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Posts from the ‘Notícias’ Category

8
dez

Eric Schwabel, o homem-estúdio

Eric Schwabel e seu estúdio portátil, 2010.

Eric Schwabel possui uma carreira bem-sucedida como fotógrafo em Los Angeles, mas há cerca de dois anos seu nome começou a se multiplicar exponencialmente por blogs e sites mundo afora. É o efeito do projeto “Human Light Suit”, um mirabolante estúdio de fotografia portátil que Schwabel acopla ao próprio corpo com o objetivo de produzir retratos ao ar livre sem abrir mão do controle total sobre a luz. Os personagens que ele escolhe fotografar, por sua vez, são pelo menos tão estranhos quanto a sua invenção e compõem uma galeria curiosa de retratos.

Foto: Eric Schwabel

Foto: Eric Schwabel.

A ideia de Schwabel tomou forma pela primeira vez em 2010, no festival Burning Man. Todos os anos, durante uma semana, esse evento leva cerca de 50 mil pessoas para o meio do deserto de Black Rock, no estado de Nevada (EUA), e as desafia a expressarem-se da maneira que quiserem. As regras de conduta são quase inexistentes e a arte é um dos maiores ingredientes de sucesso do evento. Foi o comportamento e a maneira de se vestir dos frequentadores que motivou Schwabel, um frequentador assíduo, a conceber um equipamento capaz de retratar essa estranha comunidade com a qualidade de uma foto de estúdio. As pessoas, cada qual mais exuberante do que a outra, são fotografadas contra o branco da areia e o denso azul do céu do deserto. Apesar dos desafios de fotografar nesse contexto, Schwabel se declara bastante econômico na hora de retocar, preferindo se restringir ao balanço de cor e à saturação especificamente das fotos em closeup.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

O “Light suit” de Schwabel contém luzes, refletores, uma câmera digital de médio formato e grandes baterias recarregáveis através de energia solar que mantêm toda a estrutura funcionando. O equipamento costuma ser alugado com a ajuda de patrocinadores que contribuem através do site kickstarter.com. A arrecadação para a terceira edição do projeto já começou e se estende ate o dia 6 de agosto.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

24
nov

Retratos de família contemporâneos, por John Clang

Foto: John Clang

Na Singapura, as famílias têm a tradição de eternizar ocasiões importantes reunindo-se para uma fotografia formal. Muitas vezes feita em estúdio, a foto costuma ser emoldurada e exibida com orgulho na parede da casa. Entretanto, com a crescente emigração no país, cada vez mais os jovens dessas famílias partem para tentar a vida em outras cidades, deixando uma lacuna nesses retratos. Na busca por uma solução a esse problema, o fotógrafo local John Clang usou a tecnologia para desenvolver um tipo particular de retrato de família, mesclando imagens reais e projeções digitais. Utilizando o recurso de video-chamada do Skype, que já facilita há anos o contato e a comunicação entre entes que vivem separados, Chang projeta a imagem captada pela webcam em uma parede, posiciona os parentes ao lado dessa projeção e fotografa as famílias reunidas. Não há necessidade de Photoshop.

Skype Portraits. Foto: John Clang

Skype Portraits. Foto: John Clang

Morador de Nova Iorque, Clang fez os primeiros testes com sua própria família. Depois, usou a internet, embaixadas e recomendações de amigos para encontrar cingaporeanos interessados e fazer parte das próximas imagens. Uma delas foi encomendada por Alexia Wai-Chun Tye, uma economista que vive em Paris desde 1999. Sua filha de 24 anos, Stephanie Chi-Eeng Tsui, cresceu lá e foi educada em Londres, mas voltou à Singapura para trabalhar na agência Saatchi & Saatchi. Tye conta que fazer a imagem foi como participar de um “encontro de família virtual”. Um dos detalhes mais interessantes, além da alegria que caracteriza muitos desses rituais, é que os membros dessas famílias podem até estar acostumados a verem-se por retratos ou pela tela de um computador, mas não escondem a satisfação ao enxergarem-se lado a lado.

Skype Portraits. Foto: John Clang

Skype Portraits. Foto: John Clang

Clang exibirá seus retratos no Museu Nacional da Singapura em 2013.

Skype Portraits. Foto: John Clang

Skype Portraits. Foto: John Clang

 

 

19
ago

O retorno do site foto.art, de Sérgio Sakakibara (Japa)

 

 

Lançado originalmente em 1997 pelo fotógrafo Sérgio Sakakibara, o site foto.art está de volta com sua abordagem didática e iconoclasta. Para celebrar esse retorno e o Dia Mundial da Fotografia, conversamos com o Japa – como Sérgio é mais conhecido – a respeito do início do foto.art, no final dos anos 1990, um precursor entre os sites brasileiros dedicados ao universo fotográfico.

 

 

Como foi o começo do site? O que havia de conteúdo online relacionado à fotografia naquela época?
Tinha um site do Clício Barroso e outro do Rio de Janeiro, o Photosynthesis. Mais tarde, veio o Fotosite, do Marcelo Soubhia. A maior parte do trabalho era – e continua sendo – pesquisar, estudar, garimpar, analisar, filtrar informação e traduzir para o português. Tive colaboradores estudantes, o Fernando Schwedersky, da área de publicidade e internet, e a Paula Biazus e a Maisa Del Frari, do jornalismo.

Como você define a linha editorial do site? Como foi a recepção dos fotógrafos?
O site tratava de assuntos diversos, de forma alegre, às vezes de forma debochada. A linha editorial era de opiniões bem marcadas, numa linha inspirada pelo Pasquim. Criticava duramente políticas públicas para o setor. Alguns gostavam, outros reclamavam da linha, alguns odiavam. Arranjei algumas inimizades. Eu ria muito quando fazia, era divertido, um hobby caro. Exigia alto envolvimento, não tinha fim de semana, mas também aprendi muito.

De que forma eram abordadas questões mais técnicas da fotografia? 
Pegamos a entrada do digital, naquela época de muitas dúvidas técnicas e muito preconceito, resistência – às vezes meio burra – ao digital. A entrada do digital já foi com informação via internet, não havia tempo para publicação em livro, e mesmo revistas mensais não conseguiam acompanhar a velocidade. Um dos focos do site era o furo jornalístico na informação de lançamentos da indústria de fotografia digital e a previsão de tendências.

 

 

Você pode nos falar um pouco sobre a imagem acima?
É um exemplo da linha editorial debochada e de sua representação gráfica – cores berrantes, uso de gif animado… Também usava sons de fundo na página, que irritavam e assustavam muita gente. Tirava sarro de muitos puristas, fotógrafos e professores, que diziam que o digital nunca ia superar o filme e poluíam o Guaíba… (a fotografia analógica não existia ainda, é uma invenção nova deste mesmo povo). Hoje, os ecochatos analfabetos dizem que não se pode jogar fixador no ralo por causa dos metais pesados. Nunca estudaram química e desconhecem a tabela periódica. Não sabem que prata não é metal pesado. É um metal caro, e é burrice jogar fora.

Resgatamos também este material sobre as câmeras de 6 megapixel, publicado no início dos anos 2000. Pode nos falar um pouco a respeito?
Estudo e conhecimento técnico permitiram o entendimento de que 6 megapixel, que tínhamos no lançamento de câmeras digitais profissionais da época, bastariam para quase todo uso de fotografia editorial e publicitária. Até hoje, profissionais de publicidade ainda falam besteiras a respeito de resolução, por vezes por interesses comerciais, quando falam em imagens para outdoor, quando desconhecem sua forma de produção.

Pode nos explicar o conceito de “fotografia artesanal” mencionado no site?
O nome do site foi decidido logo que foi lançada a terminação .art. Ocorreu-me usar um nome bem sintético e menmômnico. Lembrava fotografia e arte. Posteriormente comecei a questionar essa questão de fotografia e arte, um território bastante pantanoso – todo fotógrafo quer ser artista. A fotografia jornalística e documental se esvazia politicamente quando vai para a parede de um museu, é num deslocamento que provoca uma descontextualização da informação. Uma das características da fotografia é o recorte espacial e temporal, e se a imagem é apresentada sem a apresentação da informação dessa trajetória, tende a se transformar em um ficção, plausível, e até arte. Na retomada do site, que coincidiu com um interesse geral pela fotografia suja, química, aproveitei para requalificar a desinência, fugindo de arte para artesanal, do fotografia feita à mão, fotografia alternativa ao “mainstream”. O digital é muito clean, limpinho, bonitinho, insípido, inodoro, não suja o Guaíba…

Por fim, o que motivou a retomada do site? O que podemos esperar desse retorno?
Um ponto de informação sobre fotografia como um hobby, como artesanato, como passatempo, sem a preocupação com arte, ou deslocando a estese para o brincar com fotografia.