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Posts from the ‘Curso Anual’ Category

13
ago

Fotógrafa conquista o mundo fotografando com smartphone.

Divulgação: site Superinteressante


Gaúcha de Lageado (RS), Luisa Dörr ganhou projeção internacional em 2017, após ser convidada pela revista Time para retratar as maiores influentes norte-americanas – entre elas a Oprah Winfrey, Hillary Clinton e Selena Gomes. Doze retratos compuseram as capas da série de reportagem especial intitulada “Firsts: women who are changing the world”. O fato de ela ter fotografado essas grandes celebridades com seu celular causou um grande burburinho, tornando-a também uma pioneira.

O projeto Firsts cresceu rapidamente e a revista resolveu transforma-lo em uma série de 46 fotografias, além dos vídeos e, tudo isto acabou virando um livro.

Foto: Time

A Luisa foi nossa aluna no Curso Avançado de Fotografia em 2011, durante as aulas ela já explorava o celular como ferramenta. Em uma de suas entrevistas ela comentou que nem sempre tem uma câmera no bolso, mas o celular está sempre com ela.

Luisa, ao centro da fotografia, durante as aulas do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. Foto: Centro de Fotografia ESPM.

Luisa e alunos junto com o professor Clóvis Dariano, durante as aulas do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. Foto: Centro de Fotografia ESPM.

Além do telefone Luisa utiliza todo seu conhecimento em fotografia, composição, luz, além do aplicativo snapseed para tratar as imagens da revista e para impressão passou as fotografias por um processo de interpolarização, segundo entrevista do jornal El País.

Para ela a câmera, seja do celular ou profissional, não criam, são apenas um meio que auxiliam no processo. Quem segura e manipula a ferramenta é que estabelece o resultado final. Ela acredita que a escolha do equipamento pelo fotógrafo será cada vez mais livre.

Bastidores da Luisa com a equipe da Time.

Bastidores: Luisa fotografando Serena Williams

Além do trabalho para revista Time, Luisa tem uma aproximação muito grande com a temática do feminino, muitos de seus projetos ressaltam a beleza e o empoderamento da mulher. Entre eles estão o projeto Maysa, que documenta a trajetória de uma adolescente paulista que busca o sonho de se tornar uma miss.

Foto: Projeto Maysa, por Luisa Dorr

Foto: Projeto Maysa, por Luisa Dorr

Em 2019, Luisa foi a primeira brasileira a vencer o prêmio da World Press Photo com seu projeto Falleras. A fotógrafa contou para o jornal El País que este projeto surgiu no meio de uma viagem familiar. “…de forma despretensiosa”, conta ela. Neste projeto ela acompanhou a festa popular espanhola “Fallas de Valencia” e produziu uma série de retratos intimistas das mulheres em suas vestimentas tradicionais.

Na mesma entrevista ela pontua que o fotógrafo é um autor e protagonista, que deve ir atrás de suas próprias histórias e não esperar por um trabalho pago. “Entendo que muitos fotógrafos estão desesperados com essa falta de lugares para publicar. A falta de oportunidades e meios precisa ser recompensada com o talento do fotógrafo em achar pautas interessantes e autorais, mas é um processo cansativo em que muitos vão ficando pelo caminho”, reflete.

 

Foto: Projeto Falleras, por Luisa Dorr

Foto: Projeto Falleras, por Luisa Dorr

O trabalho de Luisa pode ser conferido através de seu site e seu instagram.

http://luisadorr.blogspot.com/
https://www.instagram.com/luisadorr/?hl=pt-br

 

30
out

Henrique Olsen: do asfalto de Porto Alegre para a natureza selvagem

Retrato Henrique Olsen

Foi nas ruas de Porto Alegre, em 2014, que Henrique Olsen, 24 anos, iniciou sua carreira na fotografia, com foco em skateboarding. Ele trabalhou como fotógrafo na empresa Matriz Skate Shop e tem imagens publicadas em sites especializados como Tribo Skate e The Berrics. Formado no nosso Curso Anual de Fotografia (ESPM-Sul, em Porto Alegre), ele é estudante de Publicidade e Propaganda e foi membro e funcionário do Centro de Fotografia, também aqui, na ESPM-Sul. Atualmente trabalha como freelancer.

Foto: Henrique Olsen

Há dois anos, a natureza passou a se tornar sua principal inspiração. Por meio da fotografia de natureza, Olsen deseja contar histórias com o intuito de emocionar as pessoas.

“Mesmo que eu conscientize e emocione apenas uma única pessoa, fico feliz”, afirmou o fotógrafo em entrevista ao portal G1.

Foto: Henrique Olsen

Nessa nova fase, viajou para diversos lugares, como Venezuela, Ilhas Galápagos, Bora Bora e Deserto do Atacama. “Antes de escolher um destino, sempre pesquiso muito sobre o local. Acesso, habitantes, histórias locais e principalmente a fauna e flora”. As imagens produzidas durante as viagens já foram compartilhadas nas redes sociais da National Geographic Brasil e BBC Brasil.

Em maio de 2018, Olsen expôs suas fotografias sobre as Ilhas Galápagos no Espaço Cultural ESPM-Sul, trabalho desenvolvido durante uma expedição de 20 dias.  Através das imagens o fotógrafo buscou conscientizar as pessoas a respeito das mudanças climáticas.

Foto: Henrique Olsen

Foto: Henrique Olsen
Conheça mais trabalhos do Henrique em:
www.henriqueolsen.com
@henriqueolsen
Redigido por Carolina Camejo
Hub ESPM
12
jan

Baita Profissional traz Shanghai a Porto Alegre

Você já foi pra Shanghai? Fotografou a Torre Pérola Oriental, o impressionante sistema de trens e os coloridos luminosos à noite? Se fez isso, com certeza você chegou a cogitar – mesmo que por brincadeira – realizar uma exposição chamada Shanghai, não é? Pois o Baita Profissional, um coletivo formado por 15 fotógrafos que buscam criar trabalhos despojados, provocativos e bem humorados teve a mesma idéia, mas baseado em um proposta um tanto incomum.

A história toda teve origem quando Anderson Astor, um dos membros do coletivo e ex- aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, pediu a uma amiga trouxesse dos E.U.A alguns filmes, já que possui câmeras analógicas e o preço seria bem mais em conta. Só que no aeroporto o raio-x danificou grande parte dos rolos, deixando eles sem nenhuma chance de serem utilizados. Então Anderson buscou alternativas de baixo custo na internet e chegou até um filme preto e branco chinês de qualidade e marca completamente desconhecidos, chamado – veja só –  Shanghai GP3 100. A partir daí, na contra-mão da atualidade que nos cerca com tecnologia, ele sugeriu ao Baita Profissional que  deixasse as câmeras digitais de lado e seguisse o fio condutor do projeto: fotografar qualquer tema, desde que utilizando o filme Shanghai GP3 100 que, segundo Anderson, “É um filme mediano, vale para experimentação. Pra quem gosta de lomo, por exemplo, é uma boa alternativa devido ao baixo custo”

AndersonAstor

Crédito: Anderson Astor

O resultado é a exposição Shanghai, que teve sua primeira versão apresentada em 2010 na Usina do Gasômetro e também fez parte da programação do Canela Foto Workshops, em fevereiro deste ano. Pra quem perdeu – ou quer conferir de novo – Shanghai estará no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa (Andradas, 959) a partir de amanhã até o dia 28 de maio.

Crédito: Edy Kolts

Crédito: EdyKolts

Participam da amostra os Baita Profissionais: Anderson Astor (ex-aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Andréa Graiz, Carlos Stein, Eduardo Aigner, Edy Kolts (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Fábio Del Re, Fabrício Barreto, Fernando Schmitt, Guilherme Ko Freitag, Lucas Cuervo Moura, Marcelo Cúria, Paulo Backes, Ricardo Jaeger, Tamires Kopp, Ubirajara Machado e os fotógrafos convidados Ricardo “Kadão” Chaves (Editor de Fotografia do Jornal Zero Hora), Raul Krebs (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, Fotógrafo publicitário e ex-baterista) e Leopoldo Plentz (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul).

Crédito: Raul Krebs
Crédito: Raul Krebs

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Ricardo "Kadão" Chaves

Exposição Shanghai
Abertura: 01 de Abril de 2011, às 19h30
Local: Museu de Comunicação Hipólito José da Costa – Andradas, 959
Visitação: 02 de Abril a 28 de Maio de 2011, de terça à sábado, das 9hs às 18hs
20
out

Retratos de Silvia Giordani propõem jogos de representação

La Fiancée. Foto: Silvia Giordani.

Qual a criança que nunca brincou de vestir a roupa da mãe ou do pai? A artista Silvia Giordani parte dessa brincadeira que tantos têm no passado para criar a série de fotografias Mise en Scène. Na releitura de Silvia, quando o passa-tempo lúdico é transportado para o estúdio, coloca em jogo questões relacionadas ao corpo e a sua representação. Silvia se interessa pelas maneiras como as pessoas constroem a sua imagem diante da câmera. Com este trabalho, ela olha para o efeito que a expectativa de ser retratada, as roupas e o cenário causam na criança que ainda não aprendeu os códigos sociais de postura.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

Realizado em 2012 durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, Mise en Scène tem atraído atenção de especialistas e começa agora a percorrer uma série de espaços expositivos. Está em cartaz até 26 de maio em mostra do programa Exposições 2013, no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP). As cinco fotografias apresentadas lá, em sala reservada, são as fotos que compõem este post. Em setembro, Silvia apresenta o trabalho ao público gaúcho em exposição individual na Associação Chico Lisboa, e, no mês seguinte, em mostra coletiva no MAC-RS.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

Nesta entrevista para o blog do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, a artista dá detalhes sobre a realização da série Mise en Scène:

O que te motivou a abordar essa brincadeira que as crianças fazem com as roupas dos pais?

A ideia surgiu ao observar crianças brincado desta maneira. Pensei em fotografar para observar o que aconteceria em um ambiente menos despojado do que o interior de uma casa. No estúdio já não era uma brincadeira, pois se tratava da representação de um adulto. Seria muito diferente se eu ficasse na espreita fotografando crianças brincando.

Depois eu fotografei outras sete crianças, meninas e meninos. Essas fotos ainda estão em estudo.

Comente as escolhas técnicas e estéticas que tu fizeste como o fundo escuro, o tapete e os outros elementos do cenário… qual o motivo para eles estarem lá?

Eu fiz vários testes com fotos na rua, em casa, em outras locações, mas no estúdio o fundo era limpo e a atenção se volta só para a criança e os objetos. Os tapetes têm a função de criar um cenário. Por um lado são uma marcação de território, para a criança não sair da área iluminada, e por outro, eles ajudam a compor a cena. Eu usei várias coisas: cadeira, almofada, telefone. Esses elementos ajudam na variação de poses, e também dão certo glamour.

Nas fotos de Mise en Scène existe uma distorção entre o corpo e a maneira como ele se apresenta. A criança está séria, fazendo poses artificiais, vestindo roupas que não são suas. Quais as reflexões que tu estás procurando despertar na pessoa que vai ver o teu trabalho?

Cada pessoa reage de forma diferente e faz reflexões de acordo com suas experiências.

Tu tens uma especialização em Teoria Psicanalítica e isso é perceptível nos teus trabalhos. Podes falar sobre a influência dessa formação no Mise en Scène?

Isso me favoreceu especialmente no momento de escolher a faixa etária das crianças e em saber que é importante a presença da mãe no momento de fotografar. A criança interagia com o olhar da mãe. Nessa faixa etária que eu escolhi, de 5 anos, no máximo 6, a criança tem uma espontaneidade maior. Depois é diferente. Com 8 anos a postura é outra, voltada para o que a sociedade espera de uma mulher ou de um homem, muito moldada por clichês.

Como é a tua interação com a criança no momento de fotografar?

A criança é que cria as poses. A única direção é que a criança permaneça na região onde a luz foi preparada. O tapete e a cadeira ajudam com isso, delimitam uma área, criam um palco.

Primeiro é feito um convite para a criança, pergunto “tu queres fazer fotos como se tu fosses a mamãe?” Aí se ela topa, a mãe e a criança escolhem juntas os trajes. A criança tem que “se achar”, tem que estar de acordo e satisfeita com a escolha do que ela vai usar. A participação dela nessa escolha de roupas e acessórios é importante. No estúdio, eu pendurava tudo em cabides, colares, bolsas, e perguntava o que ela queria usar primeiro. Eu também dava sugestões. Aí a criança já entrava no clima. As luzes dos flashes deixavam o estúdio com clima de palco.

Essa série é um desdobramento das questões que tu já vinhas trabalhando em outras ocasiões?

O desconforto de ver um corpo de criança com trajes adultos pode ser relacionado ao estranhamento causado pelas bonecas do projeto Das Unheimliche. A reação do fotografado diante da câmera já havia sido observada por mim no projeto coletivo Construções. A pesquisa sobre o corpo e a identidade têm permeado todos os meus projetos.

Para saber mais sobre Silvia Giordani, acesse o site da artista.

24
mar

Começam as aulas de 2017 do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul

 

Foto: Pedro Tisott

 

Os alunos do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul já iniciaram as aulas de 2017. O encontro com os professores Leopoldo Plentz e Guilherme Lund marcou o começo das atividades da formação, que chega a seu nono ano como curso de referência em fotografia, permitindo o contato com a atualidade do mercado em aulas com recursos de ponta e professores altamente experientes e qualificados.

 

Foto: Pedro Tisott

 

Lund conta que os alunos acabam descobrindo a fotografia de forma muito mais rica do que imaginavam, e ressalta também a constante atualização do curso, acompanhando as mudanças nos diferentes campos da fotografia. “Muito mais do que operar um equipamento – visão mais comum de um curso de fotografia –, os alunos passam a refletir sobre qual significado terá sua produção. Esse enriquecimento cultural é significativo e um dos destaques do curso”, completa. O resultado é percebido ao final da formação, com a inserção dos alunos no mercado, além de diversas participações em exposições e festivais.

 

Foto: Daniel Hunter

 

O Curso Anual inicia com o aprendizado das técnicas e teorias fundamentais e abrangentes para a prática da fotografia nas suas mais variadas modalidades. No segundo semestre, as aulas aprofundam temas da primeira etapa e orientam o desenvolvimento de projetos na área específica de interesse de cada aluno. Inclusive fora do horário de aula, os alunos têm acesso a um estúdio com mais de 100 m² de área útil, equipado com os mais variados equipamentos de fotografia e de iluminação, e um laboratório digital com estações de trabalho individuais de alto desempenho para o tratamento de imagem.

 

Foto: Pedro Tisott

 

Para mais informações, consulte o Catálogo Geral de Cursos. Também é possível entrar em contato com o Centro de Fotografia pelo telefone (51) 3218-1340, de segunda à sexta-feira, das 9h às 12h, e das 14h às 18h, ou pelo e-mail: fotografia-rs@espm.br.

 

Foto: Pedro Tisott

 

9
dez

Curso Anual de Fotografia encerra 2016 com apresentação de projetos dos alunos

 

 

“Tu aprendes a dar um novo sentido para o próprio olhar fotográfico, o que é até engraçado porque, depois de certo tempo, tu começas a enxergar potencial para uma boa foto nas cenas mais simples do cotidiano. Posso dizer que decidir fazer o curso foi uma das melhores decisões que eu tomei na minha vida até agora, sem sombra de dúvidas. Faria tudo de novo.” Assim a fotógrafa Camila de Oliveira define sua trajetória ao longo do Curso Anual de Fotografia, que concluiu suas atividades de 2016 no mês de dezembro.

 

 

 

 

Duas turmas completaram a formação oferecida pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul em uma apresentação de projetos com os professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos, que compuseram a banca, avaliando os projetos e sugerindo possíveis abordagens para futuros trabalhos dos alunos. “Quando comecei não tinha nenhuma técnica em fotografia, porém muita curiosidade. A troca de experiência com os professores e colegas me possibilitou conhecer um pouco desse mundo infinito da fotografia”, ressaltou a fotógrafa Jacqueline Baptista após a apresentação do seu trabalho.

 

 

 

 

A transformação na relação com a fotografia, proporcionada pela formação, é unânime nos comentários dos alunos. “O curso abriu milhares de portas de criação e imaginação no meu processo fotográfico. Entrei como amadora e hoje tenho a fotografia como profissão”, afirmou a fotógrafa Aline Brandão. Os projetos desenvolvidos seguem sendo trabalhados e revistos pelos fotógrafos nas carreiras que ganham forma a partir das experiências com colegas e professores no Curso Anual de Fotografia.

 

25
nov

Memórias e paisagens nas calçadas de Porto Alegre, de Vera Carlotto

 

 

“Para mim, muitas vezes, caminhar olhando para baixo é um ato de reflexão. Nesse caminhar me deparei com desenhos sob meus pés. Sempre digo que a pedra me escolheu, e eu pude ver os grafismos contidos nela.” Assim a fotógrafa Vera Carlotto descreve a gênese do projeto que deu origem à exposição Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, em cartaz nas Salas Negras do MARGS até 15 de janeiro.

 

 

 

 

 

A mostra apresenta 27 imagens que revelam grafismos – “camadas de rastros, respirações, pulsações, memórias, cores, linhas e formas”, nas palavras da fotógrafa – encontrados em superfícies de pedra basáltica das calçadas de Porto Alegre. Fora do MARGS, as fotografias que compõem a série também foram instaladas em calçadas da Praça Germânia, do Instituto Ling e do bairro Petrópolis (nas ruas Cel. Corte Real, Dario Pederneiras e Professor Langendonck).

 

 

 

 

 

Ao longo de cinco anos, percorrendo em torno de cinquenta ruas da cidade, foram capturadas mais de três mil imagens. “Os desenhos na superfície são fósseis, frutos da penetração de elementos da natureza na rocha, da riqueza de minerais que ela possui, da forma de extração e da exposição a intemperes”, descreve. As fotografias se dividem em três eixos: Natureza – remetendo a trabalhos de artistas chineses de diferentes séculos –, Rupestres – fazendo alusão a desenhos pré-históricas – e Curvas – linhas e fragmentos com inspiração na obra da artista Tomie Othake.

 

 

 

 

 

A fotógrafa destaca o desenvolvimento dos primeiros passos do trabalho durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. “A discussão com colegas e professores foi muito rica e impulsionou meu projeto. A partir daí passei a buscar mais imagens nas calçadas”, relembra Vera. Entre outros momentos, ela destaca a sugestão dos professores para explorar arquivos de imagens antigas que havia produzido, bem como as inúmeras sugestões de referências e abordagens. Nascida em 1962, em Porto Alegre, Vera Carlotto é formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul (2014). Nos anos 1990, viveu em Londres, dedicando-se à escultura e a estudos na Richmond Adult & Community College. Já realizou exposições como Portonírico (2012), na sala J.B. Scalco do Solar dos Câmara, e Mosaicografia (2016), no largo Glênio Peres, ambas na capital gaúcha, entre outras mostras.

 

Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, de Vera Carlotto
Salas Negras do MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/n° – Centro Histórico de Porto Alegre)
Até 15 de janeiro, sempre de terça-feira a domingo, das 10h às 19h

 

29
abr

Carlos Heuser: Zona de Transição

 

 

Habituado desde criança a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, o fotógrafo Carlos Heuser desenvolveu um olhar atento em direção ao entorno das estradas – a todos aqueles lugares e situações nos quais nos detemos por frações de segundo e que muito em seguida desaparecem da nossa memória. Tendo a fotografia como linguagem, Heuser isola alguns desses instantes e espaços na série Zona de Transição, finalista do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte de 2016.

 

 

 

“No início, eram viagens de trem. Mais tarde, viagens pelas rodovias que foram sendo construídas no Rio Grande do Sul. Concomitantemente, o estado foi sendo urbanizando. As cidades foram crescendo, a paisagem se modificando. Onde antes só havia campo e mato, foram surgindo construções. O ensaio fala dessa transição do verde para o urbano”, comenta o fotógrafo, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

 

 

 

As imagens, obtidas entre 2014 e 2015, mostram a presença humana nesses lugares de passagem. Por vezes enigmáticas, apresentam também o caráter escultórico de certos rastros e ruínas deixados pela ação do homem. Em seu silêncio, as zonas de transição de Heuser se revelam lugares de extrema potência para a imaginação do espectador.

 

 

 

Professor do Instituto de Informática da UFRGS, engenheiro e fotógrafo, Carlos Heuser é formado em Engenharia Eletrônica, com mestrado e doutorado em Ciência da Computação. Trabalha com fotografia desde os anos 1970, quando montou um laboratório caseiro junto com sua esposa, a também fotógrafa e ex-aluna do Curso Anual de Fotografia Eliane Heuser.

 

 

 

O fotógrafo participou de exposições coletivas como Imaginarium (Saguão do Aeroporto Salgado Filho, 2007; e Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, 2009); Na Patagônia (Espaço STB-Brasas, 2007); POA_237 (Casa de Cultura Mario Quintana, 2009) e Múltiplos Olhares: 9 fotógrafos (Café do MARGS, 2016).

 

 

8
mar

Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul inicia aulas de 2016

 

O Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul tornou-se referência de ensino ao longo de seus oito anos de trajetória. No último final de semana, teve início mais um capítulo dessa jornada. Em 2016, duas turmas – uma com encontros às terças e quintas-feiras e a outra aos sábados – terão contato com a atualidade do mercado, em aulas com recursos de ponta e professores altamente qualificados e experientes.

 

 

“Estamos em evolução constante. A cada ano, fazemos modificações a partir dos retornos que obtemos dos alunos”, destaca o professor Leopoldo Plentz. “Após cada edição do curso, vemos ex-alunos atuando no mercado fotográfico, com trabalhos aceitos em editais e participando de exposições. É uma grande satisfação”, completa. Na disciplina de História da fotografia, que dá início à formação, Plentz aborda elementos essenciais, presentes desde os primeiros experimentos com a câmera escura.

 

 

O Curso Anual inicia com o aprendizado das técnicas e teorias fundamentais e abrangentes para a prática da fotografia nas suas mais variadas modalidades. No segundo semestre, as aulas aprofundam temas da primeira etapa e orientam o desenvolvimento de projetos na área específica de interesse de cada aluno. Inclusive fora do horário de aula, os alunos têm acesso a um estúdio com mais de 100 m² de área útil, equipado com os mais variados equipamentos de fotografia e de iluminação, e um laboratório digital com estações de trabalho individuais de alto desempenho para o tratamento de imagem.

 

 

Para mais informações, consulte o Catálogo Geral de Cursos. Também é possível entrar em contato com o Centro de Fotografia pelo telefone (55) 51 3218-1340, de segunda à sexta-feira, das 9h às 12h, e das 14h às 18h, ou pelo e-mail: fotografia-rs@espm.br.

 

8
dez

Curso Anual de Fotografia: olhares em transformação

 

Foto: Daniel Hunter

 

Na semana passada foi a vez da Turma B concluir o Curso Anual de Fotografia iniciado em março de 2015. Na leitura de portfólios, os alunos apresentaram trabalhos desenvolvidos nos últimos meses aos professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos. O encontro foi um momento de reflexão sobre os aprendizados do curso e sobre a forma como eles se materializam nas imagens.

 

Foto: Daniel Hunter

 

Mais do que novos conhecimentos, a formação propicia uma verdadeira “transformação” de como os alunos experimentam a fotografia. “Meu olhar cresceu, descobri infinitas possibilidades”, diz a aluna Madelaine Novello. Com atuação como fotógrafa de moda – e também como modelo –, Madelaine destaca que o curso lhe permitiu ir além das referências de sua trajetória. Em seu trabalho final, ela fotografou imigrantes senegaleses que vivem em Caxias do Sul, abordando suas memórias e o seu olhar em terra estrangeira.

 

Foto: Daniel Hunter

 

O aluno Gabriel Cunha ressalta o conhecimento teórico e conceitual proporcionado pelo curso, bem como o aprimoramento de aspectos técnicos da fotografia. “Poder conviver com os professores e colegas, dividir experiências e dúvidas, estar no meio de pessoas que trabalham ou querem trabalhar com fotografia, e conhecer as semelhanças e diferenças do estilo fotográfico de todos, acrescentou demais à minha bagagem”, conta o aluno. As trocas em aula seguem reverberando nos caminhos que os fotógrafos trilham daqui pra frente.

 

Foto: Daniel Hunter

20
nov

Apresentação de portfólios marca conclusão do Curso Anual de Fotografia

Depois de diversas experiências ao longo de 2015, chegou a hora de materializar os aprendizados da formação do Curso Anual de Fotografia. Nesta semana, a Turma A concluiu o percurso iniciado em março, na ESPM, com uma apresentação de ensaios desenvolvidos nas últimas semanas do Módulo Avançado. Os professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos participaram do encontro, avaliando os trabalhos e sugerindo possíveis desdobramentos.

 

Foto: Marília Lopez

 

Veras destacou a pluralidade dos ensaios: “de retratos a paisagens, passando por reapropriações de fotos de família, ensaios de teor feminista e sofisticadas experiências em preto e branco”. Uma particularidade da turma chamou atenção: o grupo era composto exclusivamente por mulheres. “Quase todas têm pouca ou nenhuma experiência profissional no campo da fotografia, mas se mostram muito vivamente interessadas em arriscar-se na invenção de imagens”, disse Veras.

 

Foto: Marília Lopez

 

“Os trabalhos, no geral, estão prontos para ter continuidades expositivas ou de publicação”, comentou Dariano. Na mesma linha de raciocínio, para Bakos “a produção apresentada experimentava com técnicas e temas fora do comum, com maturidade e ótimas reflexões”.

 

Foto: Marília Lopez

 

Concluída a formação, a aluna Marta Ribeiro destacou a estrutura da escola e a disponibilidade dos professores como pontos importantes para o desenvolvimento profissional ao longo do curso. “Cheguei à ESPM buscando limar arestas, aprimorar a prática e trocar experiências”, explica. Também formanda do Curso Anual, Débora Dreschler ressaltou o comprometimento dos professores e o legado da formação: “Eu saio do curso completamente satisfeita, com muito mais conhecimento, novos contatos e novas amizades”.

 

Foto: Marília Lopez

 

21
ago

A fotografia por Fernando Schmitt, Leopoldo Plentz e Ricardo Chaves

 

Plural em todos seus aspectos, a fotografia é celebrada ao redor do mundo no mês de agosto – uma forma de recordar o anúncio da invenção do daguerreótipo, de Louis Jacques Mandé Daguerre, em 19 de agosto de 1839, na França. Em 2014, perguntamos a três professores do Centro de Fotografia: O que há de mais essencial na tua relação com a fotografia? Neste ano, estendemos a questão a Fernando Schmitt, Leopoldo Plentz e Ricardo Chaves.

 

“Acho que é a desconfiança que constitui a essência da minha relação com a fotografia. Como professor e pesquisador, penso a desconfiança como método para pôr constantemente em cheque as certezas que se estabelecem, como método para acreditar com cautela. Como fotógrafo, desconfio que cada fotografia que faço é uma tentativa de enxergar as coisas em profundidade, embora saiba que as imagens que produzo apenas descrevem uma superfície visível. E desconfio de qualquer um que vê em uma fotografia, manipulada ou não, a verdade absoluta ou apenas mentiras. Um pouco como Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas: ‘Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.’”

– Fernando Schmitt


Fernando Schmitt – Sem título, 2015

 

“O prazer. O prazer de ver e fotografar. O ato fotográfico, por si só, é lúdico e se disto resultar em uma imagem interessante, melhor. Tenho sempre a sensação de estar pegando algo alheio, como uma inocente criança que descobre alguma coisa e corre para mostrar: olha o que achei!”

– Leopoldo Plentz


Leopoldo Plentz – Grande Arco, Paris, 2001

 

“Para mim a fotografia sempre representou uma oportunidade. Primeiro, aprender tecnicamente a fotografar, coisa que antes das câmeras automáticas era fundamental para que se obtivesse, não uma resposta boa, mas uma resposta. Dominado, mesmo que precariamente, esse primeiro desafio, veio a oportunidade de: O que fazer com isso? Logo descobri que me pagavam (algum) para que eu fosse ao encontro das notícias. Bingo! Uma vida inteira fazendo e vivendo disso. Um jeito de conhecer as coisas (e ir se conhecendo) diante de provações, por vezes, radicais. Conhecer, situações, gente e lugares é o legado do qual mais grato sou da profissão que escolhi.”

– Ricardo Chaves


Ricardo Chaves – Acidente com avião da Varig, 1989

24
abr

Os objetos inexplicáveis de Clovis Dariano

 

 

Até 30 de maio, o professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Clovis Dariano apresenta a exposição Objetos Inexplicáveis na galeria Bolsa de Arte (Visconde do Rio Branco, 365). A mostra, composta por 16 trabalhos em grande e médio formato, traz fotografias que colocam em evidência um misterioso objeto, posicionado em meio a paisagens de campo e praia.

 

 

 

“Não é um objeto aplicado, fotografado separadamente”, conta Dariano a quem fica intrigado pela posição do objeto nas fotos. É o próprio fotógrafo quem intervém fisicamente na paisagem – uma interferência “não ruidosa”, nas palavras de Dariano. Afora o objeto em suspensão, o horizonte é outro elemento recorrente. Dariano conta que buscou paisagens com características de planície, e brinca: “Cidreira é o maior estúdio do mundo”, referindo-se a uma das locações do trabalho.

 

 

 

As imagens vêm sendo obtidas desde 2012 – há também fotografias feitas em outras situações geográficas, que não estão presentes na mostra da Bolsa de Arte. O objeto em destaque nas fotografias tem origem anterior, na série Simbiose, exibida no ano 2000, na Usina do Gasômetro – um exemplo da recente retomada de trabalhos mais antigos por parte do fotógrafo.

 

 

 

Clovis Dariano estudou pintura com Paulo Porcella de 1965 a 1967, diplomou-se como técnico em propaganda em 1969, cursou o Instituto de Artes da UFRGS de 1970 a 1974, realizou pesquisas em arte conceitual com Julio Plaza de 1972 a 1973, estudou gravura em metal com Iberê Camargo em 1973 e fotografa e dirige o seu próprio estúdio desde 1970. Em 1977 funda o “Nervo Óptico – uma publicação aberta às novas poéticas visuais”, juntamente com os artistas Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Mara Álvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos. Possui obras no Museu Francês da Fotografia, Museu de Arte da UFRGS, na coleção Joaquim Paiva, Coleção Gerdau, entre outras.

 

 

 

Exposição Objetos Inexplicáveis, de Clovis Dariano
Galeria Bolsa de Arte (Visconde do Rio Branco, 365 – Bairro Floresta / Porto Alegre)
De 23 de abril a 30 de maio de 2015
Visitação de segunda à sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h30

 

2
abr

A memória de Porto Alegre na Fototeca Sioma Breitman

Fototeca Sioma Breitman. Foto: Carlos Ferrari

 

O solar Lopo Gonçalves, visto na imagem acima, guarda um precioso acervo da história da fotografia em Porto Alegre. A casa, localizada na Rua João Alfredo, 582, no bairro Cidade Baixa, é a sede do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, que acolhe a Fototeca Sioma Breitman. No post de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre esse espaço e sobre o trabalho realizado no local pelo professor do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul Guilherme Lund.

 

Acervo. Foto: Guilherme Lund

 

Entre os fotógrafos que fazem parte do acervo, destaque para nomes importantes do desenvolvimento da fotografia em Porto Alegre, tais como Virgilio Calegari, Irmãos Ferrari, Lunara, Olavo Dutra, Léo Guerreiro e Pedro Flores. A Fototeca também acolhe a coleção João Pinto Ribeiro Netto, com imagens das décadas de 1920 e 30, e a coleção Eva Schmid, que reúne fotos de estúdio e da cidade no final do século 19. Há ainda vistas aéreas obtidas na segunda metade do século 20 que colocam em evidência as transformações urbanas ocorridas em décadas mais recentes.

 

Guilherme Lund. Foto: Carlos Ferrari

 

O trabalho que Lund realiza desde o segundo semestre de 2013 junto à Coordenação de Memória Cultural da Prefeitura começou com uma consulta geral ao material da fototeca. Depois iniciou-se a digitalização e a organização e classificação das fotos. “O objetivo é criar boas práticas de conservação, digitalização e acessibilidade para, a partir daí, construir uma política de captação de novas imagens e tornar o espaço um centro de referência”, explica o professor. Abaixo, vemos um exemplo desse trabalho desenvolvido por Lund. A primeira mostra a digitalização de uma cópia disponível no acervo. A segunda é resultado da digitalização de um negativo de médio formato (6 x 6) da mesma fotografia. O processo amplifica a quantidade e a qualidade de informação presente na imagem, como se percebe no aumento da variação tonal obtida.

 

Digitalização de cópia disponível na Fototeca Sioma Breitman. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

Qualificação da imagem através da digitalização de negativo de médio formato. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

A Fototeca conta com aproximadamente 9.000 fotografias. A informatização do acervo foi iniciada em 1999, com apoio da Fundação Vitae. Todas as imagens já foram inseridas no banco de dados criado pelo Programa Donato 3.2, disponibilizado pelo Museu Nacional de Belas Artes. Os trabalhos preparam o acervo para oferecer um material organizado, contribuindo para a preservação da memória e do patrimônio cultural da cidade. A diretora do Museu, Leticia Bauer, ressalta o “amplo interesse da comunidade” pelo acervo, consultado por pesquisadores de diversas áreas. Além disso, destaca que a Fototeca está em processo de ampliação de sua estrutura, de modo a qualificar o espaço de trabalho e aumentar sua capacidade de conservação.

O agendamento para consulta do acervo e solicitação de imagens digitalizadas pode ser feito pelo telefone (51) 3289 8276 ou pelo e-mail maranunes@smc.prefpoa.com.br. O trabalho de pesquisadores no local é realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h.

 

24
mar

Santa criança morte, de Alexandre Medeiros

 

 

Formado pelo Curso Anual de Fotografia em 2014, o fotógrafo Alexandre Medeiros inaugura sua primeira exposição individual nesta quinta-feira (26 de março) na galeria Lunara, no 5o andar da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. A mostra, intitulada Santa criança morte, segue aberta ao público até 26 de abril (confira o serviço no final do post). Alexandre nos contou um pouco mais sobre o projeto, desenvolvido desde o ano passado, ao longo da formação do Curso Anual.

 

 

 

“A criança faz da morte um jogo inofensivo”, conta o fotógrafo no texto que acompanha as imagens da mostra, destacando a forma como as crianças lidam com a questão. Alexandre busca repensar a morte para além do sentido de colapso, abordando o que há de misterioso em torno dessa temática. “Assassinamos a criança que existe dentro de nós quando a visão racional sobre a finitude da existência sobrepõe o mistério, a fantasia, o lúdico”, analisa.

 

 

 

Alexandre destaca a importância de sua experiência como aluno do Curso Anual. “Foi crucial ter desenvolvido o trabalho no Centro de Fotografia da ESPM, em virtude da orientação dos professores. Além de serem ótimos fotógrafos, eles se engajam de forma visceral com os projetos, participam dos insights dos alunos”, relembra.

 

 

 

Exposição Santa criança morte, de Alexandre Medeiros
Galeria Lunara – 5° andar da Usina do Gasômetro (Avenida Presidente João Goulart, 551 – Centro – Porto Alegre)
Abertura: 26 de março de 2015, 19h30
Visitação até 26 de abril de 2015, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

 

17
mar

Começam as aulas do Curso Anual de Fotografia

 

 

Com duas turmas – uma com aulas às terças e quintas-feiras e a outra aos sábados –, o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul dá início às atividades de 2015. Buscando sempre refletir a atualidade do mercado, a formação conta com um corpo docente composto por professores altamente qualificados e experientes e oferece recursos de ponta acessíveis a todos os alunos.

 

 

“A formação do Curso Anual dá condições únicas de trabalho. Os alunos têm retornos sobre os trabalhos desde o início, passando pela parte conceitual e chegando à apresentação dos ensaios desenvolvidos ao longo da formação”, explica o professor Guilherme Lund. “Após concluir o curso, os alunos constroem seus caminhos de forma muito rápida”, completa, destacando a participação de ex-alunos em exposições em seguida ao término das aulas.

 

 

O Curso Anual inicia com o aprendizado das técnicas e teorias mais essenciais e abrangentes para a prática da fotografia nas suas mais variadas modalidades. No segundo semestre, as aulas aprofundam temas da primeira etapa e orientam o desenvolvimento de projetos na área específica de interesse de cada aluno. Inclusive fora do horário de aula, os alunos têm acesso a um estúdio com mais de 100m² de área útil, equipado com os mais variados equipamentos de fotografia e de iluminação, e um laboratório digital com estações de trabalho individuais de alto desempenho para o tratamento de imagem.

 

 

Para mais informações, além da consulta ao Catálogo Geral de Cursos, é possível entrar em contato com o Centro de Fotografia pelo telefone (55) 51 3218-1340, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, e das 14h às 18h, ou pelo e-mail:fotografia-rs@espm.br.

 

28
nov

Curso Anual de Fotografia: Inscrições abertas!

Foto: William Moreira

Quem deseja aprender fotografia em 2015 já pode se inscrever no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Baixe o Catálogo Geral de Cursos do Centro de Fotografia para consultar todos os detalhes: programas, professores, grades curriculares e valores.

O mais importante é a abertura de perspectivas, uma nova visão da fotografia, e não só do fotografar. – Arthur Crespo, formado em 2014 pelo Curso Anual de Fotografia

Foto: Carlos Ferrari.

O curso inicia em março com o Módulo de Formação, promovendo o aprendizado das técnicas e teorias mais essenciais e abrangentes para a prática da fotografia nas suas mais variadas modalidades. No segundo semestre, a partir de agosto, começam as aulas do Módulo Avançado, que aprofundam temas da primeira etapa e orientam o desenvolvimento de projetos na área específica de interesse de cada aluno. Atendendo às diretrizes de um currículo que busca sempre refletir a atualidade do mercado, o curso conta com um corpo docente composto por professores altamente qualificados e experientes, e de recursos de ponta acessíveis a todos os alunos – inclusive fora do horário das aulas: um estúdio com mais de 100m² de área útil equipado com os mais variados equipamentos de fotografia e de iluminação, e um laboratório digital com estações de trabalho individuais de alto desempenho para o tratamento de imagem.

Foto: Bernardo Santin.

O curso te obriga a amadurecer ideias e estéticas. Os professores são não somente bons no que fazem, mas também muito acessíveis. E o contato com os colegas faz uma diferença enorme. – Antonio Mainieri, formado em 2014 no Curso Anual

Para mais informações, além da consulta ao Catálogo Geral de Cursos, é possível entrar em contato com o Centro de Fotografia pelo telefone (55) 51 3218-1340, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, e das 14h às 18h, ou pelo e-mail: fotografia-rs@espm.br.

19
nov

Os movimentos de Obaluaê, por Antonio Mainieri

Autorretrato de Antonio Mainieri

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695. Aproveitamos a data para apresentar o ensaio Atotô do fotógrafo Antonio Mainieri, aluno recém-formado no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul de 2014.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

No início do ano, Mainieri visitou um culto de quimbanda e se impressionou com a plasticidade do ritual – sobretudo, com a forma como os movimentos desempenhavam um papel fundamental na cerimônia. Mais tarde, conheceu uma casa de religião de candomblé em Cachoeirinha, onde viria a fazer as imagens de uma homenagem a Obaluaê  – o título da série, Atotô, é uma saudação a esse orixá.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Em iorubá, Obaluaê (umas das grafias possíveis) significa “rei e senhor da terra”. É associado à morte, da mesma forma que sua mãe, Nanã. Também se atribui a essa figura o controle sobre as doenças, principalmente as epidêmicas. Nos rituais, é representado coberto de palha – para cobrir as marcas deixadas pela varíola, segundo algumas lendas.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

“Busquei explorar o movimento e a dança, que possuem fortes significados nas religiões africanas”, conta o fotógrafo. “O movimento aparece em uma espécie de transe para atingir o sagrado, a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos”, explica. As imagens valorizam movimentos circulares em sentido anti-horário feitos pelos participantes do ritual.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Mainieri destaca a importância da formação do Curso Anual para a realização do trabalho. “O curso te obriga a amadurecer ideias e estéticas. Os professores são não somente bons no que fazem, mas também muito acessíveis. E o contato com os colegas faz uma diferença enorme”, relata o fotógrafo.

14
nov

Leitura de trabalhos conclui Curso Anual de Fotografia de 2014

Os alunos do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul concluíram nesta quinta-feira, 13 de novembro, a formação iniciada em março e desenvolvida ao longo de 2014 nos Módulos Básico e Avançado. O grupo teve a oportunidade de apresentar seus trabalhos aos professores Claudio Meneghetti, Clovis Dariano e Eduardo Veras, em um formato de leituras individuais com cada um dos convidados.

Foto: Daniel Hunter.

“Fiquei muito satisfeito com os resultados, o nível da turma está ótimo. Muitos trabalhos saem daqui prontos para serem expostos”, diz Dariano. Veras destaca a resolução formal e técnica dos projetos, bem como a coerência entre as intenções dos alunos e as imagens apresentadas. “Percebi uma homogeneidade nesse sentido, ao mesmo tempo que vi propostas muito variadas”, conta.

A experiência, similar a uma leitura de portfólios, cada vez mais frequente em festivais e mostras de fotografia, possibilita um momento de aprendizado muito particular. “Você passa a aproveitar cada leitura, construindo uma visão sobre as imagens a partir dos olhares de quem comenta os trabalhos”, explica Meneghetti.

Foto: Daniel Hunter.

“Não fosse a troca de ideias ao longo do curso, o trabalho final não sairia. Muito do que eu trouxe hoje vem das referências apresentadas nas aulas”, conta a aluna Carolina Mascia. Já Arthur Crespo ressalta a transformação do entendimento que tinha da fotografia ao ingressar no curso. “O mais importante é a abertura de perspectivas, uma nova visão da fotografia, e não só do fotografar”, diz.

Foto: Carlos Ferrari.

10
out

O Jardim das Delícias de Leopoldo Plentz

O interesse por objetos e materiais abandonados, sem valor de uso, já foram tema de três trabalhos recentes do professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Leopoldo Plentz. Em Topografia, restos de árvores cortadas; em Arqueologia Urbana, itens de consumo amalgamados no asfalto; e em Coisas Inúteis, sobras do cotidiano. A partir de 18 de outubro, Plentz retoma o assunto, com fotos inéditas, na exposição Jardim das Delícias. A mostra integra o VI Festival Internacional de Fotografia Photovisa, realizado na cidade de Krasnodar, no sudoeste da Rússia.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Os rejeitos se confundem com o solo e parecem evidenciar um processo de transformação levado a cabo pela gravidade – inexorável, como lembra o professor – e pelo consumo. Outro conceito orienta a concepção do trabalho: o acúmulo, resultado da postura de colecionador do fotógrafo em relação aos objetos descartados que encontra pelas ruas.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

As fotografias convidam o espectador a decifrar o que acontece no aparente caos das imagens. Nas palavras do professor, o trabalho “aborda temas universais e atemporais com elementos contemporâneos, gerando imagens que podem ser de nós mesmos, ou, no caso das fotografias aqui apresentadas, de coisas que não interessam mais enquanto coisas, mas apenas enquanto fonte de imagens”.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

O festival russo sugere a seguinte pergunta aos fotógrafos que participam da sua programação: “O que é importante e precioso para mim?” Plentz responde: “O que me desperta a atenção são as coisas sem importância: casas velhas, um jardim mal cuidado, uma parede impregnada de imagens, um canto da minha casa, enfim, a percepção da beleza e da elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo”.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

9
jul

Módulo de Formação é concluído com apresentação de ensaios

Foto: Laura Aldana

Um encontro para apresentar e discutir ensaios fotográficos marcou a conclusão das aulas do Módulo de Formação realizadas pela Turma A do Curso Anual de Fotografia ESPM-Sul. O convidado para a análise dos trabalhos dos alunos foi o professor do Instituto de Artes da UFRGS Eduardo Veras. “O importante desse encontro é a possibilidade de interceptar a concepção de um ensaio enquanto ele não está dado como pronto. Nesse momento ainda há dúvidas muito produtivas que podem ser potencializadas”, explica o professor.

Foto: Laura Aldana

Ao longo do encontro, os alunos falaram a respeito dos processos e das motivações que deram origem às séries. Veras comentou cada proposta, apontando aspectos formais e conceituais das imagens, e sugeriu desdobramentos para cada ensaio. O objetivo da conversa, segundo o professor, é contribuir para que o aluno tenha mais consciência – ou assuma a inconsciência – de certas decisões na hora de fotografar.

Foto: Laura Aldana

“Esse encontro é um momento muito rico que possibilita ao aluno um aprendizado a partir dos trabalhos dos colegas”, destaca o professor Guilherme Lund.  Concluído o Módulo de Formação, a turma inicia em agosto as aulas do Módulo Avançado, que expandem e aprofundam conhecimentos adquiridos na primeira etapa do Curso Anual.

Foto: Laura Aldana

21
mai

As relações entre luz e cor

Foto: Schari Kozak

Os alunos do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul tiveram no último sábado a aula de Cor, ministrada pelo professor Edy Kolts. A disciplina do Módulo de Formação resgata descobertas da Física relacionadas à óptica para proporcionar um conhecimento aprofundado sobre as relações entre as cores e a luz, além de abordar as diferentes ferramentas utilizadas para o balanço de cor.

Foto: Schari Kozak

O professor chamou a atenção para o processo que leva o cérebro a perceber as cores nos objetos ao nosso redor. Cada superfície absorve certas frequências e reflete outras. Portanto, a luz e a interpretação da nossa visão condicionam as cores que percebemos, e não o objeto por si só. Para entender melhor, vale retomar alguns momentos históricos do estudo sobre as cores, a começar pelas descobertas de Isaac Newton, que demonstraram como a luz branca é composta por várias cores. Mais tarde, os resultados dos experimentos de Newton seriam retomados por cientistas como Thomas Young e Hermann Helmholtz, que possibilitaram novos conhecimentos sobre as cores primárias e os receptores do olho humano.

Foto: Schari Kozak

A aula ainda tratou de temas como a temperatura de cor, medida em graus Kelvin, e a importância dessa escala para realizar o balanço de cor das fotografias. Esse trabalho pode ser feito de formas variadas: com acessórios usados nos equipamentos de iluminação, na escolha de uma determinada modalidade de balanço oferecida pela câmera, em um laboratório ou ainda por meio dos softwares para tratamento de imagens.

Foto: Schari Kozak

A escala RGB, dividida em 256 níveis tonais, o sistema aditivo – a partir das cores vermelho, verde e azul – e o subtrativo – a partir das cores amarelo, ciano e magenta – também foram apresentados na aula de Kolts. De qualquer forma, esses conhecimentos acabam sempre remontando à percepção da luz e de suas características. “Quando dominamos a luz, passamos a dominar a cor”, explica o professor.

30
abr

Explorando a luz e o espaço

Foto: Laura Aldana

Um dos lugares mais tradicionais de Porto Alegre, o Mercado Público foi o cenário escolhido para uma prática realizada esta semana pelos alunos do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Orientados pelo professor Guilherme Lund, os estudantes puderam circular no local e explorar fundamentos relacionados ao controle da luminosidade, aprimorando os conhecimentos de operação do equipamento fotográfico.

Foto: Laura Aldana

Foto: Laura Aldana

A turma do Módulo de Formação tinha como tarefa explorar luzes altas, médias e baixas, em locais em que a luminosidade varia ou se mostra contrastante. A profundidade de campo das fotografias foi outro aspecto a ser trabalhado, com a modalidade de foco pensada para cada captura. Aproveitando a movimentação do Mercado, os alunos também criaram imagens com movimentos borrados e congelados.

Foto: Laura Aldana

Foto: Laura Aldana

Além de desenvolver o domínio técnico da fotografia, a prática em um espaço como o Mercado Público possibilita que os estudantes identifiquem temáticas que lhes interessam. “Os alunos vão descobrindo o que gostam de fotografar. Alguns fazem retratos, outros buscam texturas, ou então detalhes da arquitetura”, comenta Lund.

Foto: Laura Aldana

Foto: Laura Aldana

O professor também explica que fotografar em meio à circulação dos frequentadores do Mercado se revela um aprendizado. Cada fotografia exige uma postura específica. Como abordar um desconhecido para fazer um retrato? Ou então: como manter a descrição para que a presença do fotógrafo não interfira em uma determinada situação? São aprendizados da prática que se somam ao desenvolvimento do domínio técnico do equipamento.

26
mar

Explorando a luz e os recursos da câmera

Foto: William Moreira

A Turma A do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul levou para a rua, na última terça-feira, os conhecimentos adquiridos nas primeiras aulas do Módulo de Formação, iniciado no mês de março. Na disciplina Prática Convergente I, ministrada pelo professor Guilherme Lund, os estudantes testam em situações reais os aprendizados de fundamentos básicos da operação do equipamento fotográfico – entre eles, o uso de diferentes tipos de foco, profundidade de campo e sensibilidade, e o manejo da fotometria.

Foto: William Moreira

O cenário escolhido para a prática foi o Cemitério da Santa Casa, fundado em 1850 e conhecido por abrigar túmulos de personalidades da cultura e da política do Rio Grande do Sul, como Borges de Medeiros, Júlio de Castilhos e Teixeirinha. O local, que atrai a atenção de historiadores e arquitetos, foi escolhido por favorecer os experimentos com situações ricas de exposição à luz.

Foto: William Moreira

Os alunos produziram fotografias que priorizavam, de forma alternada, altas e baixas luzes em um mesmo ambiente. Além disso, puderam observar as diferenças que ocorrem de acordo com a modalidade de foco e a lente escolhida para cada captura. Lund explica que o domínio da técnica vai sendo constantemente apurado. Saber articular esses conhecimentos e explorar as variáveis da captura é fundamental para quem deseja articular a linguagem da fotografia.

Foto: William Moreira

“A luz é a matéria-prima da fotografia. É importante saber interpretá-la, antever como a câmera vai captar determinada luminosidade. Pequenas variações fazem muita diferença. Muitas vezes percebemos uma luz interessante, mas estamos vendo com os nossos olhos, e não nos damos conta de como a câmera irá captá-la”, analisa o professor.

Foto: William Moreira

Embora o fotômetro das câmeras sugira valores de luminosidade que podem funcionar bem para diversos propósitos, aos poucos o fotógrafo desenvolve um olhar mais crítico sobre as informações oferecidas pelos equipamentos. O profissional passa então a se apropriar desses dados para construir o discurso que deseja. “Uma determinada luz não está certa nem errada, depende da intenção do fotógrafo, do que se quer valorizar na imagem”, explica Lund.

Foto: William Moreira

Atuando há cerca de três anos como fotógrafo de eventos e em trabalhos de estúdio, Isac Ribeiro, aluno da Turma A, está aproveitando o curso para aperfeiçoar e sistematizar o conhecimento que adquiriu no mercado. “O curso dá atenção a detalhes que antes eu não percebia”, conta. A turma integra também profissionais que estão construindo novas carreiras. É o caso de Carolina Mascia, advogada durante mais de 10 anos, que agora trabalha com Marketing. “Quero levar a fotografia mais a sério. Pretendo aos poucos descobrir um nicho para atuar como fotógrafa”, conta. E acrescenta: “A organização das aulas teóricas com práticas para complementar é essencial”.

Confira o making of completo da aula no nosso Flickr.

12
mar

“9 Olhares” que nasceram no Centro de Fotografia da ESPM-Sul

Foto: Desirée Ferreira

Como define o professor-coordenador do Centro Manuel da Costa, o encerramento do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul costuma ter mais gosto de começo do que de fim. Foi por isso que, como contamos aqui, surgiu a ideia de dar continuidade ao trabalho dos alunos que se destacaram no Módulo Avançado. Assim, 14 fotógrafos graduados em 2012, escolhidos por uma Comissão de Seleção formada pelos professores das Disciplinas de Projeto, foram premiados com um curso ministrado por Bernardo de Souza. São alguns dos frutos desse curso, materializado na forma do livro online “9 Olhares”, que deram origem a este post.

Foto: Milene Gensas

Foto: Luis Francisco Silva

Nas palavras de Bernardo de Souza, as dinâmicas dos encontros foram a da “orientação artística, conceitual e técnica às potencialidades de inserção do trabalho apresentado nos diversos nichos do mercado de circulação”. Dos 14 alunos, todos se beneficiaram, vendo novas possibilidades nos trabalhos que executavam, e 9 destes optaram por arrematá-los na proposta da publicação “9 Olhares”.

Foto: Silvia Giordani

Foto: Schari Kozak

Vale relembrar que o objetivo de Bernardo, de acordo com o próprio era identificar os pontos fortes e fracos do corpo discente, “atento a não deixa-los confinados a uma mesma prática e afinando seu olhar sobre o mundo”. Desde 2005 Bernardo desenvolve projetos de artes visuais para a Prefeitura de Porto Alegre, como exposições, ciclos de cinema, publicações, premiações, seminários e programas pedagógicos. Paralelamente, também atua como curador independente, realizando projetos junto a outras instituições públicas e privadas.

Foto: Tiago Capelini

17
fev

Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia ainda tem vagas

Foto: Carlos Ferrari.

“Adquiri uma base de conhecimento que está me permitindo transitar no meio de fotógrafos, me considerando também uma.”

Eliane Heuser, formada em 2012.

A ESPM-Sul mantém o curso anual de fotografia dividido em duas partes, e a primeira delas, o Módulo de Formação, está com inscrições abertas. Como explica o Catálogo Geral de Cursos, ele promove o aprendizado das técnicas e das teorias mais abrangentes e essenciais, estruturando o conhecimento necessário para o exercício de qualquer atividade fotográfica. Em um período de seis meses, ele sai do terreno básico para terminar em uma área intermediária, quase avançada, onde se encerra a primeira parte e começa o Módulo Avançado – que o aluno pode ou não cursar. Existem duas turmas disponíveis, uma aos sábados e outra as terças e quintas-feiras, e o catálogo já conta com informações sobre o início das aulas em cada uma delas.

Foto: Carlos Ferrari

“Recomendo a todos que amam a fotografia e tem a busca da qualidade como meta”

Elda Franco, formada em 2011

Se o Centro de Fotografia da ESPM-Sul já é consagrado pelos fotógrafos que forma, vale ressaltar dois pontos que o colocam em destaque: o estúdio e os professores. Para buscar o máximo de qualidade técnica que a tecnologia oferece, a estrutura tem recursos de ponta. Conta com mais de 100m² de área útil, equipamentos fotográficos e de iluminação sofisticados, além de um teto que abre, permitindo o aproveitamento da luz natural. Já o corpo docente é repleto de veteranos das mais diversas áreas da fotografia, cheios de experiência no ofício e no mercado.

É possível conferir mais detalhes no Catálogo Geral de Cursos ou na Central de Informações (51) 3218-1400 (centralinfo-rs@espm.br).

“Na época em que fiz o curso, o fato da ESPM abrir um curso avançado mudou o patamar de ensino/formação na área.”

Katia Bomfiglio Espíndola, formada na primeira turma

5
fev

Um curso com modelos fora do comum

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Na última semana rolou o último dos cursos de verão do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos. Ministrado por Ana Carolina e Manoela Trava Dutra, formadas no nosso Curso Anual de Fotografia, ele mostra na teoria e na prática as técnicas desenvolvidas pela dupla para clicar cães e gatos. Essa edição foi a primeira a contar com a ilustre presença de gatos, ou melhor, gatinhos, por serem filhotes, mas também teve cães, já tradicionais colaboradores das aulas.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Ana Carolina e Manoela são responsáveis pelo projeto Cão em Quadrinhos, que se utiliza da fotografia de animais tanto para fazer a alegria de donos corujas quanto para dar vida a iniciativas beneficentes. O projeto “Amizade não se compra”, por exemplo, fotografa animais abandonados em estúdio para ajuda-los a encontrar um novo lar. A lógica é extremamente bem-sucedida:  imagens espontâneas e profissionais, bem distantes do ar urgente que essas fotos costumam ter, valorizam os bichinhos, acelerando sua adoção. A vivência na área, dos books pagos para mascotes ao trabalho voluntário, fez não apenas com que as fotógrafas desenvolvessem técnicas – na prática, no estudo do comportamento dos cães e no aprendizado empírico, fruto da própria paixão –, mas que identificassem um mercado emergente na área, também nos setores de marketing e design. Foi esse insight que originou a criação do curso.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Nessa edição, composta por cinco encontros, os alunos assistiram um breve histórico do trabalho da dupla, conheceram o assunto que fotografariam de forma mais profunda, tiveram dicas de iluminação e uma densa aula sobre o comportamento dos animais. Nas palavras de Ana Carolina, é necessário compreender as técnicas na teoria, mas já contando com a presença de um cachorro para entender como aplica-las. Depois, tiveram uma aula totalmente prática. Diferente do que as professoras pensavam, os gatos foram mais fáceis de fotografar do que os cães. “Mas foi bom que tivemos um cão mais difícil”, conta Ana, “pois os alunos tiveram um desafio logo de cara”. Para encerrar, ainda levaram as imagens para o computador, ministrando ensinos de Photoshop e Lightroom repletos de exercícios de tratamento.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

27
jan

Clovis Dariano e a compreensão da luz


Foto realizada pelos alunos durante o curso “Dominando a luz e criando um estilo”

Fazer com que os alunos entendam a luz. Ainda que pareça extremamente audacioso, é exatamente esse o objetivo do curso “Dominando a luz e criando um estilo”, ministrado na semana passada por Clovis Dariano. Mais do que familiarizar os estudantes com os equipamentos envolvidos na iluminação em estúdio, o objetivo primordial do curso é fazer com que consigam compreender a luz e seu poder de transformar uma cena.

O curso começou com a leitura de imagens de diversas situações, o que instiga os alunos a analisarem o papel da iluminação em cada uma delas. O material incluía diversas áreas imagéticas, o que contempla fotografias de making ofs que mostravam diversas etapas do processo até o resultado final e consagradas obras das artes plásticas. Como Dariano explica, “não se tratam de imagens contemporâneas, mas de imagens escolhidas por determinadas situações onde o controle de luz é bem explicito”. Ainda assim, ele frisou que o curso seria extremamente prático: “depois de compreendido o real sobre a luz, a teoria faz mais sentido e é entendida com mais facilidade”.

E sua bagagem nas artes plásticas foi, de fato, um elemento importante nas aulas, em especial na aula inaugural. Do Renascimento, Dariano mostrou as sutilezas da Mona Lisa, um exemplo clássico de quando a profundidade de campo entra em cena em detrimento das pinturas chapadas e de luz única, sem volume, da Idade Média. Do Barroco, Dariano destacou Velasquez como exemplo, com seus lados escuros exacerbados, sombra projetada, luzes direcionadas, iluminação lateral.

Dariano vem justamente da pintura e do desenho: a fotografia entrou na sua vida como linguagem: era uma “parceira de pincel”.  Há 40 anos na publicidade, sempre teve sua atuação profissional ligada à obra autoral, voltada às artes visuais. A questão de envolver o trabalho pessoal na atuação comercial é totalmente relacionada à criação de um estilo: as situações pessoais fazem a diferença no resultado do trabalho. “São os detalhes que criam uma assinatura”, explica, “não é apenas técnica: a bagagem cultural do fotógrafo chega ao trabalho. O pacote de informação constituído por cinema, teatro, literatura é tão importante quanto o domínio técnico”.

Dariano ministra aulas de iluminação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. O Módulo de Formação tem início em março e inscrições abertas. Confira aqui mais informações.

9
jan

Cursos de verão do Centro de Fotografia têm inscrições abertas

Além do Curso Anual de Fotografia, que incia em março e está com inscrições abertas, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul também oferece regularmente uma série de cursos de menor duração para quem busca aprimoramento em áreas mais específicas. Confira abaixo as opções que estão à disposição dos interessados agora nesse início de Verão:

Fotografia Profissional com Flash Portátil

Quando: de 13 a 16 de janeiro (segunda a quinta).

Horário: 19h às 22h30

Carga horária:  4 encontros de 4h totalizando 16h/aula.

Local: ESPM-Sul – Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo

Ministrado por Guilherme Lund, o curso tem como objetivo capacitar os alunos nas técnicas e nos procedimentos de iluminação com unidades de flash portátil tanto para fins de expressão pessoal quanto profissionais. É indicado para pessoas que já possuem conhecimentos básicos de fotografia digital.

Já postamos mais detalhes sobre o curso aqui. É possível se inscrever e conferir outras informações neste link.

 

Dominando a luz e criando um estilo

Quando: de 20 a 23 de janeiro (segunda a quinta).

Horário: 19h às 22h30

Carga horária: 4 encontros de 4h totalizando 16h/aula.

Local: ESPM-Sul – Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo

Ministrado por Clóvis Dariano, o curso aborda os diferentes equipamentos de iluminação de estúdio e seus efeitos na construção de fotografias de qualidade. Tudo isso revelando possibilidades de utilização da luz como um elemento de valorização (e transformação) da cena e, de quebra, desenvolvendo a percepção e o senso de composição.

Já conversamos sobre este curso com Dariano, que dá aulas de iluminação no Centro de Fotografia, aqui neste post. É possível se inscrever e conferir outras informações neste link.

 

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de Animais domésticos

Quando: de 29 de janeiro a 1º de fevereiro (quarta a sábado).

Horário: das 19h às 22h30 nos dias de semana; das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30 no sábado.

Carga horária:  5 encontros de 4h totalizando 20h/aula.

Local: ESPM-Sul – Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo

Pensando no mercado voltado para animais domésticos e na carência de profissionais especializados nesse segmento, nasceu este curso, ministrado pelas irmãs Ana Carolina Trava Dutra e Manoela Trava Dutra. Responsáveis pela ONG Cão em Quadrinhos, as professoras desenvolveram truques e técnicas próprias que serão compartilhadas com os alunos ao longo das aulas. Entre outros conceitos, ensinam técnicas relacionadas a comportamento, ambiente e iluminação adequados aos animais, principalmente cachorros. É possível se inscrever e conferir outras informações neste link.

Já entrevistamos a dupla sobre seu trabalho na ONG aqui.

 

Para saber mais sobre todos os cursos oferecidos pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul, faça o download do nosso Catálogo Geral de Cursos 2014.

5
jul

ESPM-Sul abre inscrições para Módulo Avançado do Curso Anual de Fotografia

O Módulo Avançado do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul está com inscrições abertas. Para participar, basta enviar um e-mail até o dia 12 de julho para fotografia-rs@espm.br com os seus dados (nome completo, RG, telefone e e-mail). Não é necessário ter participado do módulo de formação.

Foto: Roberto Raskin

Os inscritos deverão realizar uma prova escrita no dia 13 de julho (sábado), às 10h, no prédio C da ESPM-Sul e entregar um portfólio contendo até 20 fotografias no mesmo dia. A lista dos candidatos aprovados para o Módulo Avançado será publicada no site http://foto.espm.br no dia 15 de junho e as matrículas deverão ser feitas pela internet a partir desta data através de um link disponibilizado por e-mail.

Saiba mais nas páginas 37 e 63 do Catálogo Geral de Cursos: http://foto.espm.br/catalogo

Foto: Carlos H. Ferrari.

2
jul

Apresentação de ensaios realizados pelos alunos encerra Módulo de Formação

Prof. Eduardo Veras. Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

A aula de encerramento do Módulo de Formação do curso anual de fotografia da ESPM-Sul contou com a participação do jornalista, crítico de arte e professor Eduardo Veras. Dedicado à avaliação dos trabalhos finais dos alunos, o encontro foi marcado pelas apresentações de seus ensaios, compostos por, no máximo, cinco fotografias. Como explicou o professor Guilherme Lund, a proposta foi um exercício para que os alunos pudessem aplicar os conceitos e as técnicas aprendidos em sala de aula. Ainda de acordo com ele, o resultado do desafio foram trabalhos bastante criativos e diversificados.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Já presença constante nas bancas de trabalhos de conclusão do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, Eduardo Veras se encarregou de comentar os ensaios realizados e sugeriu que os alunos não levassem as críticas para o lado negativo, “pois há muito que aprender com elas quando são construtivas”. Das observações, nasceram elogios e dicas interessantes, incentivando-os a prestarem atenção em seus talentos e desenvolvê-los ao longo de suas trajetórias. “É o aprendizado e a sensibilidade juntos, contribuindo para o aprimoramento do olhar do fotógrafo”, explica. Veras falou que a avaliação feita é apenas “uma observação de quem está de fora de processo de construção do ensaio final e pode auxiliar na construção do aprendizado, embora as críticas sejam difíceis para alguns”. Ele aconselhou os alunos a sempre mostrarem suas fotografias para amigos e familiares a fim de conhecerem diferentes opiniões.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Guilherme Lund complementou: relembrou que o Módulo de Formação do curso dá a base técnica e prática para que o aluno dê continuidade ao estudo de fotografia com o Módulo Avançado, que inicia já no segundo semestre. “Depois da técnica adquirida é conveniente desenvolver os caminhos a serem seguidos. Muitos dos alunos já imprimiram uma identidade para as suas fotos, mas sempre há o que aprender na fotografia.”

19
jun

Fotógrafo Fernando Schmitt ministra aula aos alunos do Módulo de Formação

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

“Aqui eu tenho o papel de provocador”. Com essa fala o fotógrafo Fernando Schmitt iniciou a aula de Ensaio II do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

Como a disciplina de Ensaio I mostrou, o trabalho precisa respeitar uma unidade formal, temática ou conceitual. Porém, na aula em questão, o objetivo de Fernando era instigar os alunos justamente a questionarem essas noções básicas de ensaio fotográfico, considerando, entretanto, que elas sirvam de norte em suas produções.

Porto-alegrense radicado em São Paulo, Fernando Schmitt é graduado em jornalismo e mestre em comunicação social. Atualmente, trabalha na coordenação do Atelie Fotô junto com o fotógrafo Eder Chiodetto. O ateliê mantém quatro Grupos de Estudo e Criação em Fotografia, todos com curadoria de Chiodetto, e visa ser um centro produtor de fotografia contemporânea que auxilie no desenvolvimento dos processos criativos de seus participantes. Seu principal foco, aliás, está justamente na discussão em torno da edição, de como desenvolver estética e conceitualmente um corpo de trabalho, seja ele uma série autoral ou um ensaio.

Foto: Eric Souza.

Foto: Eric Souza.

Fernando comentou sobre a importância da busca de referências para “saber que não se está inventando a roda de novo”. Apesar de muito já ter sido feito na área da fotografia, ela se renova à medida que são pensadas outras leituras para um mesmo assunto: mais combinações de referências e temas, elementos separados que reunidos podem resultar em algo diferente e original. O ensaio “Shangai”, do coletivo Baita Profissional, ao qual pertence, não possuía uma unidade facilmente perceptível. Entretanto, as fotos foram feitas com um filme de baixo custo importado da China que dá nome ao trabalho. Eis a unidade.

Já o ensaio “Library of Dust”, de David Maisel, retrata meras latas velhas enferrujadas e corroídas, porém carregadas de significado. As latas guardam uma história triste que Maisel escolheu contar através da fotografia. Armazenados em um hospital psiquiátrico, os recipientes guardam restos mortais de antigos pacientes que foram totalmente esquecidos por seus familiares. O depósito colecionou cinzas dos que estiveram internados na instituição entre os anos de 1883 e 1970.

Library of Dust. Foto: David Maisel.

Unfortunate Events. Foto: Michael Wolf.

Para questionar o que define a fotografia na atualidade, Fernando Schmitt mostrou trabalhos em que a foto não é batida pela pessoa que realizou a composição. “Suns (from sunsets) from Flickr”, de Penelope Umbrico, é uma seleção de fotos de pôr-do-sol retirados da plataforma Flickr, unindo somente os sois recortados em uma composição. Todos transformados em uma única foto. Seguindo o exemplo de fotografia não autoral, o ensaio feito a partir de fotos do Google Street View, chamado “Unfortunate events”, de Michael Wolf, mostra cenas inusitadas das ruas, captadas pelo carro do Google.

Para Fernando, a fotografia pode ir além do que nosso olho está acostumado a ver: “Se a fotografia profissional já é um patamar atingido, a minha questão é mostrar que o ponto mais cômodo não é o único, nem o melhor ponto. [...] O objetivo é abrir portas para que os alunos possam pensar o ensaio de uma forma diferente”. Ainda nas palavras de Fernando, a técnica adquirida é apenas o primeiro passo para fotografar: é a ampliação da visão que faz com que a fotografia de fato se desenvolva.

3
jun

Aula expositiva trata sobre conceitos de ensaio fotográfico

Foto: Camilo Santa Helena.

No último sábado, dia 25 de maio, a aula inaugural da disciplina Ensaio Fotográfico, do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia, abordou conceitos fundamentais sobre o tema. Ministrado pelos professores Leopoldo Plentz e Guilherme Lund, o encontro partiu do básico: mostrou que ensaio fotográfico é uma sequência de fotografias que possui como característica principal a unidade.  Para que a composição tenha coerência, três aspectos devem ser observados: o tema, a forma e o conceito das fotos. Os professores também passaram uma série de referências com o objetivo de instigar os alunos a executarem seu primeiro ensaio no curso, proposto no final da aula.

Como explicou o professor Leopoldo, a primeira definição de ensaio foi desenvolvida pelo francês Michel de Montaigne (1533-1592), no campo da filosofia. Montaigne criou um método para escrever com maior fluidez, fugindo dos parâmetros e do “rigor dos tratados filosóficos”. Assim, a literatura apropriou-se rapidamente desta nova fórmula, transformando os textos em ferramentas de livre expressão. Esta prática, por conseguinte, dissipou-se para outras atividades. A revista Life, referência em fotografia por décadas, instaurou o conceito de ensaio em suas publicações a partir de 1936.

Como exemplo de ensaio contendo narrativa, Plentz e Lund mostraram aos alunos o trabalho de W. Eugene Smith intitulado “Country Doctor”, publicado na Revista Life nos anos 1940. O ensaio de Smith narra o cotidiano de um médico atuando em uma pequena cidade do interior. Entre trabalho e vida pessoal, a composição intercala momentos da profissão e da vida em família na cidade.

Como cenário de um crime. Foto: Luiz Carlos Felizardo.

Como cenário de um crime. Foto: Luiz Carlos Felizardo.

A exposição de referências continuou, entre outros trabalhos, com  Luiz Carlos Felizardo. Porto-alegrense, Felizardo estudou Arquitetura na UFRGS e, desde então,  iniciou sua dedicação à fotografia, destacando-se em imagens de paisagem e arquitetura. Felizardo possui um ensaio conceitual sobre as ruínas jesuítas de São Miguel das Missões chamado  “Como cenário de um crime”: oito fotos em preto e branco obtidas em negativo 8×10. Os professores destacaram a definição de ensaio assinada por ele:

“O ensaio é um grupo de fotografias sobre certo assunto ou tema, quase sempre realizados num só fôlego – um pequeno espaço de tempo – ou num espaço geográfico mais ou menos restrito. Ele deve ter unicidade de estilo, dada por certa coerência de composição, acompanhada por um acabamento que também mantenha a unidade. Em suma, um ensaio deve ser um conjunto de fotografias que possa ser reconhecido como tal, pelo assunto ou pela estética (preferencialmente por abusos), contido em si mesmo e que conte uma história ou revele um ponto de vista.” – L. C. Felizardo.

Foi lembrado, também, que nem sempre as fotos obedecem a uma narrativa em um ensaio fotográfico:  “O trabalho pode ser contar uma história, ou pode somente ser amarrado pela cor. O importante é ter uma unidade”, explicou o professor Leopoldo. Guilherme e Plentz salientaram também que a “busca de referências é um passo primordial na concepção de um ensaio”.

Cat Friendship. Foto: Andy Prokh.

Cat Friendship. Foto: Andy Prokh.

Seguindo a aula expositiva, o ensaio do russo Andy Prokh deu um novo tom à narrativa. Prokh é um economista que tem a fotografia como hobby favorito. Seu trabalho, feito todo em preto e branco, passeia pela atmosfera do divertido com um tema simples: a amizade entre sua filha e um gatinho. Nas imagens, sempre feitas na mesma sala de paredes sujas, os dois aparecem interagindo em diferentes atividades, como jogo de xadrez, exercícios de matemática, música e pintura.

Retratando o estilo de vida norte-americano nos anos 1960, William Eggleston trabalha com a unidade no tratamento que dá às cores nas fotografias.  Em uma sequência de fotos considerada intensa , retrata elementos chocantes do cotidiano norte-americano combinando-os à saturação de cor. O trabalho é uma crítica feroz ao modelo de vida estadunidense. Rostos, salas, objetos e vestimentas, todos harmonicamente enquadrados, capturados em momentos decisivos.

Michael Wolf realizou um ensaio que impressionou os alunos: “Tokyo Compression”, fotografias de pessoas em um metrô japonês. Tratam-se de closes com alguns rostos suprimidos pela janela do veículo, outros apenas cansados da jornada diária de trabalho, todos em um enquadramento impecável. Na definição dos professores, o trabalho chama atenção por capturar a vida no sufoco das grandes cidades.

Foto: William Eggleston.

Foto: William Eggleston.

22
mai

Centro de Fotografia da ESPM-Sul abre inscrições para três cursos de férias

O Centro de Fotografia da ESPM-Sul abriu as inscrições para três cursos de fotografia destinados a amadores e profissionais que queiram aprimorar sua técnica. As aulas acontecem durante o mês de julho, nas férias de inverno. Confira os cursos oferecidos:

Iluminação Profissional com Flash Portátil. Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Iluminação profissional com flash portátil
O curso de “Iluminação profissional com flash portátil” terá início no dia 8 de julho e será dividido em quatro aulas. No primeiro encontro serão estudados os recursos do flash portátil com demonstrações dos processos de iluminação, como o uso do flash fora da câmera. Além disso, serão ensinadas técnicas para controle de qualidade e intensidade da luz na fotografia com atividades práticas para os alunos. As aulas serão ministradas pelo professor Guilherme Lund, fotógrafo responsável pelas aulas de flash e iluminação no Centro de Fotografia da ESPM-Sul. O curso é indicado para pessoas que já possuem conceitos básicos de fotografia digital.


Quando:
de 8 a 11 de julho (segunda a quinta)
Horário: 19h às 22h30 (4 horas – totalizando 16h/aula)
Local: ESPM-Sul – Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo

Dominando a luz e construindo um estilo. Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Dominando a luz e criando um estilo
No curso “Dominando a luz e criando um estilo” serão ensinadas técnicas de iluminação de estúdio através de seus diferentes equipamentos, que proporcionam fotografias de maior qualidade. Além disso, os alunos serão instruídos para compreender a luz como um elemento fundamental de construção da cena. Com esse objetivo, as aulas ministradas por Clóvis Dariano também vão tratar da identificação dos acessórios de iluminação e seus efeitos em diferentes objetos e cenários, dando exemplos práticos de composição e iluminação. As aulas iniciam no dia 22 de julho e terão quatro encontros, totalizando 16h/aula.

Quando:
de 22 a 25 de julho
Horário: 19h às 22h30 (4 horas – totalizando 16h/aula)
Local: ESPM-Sul – Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo

Fotografia de estimação. Foto: Tyron Scholem.

Fotografia de estimação: técnicas para fotografia de animais domésticos
Pensando no mercado que atende animais domésticos, carente de profissionais que saibam lidar com os pets, nasceu o curso Fotografia de Estimação, de Ana Carolina Trava Dutra e Manoela Trava Dutra. O curso, com início no dia 17 de julho, tem por objetivo capacitar fotógrafos para trabalhar com fotografias de animais, principalmente cachorros. Responsáveis pela ONG Cão em Quadrinhos, as professoras desenvolveram truques próprios e são autodidatas no assunto. Entre outros conceitos, ensinam técnicas relacionadas a comportamento, ambiente e iluminação adequados para pets. Além disso, resgatam o histórico da fotografia de animais e oferecem atividades práticas durante as aulas.

Quando:
de 17 a 20 de julho
Horário: dias 17, 18 e 19, das 19h às 22h30 e dia 20 (sábado), das 9h às 12h30 e da 14h às 17h30 (totalizando 20h/aula)
Local: ESPM-Sul – Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo

Inscrições e mais informações sobre os cursos estão disponíveis em:
http://foto.espm.br/catalogo

9
mai

O primeiro encontro do workshop com Bernardo de Souza

Foto: Camilo Santa Helena.

No último sábado, dia 4 de maio, rolou a primeira aula do workshop que Bernardo de Souza ministrará no Centro de Fotografia da ESPM-Sul. Curador de arte – o que inclui a 9ª Bienal do Mercosul –, professor universitário e colaborador de publicações sobre cultura visual, Bernardo terá encontros com estudantes formados pelo Centro que se destacaram no Módulo Avançado – e as aulas funcionam justamente como uma premiação. A ideia surgiu do fotógrafo e professor Raul Krebs, pensando não apenas na dedicação desses alunos, mas no resultado total de seus trabalhos. A escolha por Bernardo, também de acordo com Raul, deu-se tanto pela qualidade pessoal e cultural de seu trabalho quanto por sua relação estreita com a fotografia. O curador é membro dos conselhos curadores do MACRS, da FUNDACINE e da Fundação Vera Chaves Barcellos e trabalhou na Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, onde ocupou o posto de coordenador de cinema, vídeo e fotografia.

Foto: Camilo Santa Helena.

Na parte inicial do encontro, Bernardo contou um pouco sobre sua trajetória, a decisão pela graduação em Publicidade e Propaganda e o tempo que passou em Londres estudando Fotografia de Moda e, depois, fazendo alguns trabalhos como freelancer. Além disso, falou sobre o tempo que ele passou em São Paulo, onde pode trabalhar com nomes como Bob Wolfenson e Erika Palomino. Ainda pela manhã, resgatou alguns nomes importantes da fotografia de moda do século XX, escolhidos com base no trabalho de cada um dos alunos. Por conhecer seus portfólios de antemão, selecionou referências que se relacionavam com seu repertório criativo. Já a tarde foi dedicada a encontros individuais. Nas palavras de Bernardo, foi ótimo tomar contato com essa grande diversidade de trabalhos, “justamente em função do background distinto de cada um deles, com repertórios e informações das mais variadas”.

Foto: Camilo Santa Helena.

Entre as referências apresentadas em aula, Bernardo destaca Eugène Atget, David Bailey e Jeff Wall. Sobre o primeiro, já temos uma postagem aqui. Dos outros, falaremos em um futuro próximo.

17
abr

Canela Photo Workshops 2013 aproxima estudantes e mestres da fotografia

Alunos do Centro de Fotografia ESPM-Sul. Foto: Schari Kozak.


A bela e fria cidade de Canela, na Serra Gaúcha, foi contagiada pela movimentação em torno do Canela Photo Workshops, festival que realizou a sua 11ª edição entre 10 e 14 de abril. Mais de 400 pessoas circularam pelas exposições, palestras e cursos promovidos com grandes nomes da fotografia no Brasil. Foi, sobretudo, uma oportunidade de aproximação entre estudantes e veteranos da área, que puderam aproveitar o ambiente informal do CFW para trocar ideias. Os alunos do Centro de Fotografia ESPM-Sul ainda reservaram um tempo para explorar a cidade e fazerem suas próprias fotos. No final deste post, eles dão outras visões do evento.

Foto: Schari Kozak.


Foto: Rodrigo Baleia.

O fotógrafo Raul Krebs, um dos organizadores, reforça que o Canela Photo Workshops vai além de oficinas, palestras, leituras de portfólios, mesas-redondas. É nos momentos de descontração que o principal objetivo do evento se concretiza: “Mantivemos o carater informal que sempre existiu nas edições do CFW e conseguimos realizar um encontro para discussão de ideias”, conta Krebs. Ele também percebe que, ano a ano, o público do festival começa a ser consolidado: “São fotógrafos, em sua maioria, com as mais diversas experiências e áreas de atuacão. Mas temos a presença de cineastas, escritores, artistas e produtores culturais. Além dos estudantes, claro. Mas o CFW acaba envolvendo toda a comunidade canelense.”

Foto: Rodrigo Baleia.

Evandro Teixeira, Orlando Britto, Claudio Edinger e Fernando Bueno. Foto: Rodrigo Baleia.

A edição de 2013 do festival trouxe várias atrações inéditas, como os projetos irreverentes da dupla Hans Georg e Ana Rodrigues (Foto120, Stendal, Escambo), a oficina de fotografia subaquática, e o Leilão Virtual de duas fotografias vintage através de duas galerias (Galeria da Gávea/RJ e Bolsa de Arte/POA) - que vai até o dia 24/4. A organização trouxe de volta as atividades que fizeram sucesso em 2012 como o dia de palestras, a cobertura fotográfica feita por Rodrigo Baleia, da National Geographic, e uma exposição no famoso Palácio das Hortênsias.

Outra grande novidade foi a montagem das exposições de Raul Krebs e Leopoldo Plentz nas Ruínas do Cassino, local destinado a abrigar o futuro Instituto Canela de Fotografia e Artes Visuais – Casa da Fotografia Brasileira. Aliás, o instituto acaba de ganhar um presidente: Eduardo Bueno (Peninha) foi empossado durante o evento.

Foto: Rodrigo Baleia.

Eduardo "Peninha" Bueno. Foto: Rodrigo Baleia.

Entre os diversos palestrantes que estão no mercado há muito tempo, o nome de Eduardo Biermann chamou a atenção, pois o ex-aluno e ex-funcionário do Centro de Fotografia da ESPM de apenas 23 anos falou do ponto de vista de quem acaba de entrar no mercado e já é considerado uma das promessas da sua geração. Biermann apresentou um conjunto de fotografias de shows de rock e relatou a experiência de vencer um concurso e trabalhar com a marca Nike. Outra ex-aluna, a fotógrafa Roberta Borges, ministrou uma das oficinas mais inusitadas do evento: “Fotografando com caixa estanque”, com prática de fotografia embaixo d’água. Na exposição 12 Fotógrafos ainda foi possível conferir o talento de quatro fotógrafos formados pelo Centro de Fotografia ESPM-Sul: Gabriela MO, Marcelo Donadussi, Lucia Simon e Alexandre Raupp.

Krebs aponta a programação de sábado (13/04) como o ponto alto do evento. Neste dia, os participantes puderam se familiarizar com os trabalhos de alguns dos maiores nomes da fotografia, além de aprender com entidades e profissionais da imagem técnica, entre eles: Rui Faquini, Rodrigo Baleia, Angela Magalhaes, Fernanda Chemale, Rogerio Reis, Evandro Teixeira, Fernando Bueno, Orlando Britto, Marga Pasquali, Leopoldo Plentz, Isabel Amado, Mayra Rodrigues, Delfim Martins, Eduardo Bueno, Hamdam e, finalmente, Claudio Edinger, o palestrante master.

Fernando Bueno e Eduardo Biermann. Foto: Schari Kozak.

Eduardo Biermann. Foto: Schari Kozak.

Neste dia, vários alunos atuais do Centro de Fotografia foram até Canela. A seguir, eles tomam a palavra para comentar o evento:

“Eu achei bem interessante as dicas do banco de imagens, eles não aceitam qualquer coisa”, afirma Renan Reloken Stein relembrando a palestra que reuniu Delfim Martins e Mayra Rodrigues para falar do mercado de fotografia, os direitos autorais e a comercialização de fotografias em banco de imagens.

Claudio Edinger e Peninha. Foto: Rodrigo Baleia.

Claudio Edinger e Peninha. Foto: Eduardo Biermann.

A arquiteta Wu Day Yi, também aluna do Curso Avançado se impressionou especialmente com a palestra “Mulheres Caiapós”, de Rui Faquini: “Ele realizou um projeto de capacitação em que ele ensinava índias a lidarem com máquinas fotográficas e registrarem o seu cotidiano. Na mão delas a máquina não era algo invasivo e as têm algumas fotos lindas!”

“Gostei muito do trabalho da Fernanda Chemale que eu ouvia falar, mas não conhecia”, comenta o aluno Luiz Heitor Marini. Ele apreciou, principalmente, o ambiente social do evento e a hospitalidade da cidade: “Eu gostei de estar ali, encontrei amigos, fotógrafos das antigas, pessoas bem entusiasmadas. E senti uma grande simpatia nas pessoas da cidade. Quando eu ia pedir informações, elas já identificavam que eu estava participando do Festival pelo crachá e me tratavam muito bem”.

5
abr

Canela Foto Workshops tem início no dia 10 de abril

Na semana que vem, mais precisamente de 10 a 14 de abril, o Rio Grande do Sul sedia um dos mais importantes encontros fotográficos do país, o Canela Foto Workshops. Com 11 anos de história, o evento reúne tradicionalmente grandes nomes nacionais e internacionais do setor, permitindo que profissionais e amadores convivam, instruam-se e divirtam-se em um cenário ideal para o aprendizado e a prática fotográfica. Como de praxe, diversos professores e ex-alunos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul já tem sua presença confirmada, entre eles Manuel da Costa, Clóvis Dariano, Guilherme Lund, Leopoldo Plentz , Raul Krebs, Ricardo Kadão Chaves, Zé Paiva, Eliane Heuser e Carlos Heuser.

Fotógrafos, empresários e profissionais da imagem, além de professores e alunos universitários de todo o país farão parte das dezenas de atividades que vão tomar conta da cidade durante quatro dias. Dez workshops, sediados na Casa de Pedra e nos hotéis Continental e Klein Ville, estão confirmados na agenda. Vale destacar “Trabalho Autoral e Produção de Livros Fotográficos”, com Cláudio Edinger e aqueles ministrados por professores da ESPM-Sul: “Fotografia em Estúdio”, com Clóvis Dariano; “Cultura Fotográfica – Da Prata ao Pixel”, com Leopoldo Plentz; “Iluminação com Flash Portátil”, com Guilherme Lund; “Fotografia da Natureza”, com Zé Paiva. Além disso, o casal de alunos formados pelo Centro, Eliane e Carlos Heuser, ministrará “Construindo narrativas através da Fotografia”. A artista plástica Isabella Carnevalle, que também já passou pelas salas da ESPM-Sul como professora, dará seu workshop de Cianotipia, “Blue Print”.

A programação também inclui uma série de palestras, além de duas mesas redondas imperdíveis, que contarão com nomes como Evandro Teixeira, Luiz Carlos Felizardo, Orlando Britto, Ricardo Chaves e Eduardo Bueno. No time que integra as mostras expositivas está Raul Krebs, com “Lindas de Morrer”, Leopoldo Plentz com “Aparados da Serra” e José Paiva com “Tocantins”, apenas para citar alguns exemplos. Além dessas, outras exposições e trabalhadores estarão distribuídos em locais estratégicos de Canela com o propósito declarado de “vestir a cidade com fotografias”.

De acordo com os organizadores do evento, o fotógrafo Fernando Bueno e a jornalista e produtora Liliana Reid, o CFW começou a ser desenhado a partir de encontros semelhantes em lugares como Carmel e Santa Barbara na Califórnia, Rockport no Maine, Santa Fé no Novo México, Harles na França e Toscana na Itália – locais que tem em comum a beleza de suas paisagens, como Canela. Localizada nos Campos de Cina da Serra, a cidade gaúcha é privilegiada pelo clima, a natureza, a variedade de luzes e a forte vocação turística, o que motivou a criação do projeto, em 2002. Desde 2012, os colaboradores trabalham, também, para a criação do Instituto de Fotografia e Artes Visuais de Canela nas ruínas do antigo casino, como já contamos aqui.

As inscrições podem ser feitas neste link.

2
abr

Curador Bernardo de Souza ministrará curso para alunos que se destacaram no Módulo Avançado

Bernardo de Souza. Foto: Eduardo Biermann.

Depois de alguns meses de expectativa, finalmente podemos divulgar a concretização de uma das mais empolgantes novidades nascidas na última edição do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul: os alunos que se destacaram na conclusão do Módulo Avançado serão premiados com um curso e uma exposição virtual. O profissional escolhido para ministrar esse workshop de quatro aulas, em maio, é Bernardo de Souza, curador de arte – o que inclui a 9ª Bienal do Mercosul –, professor universitário e colaborador de publicações sobre cultura visual. Atualmente, trabalha na Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, onde ocupa o posto de coordenador de cinema, vídeo e fotografia. Além disso, é membro dos conselhos curadores do MACRS, da FUNDACINE e da Fundação Vera Chaves Barcellos.

A ideia de premiar os fotógrafos que se destacaram veio de Raul Krebs, não tanto pela dedicação desses alunos, explica, mas pelo resultado total de seu trabalho. “No curso, achamos que a cadeira de Projeto é bastante importante, e muitas vezes os estudantes ficam meio receosos com a ideia de serem avaliados por uma banca. Os que se dedicam mais, e compreendem a importância do trabalho de conclusão, de fato mereciam esse reconhecimento”, sintetiza. O nome do Bernardo, ainda de acordo com Raul, surgiu tanto pela qualidade pessoal e cultural de seu trabalho quanto por sua relação estreita com a fotografia.

Banca de Certificação do Módulo Avançado. Foto: Camilo Santa Helena.

Mostrando-se entusiasmado com a possibilidade de contribuir para a formação desses fotógrafos, Bernardo conta que trabalha com fotografia há mais de oito anos, fazendo curadoria de exposições, selecionando projetos para editais, andando pelo mundo e vendo a produção fotográfica dos mais variados países e vertentes. “Poder tomar contato com a produção jovem, no sentido de recente, contemporânea, é muito importante para mim como profissional, para entender como as pessoas estão pensando e se relacionando com a fotografia”, celebra, “além de ser importante para que eu possa canalizar parte dessa minha experiência, dessas informações que eu venho adquirindo para ajudar aqueles que estão começando sua trajetória”.

Banca de Certificação do Módulo Avançado. Foto: Camilo Santa Helena.

Bernardo sinaliza que, basicamente, seu papel será compreender o processo de trabalho desses alunos e poder, a partir dos interesses de cada um deles, agregar informações que façam com que essa prática se transforme em algo mais consistente e coerente. “O exercício será de agregar repertório, novas informações, um olhar externo sobre o processo e a obra desses fotógrafos”. Uma de suas observações mais bacanas é que, como se trata de um grupo heterogêneo, que trabalha com fotojornalismo, fotografia publicitária, fotografia artística, isso faz pleno sentido para ele, que vem da Moda e migrou para o universo das artes. “Tenho muito pouco preconceito com as diversas vertentes da fotografia, então minha ideia é justamente poder, com essa visão plural e aberta, cruzar informações, mostrar que mesmo na fotografia jornalística é importante que conceitos da fotografia autoral e artística estejam presentes, até para eliminar o preconceito que muitas vezes permeia essas áreas”, exemplifica.

Banca de Certificação do Módulo Avançado. Foto: Camilo Santa Helena.

Com o objetivo de arejar, trazer para o debate novos repertórios e poder, quem sabe, ajudar a dar um rumo mais coerente, definido e consistente em relação à produção, Bernardo buscará identificar os pontos fortes e fracos do corpo discente, “atento a não deixa-los confinados a uma mesma prática e afinando seu olhar sobre o mundo”. Vale destacar que desde 2005 o curador desenvolve projetos de artes visuais para a Prefeitura de Porto Alegre, como exposições, ciclos de cinema, publicações, premiações, seminários e programas pedagógicos. Paralelamente, também atua como curador independente, realizando projetos junto a outras instituições públicas e privadas.

Confira a lista de alunos premiados:

Cristina Trentini
Damiani Sobirai
Douglas de Souza
Desirée Ferreira
Gabriel Lodi
Leandro Nunes
Luis Francisco da Silva
Milene Keniger
Roberta Valdez
Schari Kozak
Silvia Giordani
Tiago Capelin
Tomas Brugger
Vanessa Candido
Yuri Ruppenthal

12
mar

O dia em que o Centro de Fotografia se tornou uma câmera escura

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Foi em clima de celebração e expectativa, acentuados por uma envolvente viagem pela história da fotografia, que teve início o Módulo de Formação do curso anual de fotografia da ESPM-Sul. Ministrada pelos professores Guilherme Lund e Leopoldo Plentz, a aula inaugural enfatizou que se trata da 5ª edição do curso, e que muito se aprimorou desde a primeira turma, em 2009. “Aprendemos na medida em que ensinamos”, sintetizou Lund, que conversou com os alunos sobre o conteúdo prático e teórico deste primeiro semestre de curso.

Foto: Guilherme Lund.

Mas, antes, para colocar todos em sintonia com a complexidade e as surpresas do assunto em questão, o estúdio do Centro foi transformado em uma câmera escura. “Vamos fazer de conta que somos o filme fotográfico ou, mais contemporaneamente, o sensor”, introduziu Plentz, antes de fazer com que toda a sala vivenciasse um fenômeno inédito para quase todos os presentes. Primeiro, todas as luzes foram apagadas. Depois, o professor mostrou um furinho feito em uma porta de metal localizada em uma das extremidades do estúdio. Na frente dele foi posicionado um painel com um anteparo translúcido e, como mágica, a paisagem localizada na rua em frente à parede em questão foi projetada. A imagem, de cabeça para baixo, lembrava perfeitamente aquelas feitas com câmeras pinhole, até porque a lógica de sua reprodução possui o mesmo princípio. A primeira vez que isso foi descoberto, Leopoldo conta, foi em cerca de 500 A.C. Ao lado do pequeno furo, que voltou a ser tapado, havia outro munido de um artefato que fez toda a diferença: uma lente. “Quando alguém teve essa brilhante ideia, um leque de possibilidades se abriu. A imagem ganhou mais cores e nitidez”, completou.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Após a experiência, Plentz deu início a parte teórica de sua aula de História da Fotografia – não sem antes apresentá-los a uma câmera de grande formato. Mesmo que a ideia seja, nas palavras do professor, uma grande pretensão – já que se trata de um tema que pede muito mais estudo –, os alunos puderam entender como a fotografia chegou ao seu estágio atual. Dos precursores Aristóteles, Alhazen e Da Vinci, passando por importantes descobertas técnicas e chegando até a contemporaneidade das câmeras digitais, Plentz mostrou que a estética da fotografia está muito atrelada ao desenvolvimento tecnológico.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

A dupla também falou bastante sobre o corpo docente, dando ênfase ao fato de que cada um dos professores traz a experiência vivida em sua área de atuação à sala de aula. “A ideia é que o grupo seja o mais plural possível para mostrar aos alunos as várias oportunidades que a fotografia oferece, o que inclui as possibilidades concretas do mercado”, explicou Lund. Plentz completou: “Às vezes até discordamos. A técnica é receita de bolo, mas existem questões subjetivas também”.

Se alguém se interessou de última hora, ainda dá tempo de se inscrever. A segunda turma, aliás, cujas aulas acontecem nas tardes de terças e quintas-feiras, começa essa semana. Para conferir mais informações, basta acessar nosso Catálogo Geral de Cursos.

8
mar

Fotógrafos formados pelo Centro falam sobre o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul – Parte 2

A fim de ajudar os que ainda possuíam dúvidas, conversamos aqui com ex-alunos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul sobre as surpresas que o curso reserva. O resultado foi tão bacana que decidimos falar com mais alguns dos fotógrafos formados, o que deu origem a este post. Aos que não sabem, as aulas do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia tem início amanhã nas turmas de sábado. Para as turmas de terças e quintas-feiras, elas começam na semana que vem. Para conferir as informações completas acesse nosso Catálogo Geral de Cursos.

Foto: Silvia Giordani.

“O curso foi muito importante porque sistematizou aquilo que eu já sabia e acrescentou várias coisas novas: Estudar iluminação me possibilitou “moldar” o assunto com a luz; deixei de evitar fotografar pessoas, pois tive experiência com modelos; consegui enxergar melhor o trabalho de outros artistas, qualificando as orientações nas oficinas que vinha ministrando. Hoje tenho maior consciência do que eu preciso fazer para atingir determinado resultado. Na ESPM desenvolvi o projeto “Mise en Scène”, que foi selecionado para expor na Associação de Artes Plásticas Chico Lisboa em 2013.”
Silvia Giordani, formada em 2012

 

Foto: Katia Bomfiglio Espíndola.

“Na época em que fiz o curso, o fato da ESPM abrir um curso avançado mudou o patamar de ensino/formação na área. Para mim, ampliou minha relação com a fotografia. Primeiro por me fornecer ferramentas para compreender e usar com qualidade os recursos da fotografia digital. Em segundo lugar, porque me colocou em contato com vários excelentes fotógrafos, com experiência e conhecimento da realidade de vários mercados. As aulas também serviram para ampliar meu olhar, conhecendo o trabalho de uma série de fotógrafos que escreveram com a luz a história da fotografia e do mundo. Sempre recomendo a ESPM como referência top em fotografia. Outra coisa: tem um estúdio super bacana e ótimos equipamentos!”
Katia Bomfiglio Espíndola, formada na primeira turma

 

Foto: Beto Raskin.

“O curso não foi só importante num ponto de vista profissional, mas também pessoal, vindo a trazer alguns bons amigos. Me incentivou a desenvolver meus trabalhos autorais, fazendo com que eu possa olhar minhas idéias com um olhar mais critico e de forma que consiga encontrar a melhor forma de expressá-las em uma imagem. Por causa do curso, hoje eu possuo um controle maior sobre o trabalho. Antes eu possuía certa noção sobre como trabalhar e iluminar em um estúdio para chegar na imagem que gostaria, mas agora eu possuo o conhecimento para alcançar exatamente o resultado que procuro.”

Beto Raskin, formado em 2011

Foto: Fernanda Coelho.

“Não há dúvidas no quanto o curso foi importante para o meu aprendizado e no quanto mudou o antes e o depois não só na minha forma de pensar em fotografia como no processo todo de trabalho. Uma das coisas que considero mais marcantes e fundamentais para o meu aprendizado é a questão do gerenciamento de cor das imagens. Saber a importância de um bom monitor para trabalhar, do próprio ambiente em que tratamos as imagens, da calibragem deste monitor e também do perfil de cor de onde iremos imprimir nossas cópias Esse processo nos dá uma segurança maior na finalização e entrega do material. Isso significa não termos “surpresas” na hora de ver uma imagem impressa, totalmente esverdeada, avermelhada, saturada, por exemplo. Antes do curso isso nem fazia parte do meu cotidiano nem tão pouco sabia disso. Isso fez uma diferença enorme no resultado final do meu trabalho. Além disso, o legal deste curso é a visão geral de todo processo de fotografia, da prática da fotografia no dia a dia e até mesmo a história da fotografia, contada diferente do que em qualquer outro curso, com referências na pintura, na arte, nos grandes fotógrafos.”
Fernanda Coelho, formada em 2009

 

Foto: Elda Franco.

“Quando tu gostas de fotografia e te preocupas em melhorar as imagens que cria, ao estudar mais, aprender mais, não é só a percepção do que se produz que é alterada, é outro mundo que se desvenda aos teus olhos, mais rico, mais colorido, mais cheio de nuances, mais significativo… não por que ele tenha mudado, mas por que a tua maneira de vê-lo e de prestar atenção ao que te rodeia mudou, consequentemente, será de uma forma mais análitica e criteriosa que estenderás o teu olhar a qualquer imagem produzida, seja tua ou não. Recomendo a todos que amam a fotografia e tem a busca da qualidade como meta”
Elda Franco, formada em 2011

 

Foto: Marcelo Veit.

“Tenho certeza que a escolha pela ESPM para dar início à minha carreira profissional, hoje até mais do que à época, não poderia ter sido mais acertada. Vindo de uma área tão antagônica e formal (Administração), sem conhecer pessoas/profissionais do meio e com interesse relativamente recente pela Fotografia, tive a oportunidade de conviver por um dia inteiro toda semana com mestres e colegas que ensinaram antes de mais nada a ver, interpretar imagens, além é claro das minúcias técnicas envolvidas.”

Marcelo Veit, formado em 2011

5
mar

Aula aberta gratuita do Curso Anual de Fotografia nesta quarta-feira

Banca de certificação dos trabalhos de conclusão do Módulo Avançado. Foto: Camilo Santa Helena.

Como os leitores assíduos do blog já sabem, o Módulo de Formação de nosso Curso Anual de Fotografia tem início daqui a pouco, nos dias 9 (para a turma de sábado) e 12 de março (para a turma das terças e quintas-feiras). Pensando nos indecisos e nos já inscritos que ainda têm dúvidas sobre o conteúdo programático e a estrutura oferecida, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul organizou uma aula aberta gratuita ministrada pelo professor e fotógrafo Guilherme Lund. Ela será realizada amanhã, dia 6, às 19h no Estúdio de Fotografia da ESPM-Sul (Rua Guilherme Schell, 268 / 2º subsolo).

Foto: Juliano Araújo.

Lund conta que o objetivo do encontro é explicar detalhadamente aos interessados a estrutura curricular do curso. O grupo também será apresentado às instalações que a ESPM-Sul oferece para os alunos do Centro, conhecendo o estúdio e o laboratório com computadores. Além disso, informações presentes no Catálogo Geral de Cursos serão esmiuçadas e imagens feitas por fotógrafos formados pelo Centro serão projetadas no telão. “Trata-se de uma aula de demonstração”, explica Lund, “de uma oportunidade de auxiliar aqueles que ainda têm dúvidas”.

Aula aberta com professor Guilherme Lund
Quando: 6 de março, 19h
Onde: Centro de Fotografia da ESPM-Sul
Rua Guilherme Schell, 268 / 2º subsolo
Inscrições pelo fone:  3218.1400

1
mar

Fotógrafos formados pelo Centro falam sobre o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul

O Curso Anual de Fotografia é o grande protagonista de nosso Catálogo Geral de Cursos. Com dois módulos, o de Formação e o Avançado, apresenta anualmente ao mercado uma leva de novos fotógrafos. As inscrições para o Módulo de Formação, que tem início em março, nos dias 9 (para a turma de sábado) e 12 (para a turma das terças e quintas-feiras), ainda estão abertas. E para saber o que esperar do curso e ter uma ideia de como todo o aprendizado que ele promete se materializa após a conclusão, nada melhor do que conversar com quem já passou por ele, com todas as suas aulas teóricas, técnicas e práticas. Assim, convidamos alguns dos alunos formados pelo Centro desde a primeira turma a dividirem com os “calouros” suas impressões.

Foto: Eliane Heuser.

“Comparando: uma pedra bruta a uma pedra lapidada. O valor está lá, mas só é perceptível após a lapidação. Adquiri uma base de conhecimento que está me permitindo transitar no meio de fotógrafos, me considerando também uma. Enfim, libertou em mim um prazer ainda maior em fotografar, pelos resultados que obtenho. O que antes era uma atividade a qual me dedicava em horas vagas, agora faz parte do meu dia a dia.”

Eliane Heuser, formada em 2012.

 

Foto: Milene Gensas.

“Fazer o curso foi um divisor de águas para mim. Escolhi este curso pois queria algo que me desse conhecimento suficiente para seguir a carreira de fotógrafa e hoje me sinto apta. Se antes do curso eu fazia tudo por “feeling”, agora sei o que estou fazendo e qual o caminho a seguir para atingir meus objetivos.”

 Milene Gensas, formada em 2012.

 

Foto: Tomas Brugger.

“O curso ampliou meus horizontes no que se refere à diversidade da fotografia. São infinitas as possibilidades de criação. Isso acabou virando uma paixão, um vício.”

Tomas Brugger, formado em 2012.

 

Foto: Roberta Borges.

“O curso me diferenciou de outros fotógrafos pelo aprendizado que adquiri. As aulas me deram o controle completo da fotografia, da captação à impressão. Antes do curso, eu não tinha todo este controle.”

 Roberta Borges, formada em 2007.

 

Fotos: Carlos Heuser.

“Para crescer na fotografia, é necessário contato com fotógrafos experientes, não só para entender como atuam, mas também para receber suas críticas e sugestões. Eu vejo que mudei muito minha forma de fotografar exatamente por esta experiência. O melhor do curso foi a visão que ele oferece do que é a fotografia hoje, obtida nas classes com fotógrafos renomados cobrindo as diversas áreas do ramo.”

 Carlos Heuser, formado em 2009.

 

Foto: Fabio Mariot.

“Posso dividir minha carreira em antes e depois do curso. Eu tinha todas as dificuldades possíveis, e algumas eu nem sabia que tinha. O curso me deu um caminho. Hoje, quando erro, sei porque errei. E quando acerto, também sei. Um coisa muito positiva é o currículo: abrange a parte técnica, de linguagem, de mercado e ainda tem o conteúdo prático. Por conjunturas da vida profissional e pessoal, nunca mergulhava na fotografia com tudo. Fazer o curso foi uma forma de dar uma virada nisso e finalmente abraçar a minha grande paixão profissional.”

Fabio Mariot, formado em 2010.

 

Foto: Fernando Andrade.

“Minha rede de contatos cresceu bastante por causa do curso, que me tornou um fotografo com um know-how bem maior. Honestamente, antes do curso, haviam coisas que eu tinha ideia que existiam, mas que depois do curso se tornaram rotina. Esse aprendizado mostra para quem me contrata o motivo pelo qual pagam o valor que eu cobro: conhecimento de causa.”

 Fernando Andrade, formado em 2007.

 

24
jan

Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul tem inscrições abertas

Foto: Schari Kozak.

Desde 1888, quando a Kodak democratizou o ato fotográfico acompanhada do slogan “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”, ninguém precisa necessariamente lidar com processos difíceis e complicados para fotografar. Hoje, com a imagem sendo processada e visualizada automaticamente em celulares e câmeras digitais, essa facilidade é ainda maior. E é justamente tendo em mente as infinitas possibilidades contidas no que ainda há para se descobrir mesmo diante dessa praticidade que o Centro de Fotografia da ESPM-Sul indaga logo na apresentação de seu Catálogo Geral de Cursos 2013: aprender fotografia por quê? Nas palavras do professor-coordenador do Centro, Manuel da Costa, quem viveu o desgosto de ter feito uma foto banal de algo extraordinário, ou já se encantou com a situação inversa, sabe que a possibilidade dessa quebra de expectativa é o que transforma a câmera fotográfica em uma ‘caixa preta’ cheia de surpresas. E é para quem busca decifrar os enigmas da máquina e da fotografia que se destina o Curso Anual de Fotografia, protagonista do Catálogo, com seus dois módulos, o de Formação e o Avançado. As inscrições para o Módulo de Formação, que tem início nos dias 9 e 12 de março, já estão abertas.

Aula de Iluminação. Foto: Camilo Santa Helena.

Além de cursos específicos, como os de verão realizados em janeiro, a ESPM-Sul mantém um curso anual de fotografia dividido em dois módulos. O Módulo de Formação, realizado no primeiro semestre, forma a base de conhecimento necessária para o exercício de qualquer atividade fotográfica. Para isso, promove o aprendizado das técnicas e das teorias mais abrangentes e essenciais. É essa abordagem que revela e deixa em aberto as mais profundas possibilidades da fotografia, e o Módulo Avançado expande esses conhecimentos adquiridos para possibilitar o desenvolvimento do estilo de cada um, tanto para fins profissionais quanto de expressão pessoal.

Aula de Cor. Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Em ambos os módulos existem duas turmas disponíveis. A Turma A, com aulas de 12 de março a 25 de junho de 2013, às terças e quintas-feiras das 14h às 16h45; e a Turma B: de 9 de março a 29 de junho de 2013, aos sábados das 9h às 11h45, e das 13h30 às 16h15. Os pré-requisitos são possuir câmera DSLR de qualquer marca ou modelo, e conhecimentos básicos de informática. Vale ressaltar que tanto os módulos do curso anual quanto os cursos eletivos são independentes, podendo ser cursados separadamente.

No catálogo, estão disponíveis informações detalhadas sobre os programas dos cursos e sobre os currículos dos professores.

Aula prática. Foto: Juliano Araújo.

22
jan

Cursos de verão: Iluminação Profissional com Flash Portátil

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Com o objetivo de capacitar profissionais, estudantes e demais interessados em fotografia digital que estão em busca de aprimoramento e tratamento, o curso Iluminação Profissional com Flash Portátil tem início na próxima segunda-feira, 28 de janeiro, e ainda tem vagas disponíveis. Ministrado por Guilherme Lund, responsável por aulas de flash e iluminação no Centro de Fotografia da ESPM-Sul, o curso de verão tem como objetivo familiarizar os alunos às técnicas e aos procedimentos de iluminação com unidades de flash portátil tanto para fins de expressão pessoal quanto profissionais.

Foto: Henrique Wallau.

Em quatro encontros, a metodologia será direta e eficiente: apresentação dos recursos do flash portátil, demonstrações dos processos de iluminação e exercícios práticos executados pelos alunos. Para isso, Lund abordará questões que estão em jogo na prática, no dia a dia do fotógrafo, como os atributos da luz: a direção (superior, inferior, lateral…), a cor (quente ou fria), a intensidade e a qualidade (dura ou difusa). Além disso, o grupo deverá se tornar íntimo, na teoria e na prática, da parafernália envolvida no processo – que vai além do flash, incluindo outros acessórios e suportes.

Foto: Henrique Wallau.

A tecnologia utilizada é determinante para o sucesso das aulas: para que todos consigam ver as funcionalidades do flash portátil, uma câmera é conectada e uma tela exibe o que está sendo feito em tempo real enquanto o professor explica, já que os botões são pequenos e não seriam vistos com facilidade por toda a turma. Vale ressaltar, também, que a demonstração prática incluirá retrato em estúdio e locação.

O curso acontece de segunda (28) a quinta-feira (31) das 19h às 22h30. O programa completo pode ser conferido aqui e as inscrições são feitas neste link.

11
dez

Galeria Bolsa de Arte sedia mostra Silêncio, de Leopoldo Plentz

Retrato de Leopoldo Plentz. Foto: Schari Kozak.

É do fotógrafo e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Leopoldo Plentz a exposição que marca o encerramento da programação de 2012 na Galeria Bolsa de Arte (Rua Visconde do Rio Branco, 365, PortoAlegre). Intitulada “Silêncio”, a mostra reúne 12 imagens em preto e branco captadas ao longo dos anos e incluem duas panorâmicas inéditas realizadas recentemente nos cânions dos Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul. O coquetel de inauguração da mostra foi realizado na noite do dia 28 de novembro.

Fortaleza dos Aparados da Serra. Foto: Leopoldo Plentz.

Purnamarca. Foto: Leopoldo Plentz.

Leopoldo conta que a escolha das imagens contempladas foi realizada em conjunto com a direção da galeria. O processo permitiu testes no espaço, algo raro, e mostraram, por exemplo, que as molduras e papeis que seriam utilizados deveriam ser substituídos. “É raro poder realizar essas experimentações e isso também permitiu um amadurecimento na seleção e preparação das fotografias”, afirma o fotógrafo.

Com imagens de diferentes épocas pré-selecionadas, captadas em países sul-americanos como Brasil, Argentina e Chile, Leopoldo fez questão de produzir material novo especialmente para a mostra. Inspirado pelo conceito de silêncio que dá nome à exposição e costura uma unidade entre as fotografias, escolheu como destino os cânions dos Aparados da Serra. Tendo em mente o fato de que as imagens seriam grandes, Leopoldo realizou um desejo antigo: montar panorâmicas com diferentes fotogramas. O plano inicial era que três fossem utilizados. No fim das contas, a imagem precisou de dez, montados e editados em um processo lento e cuidadoso.

Canion Malacara. Foto: Leopoldo Plentz.

Serraria Benedito Novo. Foto: Leopoldo Plentz.

Leopoldo fez questão, também, de contemplar ao menos uma de suas fotos do pampa gaúcho, tema recorrente em sua obra. Em suas palavras, trata-se de uma paisagem difícil de ser fotografada, e pensando justamente nesse aspecto que ele chegou ao título. “O silêncio é algo dificílimo, senão impossível, de ser registrado. E paisagens também são difíceis”. Para o fotógrafo, ninguém resiste a uma paisagem quando está com uma câmera nas mãos, mas poucos conseguem registrá-la de forma realmente eloquente, que chame a atenção. “Para desfrutar da paisagem, também é necessário silêncio interior, não funciona com pressa. A pressa pode ser o combustível de outro tipo de foto, como a urbana”.

Silêncio, de Leopoldo Plentz
Galeria Bolsa de Arte (Rua Visconde do Rio Branco, 365, Porto Alegre)
De 29 de novembro a 21 de dezembro de 2012
10h às 19h (segunda a sexta) / 10h às 13h30 (sábados)
Entrada Franca

23
nov

Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul em clima de encerramento

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Depois de meses de muito estudo, nos quais os alunos foram instigados a viver fotografia na teoria e na prática, chega ao fim o Módulo Avançado do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Antes de esses novos profissionais chegarem ao mercado, há um dos mais esperados momentos do curso, que é quase um ritual de passagem: a banca com a apresentação dos trabalhos de conclusão. Instigados por meses a mergulhar no mundo da fotografia na teoria e na prática, os alunos tiveram a chance de mostrar o resultado dessa vivência a um júri de peso, composto por nomes de alto nível das mais diferentes áreas: Eduardo Veras , Guilherme Dable, Niura Legramante e Ricardo Chaves. Também estiveram presentes os professores responsáveis pelas aulas de Projeto, Guilherme Lund, Leopoldo Plentz e Raul Krebs , que com referências e exercícios práticos ajudaram a preparar os alunos para a construção do TCC.

Foto: Camilo Santa Helena.

Um dos detalhes mais bacanas do curso, nas palavras do professor coordenador Manuel da Costa, é o fato de que ele não é fechado, permite que se dê ênfase a uma determinada área de atuação dentro da fotografia – e é justamente no TCC que os alunos têm a chance de se expressar dentro de sua área preferida. O processo de avaliação, como explica Lund, assemelha-se às leituras de portfólio: “É uma ‘leitura de ensaio’, mas menos despretensiosa”. Os estudantes são avaliados individualmente em frente ao grupo, e as opiniões do júri sobre as imagens são divididas com todos os colegas, o que funciona como uma aula.

Em sua fala introdutória, Eduardo Veras destacou seu prazer em participar da banca e chamou atenção ao fato de que as avaliações consistem em possibilidades de leitura: “A cada um, cabe filtrar e aproveitar tanto os elogios quanto as críticas”, aconselhou. Niura completou afirmando que se tratam de sugestões, “às vezes ficamos em cima do trabalho e não vemos algumas coisas que alguém que vê de fora percebe”.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Como o representante do Fotojornalismo, Kadão deu aos alunos uma importante contribuição ao dividir como seu olhar funciona dentro da rotina de uma redação. “Em grandes coberturas, chegamos a ver quatro mil fotos em um dia. Muita coisa já passou pelos meus olhos e a verdade é que a fotografia é como um poema, uma música. Às vezes bate, às vezes não bate, toca ou não toca. Com sorte, muda a vida. Os grandes artistas são aqueles com os quais muita gente se identificou”, opinou.

Kadão também alertou os alunos a respeito da edição: é necessário tomar cuidado com a redundância na montagem de um ensaio. “Quando tiverem dificuldade de editar, busquem uma opinião, um curador. Temos muito apego com nossas fotos, são como filhos. Alguém de fora não tem a nossa paixão”. Dable completou alertando para a importância da escolha da foto de capa, que determina como todo o trabalho será percebido.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

O grande conselho de Niura foi que os alunos permaneçam treinando o olhar, que analisem a composição de outros fotógrafos não para copiar, mas para introjetar a visão dentro de si – daí a importância de possuir referências nas áreas de interesse. Todos os professores, além de criticarem pontualmente os trabalhos, dividiram com os alunos nomes importantes de diferentes áreas que poderiam servir como inspiração.

Depois, os alunos, os professores e os jurados rumaram para o centro de eventos da ESPM-Sul para brindar o encerramento dessa etapa e, claro, trocar mais algumas figurinhas. Notícias sobre mais essa leva de profissionais formados pelo Centro vocês certamente vão conferir aqui mesmo, no nosso blog. Parabéns para eles!

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

8
nov

Juliano Araujo, aluno da ESPM-Sul, expõe no Salon Art Shopping no Museu Carrousel du Louvre

Retrato de Juliano Araujo. Foto: Pedro Gigante.

É sempre bacana conferir as novidades sobre profissionais que passaram pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul e se realizaram em uma, ou algumas, das diversas áreas de atuação que a fotografia oferece. Quando se tratam de ex-monitores, então, a satisfação é imensa. Como Eduardo Biermann, vencedor de concurso mundial da Nike e pauta recente por aqui, Juliano Araujo é um desses jovens talentos que nos enchem de orgulho. Durante os dias 19, 20 e 21 de outubro, expôs seu trabalho na 11ª edição do Salon Art Shopping no Museu Carrousel du Louvre, em Paris, salão que tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho de artistas contemporâneos do mundo inteiro. Como monitor, Juliano trabalhou durante quatro anos ao lado do professor coordenador Manuel da Costa, auxiliando no gerenciamento e na comunicação dos cursos do Centro e concluindo como bolsista os extensivos Fotografia Digital Avançada, Revelando a Luz, Impressão Fotográfica Artesanal do Século XX e Moda & Photoshop.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Natural de Caxias do Sul, Juliano é graduando em Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing pela ESPM-Sul e técnico em Administração pelo Centro Tecnológico da Universidade de Caxias do Sul. Ao adotar a fotografia como profissão, transformou em trabalho seu maior hobby, desenvolvendo paralelamente projetos autorais e comerciais. O convite para a exposição em questão surgiu através de Andreas Nicola Ravizzoni, responsável por contatar artistas do Sul do Brasil para eventos internacionais organizados pela AVA Galleria. Aprovado no edital, Juliano enviou suas imagens para Rio de Janeiro, Finlândia e, finalmente, Paris. Entre fotos, pinturas, esculturas e desenhos de artistas do mundo todo, o fotógrafo apresentou uma série de imagens do museu da Fundação Iberê Camargo realizadas no final de 2009, fruto justamente de uma aula do Curso Avançado de Fotografia Digital, mais especificamente do módulo “Fotografia de Arquitetura”, conduzido pelo professor Leopoldo Plentz. Durante o processo, Juliano conta que utilizou, também, informações das aulas de Preto e Branco ministradas por Leopoldo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Para valorizar as formas interiores e exteriores do prédio da Fundação, prestigiado projeto arquitetônico de Álvaro Siza, Juliano utilizou a técnica HDR, originalmente High Dynamic Range, que permite o registro de um intervalo de luminância maior do que o clique da câmera fotográfica. Para isso, diversas imagens foram captadas variando apenas a velocidade do obturador, contemplando informações tanto nas altas quanto nas baixas luzes e atingindo uma gama maior de detalhes tonais. “Além da situação pedir o uso dessa técnica, com o sol contra e o Iberê na sombra, ela possibilitou a criação de um material diferenciado, que valoriza a textura característica das obras de Siza”, explica. Depois de prontas, as imagens foram unidas através de softwares e, para chegar naquele resultado, Juliano conta que cada uma delas foi revelada no mínimo cinco vezes.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Após a mostra no Louvre, a obra embarcou para uma nova exposição, dessa vez na Finlândia, onde permanecerá pelos próximos três meses. Juliano conta que já foi convidado para participar da 12ª edição do Salon Art Shopping, em junho do ano que vem. Ainda que pretenda continuar sua série de imagens da Fundação Iberê Camargo, o trabalho que será apresentado dessa vez, ainda em vias de produção, promete contemplar outro ponto turístico de Porto Alegre. Com a crescente demanda por imagens da Capital, o fotógrafo vê nos famigerados bancos de imagens poucas opções. Seu objetivo é criar uma série de fotografias da cidade com cunho autoral e, para isso, continuará utilizando a técnica HDR.

Fundação Iberê Camargo. Fotos: Juliano Araujo.

24
out

Zé Paiva lança o livro “Expedição Natureza: Tocantins”

Retrato de Zé Paiva. Foto: Henrique Wallau/Espm-Sul.

Depois de desvendar e eternizar em imagens a flora e a fauna de Santa Catarina (2005) e Rio Grande do Sul (2008), o fotógrafo de natureza e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Zé Paiva focou seu projeto “Expedição Natureza” em um novo território brasileiro rico em belezas naturais: Tocantins. O resultado de 62 dias descobrindo o estado com sua câmera rendeu mais de 10 mil imagens, e 156 fazem parte do livro Expedição Natureza: Tocantins (2012), que será lançado em sessão de autógrafos no dia 25 de outubro no Palácio Araguaia, sede do governo do Tocantins. No mesmo dia e local, o fotógrafo inaugura a exposição, com 47 imagens sob curadoria de Rosely Nakagawa, em exibição até o dia 25 de novembro.

Tocantins é o mais novo dos estados brasileiros – foi fundado apenas em 5 de outubro de 1981 –, mas há nele muito o que fotografar, como os mosaicos de vegetação mais conservados do país e a gigantesca Bacia Tocantins-Araguaia. A ideia, Paiva conta, surgiu durante uma viagem de férias, quando visitava o estado junto com a autora dos textos, a doutora em gestão ambiental Adriana Dias Trevisan. Ainda de acordo com ele, o objetivo da obra era unir ciência e arte, ciência nas informações do texto e arte na interpretação autoral dos lugares visitados.

Vista aérea do Parque Nacional do Araguaia, Rio Javaes e Ilha do Bananal, Tocantins, Brasil. Foto: Zé Paiva.

Garça-moura (Ardea cocoi) no Rio Javaes, Parque Nacional do Araguaia, Pium, Tocantins, Brasil. Foto: Zé Paiva.

Um pouco dessa interpretação autoral, que, nas palavras de Paiva, consiste em “redesenhar a ecologia dos estados brasileiros”, pode ser vista, também, no blog que criou para registrar o universo dessas expedições, http://expedicaotocantins.wordpress.com. Nele, Paiva conta mais sobre a caminhada com ênfase na história das imagens e no contexto no qual foram feitas. Tudo sem poupar detalhes particulares da experiência, em primeira pessoa. É possível familiarizar-se com os personagens encontrados e com uma rotina que envolve episódios como o encontro de um bando de macacos-prego e de abacaxis minúsculos, que mais parecem miniaturas.

No livro, o leitor conhecerá unidades de conservação como o Parque Nacional do Araguaia, o Parque Estadual do Jalapão, o Parque Estadual do Cantão, a Estação Ecológica da Serra Geral, o Parque Estadual da Serra da Cangalha (ainda em fase de criação), o Monumento Natural de Árvores Fossilizadas e a Reserva Extrativista do Extremo Norte. A obra também será lançada em outros locais do Brasil, chegando em Porto Alegre no dia 12 de novembro. Por aqui, o autor receberá o público para uma sessão de autógrafos a partir das 20h na loja FNAC.

Morro do Fumo, Estacao Ecologica da Serra Geral, Rio da Conceicao, Tocantins, Brasil. Foto: Zé Paiva.

Chuva no Rio Javaes, Parque Nacional do Araguaia, Pium, Tocantins, Brasil. Foto: Zé Paiva.

17
out

Kadão entre os melhores do fotojornalismo brasileiro

Retrato de Ricardo "Kadão" Chaves. Foto: Dudu Contursi.

Em sua quarta edição, o livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro reúne imagens de importantes repórteres fotográficos do país, muitas delas premiadas no Brasil e no exterior, contemplando registros que vão de fatos cotidianos a acontecimentos marcantes. Entre os profissionais que assinam a versão 2012 do anuário, encontra-se o professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Ricardo Chaves, o Kadão, autor do ensaio Vidas Ausentes, publicado no jornal Zero Hora em 14 de novembro de 2010.

Finalista do Prêmio Esso em 2011, a reportagem mostra quartos vazios, mas com objetos e pertences de jovens do Rio Grande do Sul que tiveram a vida interrompida por acidentes de trânsito. Kadão conta que a ideia surgiu do diretor de redação da época, Ricardo Stefanelli, inspirado por uma matéria do The New York Times que mostrava quartos de soldados americanos mortos na Guerra do Iraque. “Ele achou o ensaio bastante interessante, impactante, e resolveu adaptar para a nossa guerra, a guerra do trânsito, a que mais mata gente no Brasil”, relembra. Convertendo as estatísticas em histórias particulares, a reportagem trouxe a tona a transformação na vida dos pais após a tragédia.

Vidas Ausentes. Foto: Ricardo "Kadão" Chaves.

Vidas Ausentes. Foto: Ricardo "Kadão" Chaves.

Kadão considera a matéria uma das mais duras de sua carreira. Desafiada a encontrar quartos de vitimas do trânsito mantidos intactos pelos pais, a repórter que assina o texto, Kamila Almeida, entrou em contato com mais de 100 famílias até encontrar pessoas que preservassem o quarto de seus filhos quase exatamente como eles haviam deixado – e que ainda estivessem dispostas a falar sobre o assunto. No jornal impresso, foi publicada apenas a imagem, uma por página, com uma pequena legenda. Mas, Kadão conta, aproveitando as novas mídias, os dois acharam que deveriam pegar um depoimento dos pais. “Como acreditamos que seria cruel editar um vídeo explorando a dor da pessoa, solucionamos com um slideshow, gravando depoimentos e cobrindo com fotografias. Eu não achei que seria tão difícil fazer, mas muitas vezes acabávamos o trabalho abraçados aos pais, chorando junto”.

Com apoio do Grupo RBS e Fundação Thiago Gonzaga, o ensaio foi transformado em conteúdo para a prevenção de acidentes e exposição itinerante. Depois de 30 dias no Shopping Iguatemi, na Capital, passou por diversas cidades gaúchas em 2011. Criado em 2008, O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro tem como objetivo servir como referência dentro e fora do país. Além de homenagear os fotojornalistas que labutam no cotidiano das redações, busca preservar seus melhores cliques para que sirvam de exemplo aos profissionais iniciantes. A edição deste ano contempla mais de 200 imagens de 96 repórteres fotográficos de revistas, jornais e agências do Brasil.

Na última quinta-feira, 11 de outubro, Kadão realizou sua já tradicional aula na sede de Zero Hora, jornal no qual iniciou sua carreira no fim dos anos 1960 e onde, hoje, trabalha há 20 anos. Os alunos puderam conhecer na prática a rotina de trabalho de um fotojornalista dentro da redação: como são organizadas as pautas, a compra de imagens em agências, o arquivo de fotografias do jornal, etc.

Foto: Camilo Santa Helena.

Foto: Camilo Santa Helena.

 

9
out

Raul Krebs vence o NY Photo Awards

Retrato de Raul Krebs.

O fotógrafo e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Raul Krebs está entre os grandes vencedores do NY Photo Awards 2012, premiação internacional que desde 2008 celebra o trabalho de fotógrafos profissionais e amadores de diversas áreas. Depois de receber menção honrosa em todas as edições anteriores do prêmio, e ficar entre os finalistas no ano passado, Krebs é o autor da melhor foto na categoria Advertising.

“Body Shirt”, algo como “camiseta corpo”, foi feita há cerca de um ano pela DCS em uma campanha para Cintia Gym, uma academia com serviços de personal trainer. De acordo com Krebs, trata-se de uma peça feita com a intenção de se sobressair: o objetivo era justamente inscrevê-la em festivais. “O projeto foi focado em Cannes, o desejo era dar visibilidade para a agência”, relembra. A direção de arte foi feita por João Pedro Vargas e a bem sucedida pós-produção pelo estúdio M1. As duas versões do anúncio foram inscritas, mas a masculina foi a grande vencedora.

Body Shirt. Foto: Raul Krebs.

Body Shirt. Foto: Raul Krebs.

A execução da imagem foi relativamente rápida, o foco estava na pré e na pós-produção. Para Raul, o desenho de luz é o que melhor imprime sua assinatura na foto, além de se tratar de uma de suas melhores características. Foi necessário enfatizar tanto a anatomia dos músculos, a beleza do corpo, quanto considerar a futura existência do cabide e de elementos da camiseta. “A pós-produção foi extremamente bem sucedida por preservar a luz e a textura da pele. Esse tratamento pode tanto ajudar o trabalho do fotógrafo quanto comprometer. Neste caso, auxiliou”, afirma. Krebs ainda ressalta que a pré-produção, feita de forma coletiva, foi extremamente importante, em especial no momento de escolha dos corpos que seriam clicados. Para ele, a criação foi forte e a execução, sem falsa modéstia, impecável.

Raul conta que mesmo que a sensação de estar entre os finalistas e as menções honrosas fossem ótimas, ganhar o prêmio foi totalmente diferente. “Surgem matérias em blogs internacionais, meu portfólio entrou em sites especializados… Tenho acesso a outros tipos de público e de clientes, além de sair no livro [powerHouse Magazine: The Future of Contemporary Photography, que será lançado em 2013. Isso sem falar que se trata de um prêmio internacional”, comemora.

As imagens vencedoras estão expostas na The powerHouse Arena, em Nova Iorque, até amanhã. Como fotógrafo publicitário, Raul já recebeu outros diversos prêmios e participou de livros e anuários. Foi finalista do Prêmio Conrado Wessel de Fotografia Publicitária em 2005 e 2006 e já foi eleito o Fotógrafo do Ano no Salão da Propaganda ARP em 1996 e 2004.