam muito bem”.

8
mar

Fotógrafos formados pelo Centro falam sobre o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul – Parte 2

A fim de ajudar os que ainda possuíam dúvidas, conversamos aqui com ex-alunos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul sobre as surpresas que o curso reserva. O resultado foi tão bacana que decidimos falar com mais alguns dos fotógrafos formados, o que deu origem a este post. Aos que não sabem, as aulas do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia tem início amanhã nas turmas de sábado. Para as turmas de terças e quintas-feiras, elas começam na semana que vem. Para conferir as informações completas acesse nosso Catálogo Geral de Cursos.

Foto: Silvia Giordani.

“O curso foi muito importante porque sistematizou aquilo que eu já sabia e acrescentou várias coisas novas: Estudar iluminação me possibilitou “moldar” o assunto com a luz; deixei de evitar fotografar pessoas, pois tive experiência com modelos; consegui enxergar melhor o trabalho de outros artistas, qualificando as orientações nas oficinas que vinha ministrando. Hoje tenho maior consciência do que eu preciso fazer para atingir determinado resultado. Na ESPM desenvolvi o projeto “Mise en Scène”, que foi selecionado para expor na Associação de Artes Plásticas Chico Lisboa em 2013.”
Silvia Giordani, formada em 2012

 

Foto: Katia Bomfiglio Espíndola.

“Na época em que fiz o curso, o fato da ESPM abrir um curso avançado mudou o patamar de ensino/formação na área. Para mim, ampliou minha relação com a fotografia. Primeiro por me fornecer ferramentas para compreender e usar com qualidade os recursos da fotografia digital. Em segundo lugar, porque me colocou em contato com vários excelentes fotógrafos, com experiência e conhecimento da realidade de vários mercados. As aulas também serviram para ampliar meu olhar, conhecendo o trabalho de uma série de fotógrafos que escreveram com a luz a história da fotografia e do mundo. Sempre recomendo a ESPM como referência top em fotografia. Outra coisa: tem um estúdio super bacana e ótimos equipamentos!”
Katia Bomfiglio Espíndola, formada na primeira turma

 

Foto: Beto Raskin.

“O curso não foi só importante num ponto de vista profissional, mas também pessoal, vindo a trazer alguns bons amigos. Me incentivou a desenvolver meus trabalhos autorais, fazendo com que eu possa olhar minhas idéias com um olhar mais critico e de forma que consiga encontrar a melhor forma de expressá-las em uma imagem. Por causa do curso, hoje eu possuo um controle maior sobre o trabalho. Antes eu possuía certa noção sobre como trabalhar e iluminar em um estúdio para chegar na imagem que gostaria, mas agora eu possuo o conhecimento para alcançar exatamente o resultado que procuro.”

Beto Raskin, formado em 2011

Foto: Fernanda Coelho.

“Não há dúvidas no quanto o curso foi importante para o meu aprendizado e no quanto mudou o antes e o depois não só na minha forma de pensar em fotografia como no processo todo de trabalho. Uma das coisas que considero mais marcantes e fundamentais para o meu aprendizado é a questão do gerenciamento de cor das imagens. Saber a importância de um bom monitor para trabalhar, do próprio ambiente em que tratamos as imagens, da calibragem deste monitor e também do perfil de cor de onde iremos imprimir nossas cópias Esse processo nos dá uma segurança maior na finalização e entrega do material. Isso significa não termos “surpresas” na hora de ver uma imagem impressa, totalmente esverdeada, avermelhada, saturada, por exemplo. Antes do curso isso nem fazia parte do meu cotidiano nem tão pouco sabia disso. Isso fez uma diferença enorme no resultado final do meu trabalho. Além disso, o legal deste curso é a visão geral de todo processo de fotografia, da prática da fotografia no dia a dia e até mesmo a história da fotografia, contada diferente do que em qualquer outro curso, com referências na pintura, na arte, nos grandes fotógrafos.”
Fernanda Coelho, formada em 2009

 

Foto: Elda Franco.

“Quando tu gostas de fotografia e te preocupas em melhorar as imagens que cria, ao estudar mais, aprender mais, não é só a percepção do que se produz que é alterada, é outro mundo que se desvenda aos teus olhos, mais rico, mais colorido, mais cheio de nuances, mais significativo… não por que ele tenha mudado, mas por que a tua maneira de vê-lo e de prestar atenção ao que te rodeia mudou, consequentemente, será de uma forma mais análitica e criteriosa que estenderás o teu olhar a qualquer imagem produzida, seja tua ou não. Recomendo a todos que amam a fotografia e tem a busca da qualidade como meta”
Elda Franco, formada em 2011

 

Foto: Marcelo Veit.

“Tenho certeza que a escolha pela ESPM para dar início à minha carreira profissional, hoje até mais do que à época, não poderia ter sido mais acertada. Vindo de uma área tão antagônica e formal (Administração), sem conhecer pessoas/profissionais do meio e com interesse relativamente recente pela Fotografia, tive a oportunidade de conviver por um dia inteiro toda semana com mestres e colegas que ensinaram antes de mais nada a ver, interpretar imagens, além é claro das minúcias técnicas envolvidas.”

Marcelo Veit, formado em 2011

1
mar

Fotógrafos formados pelo Centro falam sobre o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul

O Curso Anual de Fotografia é o grande protagonista de nosso Catálogo Geral de Cursos. Com dois módulos, o de Formação e o Avançado, apresenta anualmente ao mercado uma leva de novos fotógrafos. As inscrições para o Módulo de Formação, que tem início em março, nos dias 9 (para a turma de sábado) e 12 (para a turma das terças e quintas-feiras), ainda estão abertas. E para saber o que esperar do curso e ter uma ideia de como todo o aprendizado que ele promete se materializa após a conclusão, nada melhor do que conversar com quem já passou por ele, com todas as suas aulas teóricas, técnicas e práticas. Assim, convidamos alguns dos alunos formados pelo Centro desde a primeira turma a dividirem com os “calouros” suas impressões.

Foto: Eliane Heuser.

“Comparando: uma pedra bruta a uma pedra lapidada. O valor está lá, mas só é perceptível após a lapidação. Adquiri uma base de conhecimento que está me permitindo transitar no meio de fotógrafos, me considerando também uma. Enfim, libertou em mim um prazer ainda maior em fotografar, pelos resultados que obtenho. O que antes era uma atividade a qual me dedicava em horas vagas, agora faz parte do meu dia a dia.”

Eliane Heuser, formada em 2012.

 

Foto: Milene Gensas.

“Fazer o curso foi um divisor de águas para mim. Escolhi este curso pois queria algo que me desse conhecimento suficiente para seguir a carreira de fotógrafa e hoje me sinto apta. Se antes do curso eu fazia tudo por “feeling”, agora sei o que estou fazendo e qual o caminho a seguir para atingir meus objetivos.”

 Milene Gensas, formada em 2012.

 

Foto: Tomas Brugger.

“O curso ampliou meus horizontes no que se refere à diversidade da fotografia. São infinitas as possibilidades de criação. Isso acabou virando uma paixão, um vício.”

Tomas Brugger, formado em 2012.

 

Foto: Roberta Borges.

“O curso me diferenciou de outros fotógrafos pelo aprendizado que adquiri. As aulas me deram o controle completo da fotografia, da captação à impressão. Antes do curso, eu não tinha todo este controle.”

 Roberta Borges, formada em 2007.

 

Fotos: Carlos Heuser.

“Para crescer na fotografia, é necessário contato com fotógrafos experientes, não só para entender como atuam, mas também para receber suas críticas e sugestões. Eu vejo que mudei muito minha forma de fotografar exatamente por esta experiência. O melhor do curso foi a visão que ele oferece do que é a fotografia hoje, obtida nas classes com fotógrafos renomados cobrindo as diversas áreas do ramo.”

 Carlos Heuser, formado em 2009.

 

Foto: Fabio Mariot.

“Posso dividir minha carreira em antes e depois do curso. Eu tinha todas as dificuldades possíveis, e algumas eu nem sabia que tinha. O curso me deu um caminho. Hoje, quando erro, sei porque errei. E quando acerto, também sei. Um coisa muito positiva é o currículo: abrange a parte técnica, de linguagem, de mercado e ainda tem o conteúdo prático. Por conjunturas da vida profissional e pessoal, nunca mergulhava na fotografia com tudo. Fazer o curso foi uma forma de dar uma virada nisso e finalmente abraçar a minha grande paixão profissional.”

Fabio Mariot, formado em 2010.

 

Foto: Fernando Andrade.

“Minha rede de contatos cresceu bastante por causa do curso, que me tornou um fotografo com um know-how bem maior. Honestamente, antes do curso, haviam coisas que eu tinha ideia que existiam, mas que depois do curso se tornaram rotina. Esse aprendizado mostra para quem me contrata o motivo pelo qual pagam o valor que eu cobro: conhecimento de causa.”

 Fernando Andrade, formado em 2007.

 

23
nov

Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul em clima de encerramento

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Depois de meses de muito estudo, nos quais os alunos foram instigados a viver fotografia na teoria e na prática, chega ao fim o Módulo Avançado do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Antes de esses novos profissionais chegarem ao mercado, há um dos mais esperados momentos do curso, que é quase um ritual de passagem: a banca com a apresentação dos trabalhos de conclusão. Instigados por meses a mergulhar no mundo da fotografia na teoria e na prática, os alunos tiveram a chance de mostrar o resultado dessa vivência a um júri de peso, composto por nomes de alto nível das mais diferentes áreas: Eduardo Veras , Guilherme Dable, Niura Legramante e Ricardo Chaves. Também estiveram presentes os professores responsáveis pelas aulas de Projeto, Guilherme Lund, Leopoldo Plentz e Raul Krebs , que com referências e exercícios práticos ajudaram a preparar os alunos para a construção do TCC.

Foto: Camilo Santa Helena.

Um dos detalhes mais bacanas do curso, nas palavras do professor coordenador Manuel da Costa, é o fato de que ele não é fechado, permite que se dê ênfase a uma determinada área de atuação dentro da fotografia – e é justamente no TCC que os alunos têm a chance de se expressar dentro de sua área preferida. O processo de avaliação, como explica Lund, assemelha-se às leituras de portfólio: “É uma ‘leitura de ensaio’, mas menos despretensiosa”. Os estudantes são avaliados individualmente em frente ao grupo, e as opiniões do júri sobre as imagens são divididas com todos os colegas, o que funciona como uma aula.

Em sua fala introdutória, Eduardo Veras destacou seu prazer em participar da banca e chamou atenção ao fato de que as avaliações consistem em possibilidades de leitura: “A cada um, cabe filtrar e aproveitar tanto os elogios quanto as críticas”, aconselhou. Niura completou afirmando que se tratam de sugestões, “às vezes ficamos em cima do trabalho e não vemos algumas coisas que alguém que vê de fora percebe”.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Como o representante do Fotojornalismo, Kadão deu aos alunos uma importante contribuição ao dividir como seu olhar funciona dentro da rotina de uma redação. “Em grandes coberturas, chegamos a ver quatro mil fotos em um dia. Muita coisa já passou pelos meus olhos e a verdade é que a fotografia é como um poema, uma música. Às vezes bate, às vezes não bate, toca ou não toca. Com sorte, muda a vida. Os grandes artistas são aqueles com os quais muita gente se identificou”, opinou.

Kadão também alertou os alunos a respeito da edição: é necessário tomar cuidado com a redundância na montagem de um ensaio. “Quando tiverem dificuldade de editar, busquem uma opinião, um curador. Temos muito apego com nossas fotos, são como filhos. Alguém de fora não tem a nossa paixão”. Dable completou alertando para a importância da escolha da foto de capa, que determina como todo o trabalho será percebido.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

O grande conselho de Niura foi que os alunos permaneçam treinando o olhar, que analisem a composição de outros fotógrafos não para copiar, mas para introjetar a visão dentro de si – daí a importância de possuir referências nas áreas de interesse. Todos os professores, além de criticarem pontualmente os trabalhos, dividiram com os alunos nomes importantes de diferentes áreas que poderiam servir como inspiração.

Depois, os alunos, os professores e os jurados rumaram para o centro de eventos da ESPM-Sul para brindar o encerramento dessa etapa e, claro, trocar mais algumas figurinhas. Notícias sobre mais essa leva de profissionais formados pelo Centro vocês certamente vão conferir aqui mesmo, no nosso blog. Parabéns para eles!

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

8
nov

Juliano Araujo, aluno da ESPM-Sul, expõe no Salon Art Shopping no Museu Carrousel du Louvre

Retrato de Juliano Araujo. Foto: Pedro Gigante.

É sempre bacana conferir as novidades sobre profissionais que passaram pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul e se realizaram em uma, ou algumas, das diversas áreas de atuação que a fotografia oferece. Quando se tratam de ex-monitores, então, a satisfação é imensa. Como Eduardo Biermann, vencedor de concurso mundial da Nike e pauta recente por aqui, Juliano Araujo é um desses jovens talentos que nos enchem de orgulho. Durante os dias 19, 20 e 21 de outubro, expôs seu trabalho na 11ª edição do Salon Art Shopping no Museu Carrousel du Louvre, em Paris, salão que tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho de artistas contemporâneos do mundo inteiro. Como monitor, Juliano trabalhou durante quatro anos ao lado do professor coordenador Manuel da Costa, auxiliando no gerenciamento e na comunicação dos cursos do Centro e concluindo como bolsista os extensivos Fotografia Digital Avançada, Revelando a Luz, Impressão Fotográfica Artesanal do Século XX e Moda & Photoshop.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Natural de Caxias do Sul, Juliano é graduando em Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing pela ESPM-Sul e técnico em Administração pelo Centro Tecnológico da Universidade de Caxias do Sul. Ao adotar a fotografia como profissão, transformou em trabalho seu maior hobby, desenvolvendo paralelamente projetos autorais e comerciais. O convite para a exposição em questão surgiu através de Andreas Nicola Ravizzoni, responsável por contatar artistas do Sul do Brasil para eventos internacionais organizados pela AVA Galleria. Aprovado no edital, Juliano enviou suas imagens para Rio de Janeiro, Finlândia e, finalmente, Paris. Entre fotos, pinturas, esculturas e desenhos de artistas do mundo todo, o fotógrafo apresentou uma série de imagens do museu da Fundação Iberê Camargo realizadas no final de 2009, fruto justamente de uma aula do Curso Avançado de Fotografia Digital, mais especificamente do módulo “Fotografia de Arquitetura”, conduzido pelo professor Leopoldo Plentz. Durante o processo, Juliano conta que utilizou, também, informações das aulas de Preto e Branco ministradas por Leopoldo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Para valorizar as formas interiores e exteriores do prédio da Fundação, prestigiado projeto arquitetônico de Álvaro Siza, Juliano utilizou a técnica HDR, originalmente High Dynamic Range, que permite o registro de um intervalo de luminância maior do que o clique da câmera fotográfica. Para isso, diversas imagens foram captadas variando apenas a velocidade do obturador, contemplando informações tanto nas altas quanto nas baixas luzes e atingindo uma gama maior de detalhes tonais. “Além da situação pedir o uso dessa técnica, com o sol contra e o Iberê na sombra, ela possibilitou a criação de um material diferenciado, que valoriza a textura característica das obras de Siza”, explica. Depois de prontas, as imagens foram unidas através de softwares e, para chegar naquele resultado, Juliano conta que cada uma delas foi revelada no mínimo cinco vezes.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Após a mostra no Louvre, a obra embarcou para uma nova exposição, dessa vez na Finlândia, onde permanecerá pelos próximos três meses. Juliano conta que já foi convidado para participar da 12ª edição do Salon Art Shopping, em junho do ano que vem. Ainda que pretenda continuar sua série de imagens da Fundação Iberê Camargo, o trabalho que será apresentado dessa vez, ainda em vias de produção, promete contemplar outro ponto turístico de Porto Alegre. Com a crescente demanda por imagens da Capital, o fotógrafo vê nos famigerados bancos de imagens poucas opções. Seu objetivo é criar uma série de fotografias da cidade com cunho autoral e, para isso, continuará utilizando a técnica HDR.

Fundação Iberê Camargo. Fotos: Juliano Araujo.

2
out

CCMQ sedia Nephilins, de Paula Fiori com curadoria de Clóvis Dariano

Paula Fiori. Foto: Schari Kozak.

A Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ) sedia até o dia 21 de outubro a exposição Nephilins, de Paula Fiori com curadoria de Clóvis Dariano. Formada em 2010 pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul, Paula teve seu trabalho selecionado no 2º Prêmio IEAVi de incentivo à produção de artes visuais. As imagens, expostas na Fotogaleria Virgílio Calegari, revisitam a história de Porto Alegre ao retratarem as estátuas construídas no fim do século 19 e início do século 20 localizadas no Centro da Capital.

Atlante Jovem. Foto: Paula Fiori.

Atlante do Velho Mundo. Foto: Paula Fiori.

Nascida em Erechim, Paula sempre teve a fotografia como meio de expressão, de compreensão da realidade e, em suas palavras, até mesmo de crescimento pessoal. Foi depois de 18 anos em seu ramo de origem, a Terapia Ocupacional, que decidiu optar em definitivo pela fotografia como profissão. Na época, estudava no Centro de Fotografia na ESPM-Sul e começava a entrar em contato com o reduto multifacetado do ofício, com seus inúmeros meios de atuação. Além da fotografia artística, inclinou-se para o fotojornalismo. Trabalhou durante quatro anos no staff do Palácio Piratini atendendo ao Governo do Estado e, justamente em meio a agitada rotina desse serviço, encontrou tempo e inspiração para fotografar as estátuas de Nephilins.

Guardião. Foto: Paula Fiori.

Guerreiro. Foto: Paula Fiori.

“O projeto estava em seu subconsciente”, conta Paula, “quando era criança, visitava Porto Alegre com meus pais e eles se hospedavam na Casa de Cultura Mario Quintana, na época, ainda Hotel Majestic”. Ao passear pela Rua da Praia de mãos dadas com a mãe, impressionava-se com o semblante, a roupa e o tamanho das estátuas que adornavam o Centro Histórico. “Por que elas eram assim? Pareciam deuses, anjos, eram misteriosas, emblemáticas. Não havia nada parecido com elas na minha cidade”, relembra. Agora, é justamente na CCMQ que sua visão e interpretação dessas estátuas está exposta.

Quando o período do TCC no Curso Avançado de Fotografia se aproximou, Paula optou por esse conteúdo cheio de significado, já orientada por Clóvis Dariano, e iniciou sua pesquisa histórica. Entre os especialistas da área com os quais teve contato, destaca o professor Arnoldo Doberstein, cuja tese de doutorado foi exclusivamente sobre a estatuária porto-alegrense. “Se eu já gostava das estátuas, foi aí que terminei de me apaixonar. Elas realmente não estão ali por acaso, bem como seu conteúdo prático. Tudo nelas, do tecido da roupa à pose, tem um por quê”.

Portal de Demetér. Foto: Paula Fiori.

Portal de Hermes. Foto: Paula Fiori.

Pertencentes à herança do Positivismo, teoria do sociólogo francês Auguste Comte que teve excepcional adesão no Rio Grande do Sul, essas estátuas foram construídas seguindo a lógica de industrialização e progresso que marcou a transição para o século 20 no mundo. Vibrantes com a implantação da República, os gaúchos detentores do poder econômico e político faziam da arquitetura um meio tanto de autoafirmação quanto de comunicação com a classe subordinada. Como conta Paula, as estátuas eram equivalentes aos outdoors de hoje. Nelas, as figuras de semideuses eram feitas para os próprios poderosos se vangloriarem. Já aquelas que carregam mundos nas costas representavam a classe trabalhadora – daí seu rosto sereno, de resignação e plenitude, em contraste com o físico, repleto de músculos, força de trabalho. Em suas imagens, Paula as descontextualiza para que sejam percebidas em toda a sua magnitude e com todos os detalhes que foram cuidadosamente projetadas para ter. A fim de conseguir a definição necessária para mostrar tais características, só pôde fotografar em dias nublados, com luz natural difusa.

Gaia. Foto: Paula Fiori.

Ariadne. Foto: Paula Fiori.

O nome Nephilins, termo proveniente do latim, tem diversos significados e foi escolhido por um em especial: gigantes. “Na época, a lógica de construção pedia que elas fossem feitas em escala colossal, maiores em relação à estrutura em que estavam sendo fixadas”, conta. Para Paula, o nome também reafirma que elas eram tão gigantes em sua concepção espacial quanto em seu significado. Mais tarde, quando Porto Alegre é tomada por arranha-céus e torna-se uma metrópole de prédios suntuosos no estilo parisiense, a estatuária é abandonada. Extremamente deterioradas, elas resistem até hoje como legado histórico. E gigantes, mesmo sem nenhum programa de restauro ou reparo.

Com uma generosa dose de gratidão, Paula também faz do nome um tributo a Dariano e Manuel da Costa, definidos por ela como seus “Nephilins maiores”, professores e fontes de inspiração.

Nephilins, por Paula Fiori
Exposição do 2º Prêmio IEAVi – Incentivo à produção de Artes Visuais
Local: Fotogaleria Virgílio Calegari (7º andar)
Visitação: até 21 de outubro, segundas, a partir das 14h; de terças a sextas, das 9h e sábados, domingos e feriados, das 12h, com encerramento sempre 21h.

27
abr

Alunas do curso anual de Fotografia realizam exposição beneficente

Foto: Ana Carolina e Manoela Dutra.

As ex-alunas do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Ana Carolina e Manoela Trava Dutra participarão de uma exposição durante o Sarau CulturAU, realizado no dia 28 de abril a partir das 18h no salão da Paróquia Matriz de Porto Alegre. O evento tem como objetivo destacar talentos gaúchos de diferentes áreas e, ainda, arrecadar fundos para uma ONG protetora de animais. A mostra, intitulada “Você acredita na gente?”, tem tudo a ver com essa proposta. Seu objetivo é suscitar questões como maus tratos, abandono e posse responsável de animais domésticos e seus 12 retratos são de cães resgatados das ruas, alguns já adotados, outros ainda a espera de um lar. A dupla capitaneia o projeto “Cão em Quadrinhos”, que une iniciativas sociais, venda de produtos e fotografia, tudo focado na sua maior paixão: cachorros.

As fotografias expostas fazem parte de uma dessas iniciativas sociais lideradas pelo CQ, o projeto Amizade Não se Compra. Seu objetivo é fotografar, sem custo nenhum, animais abandonados para ajudá-los a encontrar um novo lar. A lógica faz muito sentido: imagens alegres, espontâneas e profissionais, distantes do caráter de urgência que caracteriza esses cliques, valorizam os bichinhos e estimulam que sua adoção aconteça mais rápido.

Foto: Ana Carolina e Manoela Dutra.

Formadas em Design também pela ESPM-Sul, Ana e Manoela criaram o “Cão em Quadrinhos” em 2009 e trabalham exclusivamente com ele desde o ano passado. Além das fotografias gratuitas para ONGs e outros protetores, elas também realizam books pagos para mascotes, uma iniciativa que tem cada vez mais procura. As duas se especializaram no ramo de forma autodidata, pela prática, pelo estudo do comportamento dos cães e pelo aprendizado empírico, fruto da própria paixão. Manoela conta que desenvolveram suas próprias técnicas e, agora, estão elaborando um curso para pessoas que tem interesse em fotografar seus mascotes. “Não encontramos nenhuma iniciativa focada nisso aqui no Sul, nem mesmo em outros estados”, afirma.

Não é fácil captar a personalidade dos cachorros na hora dos cliques, como muitos podem pensar. Antes de fotografá-los, quando o cão já tem casa, um questionário é enviado ao dono para conhecer um pouco mais sobre o temperamento do mascote. “No dia da sessão, deixamos o animal conhecer o ‘terreno’, principalmente quando é em estúdio, e se familiarizar com a gente”. Por terem estudado o comportamento canino, entendem e interpretam bem suas atitudes, o que torna a direção do ensaio mais fácil. Além disso, utilizam petiscos, brinquedos, sons e comandos para atrair sua atenção. “Cada animal tem uma personalidade então precisamos estar prontas para usar todas as técnicas, com destaque para a paciência. Cada um tem seu tempo, assim como as pessoas”.

Foto: Ana Carolina e Manoela Dutra.

Na opinião de Manoela, os animais resgatados são mais fáceis de trabalhar, principalmente pela ausência da interferência do dono. “O animal é mais livre de manias e vontades e, dessa forma, quando aplicamos as técnicas de adestramento, eles respondem com mais rapidez. Além disso, pela falta de carinho e atenção, tem muito mais vontade de trabalhar e estar perto da gente”, conta. Mas pela carência e por estarem geralmente em espaços pequenos, têm mais energia contida para gastar antes dos cliques. “Aproveitamos e brincamos um pouco com eles antes de iniciar”.

Além de serem seu assunto predileto, as duas consideram os cães modelos excelentes. “Sempre espontâneos, não se preocupam com a ‘maquiagem’, edição, photoshop. São ótimos clientes!”, diverte-se Manoela.

Retrato de Ana Carolina.

Retrato de Manoela.

“Você acredita na gente?”
por Ana e Manoela Trava Dutra, do Cão em Quadrinhos
no Sarau CulturAU
Salão da Paróquia Matriz de Porto Alegre
28 de abril a partir das 18h
Ingresso antecipado: R$5 (pode ser adquirido na Paróquia Matriz, com o Cão em Quadrinhos ou em outros pontos de venda que podem ser encontrados no site do evento).

2
mar

Ex-aluna do Curso Anual de Fotografia realiza exposição em Portugal

Formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, a fotógrafa Fernanda de Souza foi convidada para expôr na Galeria Colorida, em Lisboa, Portugal. O ensaio escolhido, intitulado High Key (nome, também, da técnica utilizada na captação das imagens), foi seu trabalho de conclusão, apresentado em março de 2011. A mostra será inaugurada amanhã, dia 3, e permanece por lá até o dia 16.

Fernanda explica que para trabalhar com fotos em altas luzes, mas sem perda de detalhes e textura, as imagens foram desenvolvidas utilizando a técnica de iluminação High Key — sem superexposição, mas com grande luminosidade. “Para isso, as imagens foram captadas em estúdio, com flash direcionado para ‘estourar’ o fundo, de modo que o objeto principal, as modelos, fundiram-se com o fundo branco”, explica. A fotógrafa é graduada em Relações Públicas pela PUCRS, mas o ensaio em questão deixa transparecer um interesse em moda. “As cores utilizadas na maquiagem das modelos foram primárias (azul, verde e vermelho) e a secundária, amarelo, para trabalhar um pouco de contraste no fundo branco, cujo resultado são fotos com menos profundidade”, conta.

Hoje, Fernanda trabalha exclusivamente com fotografia, realiza fotos em estúdio e registra eventos. Esteve na Europa em novembro do ano passado, e aproveitou o mês que passou em Barcelona, na Espanha, para enviar seu portfólio para diversas galerias, entre elas a Colorida. Na inauguração de sua exposição, realizada amanhã às 19h, será representada por uma das modelos do ensaio, Fernanda Evangelista.

Créditos do ensaio:
Modelos: Victória Monteiro e Fernanda Evangelista
Maquiagem: Diego Marcon
Produção e Fotografia: Fernanda Souza
Tratamento de Imagem: Diego Cunha

Serviço:
High Key na Galeria Colorida
Inauguração: 3 de março às 19h
Rua Costa do Castelo, 63 (Escadinhas Marques Ponte de Lima, 1A) – Lisboa, Portugal
A mostra fica em cartaz até o dia 16 de março.

9
dez

Master Class de fotografia de natureza com Zé Paiva

Retrato prof. Zé Paiva. Foto: Henrique Wallau

Na tarde do último sábado, 26 de novembro, o fotógrafo e professor Zé Paiva realizou sua Master Class com a Turma B do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. A aula prática, uma saída de campo, foi realizada no Parque de Itapuã, cerca de 1h de Porto Alegre. O grupo fez a Trilha da Visão, que depois de 3 quilômetros termina com uma vista de 180º para a Lagoa dos Patos e a Lagoa Negra, e, já no fim da tarde, acompanhou o pôr do sol na Praia da Pedreira. Tudo isso sem tirar a câmera do pescoço.

Foto: Schari Kozak

Formado em Engenharia, Zé Paiva começou sua carreira no Fotojornalismo e passou pela Publicidade, mas sempre fotografou a natureza como hobby, transformando de vez o passatempo em profissão em 1985, quando mudou-se para Florianópolis. Hoje, trabalha com agências como a Folha Press e a Getty Images e faz diversos trabalhos sob encomenda, como fotos áreas e institucionais. Seu foco e sua grande paixão são os projetos, que geram uma produção fotográfica extensa. O livro Natureza Gaúcha (2008), por exemplo, resultado final de um projeto aprovado em 2006, foi fruto de três grandes viagens e de mais de 15 mil cliques — a publicação tem 150. Nenhuma foto de arquivo foi utilizada e muitas das que não entraram na obra serviram para ampliar seu banco de imagens.

Foto: Juliano Araujo

Paiva dividiu com os alunos sua experiência de mais de duas décadas com fotografia documental de natureza. Um dos pontos que enfatizou antes da chegada, durante o trajeto, é a importância de estudo e planejamento prévio antes de cada saída: “Entrar no Google Earth, estudar a posição solar do local, o comportamento dos animais… tudo isso é necessário para que as chances de voltar para a casa com um bom material aumentem”, explicou. Ainda no ônibus, o professor distribuiu entre os alunos livros sobre os animais e plantas típicos do Rio Grande do Sul, todos exemplares ilustrados de sua biblioteca pessoal.

Foto: Schari Kozak

Na chegada, os fotógrafos viram na prática a importância de utilizar não apenas o equipamento, mas as roupas adequadas para cada situação. Paiva dividiu suas preferências e abriu sua mochila, mostrando as lentes e flashes que usa para cada assunto e alguns itens surpreendentes que não dispensa, como um apito e um saco de lixo. Antes da trilha, o professor aconselhou o silêncio, para que se escutasse mais a natureza. Deu certo. Uma das surpresas encontradas pelo caminho foi um macaco típico da região, o Bugio. Nas palavras de Paiva, trata-se de algo dificílimo de acontecer quando a saída é feita por um grupo grande. Outro conselho bem aproveitado foi referente a forma de olhar: “À primeira vista, a floresta é homogênea. É preciso aprender a enxergar as nuances do verde e da luz”.

Foto: Schari Kozak

Paiva também dividiu com os alunos alguns de seus segredos pessoais. Mostrou detalhadamente como faz fotos macro, com ou sem flash, algumas das técnicas que utiliza ao fotografar animais (no caso em questão, aves) e como tornar uma foto de paisagem especial, fugindo dos clichês.

25
nov

Turma B apresenta seus trabalhos de conclusão do Curso de Fotografia da ESPM-Sul

Foto: Juliano Araujo

No último sábado, depois de quase um ano de estudo, chegou a hora da Turma B do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul apresentar seus trabalhos de conclusão. A banca, formada pelos professores e fotógrafos Clóvis Dariano, Guilherme Lund, Luiz Barth, Raul Krebs e Ricardo Chaves, o Kadão, fez a sua primeira avaliação na ausência dos alunos. À tarde, conversaram com os autores coletivamente sobre cada ensaio e fizeram as suas observações. O processo, nas palavras de Lund, assemelha-se às leituras de portfólio: “É uma ‘leitura de ensaio’, mas avaliada de forma menos despretensiosa”.

Foto: Camilo Ilha

Raul Krebs afirma que sempre procura fazer um balanço entre a qualidade técnica e a conceitual na hora de avaliar o conjunto. Sobre a turma em questão, garantiu ter se surpreendido positivamente, opinião que compartilhou com Kadão. “Como poucos alunos me procuraram para conversar sobre o trabalho e pedir uma opinião, não desconfiava que estavam tão bons. Foi uma surpresa”, conta.

Foto: Juliano Araujo

Por ter ficado em uma posição de mediador, Lund afirma ter avaliado os trabalhos de uma forma aberta, leve, definida por ele como “mais light”. “Eu gosto dessa etapa do curso justamente por saber que é um momento muito importante para quem fotografa. Poder mostrar o trabalho para quem é veterano, tem cancha. É por isso que os alunos ficam tão ansiosos”, opina.

 

Para Lund, o conhecimento técnico só tem sentido se utilizado em um âmbito mais pessoal. “Vejo que a maior dificuldade dos alunos é saber o que querem dizer, como em qualquer tipo de manifestação artística”, conta. O professor ainda afirma que é necessário cavar, buscar a resposta para essa pergunta dentro de si: “é um mergulho na própria intimidade, uma forma de autoconhecimento. Isso aumenta o sentimento de apreensão”.

Foto: Juliano Araujo

Os professores também alertam que, como referências são encontradas e incorporadas com muita facilidade, se as coisas não saem como o idealizado, as pessoas se frustram. Nas palavras de Lund, a avaliação também busca encorajar. Para Krebs, a frustração após a banca pode se tornar um motor de crescimento.

“O fim do curso ainda é um momento de descoberta, as pessoas saem com mais perguntas do que quando entraram”, opina Lund. Para ele, mesmo que os alunos saiam com mais dúvidas, eles estão mais próximos de encontrar um caminho.

Foto: Camilo Ilha

8
jul

Luiz Barth avalia exercícios de composição dos alunos

Foto: Juliano Araujo

Em uma das aulas do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, o professor Luiz Barth passa adiante seus conhecimentos em Artes Plásticas por um nobre motivo: aumentar a compreensão dos alunos acerca das regras de composição. Em uma aula cheia de exemplos, ele explica que nosso cérebro tem princípios organizacionais próprios, e tende a arranjar os elementos por ele percebidos de forma que façam sentido. Isso determina porque entre imagens tão parecidas, algumas tendem a se destacar. Assim, são explicados em aula os princípios da psicologia da Gestalt, estudo sobre a percepção humana realizado no século XIX amplamente utilizado ainda nos dias de hoje.
Depois da teoria, chega a hora dos alunos, com a câmera em mãos, botarem em prática todo o aprendizado. Ainda em aula, ficaram livres para organizar e fotografar elementos diversos disponíveis nas cores preto, cinza e branco. Barth avaliou alguns destes trabalhos realizados pelos alunos do Curso de Foto, como é possível ver a seguir:

“Boa distribuição dos elementos claros e escuros. O enquadramento melhoraria se todo o conjunto fosse deslocado mais para a esquerda, o que centralizaria o peso e balancearia com o volume. O uso de um rebatedor para iluminar a sombra própria do retângulo superior o destacaria da sombra projetada, deixando os elementos mais definidos. Deve-se estar atento para as sombras, que sempre fazem parte da composição, assim como os objetos.” Foto: Fernanda Steffen

“A fotometragem deveria ter sido feita para que a imagem ficasse mais escura, o que destacaria o bule da garrafa, definindo sua sombra própria eliminando a luz ‘estourada’ nos brancos.”

“A imagem deveria ser deslocada para cima e para a esquerda. Mudar um pouco a posição da luz marcaria e definiria a forma da xícara.” Foto: Priscila Maboni e Roberto Rakin

“Se possível, acrescentaria um degradê à esquerda para balancear.” Foto: Roberto Raskin

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“Apenas subiria a imagem um pouco para revelar o ‘colo’ da garrafa central”

“A composição está correta. Apenas aumentaria um pouco a iluminação frontal para revelar a rica textura da concha.”

“Seria melhor centralizar e destacar os objetos de suas sombras projetadas.”
“Seria melhor centralizar e destacar os objetos de suas sombras projetadas.”
22
jun

A Sombra da Luz: os trabalhos dos alunos e a importância da experimentação

Foto: Amália Machado Goncalves

Depois da proposta do desafio “A Sombra da Luz”, os professores do Curso de Fotografia Raul Krebs e Leopoldo Plentz ministraram aulas relacionadas ao assunto, dando aos alunos referências e exercícios. Mas, para conferir o resultado final, foram convidados os professores Guilherme Lund e Eduardo Veras, que não acompanharam a evolução dos estudantes em aula e, por isso, teriam um olhar mais fresco, sem influências, no momento de avaliar os trabalhos.

Foto: Alexandre Raupp

Durante a aula, a expressão “desenhar com a fotografia” foi utilizada diversas vezes pelo professor Eduardo Veras que, a nosso convite, explicou o significado que ela tem para ele: “Em geral, quando eu penso em desenho, penso em linhas, em grafismos, na utilização deles para construir alguma coisa. Pode ser uma linha solta, pode ser uma linha que faz curvas, podem ser linhas geométricas, que se cortam, ou ainda uma linha reta, o menor caminho entre dois pontos. Quando olho para uma fotografia e o que puxa o meu olhar são linhas, eu interpreto que a pessoa está desenhando. Ela está usando a fotografia para fazer desenhos. E isso não é um problema, pelo contrário. É possível desenhar em telas, papéis, fazendo esculturas, fazendo prédios, fotografando…”, opinou Veras.

Foto: Eliane Heuser

“No trabalho em questão, como a proposta era utilizar sombra e luz, é muito tentador para os alunos desenhar com a sombra. As vezes é à revelia da gente que a sombra desenha. Ela define contornos, o que nada mais é do que desenhar”. Veras ainda afirmou que o mais interessante ao conferir os trabalhos é o fato de que cada olhar é um olhar, então, para a mesma proposta, existem respostas bem diferentes.

Foto: Priscila Maboni

Como os alunos abusaram de grafismos, Veras alertou que, nesses casos, deve-se dar uma atenção extra à composição para que elementos externos não interfiram negativamente no resultado final. Guilherme completou: “Quando a composição envolve pessoas, aquele ‘momento decisivo’ de Henri Cartier-Bresson é importante. É necessário prestar atenção nos pequenos gestos para não perder o momento do clic”. O professor também relembrou a importância de não apenas estar atento aos detalhes, mas de se afastar, tentar planos mais vazios.

“Existem frustações e limitações. Você pretende fazer uma coisa, mas aí entram as tuas limitações, a coisa fica um pouco menor. Há o que você quis fazer e o que conseguiu fazer”


Quando questionado se existem armadilhas para o fotógrafo quando se trabalha com sombra como um elemento de composição, Veras afirmou que por mais que elas existam, ele não as considera ruins. “As armadilhas podem ser boas, podemos até mesmo nos aproveitar delas em certos casos. Um problema comum é que, às vezes, ficamos fascinados por algum efeito, fica uma coisa meio ‘efeito pelo efeito’ que deve ser evitada. Mas o importante mesmo é fazer, arriscar, e depois pensar no que fez”, sugere, “é fazendo e experimentando que se aprende, não existe outra forma. Prevenções, pensar ‘isso é uma armadilha’, é que é o mais perigoso”.

Foto: Ana Letícia Sabi

Os dois professores ressaltaram a importância de procurar referências, prestar atenção em como outros artistas já pensaram a sombra. “Quando se trabalha com diagonais, por exemplo, é necessário saber onde ela desce e onde ela morre. Muitas vezes as diagonais quebram verticais, fica interessante”, apontou Veras.

“As coisas que você pretende nem sempre são as que o outro vai sentir”


Eduardo também aprovou o olhar pouco pretensioso de alguns alunos, em especial nos trabalhos que exploraram o espaço doméstico. “Esse tipo de fotografia me remete à fascinação das pessoas com as pequenas coisas, que é comum na infância e tende a sumir ou diminuir significativamente na idade adulta”, afirmou. O olhar positivo também prevaleceu nos usos de luz em feixes discretos, sem ser dramáticos, nas palavras do professor. “Implico um pouco com o uso daquela luz divina, marcada, celestial, muito utilizada no período barroco”, contou.

Foto: Marcia Maria de Antoni Goncalves

Os professores destacaram o trabalho de Márcia Maria Gonçalves, que realizou várias fotografias do mesmo prédio em diversos ângulos e fez uma colagem, brincando com a sombra. A experiência foi uma direta referência ao trabalho de David Hockney. Veras destacou que se tratava de uma exploração não apenas da sombra natural da  imagem, mas da sombra fruto de sobreposições criadas pelo fotógrafo com as reproduções. “Márcia fez o que Hockney faz, mas conseguiu dar uma resposta inteligente ao trabalho dele”, elogiou Veras.

Foto: Arthur Weinmann Tietze

Detalhes do corpo, poros e pelos, foram o assunto do aluno Arthur Tietze em outro trabalho elogiado. Para captar em macro, ele optou por usar uma câmera cybershot, amadora, e, de acordo com os professores, obteve um ótimo resultado: “A sombra interessou menos, não foi tanto o assunto quanto no trabalho dos colegas. Ao vermos fotos de corpo humano, no detalhe, imediatamente tentamos identificar de que parte do corpo se trata. As que são desvendadas logo de cara, no caso de Arthur, acabaram ficando as mais interessantes, fascinam pela composição abstrata”, apontou Eduardo. Guilherme elogiou a edição: “Sempre gosto de ressaltar a importância do conjunto. Nas fotos de Arthur, o conjunto se sustenta”.

“Aprender com os erros é importante. Mas é preciso ter humildade para ver os erros. O importante é trabalhar, olhar”

Foto: Paulo Corradi Pretz


No encerramento, Guilherme elogiou o resultado obtido pelos alunos: “Muitos dos trabalhos foram muito legais justamente pela questão da experimentação. É importante experimentar, testar, começar a ver a sombra de outra maneira. Não queremos rotular o trabalho, dizer ‘isso funciona, isso não’, o importante é exercitar, conversar sobre as fotos”. O professor ainda ressaltou a importancia do estudo em tempos de fotografias tão imediatistas, já que os artistas consagrados do passado eram incansáveis, pesquisavam e praticavam muito. Nesse clima, a aula foi finalizada com a leitura de motivantes frases do artista Xico Stockinger, trechos de uma entrevista concedida a Eduardo Veras em 2007, que ilustram esse post em conjunto com as fotografias dos estudantes.

“É preciso ter talento ou gosto. Gosto e talento, não sei se são a mesma coisa. É preciso trabalhar muito. É preciso ter amor ao que está na cabeça da gente. Entre você ver a coisa e fazer a coisa, há um caminho meio difícil. É preciso praticar bastante”

1
jun

A Sombra da Luz

Foto: André Kertesz

“Por anos, tem se acreditado que lâmpadas elétricas emitem luz, mas, na verdade, elas são sugadoras de escuro”. Foi apresentando os argumentos desta teoria que o professor Guilherme Lund começou uma de suas aulas de iluminação no Curso de Fotografia da ESPM. A tese, intitulada “A Teoria do Escuro” (disponível na íntegra no site Dramaturgia da Sombra), tem autor desconhecido, mas busca provar que o escuro existe, possui massa, e é mais poderoso, pesado e rápido que a luz. Um de seus argumentos afirma que uma vez cheios de luz, os sugadores de escuro param de funcionar – o que pode ser provado pela mancha preta que aparece em lâmpadas queimadas: “Uma vela é um sugador primitivo. Quando nova, tem um pavio branco. Depois do primeiro uso, o pavio se torna preto, representando todo o escuro que foi sugado para ele”.

Regina Silveira

A teoria, que segue tentando provar todas as suas suposições, tem tom de brincadeira, não é confirmada e nem pode servir de referência, mas foi mostrada pelo professor por um relevante motivo: sacudir a percepção dos alunos à respeito da iluminação e da sombra. “Essa quebra de ideias é necessária. Às vezes ficamos tão mergulhados na luz que esquecemos da sombra, do escuro, e de sua importância”, explicou. Na sequência, o professor mostrou aos estudantes o trabalho do fotógrafo André Kertesz, que foi realizado enquanto estava confinado em um apartamento em Nova Iorque.

Foto: André Kertesz

Foto: André Kertesz

Relacionar o uso da sombra às aulas de iluminação também inspirou uma das tarefas propostas pelos professores Leopoldo Plentz e Raul Krebs, “A sombra da luz”, que instigou os alunos a utilizarem a sombra como um elemento de composição. Nas palavras de Leopoldo, “para que a fotografia exista, é preciso ter luz e sombra, não apenas luz. Toda a intensidade de luz causa sombra, é sombra. E a sombra cria desenhos, volumes, tonalidades”. Enquanto explicava, o professor mostrou imagens de sua autoria nas quais predominavam diferentes tonalidades de cinza – “são esses tons que dão as formas quando se trabalha apenas com materiais brancos. O branco é um tom de cinza”, explicou.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Leopoldo explica que se trata de uma proposta subjetiva, não de um trabalho preciso em que é possível direcionar os alunos a um resultado. “Trata-se muito mais de explorar um conceito do que de fazer algo específico”, elucida. Raul alertou que, à princípio, utilizar a sombra como um elemento de composição pode remeter a imagens com sombras bem marcadas e delineadas. Mas, para ele, as fotos mostradas por Leopoldo, com seus vários tons de cinza, ajudaram a mostrar que as sombras também podem ser suaves, delicadas. Krebs tem como referência peças de Man Ray. Em muitas delas, o enquadramento é pensado a partir da sombra, não do objeto. Em outras, há desenhos de sombras no corpo humano. “Uma característica importante de suas composições são as sombras duplas, triplas, quádruplas, usadas como elementos de composição. Várias luzes são posicionadas sobre o mesmo objeto”, apontou.

Foto: Man Ray

Foto: Man Ray

Foto: Man Ray

Leopoldo afirma que, na tentativa de trabalhar com sombra, vale observar fotos e desvendar como o fotógrafo pensou a luz, de onde ela vem, por que ela ficou interessante. Krebs completa aconselhando que se pense as posições em função da sombra. Por fim, com a ajuda da pergunta de uma aluna, os dois celebraram que a multiplicidade da tarefa transcendia desde seu título, que poderia ser escrito com crase, sem crase ou com H:
A sombra da luz
À sombra da luz
Há sombra da luz
Até agora, foram realizados exercícios preliminares explorando o assunto. Os trabalhos finais serão entregues na segunda semana de junho e terão a avaliação dos fotógrafos e professores do curso Eduardo Veras e Guilherme Lund.
Como referência e inspiração, Leopoldo Plentz mostrou o trabalho “Sombra de Dúvida”, de Rogério Medeiros. Nele, o fotógrafo gaúcho radicado em São Paulo explora situações simples, mas marcadas por luz e sombra, trabalhando sempre com essa ambiguidade. As obras que formam a série foram concebidas como contraponto ao seu trabalho com publicidade e buscaram capturar sombras encontradas sem a interferência de posicionamentos, ângulos ou intensidades de luz. Para a jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichett, a mostra é um “jogo do olhar”: “as fotografias nos desconcertam: não definem, não afirmam, simplesmente apontam”.

Foto: Rogério Medeiros

Foto: Rogério Medeiros

O professor também expôs em aula o trabalho de duas artistas que não são fotógrafas, mas dialogam com o tema da luz e da sombra em seus trabalhos. A primeira é a desenhista e escultora chinesa Kumi Yamashita, que provoca sombras com a manipulação de luzes sobre números, pessoas e objetos, sempre enfatizando sua multiplicidade de formas, abordagens e resultados. Seu objetivo é mostrar que nem sempre as coisas são o que parecem.

Kumi Yamashita

Kumi Yamashita

Outra indicação de Leopoldo é a exposição “Mil e um Dias e Outros Enigmas”, de Regina Silveira, sediada no Iberê Carmargo. As obras expostas, em caráter retrospectivo, abordam a questão da luz e da sombra. A curadoria é do colombiano José Roca, parceiro da artista em outras duas mostras: Sombra Luminosa (2008 – Museu de Arte Banco de la Republica, Bogotá, e de Antioquia, Medellín, Colômbia) e Linha de Sombra (2009 – Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro).  No primeiro andar, todas as peças são marcadas pela sombra, um dos traços visuais característicos do trabalho de Regina, que tem como objetivo declarado entender o que existe entre um objeto e sua sombra. O espaço arquitetônico do museu também dialoga com as obras, com sua iluminação natural, suas sombras e a relação do interior da construção com o exterior.

Regina Silveira

Regina Silveira

24
mai

Making of: aulas de iluminação com Clóvis Dariano

Prof. Clóvis Dariano. Foto: Juliano Araujo

“Nenhum elemento é independente de outro: as coisas rimam umas com as outras e a luz lhes dá forma”. A frase do fotógrafo Henri Cartier-Bresson ilustra a importância da iluminação no processo fotográfico – tão fundamental que este é um dos tópicos mais aprofundados no Curso de Fotografia da ESPM. Para que os alunos descubram na prática as diversas vertentes, funções e características da luz, o professor Clóvis Dariano, nas aulas que ministra, busca familiarizá-los com possibilidades de iluminação e as questões técnicas envolvidas no processo.

Os primeiros encontros tratam da construção da luz em estúdio, e são as fotos deste making of que vemos nesta postagem. Com a prática, os alunos começam a ter intimidade com o equipamento e com a técnica: “É o momento em que eles descobrem que a luz é um elemento de construção, que ela ajuda a elaborar uma estrutura visual. Não apenas não existe fotografia sem luz, mas ela faz parte da dramatização, da construção do cenário. Ela tem, ou melhor, deve ter, uma intenção”, explica Dariano.

Foto: Andressa Andrade

Foto: Roberto Raskin

Foto: Roberto Raskin

Foto: Turma B

Foto: Andressa Andrade

Foto: Juliano Araujo

Foto: Juliano Araujo

Foto: Turma A

Foto: Eduardo Biermann

Foto: Rodrigo Castilhos

Foto: Turma B

Foto: Rodrigo Castilhos

Foto: Roberto Raskin

Foto: Turma B

Foto: Turma B

Foto: Turma B

Para mais registros das aulas, acesse o Flickr do Curso de Fotografia da ESPM.

19
mai

Abertura da “Retrospective Guy Bourdin” na Casa de Cultura Mário Quintana

Foto: Gabriela MO

Mais de 400 pessoas compareceram na abertura da exposição Restrospective Guy Bourdin 2011 em Porto Alegre, que aconteceu na noite do dia 12 de maio na Casa de Cultura Mário Quintana. O coquetel, assinado por Marcelo Jacobi, foi sediado nas dependências do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, 6º andar da CCMQ, em conjunto com as galerias Xico Stockinger e Sotero Cosme, onde estão dispostas fotografias de moda, filmes e editoriais em movimento produzidos pelo fotógrafo entre 1950 e o início dos anos 1990.

Foto: Gabriela MO

Por contemplar um dos mais importantes fotógrafos do século 20, a exposição já passou por cidades como Londres, Melbourne, Paris, Amsterdam, Pequim, Tóquio, Moscou e, em 2009, São Paulo. A iniciativa é da Oi Futuro, com apoio da ESPM-Sul e do Governo do Estado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, a Casa de Cultura Mario Quintana e o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. As galerias contemplam fotos icônicas de alguns de seus editoriais para a Vogue, revista com a qual trabalhou por mais de 30 anos (principalmente na edição francesa), anúncios emblemáticos feitos para a marca de sapatos Charles Jourdan, uma coletânea de suas primeiras fotografias, ainda como amador, e registros de seus estudos e experimentações, dispostos em slideshows.

O coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, Bernardo de Souza, também organizador do programa educativo da exposição, falou sobre o artista e a importância da mostra: “Diferentemente de outros de seus colegas, Bourdin nunca publicou um livro enquanto viveu. Tampouco vendeu fotografias. Apenas depois de sua morte é que o público mais amplo teve acesso a sua obra. Isso ocorreu por volta dos anos 2000″, esclareceu.

Foto: Gabriela MO

Entre as centenas de admiradores de arte e fotografia presentes na abertura, estavam o filho do fotógrafo, Samuel Bourdin, e a curadora internacional da mostra, Shelly Vethime. Ambos acompanharam Luiz Antonio de Assis Brasil, secretário de Estado da Cultura, em uma visita guiada pela exposição. Para o diretor do MAC, André Venzon, a mostra marca a revitalização do museu, que já tem uma intensa agenda de atividades programadas para este ano: “Um dos nossos projetos é atrair o público jovem. A arte de Guy Bourdin colabora para isso, além de chamar a atenção para o museu”, disse Venzon.

Foto: Gabriela MO

As fotos que ilustram esse post foram clicadas pela fotógrafa Gabriela Mo, formada pelo Curso de Fotografia da ESPM em 2010. Gabriela é jornalista, faz trabalhos como freelancer, clicando moda e comportamento, e também é fotógrafa do Beco, casa noturna de Porto Alegre. Há cerca de dois anos, é repórter e fotógrafa da Revista Void. Quem quiser conhecer melhor seu trabalho, pode visitar seu site pessoal.

Vale lembrar que Retrospective Guy Bourdin está aberta ao público até o dia 10 de junho de 2011 na Casa de Cultura Mário Quintana e tem entrada franca.

Endereço:
Casa de Cultura Mario Quintana – CCMQ
Salas Sotero Cosme e Xico Stockinger
Local: Rua dos Andradas, 736, 6° andar MAC-RS, CCMQ
Bairro Centro Histórico – Porto Alegre – Rio Grande do Sul

Horários de visitação:
Segundas-feiras das 14h às 21h
De Terças às Sextas das 9h às 21h
Sábados, Domingos e feriados das 12h às 21h
Informações: 51 3221 5900

30
mar

A gênese da fotografia no Centro de Fotografia da ESPM-Sul

Há algumas perguntas comuns que geralmente fazemos quando pensamos nas ferramentas que utilizamos atualmente, sejam elas comunicacionais ou não: como tudo começou? Quem foi o inventor? Qual foi a idéia inicial? Em se tratando de fotografia, há um termo que pode responder a essas perguntas: Câmera Obscura.

Aos longo dos anos estudiosos e filósofos desenvolveram teorias e criaram conceitos sobre a luz e seu reflexo, mas os princípios óticos usados na Câmera Obscura foi descoberto por Aristóteles, anos antes de Cristo. Ao observar um eclipse que se projetava no solo através dos buracos de diferentes tamanhos nas folhas de uma árvore, como se fossem uma peneira, ele percebeu que quanto menor o buraco mais bem definidas eram as imagens. A partir disso, filósofos, matemáticos, cientistas e estudiosos seguiram acrescentando novas observações, como Al-Kindi que, no século 9, observou: “a luz que está ao lado direito da chama passará pela abertura e será projetada no lado esquerdo da tela, enquanto a luz  que está ao lado esquerdo da chama passará pela abertura e ao final será projetada no lado direito da tela.”

Com o tempo, a Câmera Obscura chamou a atenção de matemáticos como Leonardo da Vinci e foi cada vez mais estudada. No século XIV, ela já era utilizada como um auxílio ao desenho e à pintura. Na tentativa de melhorar a nitidez da imagem projetada, os estudiosos diminuíam o tamanho do orifício, mas notavam que com isso havia perda de luminosidade. Então, em 1550, o físico milanês Girolamo Cardano sugeriu o uso de uma lente biconvexa no orifício. Ele percebeu que devido à capacidade de refração do vidro, o buraco poderia ser aumentado sem que a imagem refletida perdesse a nitidez.

Em 1558, o cientista Giovanni Baptista Della Porta publicou uma descrição detalhada da câmara e em 1604 o termo “Camera Obscura” foi utilizado pela primeira vez pelo astrônomo alemão Johannes Kepler. De lá pra cá, Câmeras Obscuras dos mais variados tipos e tamanhos foram criadas, e ela despertou o interesse de inúmeros fotógrafos. Dentre eles está o fotógrafo cubano Abelardo Morell, que é conhecido por “criar” câmeras em diferentes lugares do mundo. Dentro de um quarto de hotel próximo ao Times Square por exemplo, ele isola todas as janelas e faz um pequeno orifício para que poder captar a imagem. O resultado é a projeção das inúmeras telas coloridas de um dos mais conhecidos pontos turísticos do mundo dentro de um quarto. Ou seja, Morell constrói uma câmera obscura gigante para conseguir captar tais imagens. Pois foi baseado nele que o professor Manuel da Costa ministrou uma aula da cadeira de projeto II do Curso de Fotografia da ESPM-Sul. O Estúdio do Centro de Fotografia foi transformado em uma câmera obscura gigante, onde os alunos foram retratados e puderam acompanhar, através de uma tela de projeção, o que estava sendo captado. Abaixo, algumas fotos deste projeto grandioso:

Crédito: Eduardo Biermann

Crédito: Juliano Araújo

Crédito: Eduardo Biermann

Crédito: Eduardo Biermann

Crédito: Eduardo Biermann

Crédito: Juliano Araújo

Crédito: Juliano Araújo

4
mar

Exposição Coletiva dos Alunos da ESPM-RS Parte 2

Hoje daremos continuidade à nossa conversa com os fotógrafos que estão na Exposição Coletiva dos Alunos do Curso de Fotografia da ESPM-RS, que está na programação do Canela Workshops.Vamos saber quais eram as intenções e influências de cada um deles ao fazer os registros. Hoje falaremos sobre os outros seis ensaios, completando nosso post:

Fernando Nunes e Itamar Aguiar

A intenção de Nunes e Aguiar neste ensaio foi registrar igrejas em panorâmica, idéia oriunda de trabalho anterior “queríamos investir em algo que rendesse um futuro projeto, e percebemos que o Turismo Religioso é pouco explorado no Brasil” conta Nunes. Incentivados pelo professor Raul Krebs a transpor as dificuldades em busca da evolução, eles levaram a idéia  adiante: “agora estamos  aguardando algumas definições do Ministério da Cultura, que já aprovou o projeto” conta Aguiar. Eles vão viajar pelo País para fotografar 60 igrejas localizadas em 12 cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo, com atenção especial para a Basílica de Aparecida do Norte, a maior Basílica fora do Vaticano. Segundo Aguiar, está idéia, cujo embrião foi desenvolvido no Curso de Fotografia da ESPM-RS, é pioneira: “não há, no mundo inteiro, fotos de interiores de igreja em panorâmica” ressalta ele.

Foto: Fernando Nunes e Itamar Aguiar

Foto: Fernando Nunes e Itamar Aguiar

Fernando Nunes e Itamar Aguiar

Foto: Fernando Nunes e Itamar Aguiar

Lúcia Simon

Encorajada pelos registros do norueguês  Bjorn Sterri e pelas aulas do fotógrafo Leopoldo Plentz, o ensaio de Lúcia é uma extensão de algo que sempre fez: registro afetivo. “Há anos Sterri faz fotos de sua família de uma modo muito particular, desconsertante e suave” conta ela, que fotografou a sobrinha durante o banho em duas sessões de aproximadamente 10 minutos “eu já tinha muito claro o que queria fazer, a linguagem que iria usar”. Para Lúcia, o Curso de Fotografia da ESPM-RS teve grande importância: “Reiterou convicções, norteou as inquietações e redimensionou o mundo fotográfico. Mas mais do que resolver uma série de questões fotográficas, o curso propiciou o contato e a convivência com pessoas fantásticas” concluiu.

Foto: Lúcia Simon

Foto: Lúcia Simon

Roberta Borges

O ensaio de Roberta surgiu da intenção de registrar a sua história e de sua família “Acho que foi mais um insight mesmo (…) e por incrível que pareça nada mais do que foi fotografado existe. Após um tempo da apresentação de meu trabalho, tudo mudou. Parece que eu senti que isso aconteceria. Isso deu um valor maior ao trabalho agora.” disse ela, que visitou a casa muitas vezes durante 45 dias para fazer as fotos. Em todas as visitas, ele buscava “alguma cena casual, algo deixado em algum lugar, ou um bom enquadramento de algo que fizesse sentido em minha história de vida.” Para Roberta, o curso de Fotografia da ESPM-RS a fez evoluir como fotógrafa:  “Minha fotografia é outra após o curso. Sinto que consegui alcançar o que desejava, que era o controle da foto desde a captação até a impressão.” concluiu.

Foto: Roberta Borges

Foto: Roberta Borges

Foto: Roberta Borges

Paulo Ferreira

Paulo buscou na infância a inspiração para fazer este ensaio que tem forte elemento lúdico “quando criança eu sempre olhava para o chão, algo que as pessoas geralmente não fazem”, contou.  As fotos foram feitas sem nenhum tipo de planejamento “eu fotografava ao acaso. Percebia as composições e fazia o registro.” A intenção maior é “retratar o que as pessoas olham, mas não percebem” disse ele, que fotografou ao longo de um ano em diferentes períodos.

Foto: Paulo Ferreira

Foto: Paulo Ferreira

Foto: Paulo Ferreira

Eduardo Bussoli

Infelizmente, até o momento em que postamos, não havíamos conseguido localizar o fotógrafo Eduardo Bussoli. Assim que obtivermos mais informações sobre o ensaio, atualizaremos o post.

Foto: Eduardo Bussolini

Foto: Eduardo Bussolini

Foto: Eduardo Bussolini

13
dez

Um ensaio sobre o mar

A surfista e fotógrafa formada pela Escola de Criação Roberta Borges sempre teve muita intimidade com o mar, mas nem ela esperava que neste final de ano a maré trouxesse algo tão bom: o primeiro lugar na categoria Revelação do Prêmio Porto Seguro Fotografia 2010. Se você for à São Paulo até o dia 23 de janeiro, passe no Novo Espaço Cultural Porto Seguro (Av. Rio Branco, 1489) para apreciar os trabalhos premiados neste importante concurso nacional. Lá você vai ver o ensaio de Roberta, intitulado “Passatempo” e realizado ao longo de dois anos na praia da Barra, em Santa Catarina, sempre que a luz e o mar presenteavam com as condições ideais.

“A câmera fica aberta durante alguns segundos, o mar vem, vai e fica como se fosse uma pintura do tempo”, comenta Roberta, “eu queria registrar o tempo percorrido e não o momento decisivo que caracteriza o click”, completa ela. Instalada na sua casa de praia, a fotógrafa realizou testes durante dois anos (2009 e 2010). Os dias ideais para o seu projeto não podiam ser ensolarados nem ventosos, assim como o mar não deveria estar muito sujo. Geralmente, o momento perfeito ocorria no início manhã ou pelo fim da tarde e se dar conta dele era um dos maiores desafios de Roberta, assim como determinar o tempo de exposição e evitar que a imagem ficasse “lavada”.

Todo esse cuidado foi compensado pelo reconhecimento do Prêmio Porto Seguro e tudo que ele trouxe: “Se tu queres crescer nesse meio da arte, tu precisas da chancela de alguém que diga que o teu trabalho é bom. O prêmio dá isso”, explica ela, que já está sendo procurada por compradores e galeristas. Formada pelo Curso Avançado de Fotografia Digital, Roberta já tinha sido escolhida aluna Destaque. No Blog da Escola de Criação é possível ler uma entrevista com Roberta Borges e algumas fotos realizadas durante o curso: clique aqui para ver. No site dela você encontra mais fotos: www.robertaborges.com.br

Aquarela I (Foto: Roberta Borges)

Aquarela I (Foto: Roberta Borges)

Aquarela II (Foto: Roberta Borges)

Aquarela II (Foto: Roberta Borges)

Divergentes (Foto: Roberta Borges)

Divergentes (Foto: Roberta Borges)

Quebrante (Foto: Roberta Borges)

Quebrante (Foto: Roberta Borges)

Rectilíneas (Foto: Roberta Borges)

Rectilíneas (Foto: Roberta Borges)

Turvo (Foto: Roberta Borges)

Turvo (Foto: Roberta Borges)

Véu (Foto: Roberta Borges)

Véu (Foto: Roberta Borges)

O ensaio “Passatempo” foi realizado com uma câmera Canon EOS 5D Mark II, de 23 mega pixels. A lente é fixa (sem zoom) e Roberta abusou do tripé.