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11
set

Os gaúchos de Fábio Mariot

 

 

Está aberta para visitação até 30 de setembro, na sala JB Scalco do Solar dos Câmara, a exposição Gaúcho, do fotógrafo Fábio Mariot, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Com curadoria do professor Manoel da Costa, a mostra compreende um trabalho realizado desde 2012 no interior do Rio Grande do Sul, registrando o cotidiano de quem vive no campo – especialmente em estâncias da fronteira oeste do estado. Saiba mais no post que publicamos aqui no blog.

 

 

 

 

 

 

Exposição Gaúcho, de Fábio Mariot
De 08 a 30 de setembro de 2015
De segunda à sexta-feira, das 08h30 às 18h30
Sala JB Scalco, térreo do Solar dos Câmara (Duque de Caxias, 968 – Centro – Porto Alegre)

 

16
mai

Ricardo Chaves exibe mostra retrospectiva

Retrato de Ricardo Chaves

Até o dia 1º de junho, o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana) recebe a exposição A força do tempo, do fotojornalista Ricardo Chaves. A mostra do 7º FestFotoPOA, organizada por Carlos Carvalho, reúne imagens de 38 coberturas realizadas pelo fotógrafo ao longo de uma carreira de mais de 40 anos e um painel com 196 retratos. O blog do Centro de Fotografia da ESPM-Sul teve a oportunidade de visitar a retrospectiva ao lado de Kadão. Compartilhamos aqui um pouco dos bastidores das reportagens, contados pelo próprio fotógrafo e pelos documentos – fac-símiles de jornais, entre outros – que integram a exposição.

Alguns dos momentos mais importantes da trajetória profissional de Kadão tiveram lugar em coberturas internacionais. Aos 20 anos, munido de uma autorização dos pais (necessária na época) para poder viajar ao exterior, Kadão cobriu as eleições presidenciais uruguaias de 1971. “Foi muito impactante. Saí desse túmulo político que era o Brasil, onde todos tinham medo, e encontrei um país com manifestações, comícios e livros de todas as tendências sendo vendidos nas ruas”, conta. No entanto, pouco tempo depois, em 1973, um golpe militar instaurava uma ditadura no Uruguai. O Congresso fechado pelo novo governo aparece em uma das fotografias que fazem parte da exposição: um plano composto pelo edifício do Legislativo, uma avenida deserta e três crianças que brincam – uma delas, com uma arma de brinquedo em punho. Uma imagem que sugere o vazio político e a violência que tomavam conta da América Latina.

Foto: Ricardo Chaves

Em outra fotografia da mostra, surge novamente uma arma – dessa vez, de verdade e engatilhada. Três homens discutem em um posto de gasolina. Um deles aponta um revólver. Kadão, que havia acordado com o som de um tiro, observou tudo da janela do apartamento onde morava na década de 1980, em São Paulo. O homem que era ameaçado acabou fugindo. Em seguida, chegava a Polícia Militar, mas ninguém foi preso. Kadão recorda que, na apuração da matéria, nem a loja de conveniências nem a PM pareciam se importar com o seu relato. A impressão inicial de um assalto transformou-se na suspeita de que a imagem registrava o envolvimento de um policial em um “acerto de contas”. A foto foi capa do jornal O Estado de São Paulo, entretanto, permaneceu o mistério em torno do que realmente teria ocorrido. “Um pouco Blow Up: aconteceu, mas não aconteceu”, diz Kadão, associando a imagem ao filme de Michelangelo Antonioni em que uma fotografia registra por acaso um possível crime.

Foto: Ricardo Chaves

A exposição apresenta também a cobertura do incêndio de uma loja da Renner, na avenida Otávio Rocha, em Porto Alegre. A matéria foi publicada pela revista Veja, em 1976, com uma série de fotos que mostra o desespero das pessoas que estavam no edifício no momento da tragédia. Da redação, Kadão viu a coluna de fumaça que se formava e correu até a rua para descobrir o que estava acontecendo. “Quando cheguei perto do prédio, já caía o primeiro corpo”, conta.

Foto: Ricardo Chaves

Trabalhando na sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre, Kadão registrou o incêndio da redação de Zero Hora, em 1973. “O motorista do Jornal do Brasil estava indo para casa. Passava em frente a Zero Hora quando viu o incêndio. Como na época não tinha essa barbadinha do celular, ele voltou para a redação, me apanhou e eu fiz as fotos”, conta. Depois de revelar o filme e enviar uma telefoto para o JB no Rio de Janeiro, Kadão voltou ao prédio da ZH para saber se havia feridos. Chegando lá, descobriu que os jornalistas tinham saído do prédio com segurança e estavam na redação do Jornal do Comércio, que gentilmente cedia sua redação para a concorrência. A imagem estampou a capa de ZH no dia seguinte, acompanhada da manchete “Incêndio não parou jornal”.

Foto: Ricardo Chaves

“Todos nós, fotógrafos, corremos atrás de imagens que de alguma maneira representem a época em que vivemos. Somente nós, que estamos vivendo esse período, podemos fazer um registro simbólico desses momentos”, diz Kadão. Algumas das imagens tornam-se icônicas, como é o caso das fotos de conflitos entre policiais e manifestantes contrários ao regime militar, nos anos 1970. A cobertura dos enfrentamentos, na avenida João Pessoa, em Porto Alegre, rendeu a Kadão o prêmio Abril de Fotografia de 1977. Uma das imagens dá a ver de forma bem humorada a tentativa aparentemente frustrada de controlar os protestos.

Foto: Ricardo Chaves

Nascido em 1951, Ricardo Chaves passou a consolidar o seu interesse pela fotografia em 1969, frequentando a redação de Zero Hora. Na equipe da Veja, cobriu a visita do Papa João Paulo II à Polônia, ainda governada por dirigentes comunistas, em 1979 – o retorno de Karol Wojtyla a seu país de origem foi fundamental para o movimento antissoviético Solidariedade, liderado por Lech Walesa, que mais tarde se tornaria presidente da Polônia. Ainda pela Veja, cobriu em 30 de abril de 1981 o atentado do Riocentro, no Rio de Janeiro – acontecimento que contribuiu para o enfraquecimento do regime militar no Brasil. Trabalhou ainda na revista Istoé e na Agência Estado, cobrindo importantes acontecimentos da política brasileira e do esporte. Em 1992, retornou a Porto Alegre como editor de fotografia de Zero Hora, função que ocupou por duas décadas. Desde 2011 é editor da coluna Almanaque Gaúcho, de ZH, que resgata fatos e curiosidades históricas.

Foto: Ricardo Chaves

Exposição A força do tempo, de Ricardo Chaves
Aberta até 1º de junho de 2014
Local: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre)
Visitação: segunda-feira, 14h-19h; terça a sexta-feira, 10h-19h; sábado, domingo e feriados, 12h-19h
Entrada franca

31
jan

Começou o Canela Foto Workshops 2014

Começou ontem o Canela Foto Workshops – não apenas um dos eventos mais queridos no calendário do estado, mas um dos mais importantes encontros fotográficos do país. Seu objetivo, de acordo com o organizador e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Raul Krebs é fazer uma grande reunião de fotógrafos, “grandes mestres, alunos de escolas e demais envolvidos em fotografia”. Este ano, sob a temática da água (que dá nome à exposição coletiva), acontece até o dia 2 de fevereiro.

Entre exposições, workshops (confira aqui a lista completa), palestras e lançamentos, o evento de 2014 contará com nomes como Cassio Vasconcelos, Sandra Bordin, Pedro Martineli, Hans George e Ana Rodrigues, Guilherme Lund, Danilo Christidis, Roberta Borges, além dos nomes tradicionais do Canela Foto como Evandro Teixeira, Clovis Dariano, Manuel da Costa, Luiz Carlos Felizardo, Leopoldo Plentz.


Fotógrafos organizadores  e amigos do evento no encontro que discutiu as diretrizes da edição de 2014. Foto: Carlos Ferrari

Além disso, 17 fotógrafos foram selecionados para divulgar seus trabalhos na Convocatória 2014 – Fotografia em Projeção. Como já é de praxe, dentro do objetivo do festival também acontecerão ações específicas e aglutinadoras na programação como palestras, mesas redondas, almoços coletivos, jantares e happy hours.

A ideia do Canela Foto surgiu pela participação do fotógrafo gaúcho Fernando Bueno e sua esposa, a jornalista Liliana Reid, em workshops internacionais de fotografia. Ao perceberem que os cenários e as paisagens são elementos fundamentais para a prática fotográfica, souberam que a cidade de Canela, na Serra Gaúcha, oferece essa atmosfera ideal. Além disso, trata-se de uma cidade turística que proporciona uma temperatura agradável no verão, época em que o evento acontece.

As inscrições podem ser feitas no Espaço 273, Rua Tenente Manoel Correa, 273 e é possível conferir a programação completa aqui.