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Posts from the ‘Notícias’ Category

26
nov

8a Edição do Concurso Fotografia Móvel

Ainda dá tempo se você se organizar e participar da Oitava edição do Concurso de Fotografia Móvel. O Concurso foi criado em 2011, a fim de reconhecer e celebrar os talentos da fotografia de celular.

      Srebrenica-Potocari, Bosnia & Herzegovina by Michal Leja.

      Srebrenica-Potocari, Bosnia & Herzegovina by Michal Leja.

Image of Structure by Joshua Sarinana

Image of Structure by Joshua Sarinana

O concurso tem 20 categorias, incluindo Ensaio Fotográfico, este com prêmio de $500. Cada imagem submetida pode ser inscrita em até 2 categorias. Todos os vencedores de cada categoria serão incluídos no tour de exposições da MPA, possibilitando oportunidades de venda de arte.

As taxas de inscrição partem de $ 15 dólares para uma (1) imagem aumentando de acordo com número de imagens submetidas, chegando até 100 dólares para 15 imagens. O MPA Ensaio Fotográfico tem sua própria taxa de inscrição de US $ 29 com prêmio de $ 500 dólares. O vencedor do grande prêmio recebe $3000 dólares.

O prazo de submissão é 9 de dezembro.

Fonte:  https://mobilephotoawards.com/

Fonte:  https://mobilephotoawards.com/

Tá valendo correr pra produzir essa foto, hein? Vamos nessa?  
Saiba mais sobre o concurso no site: https://mobilephotoawards.com/

19
nov

Um dos maiores prêmios de fotografia de celular abre as inscrições para a 12a edição do concurso.

Jashim Salam. Bangladesh.
Vencedor do Grand Prize Winner, Photographer of the Year. Fotografado com iPhone 7.

O IPPAwards é um concurso fotográfico lançado em 2007, de lá pra cá tem revelado diversos fotógrafos de IPhone do mundo inteiro. A 11a edição recebeu milhares de inscrições enviadas por fotógrafos de mais de 140 países ao redor do mundo.

As inscrições para a 12a edição estão abertas para fotógrafos de todo o mundo que utilizem um iPhone ou iPad para suas fotografias.

Huapeng Zhao. China.
Segundo lugar como Fotógrafo do Ano. Shot on iPhone 6.

É importante estar atento às regras do concurso:

> As fotografias não devem ser publicadas anteriormente em nenhum lugar ou concurso. As postagens em contas pessoais (Facebook, Instagram etc.) são elegíveis.
> As fotos não devem ser alteradas em nenhum programa de processamento de imagens da área de trabalho (desktop), como o Photoshop. Não há problema em usar qualquer aplicativo do IOS.
> O uso de qualquer iPhone é permitido. Lentes adicionais do iPhone podem ser usadas. Em alguns casos, podemos solicitar que a imagem original seja obtida com um iPhone, iPad ou iPod touch. As fotos que não podem ser verificadas são desqualificadas.
> As submissões devem estar no tamanho original ou não menores que 1000 pixels em altura ou largura.

Robin Robertis. United States.
Primeiro lugar da categoria Animais. Fotografado com iPhone 7 Plus.

Melisa Barrilli. Canada. Primeiro lugar na categoria Crianças.
Fotografado no iPhone 5S.

As categorias são: abstrata, animais, arquitetura, crianças, floral, paisagens, lifestyle, natureza, notícias e eventos, panorâmica, pessoas, retratos, séries (3 imagens), still life (objetos), por do sol, viagem, árvores e outros.

Todos os fotógrafos competem para as quatro categorias de prêmio, que são: Grand Prize, 1o, 2o e 3o lugar. Veja mais sobre as premiações específicas de cada categoria no site do concurso.

Para inscrever-se é preciso pagar uma taxa de inscrição que varia de acordo com a quantidade de imagens submetidas, de $3,50 à $57,50 dólares. Não há limites no número de submissão, mas é recomendável que você inscreva somente as suas melhores fotografias.

Todos os vencedores serão anunciados no site dentro de oito a doze semanas após o prazo final de envio. Apenas os principais vencedores em cada categoria serão notificados antes do anúncio oficial.

O prazo final para submissão é 31 de março de 2019.

Tem tempo de sobra para produzir suas fotografias! Vamos nessa?

13
nov

Está aberta a convocatória para o 12° Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre

                          Fonte: http://festfoto.art.br/

A 12° edição do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre está com a Convocatória Fotograma Livre aberta para fotógrafos de todas as partes do mundo. Com o tema “Da Diáspora: Identidade, Hibridismo, Diferença”, serão selecionados 20 finalistas. O vencedor receberá como prêmio passagens e hospedagem para participar do festival, que ocorre de 27 de abril a 26 de maio de 2019, e um Passaporte Livre para participar da Plataforma Internacional de Leituras de Portfólio.

Além da convocatória internacional, estão abertas as inscrições para residentes do Rio Grande do Sul. A Residência Artística vai selecionar 4 autores para, com o acompanhamento de 4 tutores, realizar projetos fotográficos que dialoguem com o tema da edição 2019 do festival.

Os trabalhos selecionados serão exibidos durante o FestFotoPoa.

Ambas inscrições encerram-se no dia 2 de dezembro e custam, cada uma, R$ 95. Podem ser inscritos trabalhos dentro de 2 categorias, Multimídia/Narrativas Visuais em vídeo (de até 4 minutos) e Portfólio com até 20 imagens.

A primeira edição do festival, em 2007, foi na Usina do Gasômetro. Doze anos depois, o FestFotoPoa retorna às margens do Rio Guaíba, desta vez, será realizado na Fundação Iberê Camargo, localizado na zona sul de Porto Alegre. O evento conta com palestras, workshops, projeções e leituras de portfólio. Mais informações sobre a programação e a convocatória no site do festival.

 

Redigido por Marcela Donini
Hub ESPM-Sul

19
jan

A magia do fotojornalismo

Não há quem fique indiferente diante de uma fotografia forte. Um registro que conta alguma história do caótico cotidiano urbano – ou das mais violentas guerras – e ao mesmo tempo é plasticamente perfeito, consegue sensibilizar até mesmo quem não é fotógrafo. E é isso que move milhares de fotojornalistas ao redor do mundo diariamente. Com a intenção de reconhecer o trabalho desses profissionais, foi criado o World Press Photo, a principal premiação do fotojornalismo mundial. O evento, que teve sua 54ª edição realizada na Alemanha há poucos dias, é aberto a fotojornalistas, jornais, revistas e agências de notícia. A edição deste ano teve 5,691 participantes de 125 nacionalidades diferentes, e 108.059 imagens inscritas em 9 categorias: notícias locais, notícias em geral, pessoas, esportes, assuntos contemporâneos, cotidiano, retratos, arte e entretenimento e natureza . As melhores fotos de cada uma delas são escolhidas por um juri formado por 19 editores de fotografia, fotógrafos e representantes de agências de notícias de diferentes partes do mundo.

As fotografia vencedoras percorrem o mundo em uma exposição itinerante que visita mais de 100 cidades e 45 países. Além disso, elas são reunidas em um livro que é publicado anualmente em seis idiomas diferentes. O prêmio principal, chamado “A foto do Ano”, foi vencido pela jornalista sul-africana Jodi Bibier, que fotografou a afegã Aisha Bibi. O chocante retrato da jovem, que teve a o nariz e as orelhas mutiladas por não obedecer ao marido, foi capa da revista “Time”, tornando-se um símbolo da violência contra a mulher no Afeganistão.

Algumas fotos premiadas:

Foto de Daniel Berehulak retrata  vítimas da enchente no Paquistão. Venceu a categoria Notícias

Foto de Daniel Berehulak retrata vítimas da enchente no Paquistão. Venceu a categoria Notícias

Foto de Seamus Murphy retrata Julian Assange, fundador do WikiLeaks. 2º lugar na categoria PessoasFoto de Seamus Murphy retrata Julian Assange, fundador do WikiLeaks. 2º lugar na categoria Pessoas

Foto de Seamus Murphy retrata Julian Assange, fundador do WikiLeaks. 2º lugar na categoria Pessoas

Foto de  Mike Hutchings retrata o holandês Demy de Zeeuw sendo chutado no rosto pelo uruguaio Martin Caceres no jogo da semi-final da Copa do Mundo. Ganhou o 1º Lugar na categoria Esportes

Foto de Mike Hutchings retrata o holandês Demy de Zeeuw sendo chutado no rosto pelo uruguaio Martin Caceres no jogo da semi-final da Copa do Mundo. Ganhou o 1º Lugar na categoria Esportes

Foto de Joost van den Broek ganhou o 2º Prêmio com o retrato do marinheiro russo.

Foto de Joost van den Broek ganhou o 2º Prêmio com o retrato deste marinheiro russo

Foto de Corentin Fohlen, da Fedephoto, registra os conflitos em Bangkon, na Thailandia. Recebeu o 2º Prêmio de Notícias Locais

Foto de Corentin Fohlen, da Fedephoto, registra os conflitos em Bangkon, na Thailandia. Recebeu o 2º Prêmio na categoria Notícias Locais

Foto de Omar Feisal, feita em Mogadisíaco, na Somália, retrata homem carregando tubarão. Foi a vencedora da categoria Cotidiano

Foto de Omar Feisal, feita em Mogadisíaco, na Somália, retrata homem carregando tubarão. Foi a vencedora da categoria Cotidiano

8
dez

Eric Schwabel, o homem-estúdio

Eric Schwabel e seu estúdio portátil, 2010.

Eric Schwabel possui uma carreira bem-sucedida como fotógrafo em Los Angeles, mas há cerca de dois anos seu nome começou a se multiplicar exponencialmente por blogs e sites mundo afora. É o efeito do projeto “Human Light Suit”, um mirabolante estúdio de fotografia portátil que Schwabel acopla ao próprio corpo com o objetivo de produzir retratos ao ar livre sem abrir mão do controle total sobre a luz. Os personagens que ele escolhe fotografar, por sua vez, são pelo menos tão estranhos quanto a sua invenção e compõem uma galeria curiosa de retratos.

Foto: Eric Schwabel

Foto: Eric Schwabel.

A ideia de Schwabel tomou forma pela primeira vez em 2010, no festival Burning Man. Todos os anos, durante uma semana, esse evento leva cerca de 50 mil pessoas para o meio do deserto de Black Rock, no estado de Nevada (EUA), e as desafia a expressarem-se da maneira que quiserem. As regras de conduta são quase inexistentes e a arte é um dos maiores ingredientes de sucesso do evento. Foi o comportamento e a maneira de se vestir dos frequentadores que motivou Schwabel, um frequentador assíduo, a conceber um equipamento capaz de retratar essa estranha comunidade com a qualidade de uma foto de estúdio. As pessoas, cada qual mais exuberante do que a outra, são fotografadas contra o branco da areia e o denso azul do céu do deserto. Apesar dos desafios de fotografar nesse contexto, Schwabel se declara bastante econômico na hora de retocar, preferindo se restringir ao balanço de cor e à saturação especificamente das fotos em closeup.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

O “Light suit” de Schwabel contém luzes, refletores, uma câmera digital de médio formato e grandes baterias recarregáveis através de energia solar que mantêm toda a estrutura funcionando. O equipamento costuma ser alugado com a ajuda de patrocinadores que contribuem através do site kickstarter.com. A arrecadação para a terceira edição do projeto já começou e se estende ate o dia 6 de agosto.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

24
nov

Retratos de família contemporâneos, por John Clang

Foto: John Clang

Na Singapura, as famílias têm a tradição de eternizar ocasiões importantes reunindo-se para uma fotografia formal. Muitas vezes feita em estúdio, a foto costuma ser emoldurada e exibida com orgulho na parede da casa. Entretanto, com a crescente emigração no país, cada vez mais os jovens dessas famílias partem para tentar a vida em outras cidades, deixando uma lacuna nesses retratos. Na busca por uma solução a esse problema, o fotógrafo local John Clang usou a tecnologia para desenvolver um tipo particular de retrato de família, mesclando imagens reais e projeções digitais. Utilizando o recurso de video-chamada do Skype, que já facilita há anos o contato e a comunicação entre entes que vivem separados, Chang projeta a imagem captada pela webcam em uma parede, posiciona os parentes ao lado dessa projeção e fotografa as famílias reunidas. Não há necessidade de Photoshop.

Skype Portraits. Foto: John Clang

Skype Portraits. Foto: John Clang

Morador de Nova Iorque, Clang fez os primeiros testes com sua própria família. Depois, usou a internet, embaixadas e recomendações de amigos para encontrar cingaporeanos interessados e fazer parte das próximas imagens. Uma delas foi encomendada por Alexia Wai-Chun Tye, uma economista que vive em Paris desde 1999. Sua filha de 24 anos, Stephanie Chi-Eeng Tsui, cresceu lá e foi educada em Londres, mas voltou à Singapura para trabalhar na agência Saatchi & Saatchi. Tye conta que fazer a imagem foi como participar de um “encontro de família virtual”. Um dos detalhes mais interessantes, além da alegria que caracteriza muitos desses rituais, é que os membros dessas famílias podem até estar acostumados a verem-se por retratos ou pela tela de um computador, mas não escondem a satisfação ao enxergarem-se lado a lado.

Skype Portraits. Foto: John Clang

Skype Portraits. Foto: John Clang

Clang exibirá seus retratos no Museu Nacional da Singapura em 2013.

Skype Portraits. Foto: John Clang

Skype Portraits. Foto: John Clang

 

 

19
ago

O retorno do site foto.art, de Sérgio Sakakibara (Japa)

 

 

Lançado originalmente em 1997 pelo fotógrafo Sérgio Sakakibara, o site foto.art está de volta com sua abordagem didática e iconoclasta. Para celebrar esse retorno e o Dia Mundial da Fotografia, conversamos com o Japa – como Sérgio é mais conhecido – a respeito do início do foto.art, no final dos anos 1990, um precursor entre os sites brasileiros dedicados ao universo fotográfico.

 

 

Como foi o começo do site? O que havia de conteúdo online relacionado à fotografia naquela época?
Tinha um site do Clício Barroso e outro do Rio de Janeiro, o Photosynthesis. Mais tarde, veio o Fotosite, do Marcelo Soubhia. A maior parte do trabalho era – e continua sendo – pesquisar, estudar, garimpar, analisar, filtrar informação e traduzir para o português. Tive colaboradores estudantes, o Fernando Schwedersky, da área de publicidade e internet, e a Paula Biazus e a Maisa Del Frari, do jornalismo.

Como você define a linha editorial do site? Como foi a recepção dos fotógrafos?
O site tratava de assuntos diversos, de forma alegre, às vezes de forma debochada. A linha editorial era de opiniões bem marcadas, numa linha inspirada pelo Pasquim. Criticava duramente políticas públicas para o setor. Alguns gostavam, outros reclamavam da linha, alguns odiavam. Arranjei algumas inimizades. Eu ria muito quando fazia, era divertido, um hobby caro. Exigia alto envolvimento, não tinha fim de semana, mas também aprendi muito.

De que forma eram abordadas questões mais técnicas da fotografia? 
Pegamos a entrada do digital, naquela época de muitas dúvidas técnicas e muito preconceito, resistência – às vezes meio burra – ao digital. A entrada do digital já foi com informação via internet, não havia tempo para publicação em livro, e mesmo revistas mensais não conseguiam acompanhar a velocidade. Um dos focos do site era o furo jornalístico na informação de lançamentos da indústria de fotografia digital e a previsão de tendências.

 

 

Você pode nos falar um pouco sobre a imagem acima?
É um exemplo da linha editorial debochada e de sua representação gráfica – cores berrantes, uso de gif animado… Também usava sons de fundo na página, que irritavam e assustavam muita gente. Tirava sarro de muitos puristas, fotógrafos e professores, que diziam que o digital nunca ia superar o filme e poluíam o Guaíba… (a fotografia analógica não existia ainda, é uma invenção nova deste mesmo povo). Hoje, os ecochatos analfabetos dizem que não se pode jogar fixador no ralo por causa dos metais pesados. Nunca estudaram química e desconhecem a tabela periódica. Não sabem que prata não é metal pesado. É um metal caro, e é burrice jogar fora.

Resgatamos também este material sobre as câmeras de 6 megapixel, publicado no início dos anos 2000. Pode nos falar um pouco a respeito?
Estudo e conhecimento técnico permitiram o entendimento de que 6 megapixel, que tínhamos no lançamento de câmeras digitais profissionais da época, bastariam para quase todo uso de fotografia editorial e publicitária. Até hoje, profissionais de publicidade ainda falam besteiras a respeito de resolução, por vezes por interesses comerciais, quando falam em imagens para outdoor, quando desconhecem sua forma de produção.

Pode nos explicar o conceito de “fotografia artesanal” mencionado no site?
O nome do site foi decidido logo que foi lançada a terminação .art. Ocorreu-me usar um nome bem sintético e menmômnico. Lembrava fotografia e arte. Posteriormente comecei a questionar essa questão de fotografia e arte, um território bastante pantanoso – todo fotógrafo quer ser artista. A fotografia jornalística e documental se esvazia politicamente quando vai para a parede de um museu, é num deslocamento que provoca uma descontextualização da informação. Uma das características da fotografia é o recorte espacial e temporal, e se a imagem é apresentada sem a apresentação da informação dessa trajetória, tende a se transformar em um ficção, plausível, e até arte. Na retomada do site, que coincidiu com um interesse geral pela fotografia suja, química, aproveitei para requalificar a desinência, fugindo de arte para artesanal, do fotografia feita à mão, fotografia alternativa ao “mainstream”. O digital é muito clean, limpinho, bonitinho, insípido, inodoro, não suja o Guaíba…

Por fim, o que motivou a retomada do site? O que podemos esperar desse retorno?
Um ponto de informação sobre fotografia como um hobby, como artesanato, como passatempo, sem a preocupação com arte, ou deslocando a estese para o brincar com fotografia.

 

29
abr

Carlos Heuser: Zona de Transição

 

 

Habituado desde criança a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, o fotógrafo Carlos Heuser desenvolveu um olhar atento em direção ao entorno das estradas – a todos aqueles lugares e situações nos quais nos detemos por frações de segundo e que muito em seguida desaparecem da nossa memória. Tendo a fotografia como linguagem, Heuser isola alguns desses instantes e espaços na série Zona de Transição, finalista do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte de 2016.

 

 

 

“No início, eram viagens de trem. Mais tarde, viagens pelas rodovias que foram sendo construídas no Rio Grande do Sul. Concomitantemente, o estado foi sendo urbanizando. As cidades foram crescendo, a paisagem se modificando. Onde antes só havia campo e mato, foram surgindo construções. O ensaio fala dessa transição do verde para o urbano”, comenta o fotógrafo, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

 

 

 

As imagens, obtidas entre 2014 e 2015, mostram a presença humana nesses lugares de passagem. Por vezes enigmáticas, apresentam também o caráter escultórico de certos rastros e ruínas deixados pela ação do homem. Em seu silêncio, as zonas de transição de Heuser se revelam lugares de extrema potência para a imaginação do espectador.

 

 

 

Professor do Instituto de Informática da UFRGS, engenheiro e fotógrafo, Carlos Heuser é formado em Engenharia Eletrônica, com mestrado e doutorado em Ciência da Computação. Trabalha com fotografia desde os anos 1970, quando montou um laboratório caseiro junto com sua esposa, a também fotógrafa e ex-aluna do Curso Anual de Fotografia Eliane Heuser.

 

 

 

O fotógrafo participou de exposições coletivas como Imaginarium (Saguão do Aeroporto Salgado Filho, 2007; e Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, 2009); Na Patagônia (Espaço STB-Brasas, 2007); POA_237 (Casa de Cultura Mario Quintana, 2009) e Múltiplos Olhares: 9 fotógrafos (Café do MARGS, 2016).

 

 

11
set

Os gaúchos de Fábio Mariot

 

 

Está aberta para visitação até 30 de setembro, na sala JB Scalco do Solar dos Câmara, a exposição Gaúcho, do fotógrafo Fábio Mariot, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Com curadoria do professor Manoel da Costa, a mostra compreende um trabalho realizado desde 2012 no interior do Rio Grande do Sul, registrando o cotidiano de quem vive no campo – especialmente em estâncias da fronteira oeste do estado. Saiba mais no post que publicamos aqui no blog.

 

 

 

 

 

 

Exposição Gaúcho, de Fábio Mariot
De 08 a 30 de setembro de 2015
De segunda à sexta-feira, das 08h30 às 18h30
Sala JB Scalco, térreo do Solar dos Câmara (Duque de Caxias, 968 – Centro – Porto Alegre)

 

18
ago

Oficina retoma fotografia analógica de grande formato

 

 

Foto de Heloísa Miceli

 

No último final de semana (15-16 de agosto), o Laboratório Fotográfico da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) promoveu uma oficina de câmeras de grande formato em colaboração com o Centro de Fotografia da ESPM-Sul. Uma das câmeras utilizadas foi projetada e construída na ESPM pela equipe do Centro – uma lente acoplada a uma câmara escura feita de foam e outros materiais que garantiam a sustentação do equipamento.

 

Foto de Gustavo Jardim

 

 

Para o registro das imagens, o grupo usou chapas de raio-x de 13 x 18 cm, que após serem reveladas passavam por um processo de positivação no laboratório da CCMQ sob orientação do fotógrafo Sergio Sakakibara.

 

Foto de Marília Lopez

 

 

A cada saída com a câmera pelas imediações da casa, um dos participantes escolhia uma cena para ser fotografada.

 

Foto de Iago Vilela

 

 

Estudante do 4° semestre do curso de Design Visual da ESPM, Heloísa Miceli destacou a diferença da experiência com o processo analógico em comparação com as câmeras digitais. “Acabamos pensando mais antes de fotografar, para termos mais certeza do resultado”, disse. “Foi uma experiência única poder reviver o passado da fotografia analógica”, ressaltou Gabriel Melo, aluno do 1º semestre do curso de Design Visual.

 

Foto de Gabriel Melo

 

14
jan

O ano de 2014 em imagens

O jornal The New York Times fez uma seleção das imagens que marcaram o ano de 2014 na imprensa internacional. No texto que acompanha a retrospectiva, Dana Jennings, um dos editores do periódico, destaca a importância do fotojornalismo, ainda mais em tempos nos quais vivemos cercados por estímulos visuais. “Com uma única imagem poderosa, você precisa parar, observar e então mergulhar, cair na pureza do seu momento”, observa Jennings. Confira um apanhado das fotografias:

 

Kiev, Ucrânia. 19 de fevereiro de 2014. Manifestantes antigoverno queimam barricadas para impedir que a polícia entre na Praça da Independência. Sergey Ponomarev para The New York Times

 

Jerusalém, Israel. 26 de maio de 2014. Acompanhado por um rabino, o Papa Francisco reza no Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do Judaísmo. Vincenzo Pinto/Associated Press

 

Detroit, Estados Unidos. 30 de abril de 2014. Theodore Roosevelt Pritchett Jr. em sua casa, entre duas residências abandonadas. Fred R. Conrad/The New York Times

 

Belle Plaine (Minnesota), Estados Unidos. 30 de abril de 2014. Aula de educação física do oitavo ano de uma escola é interrompida por alerta de tiroteio. Alec Soth/Magnum Photos

 

Campo de refugiados de Zaatari, Jordânia. 27 de agosto de 2014. Yasmeen Ritaj (16 anos), com sua filha, abandonou o marido violento durante a gravidez e retornou à sua família. Lynsey Addario para The New York Times

 

Monrovia, Libéria. 09 de maio de 2014. Médicos levam James Dorbor (8 anos) para um centro de tratamento contra o Ebola, após ele ter esperado horas do lado de fora. Daniel Berehulak para The New York Times

 

Istambul, Turquia. 12 de março de 2014. Uma garota é ferida no conflito entre a polícia e os manifestantes antigoverno. Bulent Kilic/Agence France-Presse – Getty Images

 

Rio de Janeiro. 9 de janeiro de 2014. Pessoas jogam futebol durante o pôr-do-sol em Ipanema, antes da Copa do Mundo. Yasuyoshi Chiba/Agence Frence-Presse – Getty Images

29
ago

Um olhar para as emoções dos torcedores

Um concurso promovido pela ESPM, com participantes das unidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, premiou dois fotógrafos da ESPM-Sul, em uma disputa que contemplou fotos realizadas durante o período da Copa do Mundo de 2014, tendo as “Emoções” como temática.

“No jogo Brasil x Alemanha, me coloquei de costas para o telão da Fan Fest. Não vi os gols em nenhum momento, não sabia o que estava acontecendo. Foi interessante e ao mesmo tempo chocante. Acompanhei tudo a partir da reação das pessoas. Para mim, aquele jogo foi resumido na expressão incrédula das pessoas.”

Schari Kozak, monitora no Centro de Fotografia da ESPM-Sul – 1º lugar na avaliação do Júri

Foto: Schari Kozak

“Foi um contato novo, muito diferente do meu trabalho habitual. Fui à Fan Fest fotografar os argentinos, que têm essa tradição de serem expressivos. Busquei captar a emoção das comemorações.”

Carlos Ferrari, monitor no Centro de Fotografia da ESPM-Sul - 1º lugar na categoria Voto Popular

Foto: Carlos Ferrari

16
mai

Ricardo Chaves exibe mostra retrospectiva

Retrato de Ricardo Chaves

Até o dia 1º de junho, o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana) recebe a exposição A força do tempo, do fotojornalista Ricardo Chaves. A mostra do 7º FestFotoPOA, organizada por Carlos Carvalho, reúne imagens de 38 coberturas realizadas pelo fotógrafo ao longo de uma carreira de mais de 40 anos e um painel com 196 retratos. O blog do Centro de Fotografia da ESPM-Sul teve a oportunidade de visitar a retrospectiva ao lado de Kadão. Compartilhamos aqui um pouco dos bastidores das reportagens, contados pelo próprio fotógrafo e pelos documentos – fac-símiles de jornais, entre outros – que integram a exposição.

Alguns dos momentos mais importantes da trajetória profissional de Kadão tiveram lugar em coberturas internacionais. Aos 20 anos, munido de uma autorização dos pais (necessária na época) para poder viajar ao exterior, Kadão cobriu as eleições presidenciais uruguaias de 1971. “Foi muito impactante. Saí desse túmulo político que era o Brasil, onde todos tinham medo, e encontrei um país com manifestações, comícios e livros de todas as tendências sendo vendidos nas ruas”, conta. No entanto, pouco tempo depois, em 1973, um golpe militar instaurava uma ditadura no Uruguai. O Congresso fechado pelo novo governo aparece em uma das fotografias que fazem parte da exposição: um plano composto pelo edifício do Legislativo, uma avenida deserta e três crianças que brincam – uma delas, com uma arma de brinquedo em punho. Uma imagem que sugere o vazio político e a violência que tomavam conta da América Latina.

Foto: Ricardo Chaves

Em outra fotografia da mostra, surge novamente uma arma – dessa vez, de verdade e engatilhada. Três homens discutem em um posto de gasolina. Um deles aponta um revólver. Kadão, que havia acordado com o som de um tiro, observou tudo da janela do apartamento onde morava na década de 1980, em São Paulo. O homem que era ameaçado acabou fugindo. Em seguida, chegava a Polícia Militar, mas ninguém foi preso. Kadão recorda que, na apuração da matéria, nem a loja de conveniências nem a PM pareciam se importar com o seu relato. A impressão inicial de um assalto transformou-se na suspeita de que a imagem registrava o envolvimento de um policial em um “acerto de contas”. A foto foi capa do jornal O Estado de São Paulo, entretanto, permaneceu o mistério em torno do que realmente teria ocorrido. “Um pouco Blow Up: aconteceu, mas não aconteceu”, diz Kadão, associando a imagem ao filme de Michelangelo Antonioni em que uma fotografia registra por acaso um possível crime.

Foto: Ricardo Chaves

A exposição apresenta também a cobertura do incêndio de uma loja da Renner, na avenida Otávio Rocha, em Porto Alegre. A matéria foi publicada pela revista Veja, em 1976, com uma série de fotos que mostra o desespero das pessoas que estavam no edifício no momento da tragédia. Da redação, Kadão viu a coluna de fumaça que se formava e correu até a rua para descobrir o que estava acontecendo. “Quando cheguei perto do prédio, já caía o primeiro corpo”, conta.

Foto: Ricardo Chaves

Trabalhando na sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre, Kadão registrou o incêndio da redação de Zero Hora, em 1973. “O motorista do Jornal do Brasil estava indo para casa. Passava em frente a Zero Hora quando viu o incêndio. Como na época não tinha essa barbadinha do celular, ele voltou para a redação, me apanhou e eu fiz as fotos”, conta. Depois de revelar o filme e enviar uma telefoto para o JB no Rio de Janeiro, Kadão voltou ao prédio da ZH para saber se havia feridos. Chegando lá, descobriu que os jornalistas tinham saído do prédio com segurança e estavam na redação do Jornal do Comércio, que gentilmente cedia sua redação para a concorrência. A imagem estampou a capa de ZH no dia seguinte, acompanhada da manchete “Incêndio não parou jornal”.

Foto: Ricardo Chaves

“Todos nós, fotógrafos, corremos atrás de imagens que de alguma maneira representem a época em que vivemos. Somente nós, que estamos vivendo esse período, podemos fazer um registro simbólico desses momentos”, diz Kadão. Algumas das imagens tornam-se icônicas, como é o caso das fotos de conflitos entre policiais e manifestantes contrários ao regime militar, nos anos 1970. A cobertura dos enfrentamentos, na avenida João Pessoa, em Porto Alegre, rendeu a Kadão o prêmio Abril de Fotografia de 1977. Uma das imagens dá a ver de forma bem humorada a tentativa aparentemente frustrada de controlar os protestos.

Foto: Ricardo Chaves

Nascido em 1951, Ricardo Chaves passou a consolidar o seu interesse pela fotografia em 1969, frequentando a redação de Zero Hora. Na equipe da Veja, cobriu a visita do Papa João Paulo II à Polônia, ainda governada por dirigentes comunistas, em 1979 – o retorno de Karol Wojtyla a seu país de origem foi fundamental para o movimento antissoviético Solidariedade, liderado por Lech Walesa, que mais tarde se tornaria presidente da Polônia. Ainda pela Veja, cobriu em 30 de abril de 1981 o atentado do Riocentro, no Rio de Janeiro – acontecimento que contribuiu para o enfraquecimento do regime militar no Brasil. Trabalhou ainda na revista Istoé e na Agência Estado, cobrindo importantes acontecimentos da política brasileira e do esporte. Em 1992, retornou a Porto Alegre como editor de fotografia de Zero Hora, função que ocupou por duas décadas. Desde 2011 é editor da coluna Almanaque Gaúcho, de ZH, que resgata fatos e curiosidades históricas.

Foto: Ricardo Chaves

Exposição A força do tempo, de Ricardo Chaves
Aberta até 1º de junho de 2014
Local: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre)
Visitação: segunda-feira, 14h-19h; terça a sexta-feira, 10h-19h; sábado, domingo e feriados, 12h-19h
Entrada franca

13
mai

Redescobrindo a fotografia pinhole

O Clube de Fotografia da ESPM-Sul, formado por alunos de graduação de diversos cursos da Escola, participou do Pinhole Day no dia 27 de abril. O evento internacional promove anualmente, no último domingo do mês de abril, a técnica da fotografia pinhole (do inglês “furo de alfinete”), como é mais conhecida a fotografia estenopeica. Os integrantes do grupo confeccionaram suas câmeras ao longo de uma série de encontros que culminaram na data da celebração.

A fotografia pinhole encerra em si milênios de história da relação dos homens com as imagens e consiste na confecção de uma câmera escura – um recipiente ou espaço hermético, com uma única passagem de luz, por um pequeno orifício, que forma uma imagem invertida a partir da luz exterior. A origem da técnica remonta a séculos antes de Cristo, na China, passando pela Grécia Antiga, e chegando a artistas que desde o Renascimento a utilizaram para pintar e desenhar.

“Com a câmera pinhole, vamos ao passado para entender o presente”, comenta Bernardo Santin, estagiário do Centro de Fotografia e estudante do curso de Administração da ESPM-Sul. Outra participante do Clube, Anne Mautone, formada em Administração e atualmente cursando Publicidade e Propaganda na Escola, destaca a importância do trabalho de confecção da câmera. “Agora, quando fotografo, tenho essa bagagem, entendo a partir da minha experiência os fundamentos da fotografia”, explica.

Professor Manuel da Costa, coordenador do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, apresenta a fotografia pinhole para os alunos do Clube da Foto. (Foto: Bernardo Santin)

Apresentação das técnicas de processamento químico das imagens. (Foto: Bernardo Santin)

Alunos do Clube da Foto fabricam manualmente suas câmeras pinhole. (Foto: William Moreira)

Foto: William Moreira

Foto: William Moreira

Conjunto de câmeras pinhole fabricadas pelos alunos. (Foto: Alexandra Silveira)

Autorretrato da aluna Júlia Sereno com sua câmera pinhole feita com uma lata de biscoitos. (Foto: Bernardo Santin)

Gabriel Furquim fotografando Porto Alegre do topo do prédio C da ESPM-Sul. (Foto: Bernardo Santin)

Finalização do processamento químico das fotografias. (Foto: Bernardo Santin)

Alunos compartilham e discutem seus resultados. (Foto: Bernardo Santin)

Anne Mautone avalia seus resultados. (Foto: Bernardo Santin)

Foto: Carlos Ferrari

Foto: Laura Aldana

Foto: Mariah Philippe Feijó

Foto: Moisés Augusto Rdrigues

Foto: Bernardo Santin

5
fev

Um curso com modelos fora do comum

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Na última semana rolou o último dos cursos de verão do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos. Ministrado por Ana Carolina e Manoela Trava Dutra, formadas no nosso Curso Anual de Fotografia, ele mostra na teoria e na prática as técnicas desenvolvidas pela dupla para clicar cães e gatos. Essa edição foi a primeira a contar com a ilustre presença de gatos, ou melhor, gatinhos, por serem filhotes, mas também teve cães, já tradicionais colaboradores das aulas.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Ana Carolina e Manoela são responsáveis pelo projeto Cão em Quadrinhos, que se utiliza da fotografia de animais tanto para fazer a alegria de donos corujas quanto para dar vida a iniciativas beneficentes. O projeto “Amizade não se compra”, por exemplo, fotografa animais abandonados em estúdio para ajuda-los a encontrar um novo lar. A lógica é extremamente bem-sucedida:  imagens espontâneas e profissionais, bem distantes do ar urgente que essas fotos costumam ter, valorizam os bichinhos, acelerando sua adoção. A vivência na área, dos books pagos para mascotes ao trabalho voluntário, fez não apenas com que as fotógrafas desenvolvessem técnicas – na prática, no estudo do comportamento dos cães e no aprendizado empírico, fruto da própria paixão –, mas que identificassem um mercado emergente na área, também nos setores de marketing e design. Foi esse insight que originou a criação do curso.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

Nessa edição, composta por cinco encontros, os alunos assistiram um breve histórico do trabalho da dupla, conheceram o assunto que fotografariam de forma mais profunda, tiveram dicas de iluminação e uma densa aula sobre o comportamento dos animais. Nas palavras de Ana Carolina, é necessário compreender as técnicas na teoria, mas já contando com a presença de um cachorro para entender como aplica-las. Depois, tiveram uma aula totalmente prática. Diferente do que as professoras pensavam, os gatos foram mais fáceis de fotografar do que os cães. “Mas foi bom que tivemos um cão mais difícil”, conta Ana, “pois os alunos tiveram um desafio logo de cara”. Para encerrar, ainda levaram as imagens para o computador, ministrando ensinos de Photoshop e Lightroom repletos de exercícios de tratamento.

Fotografia de Estimação: Técnicas para fotografia de animais domésticos.

31
jan

Começou o Canela Foto Workshops 2014

Começou ontem o Canela Foto Workshops – não apenas um dos eventos mais queridos no calendário do estado, mas um dos mais importantes encontros fotográficos do país. Seu objetivo, de acordo com o organizador e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Raul Krebs é fazer uma grande reunião de fotógrafos, “grandes mestres, alunos de escolas e demais envolvidos em fotografia”. Este ano, sob a temática da água (que dá nome à exposição coletiva), acontece até o dia 2 de fevereiro.

Entre exposições, workshops (confira aqui a lista completa), palestras e lançamentos, o evento de 2014 contará com nomes como Cassio Vasconcelos, Sandra Bordin, Pedro Martineli, Hans George e Ana Rodrigues, Guilherme Lund, Danilo Christidis, Roberta Borges, além dos nomes tradicionais do Canela Foto como Evandro Teixeira, Clovis Dariano, Manuel da Costa, Luiz Carlos Felizardo, Leopoldo Plentz.


Fotógrafos organizadores  e amigos do evento no encontro que discutiu as diretrizes da edição de 2014. Foto: Carlos Ferrari

Além disso, 17 fotógrafos foram selecionados para divulgar seus trabalhos na Convocatória 2014 – Fotografia em Projeção. Como já é de praxe, dentro do objetivo do festival também acontecerão ações específicas e aglutinadoras na programação como palestras, mesas redondas, almoços coletivos, jantares e happy hours.

A ideia do Canela Foto surgiu pela participação do fotógrafo gaúcho Fernando Bueno e sua esposa, a jornalista Liliana Reid, em workshops internacionais de fotografia. Ao perceberem que os cenários e as paisagens são elementos fundamentais para a prática fotográfica, souberam que a cidade de Canela, na Serra Gaúcha, oferece essa atmosfera ideal. Além disso, trata-se de uma cidade turística que proporciona uma temperatura agradável no verão, época em que o evento acontece.

As inscrições podem ser feitas no Espaço 273, Rua Tenente Manoel Correa, 273 e é possível conferir a programação completa aqui.

27
jan

Clovis Dariano e a compreensão da luz


Foto realizada pelos alunos durante o curso “Dominando a luz e criando um estilo”

Fazer com que os alunos entendam a luz. Ainda que pareça extremamente audacioso, é exatamente esse o objetivo do curso “Dominando a luz e criando um estilo”, ministrado na semana passada por Clovis Dariano. Mais do que familiarizar os estudantes com os equipamentos envolvidos na iluminação em estúdio, o objetivo primordial do curso é fazer com que consigam compreender a luz e seu poder de transformar uma cena.

O curso começou com a leitura de imagens de diversas situações, o que instiga os alunos a analisarem o papel da iluminação em cada uma delas. O material incluía diversas áreas imagéticas, o que contempla fotografias de making ofs que mostravam diversas etapas do processo até o resultado final e consagradas obras das artes plásticas. Como Dariano explica, “não se tratam de imagens contemporâneas, mas de imagens escolhidas por determinadas situações onde o controle de luz é bem explicito”. Ainda assim, ele frisou que o curso seria extremamente prático: “depois de compreendido o real sobre a luz, a teoria faz mais sentido e é entendida com mais facilidade”.

E sua bagagem nas artes plásticas foi, de fato, um elemento importante nas aulas, em especial na aula inaugural. Do Renascimento, Dariano mostrou as sutilezas da Mona Lisa, um exemplo clássico de quando a profundidade de campo entra em cena em detrimento das pinturas chapadas e de luz única, sem volume, da Idade Média. Do Barroco, Dariano destacou Velasquez como exemplo, com seus lados escuros exacerbados, sombra projetada, luzes direcionadas, iluminação lateral.

Dariano vem justamente da pintura e do desenho: a fotografia entrou na sua vida como linguagem: era uma “parceira de pincel”.  Há 40 anos na publicidade, sempre teve sua atuação profissional ligada à obra autoral, voltada às artes visuais. A questão de envolver o trabalho pessoal na atuação comercial é totalmente relacionada à criação de um estilo: as situações pessoais fazem a diferença no resultado do trabalho. “São os detalhes que criam uma assinatura”, explica, “não é apenas técnica: a bagagem cultural do fotógrafo chega ao trabalho. O pacote de informação constituído por cinema, teatro, literatura é tão importante quanto o domínio técnico”.

Dariano ministra aulas de iluminação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. O Módulo de Formação tem início em março e inscrições abertas. Confira aqui mais informações.

26
jun

Inscrições para concurso da National Geographic encerram neste domingo

A National Geographic realiza anualmente um concurso para fotógrafos profissionais e amadores que apreciam viajar. Trata-se do “National Geographic Traveler Photo Contest”, que está sua 25ª edição e tem inscrições abertas até domingo (30), às 23h59. Os interessados devem inscrever suas fotografias de viagem em todas, algumas ou apenas uma das quatro categorias: retratos de viagem, cenas ao ar livre, sensações do lugar e momentos espontâneos. A intenção é mostrar o poder e a importância que a fotografia assume durante viagens, em qualquer lugar do mundo.

O vencedor do concurso será premiado com uma viagem de dez dias com direito a acompanhante para as Ilhas Galápagos. Segundo e terceiro lugares ganham, respectivamente, um workshop de sete dias da National Geographic e seis dias num cruzeiro com acompanhante.

Acesse o site do concurso para saber mais: National Geographic Traveler Photo-Contest 2013

Veja algumas fotos concorrentes da categoria “Cenas ao ar livre”:


The power of the Criollo: disparada de cavalos crioulos fotografada no Paraná, Brasil, por Chris Schmid.

 

A Peaceful Place: leão-marinho fotografado em La Jolla Cove, San Diego, Estados Unidos, por Ralph Pace.

 

Portrait of an Eastern Screech Owl: Graham McGeorge fotografou esta coruja camuflada em uma árvore, à espera de sua próxima presa, em Okefenokee Swamp, Georgia, Estados Unidos.

 

Snowmelt in the mountains: folha de Gerânio Selvagem sob o gelo, fotografada por Adnrés Domínguez  no Parque natural “Sierra de Grazalema”, Espanha.

 

Hamersley Gorge: cena fotografada no Karijini National Park,  parque australiano localizado a 275 quilômetros ao sul de Port Hedland, por Ignacio Palacios.

 

Tormenta en el Caulle: Francisco Negroni fotografou o segundo dia de erupções do vulcão Cordon Caulle, localizado na Região dos Rios, no Chile. A erupção durou, aproximadamente, 12 meses.

 

Fénec – The soul of the desert: fennec, ou “raposa do deserto”, uma espécie em extinção que habita o deserto do Saara e da Arábia, foi fotografada no Marrocos por Francisco Mingorance.

 

One Mothers Love: o afeto de uma mãe chimpanzé pelo seu filho, no zoológico de Jacksonville, Califórnia, Estados Unidos, captado pelas lentes de Graham McGeorge. 

17
abr

Canela Photo Workshops 2013 aproxima estudantes e mestres da fotografia

Alunos do Centro de Fotografia ESPM-Sul. Foto: Schari Kozak.


A bela e fria cidade de Canela, na Serra Gaúcha, foi contagiada pela movimentação em torno do Canela Photo Workshops, festival que realizou a sua 11ª edição entre 10 e 14 de abril. Mais de 400 pessoas circularam pelas exposições, palestras e cursos promovidos com grandes nomes da fotografia no Brasil. Foi, sobretudo, uma oportunidade de aproximação entre estudantes e veteranos da área, que puderam aproveitar o ambiente informal do CFW para trocar ideias. Os alunos do Centro de Fotografia ESPM-Sul ainda reservaram um tempo para explorar a cidade e fazerem suas próprias fotos. No final deste post, eles dão outras visões do evento.

Foto: Schari Kozak.


Foto: Rodrigo Baleia.

O fotógrafo Raul Krebs, um dos organizadores, reforça que o Canela Photo Workshops vai além de oficinas, palestras, leituras de portfólios, mesas-redondas. É nos momentos de descontração que o principal objetivo do evento se concretiza: “Mantivemos o carater informal que sempre existiu nas edições do CFW e conseguimos realizar um encontro para discussão de ideias”, conta Krebs. Ele também percebe que, ano a ano, o público do festival começa a ser consolidado: “São fotógrafos, em sua maioria, com as mais diversas experiências e áreas de atuacão. Mas temos a presença de cineastas, escritores, artistas e produtores culturais. Além dos estudantes, claro. Mas o CFW acaba envolvendo toda a comunidade canelense.”

Foto: Rodrigo Baleia.

Evandro Teixeira, Orlando Britto, Claudio Edinger e Fernando Bueno. Foto: Rodrigo Baleia.

A edição de 2013 do festival trouxe várias atrações inéditas, como os projetos irreverentes da dupla Hans Georg e Ana Rodrigues (Foto120, Stendal, Escambo), a oficina de fotografia subaquática, e o Leilão Virtual de duas fotografias vintage através de duas galerias (Galeria da Gávea/RJ e Bolsa de Arte/POA) - que vai até o dia 24/4. A organização trouxe de volta as atividades que fizeram sucesso em 2012 como o dia de palestras, a cobertura fotográfica feita por Rodrigo Baleia, da National Geographic, e uma exposição no famoso Palácio das Hortênsias.

Outra grande novidade foi a montagem das exposições de Raul Krebs e Leopoldo Plentz nas Ruínas do Cassino, local destinado a abrigar o futuro Instituto Canela de Fotografia e Artes Visuais – Casa da Fotografia Brasileira. Aliás, o instituto acaba de ganhar um presidente: Eduardo Bueno (Peninha) foi empossado durante o evento.

Foto: Rodrigo Baleia.

Eduardo "Peninha" Bueno. Foto: Rodrigo Baleia.

Entre os diversos palestrantes que estão no mercado há muito tempo, o nome de Eduardo Biermann chamou a atenção, pois o ex-aluno e ex-funcionário do Centro de Fotografia da ESPM de apenas 23 anos falou do ponto de vista de quem acaba de entrar no mercado e já é considerado uma das promessas da sua geração. Biermann apresentou um conjunto de fotografias de shows de rock e relatou a experiência de vencer um concurso e trabalhar com a marca Nike. Outra ex-aluna, a fotógrafa Roberta Borges, ministrou uma das oficinas mais inusitadas do evento: “Fotografando com caixa estanque”, com prática de fotografia embaixo d’água. Na exposição 12 Fotógrafos ainda foi possível conferir o talento de quatro fotógrafos formados pelo Centro de Fotografia ESPM-Sul: Gabriela MO, Marcelo Donadussi, Lucia Simon e Alexandre Raupp.

Krebs aponta a programação de sábado (13/04) como o ponto alto do evento. Neste dia, os participantes puderam se familiarizar com os trabalhos de alguns dos maiores nomes da fotografia, além de aprender com entidades e profissionais da imagem técnica, entre eles: Rui Faquini, Rodrigo Baleia, Angela Magalhaes, Fernanda Chemale, Rogerio Reis, Evandro Teixeira, Fernando Bueno, Orlando Britto, Marga Pasquali, Leopoldo Plentz, Isabel Amado, Mayra Rodrigues, Delfim Martins, Eduardo Bueno, Hamdam e, finalmente, Claudio Edinger, o palestrante master.

Fernando Bueno e Eduardo Biermann. Foto: Schari Kozak.

Eduardo Biermann. Foto: Schari Kozak.

Neste dia, vários alunos atuais do Centro de Fotografia foram até Canela. A seguir, eles tomam a palavra para comentar o evento:

“Eu achei bem interessante as dicas do banco de imagens, eles não aceitam qualquer coisa”, afirma Renan Reloken Stein relembrando a palestra que reuniu Delfim Martins e Mayra Rodrigues para falar do mercado de fotografia, os direitos autorais e a comercialização de fotografias em banco de imagens.

Claudio Edinger e Peninha. Foto: Rodrigo Baleia.

Claudio Edinger e Peninha. Foto: Eduardo Biermann.

A arquiteta Wu Day Yi, também aluna do Curso Avançado se impressionou especialmente com a palestra “Mulheres Caiapós”, de Rui Faquini: “Ele realizou um projeto de capacitação em que ele ensinava índias a lidarem com máquinas fotográficas e registrarem o seu cotidiano. Na mão delas a máquina não era algo invasivo e as têm algumas fotos lindas!”

“Gostei muito do trabalho da Fernanda Chemale que eu ouvia falar, mas não conhecia”, comenta o aluno Luiz Heitor Marini. Ele apreciou, principalmente, o ambiente social do evento e a hospitalidade da cidade: “Eu gostei de estar ali, encontrei amigos, fotógrafos das antigas, pessoas bem entusiasmadas. E senti uma grande simpatia nas pessoas da cidade. Quando eu ia pedir informações, elas já identificavam que eu estava participando do Festival pelo crachá e me tratavam muito bem”.

8
abr

Uma seleção dos melhores do Smithsonian Magazine Photo Contest

A décima edição do concurso anual de fotografia da Smithsonian Magazine coletou imagens incríveis de 112 países ao redor do mundo. A competição atraiu mais de 37 mil inscrições de fotógrafos. Até o final de abril, os editores da revista anunciam o vencedor do Grand Prize e os ganhadores nas cinco categorias do concurso: Mundo Natural, Americana, Pessoas, Viagem e Imagens Alteradas. Os leitores da revista também escolhem seus preferidos. Enquanto isso não acontece, a equipe do Centro de Fotografia da ESPM-RS toma à dianteira e destaca seus favoritos entre os 50 finalistas que estão na briga pelo prêmio:

Um observador diante de um eclipse solar em Albuquerque, no Novo México - 20 de maio de 2012. Foto: Colleen Pinski (Peyton, Colorado, EUA).

Músicos chegando na praça de touros de Quito, no Equador - outubro de 2011. Foto: Raul Amaru Linares (Bogotá, Colombia).

Um homem vestido de maçã em um set no deserto texano, perto de Dallas - maio de 2010. Foto: Ron Hendersen (Dallas, Texas, EUA).

 

Ao amanhecer, o fotógrafo James Khoo aproveitou o contraste entre a neblina azulada e as lanternas vermelhas das barcas que navegam no Rio Xiaodong, no Vietnã - agosto de 2010. Foto: James Khoo (Shah Alam, Malásia).

Quatro membros da tribo Yucuna vestidos para o Baile del Muñeco, no Rio Caqueta, Amazonas, Colombia - março de 2012. Foto: Piers Calvert (West Sussex, Inglaterra).

A Via Láctea abre caminho por trás do monte Rainier, em Sunrise Point, no Mount Rainier National Park, Washington - outubro de 2012. Foto: David Morrow (Everett, Washington).

Um pássaro canta e bate as asas na tentativa de atrair a atenção dos pais para ganhar comida Sarawak, Borneo, na Malásia - novembro de 2010. Foto: Bjorn Olesen (Cingapura).

Formigas empregam toda a sua força para carregar sementes que o próprio fotógrafo colocou sobre este ramo em Bekasi, West Java, na Indonésia - abril de 2012. Foto: Eko Adiyanto (Bekasi, Indonésia).

O flagrante de uma lagarta em uma pose surpreendente na floresta Duke, na Carolina do Norte, EUA - setembro de 2011. Foto: Colin Hutton (Durham, North Carolina, EUA).

 

Um par de águias compartilha a carcaça de um animal no parque Reelfoot Lake State Park, no estado do Tennessee, EUA - janeiro de 2012. Foto: Don Holland (Dyer, Tennessee).

5
abr

Canela Foto Workshops tem início no dia 10 de abril

Na semana que vem, mais precisamente de 10 a 14 de abril, o Rio Grande do Sul sedia um dos mais importantes encontros fotográficos do país, o Canela Foto Workshops. Com 11 anos de história, o evento reúne tradicionalmente grandes nomes nacionais e internacionais do setor, permitindo que profissionais e amadores convivam, instruam-se e divirtam-se em um cenário ideal para o aprendizado e a prática fotográfica. Como de praxe, diversos professores e ex-alunos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul já tem sua presença confirmada, entre eles Manuel da Costa, Clóvis Dariano, Guilherme Lund, Leopoldo Plentz , Raul Krebs, Ricardo Kadão Chaves, Zé Paiva, Eliane Heuser e Carlos Heuser.

Fotógrafos, empresários e profissionais da imagem, além de professores e alunos universitários de todo o país farão parte das dezenas de atividades que vão tomar conta da cidade durante quatro dias. Dez workshops, sediados na Casa de Pedra e nos hotéis Continental e Klein Ville, estão confirmados na agenda. Vale destacar “Trabalho Autoral e Produção de Livros Fotográficos”, com Cláudio Edinger e aqueles ministrados por professores da ESPM-Sul: “Fotografia em Estúdio”, com Clóvis Dariano; “Cultura Fotográfica – Da Prata ao Pixel”, com Leopoldo Plentz; “Iluminação com Flash Portátil”, com Guilherme Lund; “Fotografia da Natureza”, com Zé Paiva. Além disso, o casal de alunos formados pelo Centro, Eliane e Carlos Heuser, ministrará “Construindo narrativas através da Fotografia”. A artista plástica Isabella Carnevalle, que também já passou pelas salas da ESPM-Sul como professora, dará seu workshop de Cianotipia, “Blue Print”.

A programação também inclui uma série de palestras, além de duas mesas redondas imperdíveis, que contarão com nomes como Evandro Teixeira, Luiz Carlos Felizardo, Orlando Britto, Ricardo Chaves e Eduardo Bueno. No time que integra as mostras expositivas está Raul Krebs, com “Lindas de Morrer”, Leopoldo Plentz com “Aparados da Serra” e José Paiva com “Tocantins”, apenas para citar alguns exemplos. Além dessas, outras exposições e trabalhadores estarão distribuídos em locais estratégicos de Canela com o propósito declarado de “vestir a cidade com fotografias”.

De acordo com os organizadores do evento, o fotógrafo Fernando Bueno e a jornalista e produtora Liliana Reid, o CFW começou a ser desenhado a partir de encontros semelhantes em lugares como Carmel e Santa Barbara na Califórnia, Rockport no Maine, Santa Fé no Novo México, Harles na França e Toscana na Itália – locais que tem em comum a beleza de suas paisagens, como Canela. Localizada nos Campos de Cina da Serra, a cidade gaúcha é privilegiada pelo clima, a natureza, a variedade de luzes e a forte vocação turística, o que motivou a criação do projeto, em 2002. Desde 2012, os colaboradores trabalham, também, para a criação do Instituto de Fotografia e Artes Visuais de Canela nas ruínas do antigo casino, como já contamos aqui.

As inscrições podem ser feitas neste link.

27
fev

Destaques entre os finalistas do Sony World Photography Awards

Idealizado pela World Photography Organisation, a Sony World Photography Awards é uma competição anual que celebra fotógrafos amadores e profissionais do mundo inteiro. Recentemente, ela anunciou sua lista de finalistas – e pelo grande número de concorrentes, eles já podem, sim, serem considerados vencedores. Com cerca de 120 mil inscrições de fotógrafos de mais de 170 países, as fotos são avaliadas e julgadas em seis diferentes categorias, o que inclui Professional, Open e Student Focus. O anúncio dos grandes vitoriosos será feito em março e abril. Confira as imagens que destacamos entre as pré-selecionadas:

A imagem de um cão da raça Greyhound na reta final de uma corrida foi feita por Rob Van Thienen, na Bélgica. O fotógrafo conta que teve que correr para salvar sua vida após fazer o clique. Foto: Rob Van Thienen.

Retrato assinado pelo iraniano Ali Asadi. Foto: Ali Asadi.

"Bem-vindo ao mundo da aranha". Assim o fotógrafo Krasimir Matarov, da Bulgária, define seu clique. Foto: Krasimir Matarov.

Intitulada "Tradition", a imagem acima foi feita por Reza Nezamdust no Irã. Foto: Reza Nezamdust.

Petar Salbol, da Croácia, flagrou duas borboletas em cima de uma planta, a espera da luz do sol. Foto: Petar Salbol.

Quem sofre de demência, bem como os familiares e amigos dos que possuem a doença, são afetados em níveis pessoais, emocionais, financeiros e sociais. A imagem do italiano Fausto Podavini retrata um pedaço da melancólica rotina de Mirella, 71 anos, que dedica seus últimos anos de vida a cuidar do marido enfermo. Foto: Fausto Podavini.

Um retorno às paisagens da infância. É essa a proposta de imagem do romeno Hadju Tamas, feita em um trem de Bucareste a Baia Mare em uma manhã de nevoeiro. Foto: Hadju Tamas.

Foto assinada pelo russo Ilya Pitalev feita durante a celebração do 100º aniversário do fundador da Coreia do Norte, Kim II Sung, em Pyongyang. Foto: Ilya Pitalev.

"Eu estava passeando por Jaipur quando percebi uma nuvem de pássaros no ar e instintivamente disparei o obturador. A alma de Alfred Hitchcock mora lá, eu acho", descreveu o fotógrafo polonês Maciej Makowski. Foto: Maciej Makowski.

22
jan

Cursos de verão: Iluminação Profissional com Flash Portátil

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Com o objetivo de capacitar profissionais, estudantes e demais interessados em fotografia digital que estão em busca de aprimoramento e tratamento, o curso Iluminação Profissional com Flash Portátil tem início na próxima segunda-feira, 28 de janeiro, e ainda tem vagas disponíveis. Ministrado por Guilherme Lund, responsável por aulas de flash e iluminação no Centro de Fotografia da ESPM-Sul, o curso de verão tem como objetivo familiarizar os alunos às técnicas e aos procedimentos de iluminação com unidades de flash portátil tanto para fins de expressão pessoal quanto profissionais.

Foto: Henrique Wallau.

Em quatro encontros, a metodologia será direta e eficiente: apresentação dos recursos do flash portátil, demonstrações dos processos de iluminação e exercícios práticos executados pelos alunos. Para isso, Lund abordará questões que estão em jogo na prática, no dia a dia do fotógrafo, como os atributos da luz: a direção (superior, inferior, lateral…), a cor (quente ou fria), a intensidade e a qualidade (dura ou difusa). Além disso, o grupo deverá se tornar íntimo, na teoria e na prática, da parafernália envolvida no processo – que vai além do flash, incluindo outros acessórios e suportes.

Foto: Henrique Wallau.

A tecnologia utilizada é determinante para o sucesso das aulas: para que todos consigam ver as funcionalidades do flash portátil, uma câmera é conectada e uma tela exibe o que está sendo feito em tempo real enquanto o professor explica, já que os botões são pequenos e não seriam vistos com facilidade por toda a turma. Vale ressaltar, também, que a demonstração prática incluirá retrato em estúdio e locação.

O curso acontece de segunda (28) a quinta-feira (31) das 19h às 22h30. O programa completo pode ser conferido aqui e as inscrições são feitas neste link.

20
ago

6ª edição do FestFotoPoa começa amanhã

Amanhã, dia 21 de agosto, terá início a 6ª edição de um dos mais importantes eventos do calendário fotográfico do Estado: o Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, mais conhecido como FestFoto. A pauta desse ano do evento é “A Experiência Coletiva” e pretende debater movimentos importantes dos campos da pintura, música, cinema, literatura, teatro que se consolidaram através dessas experiências em grupo, fazendo a história da arte no século 20 se fundir com a própria história da humanidade. A fotografia, pensada dentro desse contexto, frequenta todos os campos da arte e da documentação social, sempre como uma prática democrática. Afinal, está presente tanto nos salões da grande arte quanto na intimidade familiar, percorrendo as mais diversas formas de experiência coletiva.

Fotógrafa homenageada: Nair Benedicto

Nair Benedicto. Foto: Gustavo Tissot.

O fotógrafo homenageado da edição deste ano é Nair Benedicto, que tem sua produção voltada para temáticas sociais, especialmente as que envolvem crianças, mulheres, populações indígenas e ecologia. Jornalista formada em Comunicações pela USP, participou de várias exposições nacionais e internacionais como fotógrafa e editora e teve seu trabalho publicado em jornais e revistas brasileiras e estrangeiras.

Mulheres do Sisal Bahia. Foto: Nair Benedicto.

Foto: Nair Benedicto.

Tem fotos integrando os acervos do MOMA – Museu de Arte Moderna de Nova York, do SMITHSONIAN de Washington, do MAM-Museu de Arte Moderna em São Paulo e no Rio de Janeiro, do Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo, e da coleção Pirelli-MASP. Além disso, é uma das fundadoras da Agência F.4 e do Nafoto-Núcleo dos Amigos da Fotografia, cuja atuação permitiu a abertura de museus importantes, como o Masp. O evento começará com a abertura de sua exposição.

Convidado Internacional: Josef Koudelka

Retrato de Josef Koudelka.

Em 1968, o tcheco Josef Koudelka, na época com 30 anos, não tinha experiência com fotojornalismo, clicando peças de teatro e a vida de famílias ciganas de forma despretensiosa. Foi em 21 de agosto que sua vida passou por uma mudança radical, bem como a de seu pais. Naquela noite, que amanhã completa 44 anos, os tanques do Pacto de Varsóvia invadiram Praga, encerrando o curto período de liberdade política da Tchecoslováquia. No meio do caos representado pela invasão soviética, Koudelka foi para as ruas com sua câmera e acabou entrando na história por documentar historicamente a Primavera de Praga.

Primavera em Praga. Foto: Josef Koudelka.

Primavera em Praga. Foto: Josef Koudelka.

A data de abertura de sua exposição é 6 de novembro, às 19h. Com apoio da Fundação Aperture e da Magnum Photos.

O evento ainda contará com oficinas, seminários, palestras, lançamentos e etc. Confira a programação completa, que ainda está em construção, no site oficial.

16
ago

“Maddie on things”, por Theron Humphrey

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

Ao percorrer os Estados Unidos para um ambicioso projeto fotográfico, o fotógrafo Theron Humphrey deu início a outra inciativa autoral, paralela e bem mais despretensiosa. “Maddie on things” (algo como “Maddie nas coisas”) mostra sua fotogênica parceira de viagem, a cadela Maddie, da raça Coonhound, posando em cima de lugares estranhos e incomuns. Ao conferí-la equilibrando-se entre carrinhos de supermercado, no topo de uma grande pilha de malas coloridas ou embaixo da ponte Golden Gate, lembramos imediatamente do artista William Wegman. Fotógrafo, pintor e cineasta, tem as séries fotográficas com cães da raça Weimaraner como seu trabalho mais conhecido.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

Wegman fotografava seus cães, em especial o primeiro deles, Man Ray, em poses que pareciam dirigidas — bem como as imagens que Humprey faz de sua Maddie. A ideia surgiu justamente da predileção natural da cachorrinha por escalar lugares difíceis e se apoiar em estruturas improváveis. Nas palavras do autor, a ideia pode ser definida divertidamente como “um projeto supersério sobre cachorros e física”.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

A iniciativa começou quando Humphrey decidiu visitar todos os 50 estados dos Estados Unidos durante o período de um ano. Intitulado “This Wild Idea” (“esta ideia selvagem”, em livre tradução), o projeto tinha como objetivo contar histórias através de fotografias, e em cada um dos 365 de viagem ele conversaria com um personagem americano diferente. Com a ferramenta de financiamento colaborativo Kickstarter, Humphrey conseguiu verba para dar início a jornada, tendo Maddie como sua fiel companheira. Para ele, trata-se de uma maneira de utilizar a fotografia para celebrar a vida cotidiana.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

Nascido e criado no Sul dos Estados Unidos, Humphrey estudou nas Appalachian Mountains, onde começou a fotografar de forma autodidata. Apaixonado pelas possibilidades que atividade o traria se adotada como profissão, formou-se no Savannah College of Art and Design e começou a trabalhar com fotografia comercial em estúdio até, um belo dia, sentir que deveria clicar outros assuntos e com outros propósitos — e aí nasceu “This Wild Idea”. Ao todo, foram mais de 63 milhas percorridas e quase 100 mil imagens.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

As fotografias que compõem o projeto estão disponíveis no site oficial, mas mesmo com inúmeros acessos e com mais de seis mil fãs no Facebook, foram as fotografias de sua cachorra que fizeram mais sucesso, protagonizando postagens em blogs e matérias sites do mundo inteiro. Semelhanças com a popularidade das imagens dos cães de William Wegman na época em que foram feitas não são mera coincidência.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

"Maddie on things". Foto: Theron Humphrey.

 

23
jul

Gregory Crewdson: fotografias com produção de cinema

Retrato de Gregory Crewdson.

A produção por trás de cada fotografia do americano Gregory Crewdson é tão extensa que é frequentemente comparada à de um filme. Com a ajuda de uma equipe de profissionais que inclui cenógrafo, produtor, diretor de elenco e diretor de locação, entre muitos outros, ele constrói sets cujo objetivo não é filmar, mas, depois de meses de trabalho, produzir apenas uma imagem. Em 2012, a conexão de Crewdson com a sétima arte se tornou ainda mais próxima com o lançamento do documentário “Gregory Crewdson: Brief Encounters”. Nele, o diretor Ben Shapiro mostra os bastidores da épica série de fotografias “Beneath the Roses”, produzida entre 2002 e 2008.

Foto: Gregory Crewdson.

Foto: Gregory Crewdson.

Muitas fotos de Crewdson, impressas em grande escala, mostram o lado oposto do “sonho americano”. Criadas em pequenas cidades dos Estados Unidos, elas possuem um tom surreal e misterioso. É fácil perceber que há algo errado nas cenas, mas bem complicado tentar descrevê-lo. Algumas tentativas recorrem a palavras como solidão, alienação, inquietação, desamparo, vazio. O certo é que tudo que vemos é irreal, a ação dos personagens foi coreografada e cada detalhe do cenário foi pensado para depois ser capturado com precisão por uma câmera de grande formato e inclusive submetido à pós-produção.

Untitled (The Father). Foto: Gregory Crewdson.

Untitled (The Mother). Foto: Gregory Crewdson.

Na série de fotos “Twilight”, todos os elementos também são planejados meticulosamente, mas a luz é a verdadeira protagonista. Essas imagens aproveitam a luminosidade do crepúsculo ou recriam ela artificialmente. Em algumas situações, chuva ou gelo seco foram usados para completar a atmosfera da foto.

Foto: Gregory Crewdson.

Untitled (Blind Reflection). Foto: Gregory Crewdson.

Crewdson tem duas maneiras bem diferentes de trabalhar. Às vezes, constrói seus cenários em estúdio, como na fotografia Untitled (birth), que foi precedida por meses de planejamento e dezenas de rascunhos. Para concebê-la, a equipe de Crewdson construiu ou transportou todos os elementos para dentro do set, desde o pequeno quarto onde a cena acontece até a neve falsa e o carro que aparece bem discretamente no canto esquerdo.

Untitled (Birth). Foto: Gregory Crewdson.

Foto: Gregory Crewdson.

Outras vezes, seu processo criativo começa com a exploração de cidadezinhas ou subúrbios americanos, por onde ele vaga sozinho em busca de locações potenciais para suas fotos. Ao encontrar um lugar, ele convoca a sua equipe – que pode chegar a 60 pessoas. Enquanto Crewdson concebe o futuro tema da fotografia, seus colaboradores se dedicam a conseguir permissões com moradores e autoridades da região, planejar a logística necessária para trazer dezenas de equipamentos, entre muitas outras atividades. Untitled (Oak Street) é um exemplo de fotografia produzida assim.

Untitled (Oak Street). Foto: Gregory Crewdson.

Untitled (Shane). Foto: Gregory Crewdson.

Mais sobre o artista: Gregory Crewdson nasceu em 1963, no Brooklyn, em Nova Iorque. Ele ganhou fama nos anos 1980 como membro da banda The Speedies, cujo principal single, ironicamente, chamava-se “Let me take your Photo”. Ele estudou fotografia em SUNY Purchase e completou um mestrado em artes na Yale University, onde atualmente integra o quadro de professores. Entre as suas influências, Crewdson cita o trabalho da fotógrafa Diane Arbus, a pintura de Edward Hopper, e filmes dirigidos por Alfred Hitchcock, David Lynch e Steven Spielberg.

Foto: Gregory Crewdson.

Foto: Gregory Crewdson.

25
jun

Google Street View Edition por Aaron Hobson

Foto: Susan Sabo - Retrato de Aaron Hobson

Criado em 2007, época em que contemplava apenas algumas cidades norte-americanas, o Google Street View disponibiliza vistas panorâmicas de diversos lugares do mundo. As imagens são coletadas por veículos, exceto em ruas estreitas e lugares que não podem ser acessados por carros, nos quais a empresa utiliza bicicletas. Por serem captadas do nível do solo, é possível navegar pelos locais clicados como quem caminha pelas ruas, de diversos ângulos e em qualquer direção. Em uma época em que a tecnologia é cada vez mais presente na produção artística, esse recurso foi utilizado pelo fotógrafo Aaron Hobson em um controverso e inusitado projeto fotográfico, batizado por ele de Google Street View Edition.

Foto: Aaron Hobson - Winnebago in disguise on Sanday Island in the North Sea, Scotland.

Foto: Aaron Hobson - There is a shitstorm brewing above the dirt roads of Pawtella, Tasmania.

Quando foi chamado para produzir um filme em Los Angeles, cidade com a qual era pouco familiar, decidiu usar o site para conhecer as locações. Encantado com a eficiência da ferramenta, acabou apaixonado, também, pela forma como as imagens eram feitas, por seu imprevisível e muitas vezes melancólico resultado. Hobson tem uma predileção por fotografias panorâmicas e logo começou a explorar outros lugares do mundo, maravilhado com a possibilidade de viagem virtual. Quanto mais encontrava semelhanças com sua terra em lugares remotos, mais empenhado ficava em explorar outros, selecionando aqueles que mais combinavam com seu apelo estético e narrativo, normalmente de regiões distantes das grandes sociedades. O projeto, constantemente atualizado, contempla mais de três anos de coleta.

Foto: Aaron Hobson - Okinawa Prefecture, Japan.

Foto: Aaron Hobson - Prejmer, Romania

Depois de selecionadas, as imagens são ampliadas e corrigidas — algumas passam por montagens por contemplarem cliques de mais um ângulo. Hobson ajusta o contraste, a luz e as sombras e ocasionalmente dá um tom mais pastel e etéreo às cores. Para ele, trata-se de uma forma de transformar as imagens do Google em imagens suas, de dar sua identidade à produção. Em sua defesa a possíveis questionamentos sobre essa apropriação, tem um retorno positivo da empresa e possui os direitos sobre as imagens. Entre os lugares contemplados estão países como Espanha, França, Japão, Itália e Brasil — o que inclui um clique da cidade rio-grandense de Bagé.

Foto: Aaron Hobson – A choo choo running underneath street view in Bagé, Brazil.

Foto: Aaron Hobson - São João, Brazil.

Hobson cresceu em uma vizinhança pobre em Pittsburg, na Pensilvânia, e descobriu a fotografia como um meio de lidar com seus pensamentos e sentimentos. Hoje, vive no campo, em uma das regiões menos habitadas dos Estados Unidos. Suas imagens são marcadas por uma aura cinematográfica, contam histórias, tem uma narrativa — daí o nome de seu site, “The Cinemascapist”. Elas tornaram-se conhecidas primeiramente na internet, passando posteriormente a figurar em galerias de lugares como Nova Iorque, Londres e Los Angeles. Em 2008, recebeu mensão honrosa no International Photography Awards e em 2009 venceu o Prix de la Photographie de Paris.

Foto: Aaron Hobson - Google Street View car self-portrait #2, Taiwan.

Foto: Aaron Hobson - Saint-Nicolas-de-la-Grave, France.

30
mai

“Animal Masses”, por Ingo Arndt

Retrato de Ingo Arndt.

Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a preservação das espécies, o fotógrafo alemão Ingo Arndt criou o projeto Animal Masses, que reúne imagens de enormes grupos de animais. Borboletas unidas para beber água no México, caranguejos vermelhos em uma ilha australiana, flamingos se alimentando no Quênia e grandes grupos de morcegos e algas são alguns dos coletivos contemplados.

O fotógrafo conta que as espécies se reúnem por diferentes motivos. Enquanto algumas só existem em aglomerações, formando superorganismos, outras juntam-se para reproduzir, migrar, habitar novos ambientes ou sobreviver ao inverno. Para fazer as imagens foram necessários quatro anos de pesquisa e viagens, muitas delas duravam semanas ou meses.

Ingo nasceu em 1968, em Frankfurt, e desde a infância é apaixonado por natureza. Quando percebeu que a fotografia era uma ferramenta útil para sua preservação, profissionalizou-se e passou a trabalhar como um fotógrafo freelancer de vida selvagem, retratando sempre os animais em seus habitats. Com suas imagens, busca estimular as pessoas a cuidarem do meio-ambente.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

25
mai

“Meu coração está nos livros que faço” James Mollison

James Mollison Portrait

James Mollison é um dos fotógrafos que encontra no trabalho comercial a verba necessária para executar seus projetos autorais. Queniano e criado na Inglaterra, vive há mais de 10 anos em Veneza, na Itália, onde foi morar em 1998 para trabalhar no laboratório de criatividade da Benetton. Suas imagens foram amplamente publicadas em veículos como The New York Times, The Guardian, The New Yorker e Le Monde.

Nascido em 1973, Mollison estudou Arte e Design na Universidade de Oxford e Cinema e Fotografia na Newport School of Art and Design. Mesmo confiante na qualidade de sua formação, o fotógrafo conta que nos primeiros anos de atuação não se sentia satisfeito com nada que criava, o que mudou quando começou a explorar com mais afinco o uso de cores e a viajar a lugares interessantes à trabalho.

Mollison conta que ao perceber que os projetos que mais o realizavam eram os seus próprios — e que tentar convencer os editores a concretizar suas ideias era geralmente uma luta vã — decidiu fazer seus ensaios de forma autônoma. O primeiro deles, James and other Apes (2004), clicado em 2003, mostra uma série de close ups de macacos. A inspiração foi o insight de que costumamos pensar em cada espécie animal de forma genérica, não como seres com características particulares individuais. Os retratos macro revelam detalhes da expressão de cada um dos gorilas, chimpanzés, orangotangos, entre outros.

Foto: James Mollison.

Foto: James Mollison.

Foto: James Mollison.

O mais jornalístico de seus trabalhos é The Memory of Pablo Escobar (2007), que exigiu intensa pesquisa e inúmeras entrevistas. Com centenas de imagens e alguns depoimentos, o livro conta a história da mais rica e violenta gangue da Colombia. Sua obra seguinte, The Disciples (2008), deu origem a sua primeira exposição individual, sediada na Hasted Hunt Gallery, em Nova Iorque. O objetivo da obra era mostrar a maneira como diversos grupos utilizam celebridades para formar sua própria identidade. Para isso, Mollison frequentou shows de diferentes artistas ao longo de três anos e reuniu fotos de seus mais dedicados fãs. A imagem preferida do autor foi feita em uma apresentação de Rod Stewart em Manchester, em 2005, que mostra lado a lado vários sósias do cantor.

Rod Stewart. Foto: James Mollison.

Madonna. Foto: James Mollison.

Oasis. Foto: James Mollison.

Em 2011 um de seus ensaios se espalhou como um viral pela internet. Com direitos infantis como pauta, mas total liberdade de criação, Mollison se viu pensando sobre a importância que o local onde dormia desempenhou durante os primeiros anos de sua vida. Com essa ideia em mente, viajou ao redor do mundo para retratar 26 crianças e seus respectivos quartos. O resultado foi Where Children Sleep (2010), que possui páginas duplas com imagens dos personagens em um fundo neutro e, do outro lado, o lugar onde dormem, reflexo de seus sonhos, rotinas e condições econômicas. Mesmo que não tenha sido seu mote principal, é impossível não sentir desconforto ao perceber o contraste entre a realidade de cada uma delas. O livro contém um mapa que mostra todos os países contemplados — o que inclui Brasil, representado pela carioca Thais, na época com 11 anos.

Indira, sete anos, de Kathmandu, Nepal. Foto: James Mollison.

Ahkôhxet, oito anos, mora na Bacia do Amazonas, Brasil. Foto: James Mollison.

Natio, quinze anos, Quênia. Foto: James Mollison.

Kaya, quatro anos, Tóquio, Japão. Foto: James Mollison.

Em 2009, voltou a seu país de nascimento para fotografar a imensa variedade de pessoas que está no campo de refugiados Dadaab, localizada na fronteira do Quênia com a Somália. O trabalho comercial segue sendo o meio de financiamento de seus projetos autorais. Ele assume que, de certa forma, mescla sua base em fotografia documental com a plasticidade de seus trabalhos editoriais quando constrói seus livros. Entre os assuntos mais frequentes estão retratos de celebridades, editoriais de moda e campanhas. “Às vezes fazemos pautas ótimas, mas muitas são feitas apenas para que eu possa concretizar meus outros projetos”, conta.

16
mai

Galeria Lunara recebe TRAUM: Fotografias de Raul Krebs

Temos uma boa notícia para quem aprecia o eclético trabalho de Raul Krebs, professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul conhecido por atuar em diversas áreas e mercados, sempre com diferentes linguagens e estéticas fotográficas. Sábado, 19 de maio, será inaugurada sua exposição TRAUM, e em um dos lugares que Raul mais gosta de expôr: a Galeria Lunara, na Usina do Gasômetro. Por se tratar de um ambiente escuro, costuma receber bem certas imagens de Raul — e combinou de forma especial com as que fazem parte da mostra em questão.

Foto: Raul Krebs.

Foto: Raul Krebs.

TRAUM reúne 11 fotografias de diferentes séries do fotógrafo, em uma seleção a quatro mãos feita por ele e pelo curador, Bernardo de Souza. Chamado por Bernardo no ano passado para expôr no espaço, Raul retribuiu o convite oferecendo a ele a curadoria. Levou a Bernardo todos os seus projetos pessoais, mesmo os inacabados, impressos em cópias pequenas, 20 x 25cm. Depois de alguns dias, recebeu uma seleção que mesclava imagens de vários deles, em um raciocínio estético que Raul não tinha imaginado até então. “Primeiro estranhei e curti ao mesmo tempo. Depois de ver e rever as fotos por alguns dias, terminei gostando demais”, relembra. A atmosfera em TRAUM remete às narrativas de sonhos, não lineares e fragmentadas. Tratam-se de histórias escondidas, subjetivas e nem sempre perceptíveis à primeira vista.

Raul conta que seu objetivo era justamente ter um olhar de Bernardo sobre o seu trabalho, tanto pela admiração pela atuação do curador em Porto Alegre quanto pelo que poderia surgir dessa troca. “No nosso último encontro ele comentou que as fotografias tinham uma narrativa, na visão dele, de sonho – fragmentos, pequenas histórias. Achei um conceito bacana, fiquei entusiasmado”. O título surgiu de uma conversa de Raul com sua esposa, a designer e artista Tatiana Sperhacke, que assina o convite da exposição. “‘Traum’, em alemão, significa sonho e é parecido com trauma, uma palavra que conversa bem com várias das imagens que serão expostas”.

Retrato de Raul Krebs. Foto: Juliano Araujo

Entre as fotos estão três das 20 inéditas que compõem a série Máscaras, sobre a qual já falamos aqui. Entre os outros ensaios que tiveram imagens contempladas estão FOREPLAY, CINDY e POLAPIN. Alguns deles ainda não concluídos, como BLACK SERIES. Aos que se interessam pelas técnicas utilizadas, vale ressaltar que TRAUM possui imagens em polaroid pinhole, fotografia digital de pequeno e médio formato e fotografias em filme preto e branco (depois digitalizado).

Exposição Traum, por Raul Krebs.


7
mai

Arquivo Municipal de Nova Iorque disponibiliza mais de 800 mil imagens históricas

A luz solar invade a sala principal do Grand New York Central Terminal.

O Arquivo Municipal de Nova Iorque disponibilizou em seu site 870 mil fotografias da cidade, selecionadas entre as 2,2 milhões que constam em seu acervo completo. Na estreia, os acessos foram tão grandes que a página chegou a sair do ar por algumas horas. Entre as imagens históricas, muitas feitas há mais de um século, estão registros cotidianos, aéreos, jornalísticos e outros – como os da categoria “Case Files”, onde se encontram imagens de crimes registradas pela polícia. Além das fotografias, o Arquivo também tornou públicos mapas, vídeos, áudios e documentos. É possível navegar pelas coleções ou procurar por termos chave no mecanismo de busca, bem como comprar cópias impressas e pedir sua licença para uso comercial.

A construção original da Estação City Hall, em 1904.

Um homem lê um jornal na esquina da 6th Avenue e da St 40, em Nova York, com a chamada: “Exército nazista agora a 75 Milhas de Paris”, em 18 de maio de 1940.

A bordo de um barco da polícia, em 10 de outubro de 1934, o prefeito de Nova York, Fiorello LaGuardia, quebra máquinas caça-níquel apreendidas.

Banhistas em Coney Island, em 30 de julho de 1922. Foto: Edward E. Rutter.

Estão na página registros do período em que a cidade se tornou a mais populosa do mundo, em 1920, e os anos difíceis da Grande Depressão. O boom no desenvolvimento de seus distritos no período após a Segunda Guerra Mundial também aparece em inúmeras imagens – e a categoria de registros de obras, “Bridges/Plant & Structures”, é das mais abundantes. Um dos fotógrafos mais creditados nas imagens desse longo intervalo de tempo é Eugene de Salignac. Seu nome é pouco conhecido, mas sua obra é vasta. Trabalhou no Departamento de Pontes da Prefeitura de 1906 a 1934 documentando a transformação de Manhattan em uma metrópole moderna. Foi o responsável por registrar a criação da infra-estrutura urbana da cidade, que se mantém até hoje e é uma das causas do status cosmopolita da capital. É de Salignac, por exemplo, a curiosa imagem de pintores suspensos nos cabos da Brooklyn Bridge, de outubro de 1914.

Por décadas, suas fotografias foram utilizadas em filmes e livros sem que ele tenha recebido o devido crédito. Entretanto, em 2007, uma colaboração entre o Arquivo Municipal de Nova Iorque e o fotógrafo Michael Lorenzini resultou na publicação do livro New York Rises: Photographs by Eugene de Salignac (2007), que celebra a importância histórica de sua obra.

Uma exposição experimental feita na ponte Queensboro, em 9 de fevereiro de 1910. Foto: Eugene de Salignac.

A ponte Queensboro, durante reconstrução das faixas, em 22 de novembro de 1929. Foto: Eugene de Salignac.

Sombras projetadas pela Ponte do Brooklyn, em 06 de maio de 1918. Foto: Eugene de Salignac.

Uma visão da ponte Williamsburg mostrando o tráfego congestionado de Manhattan, em 29 de janeiro de 1923. Foto: Eugene de Salignac.

Um menino, entregador de jornal, com uma perna só, junto a demais entregadores, na Delancey Street, em 26 de dezembro de 1906. Foto: Eugene de Salignac.

Pintores suspensos nos cabos da ponte do Brooklyn, em 7 de Outubro de 1914. Foto: Eugene de Salignac.

4
mai

William Eggleston: cotidiano colorido com olhos de pintor

William Eggleston Self-Portrait, 1971.

Já falamos aqui sobre Joel Meyerowitz, um dos principais defensores da fotografia em cores como uma forma de arte legítima. A importância de William Eggleston, seu contemporâneo, tem origem semelhante: foi sua a primeira exposição individual a mostrar uma foto colorida no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), em 1976, e o primeiro livro de fotografias em cores publicado pelo museu, ambos intitulados William Eggleston’s Guide (1976).

Dolls. Foto: William Eggleston.

Foto: William Eggleston.

Na época, mostra e livro causaram polêmica, em um desses raros momentos em que a crítica se divide com opiniões apaixonadas, tanto favoráveis quando contrárias. Trata-se da representação perfeita de um período de inovação e ruptura — e de um bom ponto de partida para compreender a obra e relevância de Eggleston. Como relembra o curador e crítico de arte Steven Boone, “[os críticos] simplesmente não sabiam para o que estavam olhando. E este era o seu trabalho”.

Foto: William Eggleston.

Foto: William Eggleston.

Nascido em 1938 em uma fazenda de algodão em Mississippi, Eggleston transmitiria em suas imagens a atmosfera do conservador sul dos Estados Unidos. Nas fotografias do lugar onde cresceu, sua família assume um papel importante, muitas vezes como meros assuntos, estranhos em meio à paisagem bucólica, em outras como representações da austeridade sulista. Na juventude, depois de passar por três universidades e não se formar em nenhuma, Eggleston ganhou uma câmera Leica e passou a estudar fotografia. Identificou-se, na mesma época, com o expressionismo abstrato introduzido por seu amigo e pintor Tom Young.

Foto: William Eggleston.

On the Road. Foto: William Eggleston.

Tão logo começou a trabalhar na área, entediou-se com o fotojornalismo profissional e passou a buscar novas formas de representação da realidade. Sob esse prisma, as imagens em preto e branco das ruas de Paris feitas por Henri Cartier-Bresson foram uma revelação: eram o casamento da composição rigorosa com o espontâneo, o acaso. A partir daí, aderiu ao método à sua maneira, transformando cores em personagens e cenários ordinários em enigmas.

Woman with Hair. Foto: William Eggleston.

The Embessey, 1999. Foto: William Eggleston.

Inspirado por Cartier-Bresson, Eggleston capturava a vida cotidiana com olhos de pintor no que se referia à composição e, em seus mais célebres trabalhos, à cor. Em suas fotografias, não privilegia os olhos, o status social ou a emoção dos personagens: seu valor está focado em seu papel como objetos do cenário. Suas únicas estrelas são sempre as formas e as cores — e o vermelho é um dos protagonistas. Em sintonia despretensiosa com a Geração Beat efervescente na época, que destruía e reinventava o conceito de american dream, seu interesse era justamente o estilo de vida americano. Nessas imagens, uma flor, um pedaço de roupa, um papel de parede, um móvel evocavam mais do que qualquer representação tradicional de drama humano ou de personalidade.

Foto: William Eggleston.

Foto: William Eggleston.

A riqueza de detalhes e a profundidade de suas imagens é atribuída ao dye transfer, tradicionalmente reservado a brilhantes anúncios de revista. Sua alta qualidade era fundamentada em três matrizes que se sobrepunham, uma para cada cor primária. A técnica foi popularizada pela Kodak em 1940 e tornou-se obsoleta em 1994, quando a empresa cancelou a produção do filme responsável pela separação desses tons, o Matrix Film. Ao se apropriar do recurso, Eggleston fez ainda mais do que levar o uso de cores a outros campos além da fotografia comercial: ajudou a tornar a fotografia colorida reconhecida como arte e criou uma arte original a partir de coisas comuns. Sem sua transformação de fragmentos do cotidiano em matéria poética, seria difícil imaginar o trabalho de artistas como Martin Parr, Andreas Gursky e Thomas Ruff e de cineastas como Gus Van Sant, David Lynch e Sofia Coppola, apenas para citar alguns exemplos. Hoje, é reconhecido como um dos maiores fotógrafos americanos vivos. Mora em Memphis e viaja constantemente para participar de projetos fotográficos.

Airline Window. Foto: William Eggleston.

Man with Gun. Foto: William Eggleston.

13
abr

Ex-aluna Eliane Heuser expõe na Fundação Zoobotânia do RS

Formada pelo Curso Anual de Fotografia promovido pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul, a fotógrafa Eliane Heuser irá expôr no Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânia do RS a partir do dia 16 de abril, segunda-feira. A mostra, intitulada Natureza e Arte, tem como assunto a flora e a fauna do Rio Grande do Sul e será realizada em parceria com os ex-colegas de universidade e também fotógrafos Betina Borne e Vitor Hugo Travi. Bióloga por formação, Eliane tem a fotografia como uma paixão e uma ferramenta didática. Realiza o curso “Natureza em Foco”, também na Fundação Zoobotânica, e ministrou, ao lado do professor da ESPM-Sul Zé Paiva, o workshop de Fotografia de Natureza realizado no Canela Foto Workshops deste ano.

Betina Borne, Vitor Hugo e Eliane Heuser.

Como foi o reencontro entre os três fotógrafos, que desde a faculdade não tinham contato?

Betina e eu nos reencontramos em 2011 em uma confeitaria e, durante a conversa sobre nossas atividades, contei que estava ministrando o curso “Natureza em Foco” na Fundação Zoobotânica do RS. Ela se mostrou interessada em acompanhar a edição seguinte do curso, o que realmente ocorreu. Betina apresentou um olhar diferenciado sobre a vegetação. As fotos, para ela, significam material para se expressar através da arte, em painéis, com desconstrução de imagens. Durante o curso, sempre procurou ângulos diferenciados, utilizando desfoque. Ainda no primeiro encontro, Betina comentou sobre Vitor Hugo Travi, muito nosso amigo durante a graduação, que também tinha a paixão por fotografia, em especial por registros de aves. A partir daí, nos encontramos no Ecoparque Sperry, em Canela, onde Vitor é administrador ambiental, e pensamos que, com nosso conhecimento em Biologia e Fotografia, poderíamos, unidos, investir nesta área.

E a fotografia de natureza é uma paixão antiga? Ela serve como um complemento ao seu trabalho com Biologia?
Este interesse sempre existiu, motivo que me levou a escolher a Biologia como formação superior e mestrado e doutorado relacionados à mesma área, Botânica. Os registros fotográficos de meu mestrado, em P&B, e doutorado, à cores, ambos analógicos, tiveram a revelação e a ampliação realizadas por mim. Eu e meu marido chegamos a ter um minilab nos anos 1970. Didaticamente, imagens são imprescindíveis para mim. Através delas, trabalhei com alunos dos cursos de Biologia, Farmácia e Paisagismo-Arquitetura. Utilizo minhas fotos sempre como instrumento para a minha comunicação.

Como foi trabalhar sob o tema proposto, a flora e a fauna do Rio Grande do Sul?
Foi muito prazeroso e desafiador trabalhar com o tema que definimos. A proposta da exposição Natureza e Arte não foi a de expôr registros da natureza, que estão evidentes, e sim explorar forma, a textura, a coloração. Cada um de nós com sua maneira peculiar.

Além da sua formação original em biologia, as aulas com o Zé Paiva auxiliaram ou interferiram nesse aspecto?

Zé é engenheiro de formação e biólogo de coração. O trabalho que ele desenvolve com alunos (fiz duas oficinas com ele) é excelente. Tanto a exposição teórica como a de campo. O que aprendi com ele, e utilizo no meu curso “Natureza em Foco”, é no momento de organizar a saída propôr temas para fotogafar, como flora, textura, água. Isso desenvolve bastante a capacidade de observação.

Foto: Betina Borne.

Foto: Vitor Hugo Travi.

Foto: Eliane Heuser.

Natureza e Arte
Abertura: 16 de abril às 17h
Visitação: de 17 de abriel a 25 de maio
de terça-feira a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
Local: Sala Prof. Dr. José Willibaldo Thomé
Rua Dr. Salvador França, 1427
Bairro Jardim Botânico
Porto Alegre/RS

11
abr

Conheça os vencedores do Concurso de Fotografia Carl Zeiss 2011

Pré-selecionada pelos organizadores e eleita pelo júri popular, “Lutando com a gravidade” foi a imagem vencedora do Concurso de Fotografia Carl Zeiss 2011. Clicada pelo fotógrafo israelense David Mor, ela mostra um homem empurrando um carrinho de pães em uma íngreme escadaria da Cidade Velha de Jerusalém.

Lutando com a gravidade. Foto: David Mor.

O concurso foi realizado de dezembro de 2011 até janeiro deste ano no grupo da marca no Flickr, onde os membros poderiam votar em suas imagens preferidas, pré-selecionadas pelo juri. Qualquer fotógrafo poderia participar, contando que a imagem fosse clicada com uma lente Zeiss.

De acordo com os idealizadores, a fotografia ficou entre as finalistas por traduzir com perfeição o mote da edição deste ano, “Every moment tells a story” (ou “Todo o momento conta uma história”). David Mor conta que o personagem repete esse trajeto todos os dias, desde o ponto mais baixo até o mais alto. “No momento em que descobri esse jovem otimista, lutando contra a força da gravidade, recordei a história de Sísifo”, relembra. Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por toda a eternidade a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha.

O segundo lugar foi para Mac Kwan, da China. Sua fotografia mostra um jovem garoto embaixo de uma ponte com seu pai. Enquanto o menino e sua sombra estão visíveis, apenas a sombra do pai pode ser vista, projetada contra o muro de um pier. O terceiro lugar foi para o italiano Maurizio Lattanzio, cuja imagem de um ciclista também sugere uma história e cria uma ilusão de ótica.

Segundo lugar. Foto: Mac Kwan.

Terceiro lugar. Foto: Maurizio Lattanzio.

5
abr

Gui Mohallem ministra workshop no StudioMe

O StudioMe oferece no dia 14 de abril o curso “Desconstruindo a luz: experimentação e prática”, ministrado pelo fotógrafo mineiro Gui Mohallem. O workshop se dirige a profissionais e amantes da fotografia que querem entender profundamente as questões que envolvem a luz e a foto. Através de dinâmicas lúdicas e práticas com equipamentos de iluminação de cinema, o fotógrafo trabalha aspectos como cores primárias, temperatura das cores, comportamento da luz, lentes, diafragma e exposição.

Welcome Home. Foto: Gui Mohallem.

Godess. Foto: Gui Mohallem.

High Gibo. Foto: Gui Mohallem.

Gui Mohallem é um dos principais nomes da fotografia contemporânea brasileira. Sua primeira exposição individual, a série ‘Ensaio para a loucura’, ocorreu no final de 2008 em Nova York. No ano passado, ele ganhou o 2º lugar no Prêmio Conrado Wessel pelo trabalho “Drom, o caminho cigano”. Seu primeiro livro está em fase de finalização e será lançado este ano sob o título Welcome Home.

Retrato Gui Mohallem. Foto: Eduardo Muylaert.

As inscrições são limitadas e mais informações podem ser adquiridas através do e-mail workshop@studiome.com.br

16
mar

Nikon Small World e Olympus BioScapes celebram a fotomicrografia

Como já contamos aqui, o concurso Nikon Small World, que teve início em 1974, é um dos principais difusores da fotomicrografia. Neste ano, aproximadamente 2 mil imagens foram enviadas por profissionais de cerca 70 países, incluindo o Brasil, para participar da competição. Além de belas fotografias — que registram desde componentes químicos até plantas e animais —, os fotógrafos costumam fazer significativas contribuições científicas.

James W. Smith, 1st Place 1977.

Outro concurso que se dedica ao mesmo fim é o Olympus BioScapes Digital Imaging Competition, patrocinado pela Olympus. Há nove anos, a competição premia imagens microscópicas de assuntos científicos. De acordo com os organizadores, elas são responsáveis por criar um importante elo entre a ciência e a arte. O prêmio principal é de 5 mil dólares em equipamentos.

Mr. Donald Pottle, 1st Place 2004.

O vencedor deste ano esteve entre os três melhores no concurso da Nikon em 2005. Mr. Charles Krebs, de Washingoton, fotografou uma rotífera, uma pequena criatura aquática com cílios que batem rapidamente para levar comida até sua boca. Krebs capturou este movimento utilizando microscopia de contraste com interferência.

Mr. Charles Krebs, 1st Place.

O segundo lugar foi para Daniel von Wagnheim, de Frankfurt, que registrou em timelapse o nascimento de uma raíz lateral em uma Arabidophsis Thaliana, também conhecida como agrião. Para a captação, digitalizou lâminas microscópicas.

Daniel von Wangenheim, 2nd Place.

Já no concurso Nikon Small World, Dr. Igor Siwanowicz foi o grande vencedor. O cientista ganhou 3 mil dólares em produtos da marca patrocinadora pela imagem Portrait of a Chrysopa, que retrata a larva de um inseto. De acordo com o próprio, a imagem desconcerta o espectador: “Há um conflito entre a percepção cultural de um inseto como algo repulsivo quando admiramos a beleza de sua forma vista de perto”.

Igor Siwanowicz, 1st Place.

O segundo lugar ficou com a Dra. Donna Stolz, da Univeristy of Pittsburgh, nos Estados Unidos. Através da técnica da auto fluorescência, muito utilizada na fotografia microscópica, ela revelou os tons inesperados existentes em uma amostra de grama. Donna ficou em 19º lugar na edição do ano passado.

Donna Stolz, 2nd Place.

15
mar

Isabella Carnevalle ministra oficina de Cianotipia

Em 1842, o astrônomo inglês Sir John Herschel criou um processo para a obtenção de imagens baseado em sais de ferro — e não em sais de prata, tão intimamente associados à fotografia. Sua descoberta consistia no fato de que, quando expostos à luz, sais de ferro são submetidos à redução química para o estado ferroso. Ao serem combinados com outros sais neste estado, podem criar imagens por foto-contato. Batizada de Cianotipia, e também muito conhecida como Cianótipo, ela tem na escala de azul sua maior característica visual — daí o nome: do grego, cyanos, azul escuro.

Sir. John Herschel.

A artista plástica Isabella Carnevalle explica que no século 19, as primeiras descobertas fotográficas se referiam apenas  à captação da imagem. Para fixá-la, fazê-la durar, a Cianotipia foi um dos primeiros experimentos. “Na época, ela não foi muito popular, ficando atrás do Daguerreótipo, que era muito mais químico”, conta. Ainda assim, o primeiro livro de fotografias que se tem conhecimento foi publicado através do recém descoberto processo em 1843. A obra, intitulada Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, foi feita pela botânica inglesa Anna Atkins, que colocou plantas sobre folhas de papel emulsionadas e depois as expôs à luz.

Por Gisele Becker.

Fotógrafa e artista visual, Isabella conta que vivencia a fotografia como arte, documentário e jornalismo desde 1997. Seu portfólio inclui trabalhos bem diferentes dentro do gênero. Apenas para citar um exemplo, como fotojornalista, recebeu o segundo lugar no concurso Internacional The American Photo and Nikon 2000 Photo Contest e publicou em veículos como a National Geographic e a Folha de São Paulo. Hoje, além dos trabalhos institucionais e editorias que desenvolve, é responsável pela oficina de fotografia Olhar Construído, criada por ela em 2004. Isabella atua como facilitadora e estimula os participantes a também usarem a imagem como forma de expressão.

Por Lilia Messias.

Por Lilia Messias.

Uma dessas oficinas, a BluePrint, trata justamente de Cianotipia. Como nos outros cursos, a artista divide com os participantes o conhecimento que adquiriu em suas diferentes vivências no campo da fotografia, e destaca sua identificação com as técnicas do século 19. Primeiro, fez captação de imagens usando câmeras Pin Hole; agora, usa uma técnica de impressão particular da época, o Cianótipo. “No trabalho artesanal, tu realmente participas do projeto, tem condições de intervir, de realizar, não fica preso em um tipo de equipamento. A Cianotipia, por ser lenta, permite muito isso”, opina. Isabella enfatiza que os participantes interferem diretamente nos resultados de cada etapa, “como todo o processo está desvencilhado de exatidões tecnológicas, possibilita experiências no tempo sutil das percepções”. Outro aspecto da técnica que agrada Isabella é o seu lado ecologicamente correto: os químicos não são tóxicos. Para participar, não é necessário saber fotografar. Os suportes e produtos químicos são fornecidos pela Isabella e a oficina é realizada ao ar livre, no pátio de seu ateliê.

Por Alice Viana.

Por Thiago Kirst.

A oficina Blueprint será realizada nos dias 17 e 18 de março. Mais informações podem ser conferidas no site ou direto com a Isabella: isabellacarnevalle@gmail.com.

13
mar

Curso de Adobe Lightroom terá aula aberta na próxima quinta-feira

Quem trabalha com fotografia já sabe — ou ao menos deveria saber: o Adobe Lightroom é o mais completo programa de edição de imagens digitais, tanto para gerenciamento quanto para tratamento. Pensando nos fotógrafos, designers, artistas e todos aqueles que utilizam a fotografia como ferramenta profissional, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul criou o Curso de Adobe Lightroom, que começa dia 20 de março. A boa notícia é que acontecerá uma aula gratuita no dia 15, aberta ao público, com vagas limitadas. A inscrição pode ser realizado aqui.

Nela, o professor do curso, André Nery, dará uma prévia de como os módulos do programa podem tornar os fluxos de trabalho digitais mais produtivos, além de mostrar por que ele é superior ao Photoshop. Engenheiro por formação, Nery se dedica a fotografia desde meados dos anos 1990. Especializa-se em softwares de tratamento de imagem desde 2005, quando começou a participar de cursos nos Estados Unidos. Em 2006, tornou-se membro da National Association of Photoshop Professional (NAPP) e ministrou palestras no Photoshop Conference, em São Paulo. Em seu estúdio trabalha com fotografia, tratamento de imagens e impressão. O espaço também é sede de muitos de seus cursos de Photoshop, Lightroom e fluxo digital. Seu tema preferido é a fotografia outdoor, mas a arquitetura urbanística e de interiores também ocupa boa parte de seu tempo.

Curso de Adobe Lightroom
Aula aberta dia 15 de março, quinta-feira

Carga Horária: 24 horas/aula
Período Letivo: 20 de março a 12 de abril de 2012, às terças e quintas-feiras das 19h30 às 22h15.
Local: Centro de Fotografia da ESPM-Sul. Rua Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo
Investimento: 3 X R$ 304,00 (desconto de 5% para pagamento à vista por boleto bancário)

9
mar

Canela-RS ganhará Instituto de Fotografia e Artes Visuais

No post que fizemos com o fotógrafo Fernando Bueno, em outubro de 2011, ele nos adiantou em primeira mão: o Canela Workshops deste ano, realizado entre 22 a 26 de fevereiro, reservava um anúncio especial: o lançamento do projeto de um centro de excelência em fotografia na cidade serrana.

O local será construído na área do antigo cassino, hoje em ruínas. Batizado de Instituto de Fotografias e Artes Visuais de Canela, ele atuará como galeria, escola e centro de preservação de fotografias analógicas e digitais. O local contará com dois laboratórios, nove salas de aula e três estúdios, além de cantina, restaurante, garagem, loja, terraços e outros espaços. A biblioteca, como contou Fernando, deve ser a primeira especializada em fotografia no Brasil.

Bueno destaca a criação de uma enorme área de preservação de acervo. De acordo com ele, um centro de TI cuidará de um problema comum aos fotógrafos contemporâneos: o armazenamento de arquivos. O objetivo é preservar a memória da fotografia brasileira atual, não a do século passado. Como Fernando afirmou, com humor, “o foco será o trabalho de quem está vivo, depois a gente parte para os mortos”.

O investimento previsto para o Instituto é de R$25 milhões, com apoio da prefeitura de Canela e do governo do Estado, além da iniciativa privada. O projeto é da Solé Associados.

7
mar

Retratos de Gêmeos, por Martin Schoeller

A principal temática da fotógrafa norte-americana Diane Arbus (1923 – 1971) foi sempre o lado angustiado da cultura de seu país, a outra face do american dream. Com sua Rolleiflex, buscava nas ruas de Nova Iorque seus modelos, que banhava com uma luz dura e direta, sem artifícios — já que usava flash durante o dia.

Identical Twins, 1967. Foto: Diane Arbus.

Arbus retratou nus, freaks, deficientes e, entre seus cliques mais famosos, fez uma série de imagens de irmãos gêmeos. É fácil de recordá-las ao conferir o ensaio que o fotógrafo Martin Schoeller fez durante o “Twins Days Festival”, celebração que reúne anualmente irmãos gêmeos de todas as idades em Twinsburg, Ohio, nos Estados Unidos. Para ilustrar um artigo escrito por Petter Miller para a National Geographic, ele clicou duplas de irmãos dispostas lado a lado. As imagens desconcertam pelas semelhanças, e também por suas diferenças: são um convite à comparação e permitem infinitas interpretações sobre cada dupla.

Foto: Martin Schoeller.

Marta e Emma, 15 anos, sonham em ser cantoras de ópera e pretendem frequentar a mesma universidade. As duas gostam de desenhar. Enquanto a primeira, à esquerda, prefere rostos ricos em detalhes, a segunda aprecia imagens amplas, como o céu, a chuva e objetos em movimento.

Foto: Martin Schoeller.

Idênticos, Ramon e Eurides eram confundidos pela própria mãe quando crianças. Para não correr o risco de alimentar a mesma criança duas vezes, ela os indetificou com pulseiras. Hoje, aos 34 anos, moram em casas iguais e são vizinhos na Flórida.

Foto: Martin Schoeller.

Lorraine estava no consultório médico quando sua irmã Loretta, à esquerda, foi diagnosticada com câncer. Loretta achou que Lorraine também deveria fazer os exames e o médico descobriu que ela tinha a mesma doença. As duas se trataram juntas e hoje estão curadas e com saúde.

Foto: Martin Schoeller.

Emily e Kate tem 9 anos e, além de se darem bem, têm o mesmo gosto, inclusive na hora das compras. Mesmo quando vão ao shopping separadas, apenas na companhia da mãe, acabam escolhendo as mesmas coisas.

Foto: Martin Schoeller.

Spencer e Skyler já brincaram de trocar de identidade. Skyler (esquerda), posava no lugar do irmão no “dia da foto” no jardim de infância, já que Spencer era tímido demais. No colégio, viraram lutadores e sempre deixavam o juíz confuso (“você não pode lutar novamente, você acabou de sair do ringue”). Na faculdade, agora com 19 anos, têm acesso a uma bolsa para gêmeos: um paga o curso integralmente, o outro não paga.

Foto: Martin Schoeller.

A dupla Carly e Lily, de 5 anos, é tão apegada que a mãe costuma se perguntar se são a mesma pessoa. Estão na mesma turma na escola e na natação. Quando uma recebe exercícios mais avançados a outra reclama, não quer ficar para trás.

Foto: Martin Schoeller.

Christopher e Cole têm 20 anos. Frequentam diferentes universidades, mas sempre lembram um do outro, já que tem duas tatuagens celebrando sua amizade de irmaõs. Quando Christopher (direita) tatuou um 2, representando o fato de ter um gêmeo, Cole tatuou o número um, já que nasceu primeiro (como costuma explicar, rindo). Além dessa, tatuaram um o nome do outro na parte interior do lábio.


“Uma foto é um segredo dentro de outro segredo. Quanto mais ela diz, menos você sabe.”
Diane Arbus

29
fev

A câmera não é o escudo emocional do fotojornalista

Vencedora do World Press Photo 2011. Foto: Samuel Aranda.

No início de fevereiro, o fotógrafo espanhol Samuel Aranda, 33 anos, foi anunciado como o grande vencedor do 55º World Press Photo. O retrato que o representou na disputa foi tirado dentro de uma mesquita utilizada como hospital durante a Primavera Árabe no Iêmen. Nele, uma mulher totalmente coberta por uma burca dá conforto a um familiar ferido. Na semana passada, Aranda visitou a família que protagoniza a imagem para agradecê-la.

Para Ricardo Chaves (o Kadão), fotojornalista e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, a imagem remete a uma Madona (do italiano Madonna, o nome dado às representações artísticas da Virgem Maria, um tema tradicional na arte sacra cristã) e à Pietá, última e inacabada escultura de Michelangelo. Para ele, trata-se de uma fotografia simbólica que mostra de forma universal uma mulher dando conforto a um homem. “À sua maneira, a imagem ajuda a humanizar algo que sempre rende majoritariamente fotos horríveis, a guerra”, interpreta. Para o júri do evento, a fotografia simboliza, também, toda uma região: o Iêmen, o Egito, a Tunísia, a Síria e todos os locais e pessoas envolvidos com a Primavera Árabe, nome pelo qual ficaram conhecidos os protestos no Oriente Médio e no norte da África que derrubaram antigos ditadores e marcaram o ano de 2011.

Pietá, escultura de Michelangelo.

Sobre a visita à família, Kadão a considera mais do que justa. Para ele, é natural que Samuel se sinta sensibilizado. O mito de que os fotógrafos são pessoas frias, insensíveis, que usam a câmera como escudo emocional e que não sofrem nem percebem o perigo das situações que cobrem não passa de, nas palavras dele, balela. “O fotógrafo sente muito tudo que está acontecendo ao seu redor, ele apenas está preso em uma experiência profissional”, explica. De acordo com ele, eles estão condicionados a fotografar da mesma forma que um piloto dirige e um médico opera: “Fazemos nosso trabalho mesmo em condições adversas, mais por hábito do que por qualquer outra coisa”, desmistifica.

Fatima Al-Qaws e seu filho, Zayed, segundo à esquerda, com a família, em casa, no Iêmen. Foto: Samuel Aranda.

Por experiência própria, Kadão afirma que a maioria dos fotógrafos sai de uma cobertura como essa totalmente transformado. “Mesmo as minhas menores pautas que envolviam a vida e a morte afetaram profundamente meu emocional. Quem é jornalista lida com isso muito de perto, não apenas na guerra. No Brasil, por exemplo, os fotojornalistas registram a morte no trânsito todos os dias”, exemplifica.

A conversa que deu origem a este post fez com que Kadão lembrasse da história do fotógrafo Kevin Carter. Em 1993, no Sudão, ele registrou uma das mais icônicas imagens da história do fotojornalismo: um abutre postado atrás de uma subnutrida criança do sexo masculino, parecendo esperar por sua morte. Essa metáfora para a fome que assolava o país africano o rendeu um prêmio Pulitzer, mas o deixou sob intensa pressão. A opinião pública julgava que o fotógrafo poderia, ou deveria, ter feito alguma coisa para ajudar o menino. Muitos atribuem seu suicídio, em 1994, a este fato. Kadão acha que não.

Foto de Kevin Carter vencedora do Pulitzer

O livro The Bang Bang Club (2003) conta a história dele e de outros fotógrafos que registraram os conflitos entre as facções negras da África do Sul nos últimos anos do Apartheid. Kadão, que leu a publicação, interpreta que Kevin já tinha, sim, problemas emocionais, e que o episódio em questão — somado às coberturas que havia feito anteriormente — foi apenas um catalisador da depressão que o levou ao suicídio.

Samuel Aranda, ex-fotógrafo da AFP, trabalhava para o jornal New York Times quando tirou a foto vencedora do WPP. Recebeu como prêmio 13 mil dólares e uma câmera Canon.

24
fev

Documentário “O Caminho da Praia” ganha teaser

Como já contamos aqui, no inverno de 2011 os fotógrafos Marcelo Curia e Anderson Astor partiram em uma jornada a pé pelo sul da costa brasileira. Tratava-se do início de um projeto intitulado O Caminho da Praia, que busca retratar todo litoral gaúcho, do balneário de Torres até o Arroio Chuí. O objetivo da dupla é ampliar a consciência local sobre este pedaço do país e auxiliar em sua documentação.

Os registros da aventura envolveram — e ainda envolvem, já que o projeto está em andamento — fotografia, vídeo e texto. Durante a viagem, todos os passos foram publicados em um blog, atualizado muitas vezes em condições adversas. Depois de cerca de 30 dias longe de casa, mais de um milhão de passos e alguns quilos perdidos, os dois começaram a organizar todo o material coletado para transformá-lo em um documentário, um livro e uma exposição. O primeiro já ganhou um teaser, realizado pela Joner Produções:

Marcelo Curia é autor do livro História de Pescador (2001) e colabora regularmente para revistas como National Geographic Brasil, Viagem e Turismo e Globo Rural. Anderson Astor é ex-aluno do curso de Fotografia Digital Avançada na ESPM-Sul, graduado em 2010. Freelancer, cursou Artes Plásticas na UFRGS e já publicou nos jornais Zero Hora e Correio do Povo, além deem veículos de livre circulação.

15
dez

As fotografias aéreas de Cássio Vasconcellos

Retrato de Cássio Vasconcellos

Nascido em São Paulo, Cássio Vasconcellos iniciou sua trajetória na fotografia em 1981, na escola Imagem-Ação. Na virada para a década de 1990, fez parte da geração responsável por reinventar a fotografia no país, segundo o jornalista e fotógrafo Alexandre Belém, da Revista Veja.

São Paulo 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Seu trabalho foi sempre voltado a projetos artísticos, percorrendo galerias e museus no Brasil e fora dele. É referência por explorar as possibilidades técnicas da fotografia, como mostram seus ensaios Chaminés (1985), Navios (1989), Rostos (1991) e Paisagens Marinhas (1993-1994). Uma de suas mais celebradas publicações é o livro Noturnos, São Paulo (2001), que fez parte de exposição homônima.

Nova York, EUA 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Seu mais recente lançamento é, em parte, fruto do trabalho como piloto de helicóptero, habilidade que representa a realização de um sonho infantil. Aéreas (2010), uma coleção de imagens do mundo visto de cima, pertence à coleção Fotógrafos Viajantes e tem edição limitada, numerada e assinada pelo autor.

Avenida Paulista, São Paulo 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

A publicação impressiona pela sensibilidade e pela originalidade com que Vasconcellos capta paisagens e cenas de cima, do ponto de vista das nuvens. No texto de apresentação, o curador Eder Chiodetto expressa um pouco do impacto nele causado pela obra: “O mundo, estranho mundo, descortinado e redesenhado por geometrias inimagináveis para olhos que trafegam ao rés do chão.”

Canasvieiras, BA 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Em janeiro deste ano, Cássio iniciou uma viagem de helicóptero com o objetivo de registrar imagens aéreas das Américas. O percurso durou cerca de um mês e foi do norte dos Estados Unidos até São Paulo.

Copacabana, RJ 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Praia da Enseada, Guaruja, SP 2007. Foto: Cássio Vasconcellos

9
dez

Master Class de fotografia de natureza com Zé Paiva

Retrato prof. Zé Paiva. Foto: Henrique Wallau

Na tarde do último sábado, 26 de novembro, o fotógrafo e professor Zé Paiva realizou sua Master Class com a Turma B do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. A aula prática, uma saída de campo, foi realizada no Parque de Itapuã, cerca de 1h de Porto Alegre. O grupo fez a Trilha da Visão, que depois de 3 quilômetros termina com uma vista de 180º para a Lagoa dos Patos e a Lagoa Negra, e, já no fim da tarde, acompanhou o pôr do sol na Praia da Pedreira. Tudo isso sem tirar a câmera do pescoço.

Foto: Schari Kozak

Formado em Engenharia, Zé Paiva começou sua carreira no Fotojornalismo e passou pela Publicidade, mas sempre fotografou a natureza como hobby, transformando de vez o passatempo em profissão em 1985, quando mudou-se para Florianópolis. Hoje, trabalha com agências como a Folha Press e a Getty Images e faz diversos trabalhos sob encomenda, como fotos áreas e institucionais. Seu foco e sua grande paixão são os projetos, que geram uma produção fotográfica extensa. O livro Natureza Gaúcha (2008), por exemplo, resultado final de um projeto aprovado em 2006, foi fruto de três grandes viagens e de mais de 15 mil cliques — a publicação tem 150. Nenhuma foto de arquivo foi utilizada e muitas das que não entraram na obra serviram para ampliar seu banco de imagens.

Foto: Juliano Araujo

Paiva dividiu com os alunos sua experiência de mais de duas décadas com fotografia documental de natureza. Um dos pontos que enfatizou antes da chegada, durante o trajeto, é a importância de estudo e planejamento prévio antes de cada saída: “Entrar no Google Earth, estudar a posição solar do local, o comportamento dos animais… tudo isso é necessário para que as chances de voltar para a casa com um bom material aumentem”, explicou. Ainda no ônibus, o professor distribuiu entre os alunos livros sobre os animais e plantas típicos do Rio Grande do Sul, todos exemplares ilustrados de sua biblioteca pessoal.

Foto: Schari Kozak

Na chegada, os fotógrafos viram na prática a importância de utilizar não apenas o equipamento, mas as roupas adequadas para cada situação. Paiva dividiu suas preferências e abriu sua mochila, mostrando as lentes e flashes que usa para cada assunto e alguns itens surpreendentes que não dispensa, como um apito e um saco de lixo. Antes da trilha, o professor aconselhou o silêncio, para que se escutasse mais a natureza. Deu certo. Uma das surpresas encontradas pelo caminho foi um macaco típico da região, o Bugio. Nas palavras de Paiva, trata-se de algo dificílimo de acontecer quando a saída é feita por um grupo grande. Outro conselho bem aproveitado foi referente a forma de olhar: “À primeira vista, a floresta é homogênea. É preciso aprender a enxergar as nuances do verde e da luz”.

Foto: Schari Kozak

Paiva também dividiu com os alunos alguns de seus segredos pessoais. Mostrou detalhadamente como faz fotos macro, com ou sem flash, algumas das técnicas que utiliza ao fotografar animais (no caso em questão, aves) e como tornar uma foto de paisagem especial, fugindo dos clichês.

30
nov

Conheça o Catálogo Geral de Cursos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul

Para visualizar o catálogo em tela cheia clique no ícone “Open Fullscreen”, no final da barra de menu da janela acima.


Para obter a versão em PDF do catálogo clique aqui: DOWNLOAD

21
nov

Master Class de fotografia publicitária com Cláudio Meneghetti

Retrato de Cláudio Meneghetti. Foto: Juliano Araujo

No dia 17 de novembro, foi a vez da Turma A conhecer o trabalho do professor do curso e fotógrafo publicitário Cláudio Meneghetti. Na primeira parte da aula, em seu estúdio, dividiu com os alunos muitas estratégias e passos importantes de sua trajetória, além de detalhes administrativos que fazem toda a diferença para quem quer ingressar na fotografia publicitária. Na segunda etapa, no Centro de Fotografia da ESPM-Sul, mostrou detalhes da produção de peças de seu portfólio e expôs um panorama completo de como organiza suas imagens e planeja orçamentos.

Foto: Henrique Wallau

Formado em Análise de Sistemas, Meneghetti trabalhou com informática mas sempre teve a fotografia como um passatempo tentador. Virou negócio. O método utilizado e fortemente recomendado por ele foi o de trabalhar com outros profissionais do meio. “Na fotografia publicitária, esse é o caminho: permite que se aprenda e se faça contatos”, enfatiza. O professor continua: “As pessoas não contratam fotógrafos publicitários pela técnica. A técnica é o fundamental, é a obrigação. O diferencial é o networking. E é imprescindível trabalhar com outras pessoas para construir essas duas bases”. Aos mais tímidos e introspectivos, que não sentem prazer em fazer contatos, ele não recomenda a propaganda: “O meio exige muita presença. É necessário frequentar lugares, conhecer pessoas, fazer amizades”.

Foto: Juliano Araujo

Meneghetti ergueu estes dois pilares trabalhando com o fotógrafo gaúcho Celso Chitollina. Cerca de um ano e meio antes de sair deste estúdio, passou a atender uma demanda considerada pequena para o empregador. Assim, quando saiu de lá, já tinha agência e clientes. Ficou nove anos em um estúdio trabalhando com outras três pessoas. Para mudar-se para o local de trabalho atual, o StudioMe, planejou durante um ano e meio. No amplo espaço que os alunos tiveram a chance de conhecer, trabalham cerca de 20 pessoas. O fotógrafo intercalou a conversa sobre sua história pessoal com a apresentação de detalhes do funcionamento do local, onde quatro trabalhos simultâneos já foram realizados. Quando há necessidade, os ambientes são separados por tapadeiras, evitando conflitos entre diferentes clientes e agências.

Foto: Juliano Araujo

A partir da base networking e técnica, Meneghetti explicou que o próximo passo é prospectar: ir para a rua mostrar trabalho. Uma estratégia que dividiu com os alunos foi a que adotou quando possuía apenas fotos de produtos em seu portfólio. Para conseguir começar a clicar modelos, realizou um trabalho autoral com esse foco e com estética publicitária. Até hoje, ao menos uma vez por ano, leva trabalhos para mostrar em agências. Dá resultado. “Se tu não tens material, faz material. Trabalho autoral é bem recebido.”, aconselha.

Foto: Juliano Araujo

Na produção de trabalhos próprios, percebeu que a liberdade e a espontaneidade existentes muitas vezes fazem com que eles não rendam tanto quanto podem. Assim, passou a produzi-los como se fossem sob encomenda, de forma sistemática. Define prazo, conceito, estética, não simplesmente sai clicando. Em um deles, exibido na Galerie d’art François Mansart, em Paris, e também no Guatephoto, na Guatemala, feito sob a pressão do relógio, mas com muito planejamento, investiu cerca de 5 mil reais. Nas palavras dele, valeu, e muito, a pena. Intitulado Autoestima, foi realizado em um albergue para desabrigados da Capital e ganhou o 8º Concurso Fotográfico Cultural Leica-Fotografe na categoria ensaio.

Quando questionado, Meneghetti confessou que pensa em fotografia o tempo inteiro. “Às vezes me forço a desligar. Nas férias, nem levo câmera. Quando me perguntam o que eu diria para quem tem a fotografia como hobby e pensa em se profissionalizar, sempre respondo: ‘olha, tu vais perder o teu hobby’”.

Foto: Juliano Araujo

30
set

Aula aberta do curso “Iluminação Profissional com Flash Portátil”

Foto: Juliano Araujo

Depois de Fotografia de Moda & Estilo + Photoshop, foi a vez do curso de Iluminação Profissional com Flash Portátil ganhar uma aula aberta. Na noite de ontem, cerca de 30 interessados participaram do bate-papo expositivo com o professor e fotógrafo Guilherme Lund, que ministra aulas de flash e iluminação no Centro de Fotografia da ESPM-Sul.

Guilherme explicou como funcionará a didática do curso, esmiuçando algumas das questões que fazem parte do conteúdo programático. De início, os presentes foram incitados a falar sobre a luz, o que sabem sobre ela e quais são as suas características. “Abri o espaço para que a turma ajudasse a construir um “diagrama da luz”. O que o fotógrafo faz em relação a ela e o que ele precisa saber”, conta.

Foto: Juliano Araujo

Lund explica que muitos não observam os atributos da luz que estão em jogo na prática, no dia a dia, mas são essas questões que pautaram a construção do programa do curso: a direção (superior, inferior, lateral…), a cor (quente ou fria), a intensidade e a qualidade da luz (dura ou difusa).

Foto: Juliano Araujo

A parte técnica também foi introduzida no encontro, com exposição do equipamento e prévia do conteúdo ligado à parafernália envolvida, com acessórios e demais suportes. Outro ponto interessante foi a exposição da tecnologia envolvida na mecânica das aulas: para que todos consigam ver as funcionalidades do flash portátil explicadas pelo professor, uma câmera é conectada e uma tela exibe o que está sendo feito em tempo real, já que os botões são pequenos e não seriam vistos com facilidade por toda a turma.

O curso começa na próxima terça-feira, dia 4 de outubro, e vai até o dia 25, sempre as terças e quintas-feiras das 19h30 às 22h15. Saiba mais informações e se inscreva aqui.

23
set

Aula aberta do curso “Fotografia de Moda e Estilo + Photoshop”

Foto: Juliano Araujo

Na última quinta-feira, 22, os professores Raul Krebs e Diego Cunha lotaram o Centro de Fotografia da ESPM-Sul para uma aula aberta sobre o curso Fotografia de Moda e Estilo + Photoshop, ministrado pelos dois. O papo girou em torno do conteúdo programático, que foi detalhadamente esmiuçado para que ninguém saísse de lá com dúvidas sobre a natureza teórica e prática de cada aula.

O curso em questão vem ao encontro de uma demanda de trabalho em conjunto entre fotógrafo e manipulador de imagens. Ao contrário do que muitos pensam, a fotografia e o Photoshop evoluem em sintonia: nunca um confronta o outro, cada vez mais os dois se complementam. Diego explica que enquanto o Photoshop faz, sim, pequenos milagres, fotos medíocres tem limitações. “Imagens boas e planejadas aliadas à manipulação têm um resultado muito mais potencializado”.

Foto: Juliano Araujo

Raul permeou a conversa com episódios e fatos provenientes de sua experiência pessoal, como o que representa, para ele, a enorme diferença entre o analógico e o digital: “Eu sou da época da fotografia em cromo, preto e branco, e o resultado já era satisfatório. Hoje, talvez por ser mais fácil e eficiente, ninguém mais trabalha com filme, o que eu acho bom. O filme é mais lúdico e demora mais em todos os sentidos. Hoje tudo é mais rápido, tanto a produção, quanto a assimilação e o descarte por parte do público”.

Foto: Juliano Araujo

Raul explica que existe uma diferença entre fotografia de moda comportamental, de editoriais, e fotografia de moda comercial — na segunda, o poder está mais nas mãos da agência, do cliente. “Aqui, não vamos pensar nessas limitações impostas pela publicidade, vamos planejar, clicar e tratar com liberdade”. Para Diego, essa é uma das grandes qualidades do curso: “Cada aluno vai poder trabalhar com as possibilidades da fotografia e da manipulação em cima de coisas que imagina e quer”.

Os dois deram ênfase, também, à importância do planejamento. Diego explica que é essa organização prévia que faz com que as questões envolvidas dentro da produção da imagem sejam decididas de forma coletiva. “Foi-se o tempo em que não havia interação e o manipulador ficava fora do estúdio. Agora, a integração entre os profissionais já começa no briefing”. Durante as aulas, a parceria em questão também estará no trabalho em conjunto com o designer de figurino, o maquiador e o cabeleireiro — tão importantes quanto o fotógrafo e o manipulador.

Foto: Juliano Araujo

Um ponto do bate-papo que chamou bastante a atenção dos alunos foi quando Raul dividiu sua noção particular de manipulação: “Para mim, ela começa antes do clique: na escolha do enquadramento, na escolha da luz”. O trabalho do maquiador também é uma forma de manipulação, esconde imperfeições, acentua qualidades… Depois dessas e de mais algumas outras formas de manipular é que chega a hora do tratamento propriamente dito, representado pelo Diego.

Entre o conteúdo particular de tratamento de imagem, Diego destacou as aulas sobre a teoria das cores. “A gente acerta cores no dia a dia de uma maneira muito empírica. Quando entendemos a lógica dos comandos, o porquê da existência de certas ferramentas, trabalhamos de forma muito mais consciente”, explica. Essa noção representa um ganho de tempo e qualidade, já que sobra minutos no relógio para a experimentação de outras referências e tendências. Além disso, os resultados têm bem mais precisão quando o manipulador não trabalha no método de tentativa e erro.

O curso tem início no dia 27 de setembro e está com inscrições abertas. Saiba mais aqui.

8
ago

O agora da fotografia

Na quinta-feira, 7 de agosto, foi realizado o último dos encontros promovidos pelo “Agora Ágora – Criação e Transgressão em Rede”, projeto de arte e ativismo que contemplou uma mostra expositiva no Santander Cultural de Porto Alegre e um espaço de interação na web, sempre explorando temas ligados à contemporaneidade. O tema do talk shop de encerramento foi “O Agora da Fotografia” e contou com a presença da responsável pela curadoria do projeto, Angélica de Moraes, de Caio Reisewitz, artista que tem fotos na exposição, e do fotógrafo Leopoldo Plentz, professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul.

Foto: Maria Joana

O tema central do encontro foi a fotografia nos tempos atuais. Angélica, fazendo jus a seu papel no meio das artes, iniciou os trabalhos com um panorama sobre o deslocamento do papel da foto na arte contemporânea. Nas palavras dela, a fotografia trocou de lugar ao longo do século passado e do início deste século, apropriando-se de códigos pictóricos para dar “articidade” ao gênero. Isso não foi pouco em uma época em que os fotógrafos não eram considerados artistas, mas apenas “apertadores de botão”: “Em um segundo momento, a fotografia se tornou uma estética por si só, passou a ser entendida como uma arte, uma forma de expressão legítima com características próprias e fortes representantes”, explica.

A “Foto Arte”, que se utiliza de códigos do universo das artes para criar sua linguagem, foi o primeiro tema abordado por Angélica. Como exemplo, apontou a obra do próprio Caio Reisewitz e sua instalação fotográfica no Santander Cultural. Além de escolher as fotos lado a lado com ele quando a mostra foi idealizada, ela acompanha o trabalho do artista desde 1997, quando ele retornou de seu curso na Alemanha. Os dois também brindaram juntos quando Caio representou o Brasil na Bienal de Veneza. “Observei que cada vez mais sua fotografia foi depurada, tanto quanto ao uso de cor quanto na composição. Caio registra sem artifícios, não usa Photoshop, é transparente com o instante fotografado”, opinou. Outro exemplo dado pela curadora dentro do mesmo tema foi o trabalho de Eneida Serrano: “Depois da foto social, ela recorreu à foto arte e fez um ótimo trabalho. Com os detalhes, ela mostra pessoas. Seus recortes falam do geral”.

Foto: Maria Joana

Na sequência, Angélica contou que a foto passou a integrar o DNA da arte contemporânea também como um meio de registro de determinadas expressões artísticas, como instalações. A foto funciona aí, também, como um instrumento de memória. Como exemplo, Angélica mostrou registros do movimento do Parangolé: “Se não fosse a foto, ele seria efêmero, ficaria empobrecido”. A curadora também destacou a importância da foto na percepção do público ao mostrar o que o artista realmente quer dizer com a obra, e usou como exemplo o trabalho daqueles que usam fotos como base para suas pinturas. “Nesses casos, as pinturas são a apropriação de um registro anterior”, interpreta.

Angélica concluiu sua parte no encontro mostrando outros artistas contemporâneos, entre eles Chuck Close, que se utiliza de códigos pictóricos como pontilhismo renascentista em suas fotografias; Geraldo de Barros, que trabalha com fotografia abstrata, ainda com a tradição do construtivismo e também se utilizando de recursos artísticos; Hector Zamora, que expôs na Bienal de Veneza fotografias que transformam a realidade; Lygia Pape, que utiliza a fotografia como registro de outras obras, como por exemplo instalações, em um trabalho onde o registro fotográfico dá a escala e a dimensão do trabalho. E, por fim, a curadora mostrou uma foto tirada por Man Ray da colecionadora de arte Peggy Guggenheim, apresentando a fotografia como forma de inspiração artística.

Foto: Hector Zamora

O tempo e o urbano na fotografia de Leopoldo Plentz

Leopoldo iniciou falando sobre a questão do tempo, muito presente na exposição e uma das matérias-primas de seu trabalho: “Luz, tempo e espaço são os três principais elementos, são os tijolos da fotografia”. Nas imagens que selecionou para mostrar ao público, o tempo e o espaço urbano eram os protagonistas.

Foto: Maria Joana

“Gosto de trabalhar com imagens de cidades, mas não tenho interesses documentais: meu objetivo é a plasticidade”, introduziu, mostrando fotos marcadas pela corrente bressoniana do “instante decisivo” – aquelas que não existiriam se fossem clicadas um instante antes ou um instante depois. Plentz também mostrou fotos em que se poderia imaginar que o instante era decisivo, mas que na realidade não era: ele esperou a pessoa passar para clicar e poderia ter demorado segundos, minutos ou horas até conseguir a imagem perfeita.

La Defense II. Foto: Leopoldo Plentz

Outros trabalhos mostrados por ele foram obras fruto de longa observação da cidade, que requiriram tempo e, na opinião e nas palavras dele, vagabundagem, disponibilidade de observação: “O tempo agrega coisas na cidade, uma série de elementos que até mesmo tendem a feiúra. A metrópole tem sobreposições de imagens, vitrines, publicidade”. Algumas de suas imagens parecem ter sido tratadas com Photoshop, mas são, na verdade, cartesianas, apenas mostram reflexos. Leopoldo expôs seus trípticos (seqüências de três fotos) com ângulos diferentes da região industrial de Porto Alegre, que está deixando de existir da forma que existe agora, o que dá àquelas fotos um papel documental. “Decadência fica bem na fotografia, não sei bem o porquê”, opinou.

La Defense. Foto: Leopoldo Plentz

Ainda na linha da decadência urbana, o fotógrafo mostrou imagens do poluído Rio Riachuelo, em Buenos Aires, e uma série que aborda a onipresença da Cola-Cola na região Sul e no Uruguai. Fotos de seu projeto que visava trabalhar com a paisagem urbana e rural do Sul mostram cidades que parecem paradas no tempo. A série de fotos com imagens escondidas dentro das próprias fotos também foram abordadas, bem como seus registros de arquitetura que, na opinião dele, é uma ótima cristalizadora do tempo, que já nasce datada. Como exemplo, registros de Brasília assinados por ele foram mostrados.

Brasília 1982. Foto: Leopoldo Plentz

Sua série “Topografia”, que trata da questão tempo de vida/tempo de morte com imagens de Jacarandás cortados marcou uma mudança em sua visão: a partir dela, ele passou a olhar mais para o chão. Dessa novidade de abordagem nasceu sua série de arqueologia urbana, “Ex-Coisa”, com fotos de objetos esmagados no asfalto, fósseis urbanos contemporâneos. Na mesma linha nasceu seu último trabalho “Coisas Inúteis”, com fotos de lixo. Basicamente, tratam-se de objetos encontrados na rua fotografados, ou melhor, escaneados (“para desconforto dos mais ortodoxos”, nas palavras dele), em estúdio. Vale lembrar que a foto-convite da exposição era um filme Kodak amassado.

Foto da série Coisas Inúteis. Foto: Leopoldo Plentz

Para finalizar o talk shop, Caio Reisewitz traçou um panorama de sua vida através de uma conversa sobre a carreira na arte. A abordagem de Caio é interessante porque, mesmo fazendo fotografia de uma maneira analógica e buscando rigor técnico, ele não se considera um fotógrafo, e sim um artista: “Uso a fotografia como meio. Meu foco está sempre no que eu quero dizer”, explica, “é meu mecanismo, mas as minhas inspirações são diversas. Encontro muita inspiração na pintura, principalmente”. Caio iniciou mostrando imagens das duas serras que envolvem sua cidade Natal, São Paulo, tão fortes em sua memória que logo que ele começou a se interessar por arte foi em busca desses lugares para fotografar.

Foi a pedido da Bienal que começou a fazer fotografia de interiores, primeiramente no pavilhão da própria Bienal de São Paulo, onde, experimentalmente e com câmeras de grande formato, ficou cada vez mais interessado em retratar locais que mostram uma “certa imponência”. Muitos de seus trabalhos futuros foram marcados pela questão da autoridade. Em seu repertório estão, também, imagens de igrejas barrocas brasileiras, da Prefeitura de São Paulo e do Itamaraty, simbolo da monumentalidade característica de Oscar Niemeyer.

No final, a conversa foi diretamente relacionada à arte, ao fato de que a fotografia demorou muito para chegar nos museus mais por uma disputa de mercado do que por qualquer outra coisa, na opinião de Leopoldo. “Não existe controle sobre a obra fotográfica, isso preocupa os mais conservadores e protecionistas. Ainda mais a digital, ainda mais na internet, as fotografias podem se copiadas e transmitidas milhares e milhares de vezes. Desde seu surgimento ela já tinha a característica de nascer para ser múltipla. Esse é um dos grandes diferenciais da fotografia”, afirmou Leopoldo. Angélica concluiu afirmando que diferenciar “mercado de arte” de “arte” é fundamental.

A mostra expositiva da Agora Ágora termina neste domingo, dia 7 de agosto.

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Small World: prêmio revela o mundo visto (muito) de perto

Foto: Charles Krebs

Folha de samambaia, bolha de sabão, asa de borboleta, coração de mosquito… Vistos de perto, eles produzem imagens que podem mais parecer ilustrações psicodélicas feitas digitalmente, mas que são, na verdade, obras de fotomicrografia. Um dos principais difusores desta técnica é o concurso Small World, idealizado e realizado anualmente pela Nikon. Seu objetivo, nas palavras dos organizadores, é mostrar ao mundo a beleza e a complexidade da vida vista através das lentes de um microscópio. Há mais de 30 anos o prêmio é destinado a fotógrafos que, além de belas imagens, fazem contribuições científicas significativas.

Water mite. Foto: Charles Krebs

O vencedor da mais recente edição, Jonas King, é um exemplo disso. Venceu o concurso com uma imagem que ampliou 100 vezes o coração do mosquito da Malária, doença que está entre os maiores problemas dos países em desenvolvimento. Acadêmico da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, o cientista faz parte de um projeto que estuda como os mosquitos carregam e transmitem a doença. Sua imagem da organização estrutural do coração do inseto fornece insights sobre como ele movimenta o sangue para todas as regiões de seu corpo.

Pleurosigma. Foto: Michael Stringer

Ao vencer, King deixou para trás registros microscópicos da retina de um rato albino, de um olho de vespa, dos fluídos de um líquen, da casca de uma banana, de um molusco bebê, de uma célula cancerígena e de milhares de outros seres e estruturas. O júri popular costuma eleger imagens diferentes das vencedoras, na opinião dos organizadores, por priorizar a estética em detrimento da importância científica de cada fotografia. Um pulgão de feijão do sexo feminino foi a imagem escolhida em 2010, captada por Tomas Cabello.

Pulgão de Feijão. Foto: Tomas Cabello

O fato de as fotomicrografias serem um instrumento de trabalho, explica porque a maioria dos participantes do concurso são cientistas. Mas vale lembrar que imagens registradas com microscópios pequenos e amadores, como os utilizados em escolas, já ganharam o concurso. Os fotógrafos são livres para tratar as imagens como bem quiserem, e substâncias fluorescentes, luz polarizada e técnicas mistas são muito utilizadas. Na escolha da melhor foto, originalidade, conteúdo informativo, impacto visual e proficiência técnica são avaliados.

Baby Mollusk. Foto: Gregory Rouse

A data limite para a inscrição de fotomicrografias para a edição 2011 é 30 de abril de 2012, e o prêmio são 3 mil dólares em produtos da Nikon. Uma boa dica para os que pretendem se aventurar no gênero é o site do fotógrafo Charles Krebs, vencedor do Small World em 2005. Sua página é cheia de informações e artigos sobre equipamentos, técnicas e recursos importantes, além de conter dicas de sites e galerias de fotos. No site da Nikon, técnicas e procedimentos também são esmiuçados, bem como detalhes da tecnologia empregada em microscopia: http://www.microscopyu.com/