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Posts from the ‘Narrativa Visual’ Category

14
mar

Dawn Wooley: A substituta

 

 

O ensaio The Substitute [A substituta], da fotógrafa britânica Dawn Wooley, abre-se a diversas reflexões a partir de um procedimento bastante simples: ela encena situações em que se veem homens simulando momentos de intimidade com uma imagem bidimensional da fotógrafa, em tamanho real. As cenas são construídas de forma meticulosa, com ângulos cuidadosamente escolhidos. Em algumas das imagens, só um olhar mais atento percebe a “substituição”.

 

 

 

 

A imagem impressa colocada em cena articula algumas dimensões da série – a começar por questões em torno da imagem da mulher e suas representações. Wooley questiona a objetificação da figura feminina tornando-se ela própria tanto um objeto quanto dona de um olhar voyeurístico em direção às cenas, o que acaba se tornando uma forma bastante peculiar de autorretrato.

 

 

 

 

Além da reflexão sobre relações de poder, Wooley acaba também abordando aspectos mais amplos da fotografia. Afinal, assim como em suas imagens, a fotografia, de modo geral, explora os limites de sua bidimensionalidade, jogando com seu potencial de ilusão tridimensional. A série, portanto, acaba sobrepondo camadas de elementos que permitem pensar das questões de gênero à construção do real pela linguagem fotográfica.

 

 

 

 

Ao concluir o Ensino Médio, em 2001, Dawn Wooley passou a explorar sua criatividade realizando vídeos, performances, fotografias e instalações. Desde então também integra diversas exposições individuais e coletivas. Em 2008, concluiu estudos em fotografia no Royal College of Art. Atualmente vive e trabalha em Cambridge, na Inglaterra.

 

9
mar

O amor que deixamos pra trás, de Cody Bratt

 

 

Paisagens e retratos se intercalam na série Love We Leave Behind [ O amor que deixamos pra trás], do fotógrafo norte-americano Cody Bratt. Ele percorreu estradas dos estados da Califórnia e de Nevada, registrando espaços marcados por certo clima de desolação. Às imagens desses percursos, somou fotografias que produziu com modelos em ambientes da região.

 

 

 

 

“Quis lançar duas questões: ao passo que construímos espaços no território e cruzamos por eles, que tipos de marcas nossas vidas interiores deixam pra trás? Além disso, à medida que esses lugares envelhecem e desaparecem, aqueles resíduos emocionais persistem de alguma maneira perceptível?”, pergunta-se o fotógrafo.

 

 

 

 

O resultado é um ensaio que remete a grandes nomes da história da fotografia dos Estados Unidos – como William Eggleston, em suas fotos de postos de gasolina – que desbravaram o oeste do país. A série traz um forte componente ficcional com a inclusão dos retratos, compondo uma narrativa fragmentada que sugere uma viagem pelos desertos próximos ao Pacífico. Assim, Bratt não só constrói um imaginário da região, como abre espaço para o espectador criar seus próprios significados para as imagens.

 

 

 

 

Vivendo em São Francisco (Califórnia, EUA), Cody Bratt dedica-se a ensaios que têm paisagens e retratos como temáticas centrais. Suas séries são obtidas com diferentes suportes, utilizando câmeras digitais, analógicas e instantâneas. Desde 2009, participa de diversas exposições coletivas, tendo também publicado livros e reportagens.

 

 

 

 

7
mar

Aaron Blum: nascido e criado em Appalachia

 

 

Um olhar desde dentro para um lugar visto e conhecido de fora por muitos norte-americanos. A paisagem que rodeia a cidade de Appalachia no estado de West Virginia é o cenário do ensaio Born and Raised [Nascido e criado], do fotógrafo norte-americano Aaron Blum. Suas imagens mostram um entorno cotidiano que mescla sensações de contemplação e estranhamento.

 

 

 

 

“A luz desempenha um papel importante em como entendo esse lugar. O sol cria um brilho que cobre as montanhas, rios e florestas, criando sombras compridas, áreas escuras e névoas cinzas que perpassam a paisagem. Essa qualidade única é inerente às montanhas e catalisa a imaginação – um pano de fundo que se torna estranho e magnífico”, conta o fotógrafo.

 

 

 

 

Blum busca encontrar um olhar particular a partir de sua conexão com o local. No entanto, ressalta que mesmo essa visão é permeada pelo imaginário idealizado que se tem da região. Nesse caldo de imagens coletivas e pessoais, ele procura dar peso às suas experiências nos recantos da cidade.

 

 

 

 

Depois de graduar-se em fotografia pela West Virginia e pela Syracuse University, Aaron Blum teve seu trabalho reconhecido desde cedo em diversos festivais e concursos nos Estados Unidos. Já teve suas imagens apresentadas em canais de televisão como CNN e BBC e faz parte das coleções permanentes do Haggerty Museum of Art e do Houston Museum of Fine Art.