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Posts from the ‘Narrativa Visual’ Category

9
mar

O amor que deixamos pra trás, de Cody Bratt

 

 

Paisagens e retratos se intercalam na série Love We Leave Behind [ O amor que deixamos pra trás], do fotógrafo norte-americano Cody Bratt. Ele percorreu estradas dos estados da Califórnia e de Nevada, registrando espaços marcados por certo clima de desolação. Às imagens desses percursos, somou fotografias que produziu com modelos em ambientes da região.

 

 

 

 

“Quis lançar duas questões: ao passo que construímos espaços no território e cruzamos por eles, que tipos de marcas nossas vidas interiores deixam pra trás? Além disso, à medida que esses lugares envelhecem e desaparecem, aqueles resíduos emocionais persistem de alguma maneira perceptível?”, pergunta-se o fotógrafo.

 

 

 

 

O resultado é um ensaio que remete a grandes nomes da história da fotografia dos Estados Unidos – como William Eggleston, em suas fotos de postos de gasolina – que desbravaram o oeste do país. A série traz um forte componente ficcional com a inclusão dos retratos, compondo uma narrativa fragmentada que sugere uma viagem pelos desertos próximos ao Pacífico. Assim, Bratt não só constrói um imaginário da região, como abre espaço para o espectador criar seus próprios significados para as imagens.

 

 

 

 

Vivendo em São Francisco (Califórnia, EUA), Cody Bratt dedica-se a ensaios que têm paisagens e retratos como temáticas centrais. Suas séries são obtidas com diferentes suportes, utilizando câmeras digitais, analógicas e instantâneas. Desde 2009, participa de diversas exposições coletivas, tendo também publicado livros e reportagens.

 

 

 

 

7
mar

Aaron Blum: nascido e criado em Appalachia

 

 

Um olhar desde dentro para um lugar visto e conhecido de fora por muitos norte-americanos. A paisagem que rodeia a cidade de Appalachia no estado de West Virginia é o cenário do ensaio Born and Raised [Nascido e criado], do fotógrafo norte-americano Aaron Blum. Suas imagens mostram um entorno cotidiano que mescla sensações de contemplação e estranhamento.

 

 

 

 

“A luz desempenha um papel importante em como entendo esse lugar. O sol cria um brilho que cobre as montanhas, rios e florestas, criando sombras compridas, áreas escuras e névoas cinzas que perpassam a paisagem. Essa qualidade única é inerente às montanhas e catalisa a imaginação – um pano de fundo que se torna estranho e magnífico”, conta o fotógrafo.

 

 

 

 

Blum busca encontrar um olhar particular a partir de sua conexão com o local. No entanto, ressalta que mesmo essa visão é permeada pelo imaginário idealizado que se tem da região. Nesse caldo de imagens coletivas e pessoais, ele procura dar peso às suas experiências nos recantos da cidade.

 

 

 

 

Depois de graduar-se em fotografia pela West Virginia e pela Syracuse University, Aaron Blum teve seu trabalho reconhecido desde cedo em diversos festivais e concursos nos Estados Unidos. Já teve suas imagens apresentadas em canais de televisão como CNN e BBC e faz parte das coleções permanentes do Haggerty Museum of Art e do Houston Museum of Fine Art.

 

 

 

3
mar

Alain Laboile: celebrando os mistérios da infância

 

 

“Dia após dia, fui criando um álbum familiar que constitui um legado que transmitirei a meus filhos. Meu trabalho gira em torno da infância deles e reflete nosso estilo de vida.” A humildade marca a reflexão do francês Alain Laboile a respeito de sua produção fotográfica. Suas imagens, no entanto, vão muito além de um mero registro do crescimento de seus filhos.

 

 

 

 

 

“Embora meu trabalho seja extremamente pessoal, é também acessível, abordando a natureza humana e permitindo ao espectador entrar em meu mundo e refletir a respeito de sua própria infância”, descreve o fotógrafo. O caráter universal da série ganha força com a escolha do preto e branco e dos rostos por vezes ocultos de seus personagens.

 

 

 

 

 

As fotografias buscam captar certa aura de mistério da infância. No lugar de um imaginário de pureza, muito comum em ensaios com essa temática, encontramos instantes das crianças que sugerem descobertas, medos, encantamentos e um tanto de solidão. Ângulos inusitados reforçam essa atmosfera, remetendo a um tempo subjetivo em que tudo ainda é bastante novo, curioso, desafiador.

 

 

 

 

 

Nascido em 1968, em Bordeaux, na França, Alain Laboile é fotógrafo e pai de seis filhos. Dedicava-se à escultura até adquirir uma câmera, em 2004, para fotografar sua produção escultórica, o que desencadeou sua guinada em direção à linguagem fotográfica. Desde então, participa de exposições em diversos países, tendo também publicado livros de fotografia.