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Posts from the ‘Notícias’ Category

19
ago

O retorno do site foto.art, de Sérgio Sakakibara (Japa)

 

 

Lançado originalmente em 1997 pelo fotógrafo Sérgio Sakakibara, o site foto.art está de volta com sua abordagem didática e iconoclasta. Para celebrar esse retorno e o Dia Mundial da Fotografia, conversamos com o Japa – como Sérgio é mais conhecido – a respeito do início do foto.art, no final dos anos 1990, um precursor entre os sites brasileiros dedicados ao universo fotográfico.

 

 

Como foi o começo do site? O que havia de conteúdo online relacionado à fotografia naquela época?
Tinha um site do Clício Barroso e outro do Rio de Janeiro, o Photosynthesis. Mais tarde, veio o Fotosite, do Marcelo Soubhia. A maior parte do trabalho era – e continua sendo – pesquisar, estudar, garimpar, analisar, filtrar informação e traduzir para o português. Tive colaboradores estudantes, o Fernando Schwedersky, da área de publicidade e internet, e a Paula Biazus e a Maisa Del Frari, do jornalismo.

Como você define a linha editorial do site? Como foi a recepção dos fotógrafos?
O site tratava de assuntos diversos, de forma alegre, às vezes de forma debochada. A linha editorial era de opiniões bem marcadas, numa linha inspirada pelo Pasquim. Criticava duramente políticas públicas para o setor. Alguns gostavam, outros reclamavam da linha, alguns odiavam. Arranjei algumas inimizades. Eu ria muito quando fazia, era divertido, um hobby caro. Exigia alto envolvimento, não tinha fim de semana, mas também aprendi muito.

De que forma eram abordadas questões mais técnicas da fotografia? 
Pegamos a entrada do digital, naquela época de muitas dúvidas técnicas e muito preconceito, resistência – às vezes meio burra – ao digital. A entrada do digital já foi com informação via internet, não havia tempo para publicação em livro, e mesmo revistas mensais não conseguiam acompanhar a velocidade. Um dos focos do site era o furo jornalístico na informação de lançamentos da indústria de fotografia digital e a previsão de tendências.

 

 

Você pode nos falar um pouco sobre a imagem acima?
É um exemplo da linha editorial debochada e de sua representação gráfica – cores berrantes, uso de gif animado… Também usava sons de fundo na página, que irritavam e assustavam muita gente. Tirava sarro de muitos puristas, fotógrafos e professores, que diziam que o digital nunca ia superar o filme e poluíam o Guaíba… (a fotografia analógica não existia ainda, é uma invenção nova deste mesmo povo). Hoje, os ecochatos analfabetos dizem que não se pode jogar fixador no ralo por causa dos metais pesados. Nunca estudaram química e desconhecem a tabela periódica. Não sabem que prata não é metal pesado. É um metal caro, e é burrice jogar fora.

Resgatamos também este material sobre as câmeras de 6 megapixel, publicado no início dos anos 2000. Pode nos falar um pouco a respeito?
Estudo e conhecimento técnico permitiram o entendimento de que 6 megapixel, que tínhamos no lançamento de câmeras digitais profissionais da época, bastariam para quase todo uso de fotografia editorial e publicitária. Até hoje, profissionais de publicidade ainda falam besteiras a respeito de resolução, por vezes por interesses comerciais, quando falam em imagens para outdoor, quando desconhecem sua forma de produção.

Pode nos explicar o conceito de “fotografia artesanal” mencionado no site?
O nome do site foi decidido logo que foi lançada a terminação .art. Ocorreu-me usar um nome bem sintético e menmômnico. Lembrava fotografia e arte. Posteriormente comecei a questionar essa questão de fotografia e arte, um território bastante pantanoso – todo fotógrafo quer ser artista. A fotografia jornalística e documental se esvazia politicamente quando vai para a parede de um museu, é num deslocamento que provoca uma descontextualização da informação. Uma das características da fotografia é o recorte espacial e temporal, e se a imagem é apresentada sem a apresentação da informação dessa trajetória, tende a se transformar em um ficção, plausível, e até arte. Na retomada do site, que coincidiu com um interesse geral pela fotografia suja, química, aproveitei para requalificar a desinência, fugindo de arte para artesanal, do fotografia feita à mão, fotografia alternativa ao “mainstream”. O digital é muito clean, limpinho, bonitinho, insípido, inodoro, não suja o Guaíba…

Por fim, o que motivou a retomada do site? O que podemos esperar desse retorno?
Um ponto de informação sobre fotografia como um hobby, como artesanato, como passatempo, sem a preocupação com arte, ou deslocando a estese para o brincar com fotografia.

 

29
abr

Carlos Heuser: Zona de Transição

 

 

Habituado desde criança a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, o fotógrafo Carlos Heuser desenvolveu um olhar atento em direção ao entorno das estradas – a todos aqueles lugares e situações nos quais nos detemos por frações de segundo e que muito em seguida desaparecem da nossa memória. Tendo a fotografia como linguagem, Heuser isola alguns desses instantes e espaços na série Zona de Transição, finalista do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte de 2016.

 

 

 

“No início, eram viagens de trem. Mais tarde, viagens pelas rodovias que foram sendo construídas no Rio Grande do Sul. Concomitantemente, o estado foi sendo urbanizando. As cidades foram crescendo, a paisagem se modificando. Onde antes só havia campo e mato, foram surgindo construções. O ensaio fala dessa transição do verde para o urbano”, comenta o fotógrafo, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

 

 

 

As imagens, obtidas entre 2014 e 2015, mostram a presença humana nesses lugares de passagem. Por vezes enigmáticas, apresentam também o caráter escultórico de certos rastros e ruínas deixados pela ação do homem. Em seu silêncio, as zonas de transição de Heuser se revelam lugares de extrema potência para a imaginação do espectador.

 

 

 

Professor do Instituto de Informática da UFRGS, engenheiro e fotógrafo, Carlos Heuser é formado em Engenharia Eletrônica, com mestrado e doutorado em Ciência da Computação. Trabalha com fotografia desde os anos 1970, quando montou um laboratório caseiro junto com sua esposa, a também fotógrafa e ex-aluna do Curso Anual de Fotografia Eliane Heuser.

 

 

 

O fotógrafo participou de exposições coletivas como Imaginarium (Saguão do Aeroporto Salgado Filho, 2007; e Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, 2009); Na Patagônia (Espaço STB-Brasas, 2007); POA_237 (Casa de Cultura Mario Quintana, 2009) e Múltiplos Olhares: 9 fotógrafos (Café do MARGS, 2016).

 

 

11
set

Os gaúchos de Fábio Mariot

 

 

Está aberta para visitação até 30 de setembro, na sala JB Scalco do Solar dos Câmara, a exposição Gaúcho, do fotógrafo Fábio Mariot, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Com curadoria do professor Manoel da Costa, a mostra compreende um trabalho realizado desde 2012 no interior do Rio Grande do Sul, registrando o cotidiano de quem vive no campo – especialmente em estâncias da fronteira oeste do estado. Saiba mais no post que publicamos aqui no blog.

 

 

 

 

 

 

Exposição Gaúcho, de Fábio Mariot
De 08 a 30 de setembro de 2015
De segunda à sexta-feira, das 08h30 às 18h30
Sala JB Scalco, térreo do Solar dos Câmara (Duque de Caxias, 968 – Centro – Porto Alegre)