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Posts from the ‘Grafismo’ Category

25
abr

Yingting Shih: abstrações da natureza

Florestas que parecem tempestades, gotas d’água que lembram pérolas, troncos que parecem vistas aéreas de cidade. Tais associações, entre outras muitas possíveis, se dão ao contemplarmos as imagens do fotógrafo taiwanês Yingting Shih, na série Revelations of Nature [Revelações da natureza]. A série nos apresenta paisagens e outros elementos da natureza de modo surpreendente, explorando as possibilidades da linguagem fotográfica.

“Revelações da natureza é um projeto dedicado a ver a natureza de uma perspectiva totalmente diferente. Para mim, a fotografia proporciona infinitas revelações criativas sobre a vida cotidiana – um modo de descobrir vistas despercebidas, no entanto, belas da natureza”, comenta o fotógrafo.

Ao utilizar o preto e branco, a série reforça ainda mais seu caráter abstrato, afastando-se de uma fácil identificação sobre seus contextos. Shih joga com a escala das tomadas, seja se aproximando ou se distanciando dos espaços, e assim flerta com o desenho ao reforçar linhas e padrões gráficos. Novos mundos que se desvelam a partir dos movimentos do fotógrafo.

Nascido em Taiwan, em 1974, Yingting Shih vive atualmente na província de Taoyuan (Taiwan). É doutor em Comunicação – Jornalismo pela Universidade Nacional Chengchi e desde 2011 participa de festivais e concursos de fotografia, acumulando diversos prêmios.

 

25
nov

Memórias e paisagens nas calçadas de Porto Alegre, de Vera Carlotto

 

 

“Para mim, muitas vezes, caminhar olhando para baixo é um ato de reflexão. Nesse caminhar me deparei com desenhos sob meus pés. Sempre digo que a pedra me escolheu, e eu pude ver os grafismos contidos nela.” Assim a fotógrafa Vera Carlotto descreve a gênese do projeto que deu origem à exposição Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, em cartaz nas Salas Negras do MARGS até 15 de janeiro.

 

 

 

 

 

A mostra apresenta 27 imagens que revelam grafismos – “camadas de rastros, respirações, pulsações, memórias, cores, linhas e formas”, nas palavras da fotógrafa – encontrados em superfícies de pedra basáltica das calçadas de Porto Alegre. Fora do MARGS, as fotografias que compõem a série também foram instaladas em calçadas da Praça Germânia, do Instituto Ling e do bairro Petrópolis (nas ruas Cel. Corte Real, Dario Pederneiras e Professor Langendonck).

 

 

 

 

 

Ao longo de cinco anos, percorrendo em torno de cinquenta ruas da cidade, foram capturadas mais de três mil imagens. “Os desenhos na superfície são fósseis, frutos da penetração de elementos da natureza na rocha, da riqueza de minerais que ela possui, da forma de extração e da exposição a intemperes”, descreve. As fotografias se dividem em três eixos: Natureza – remetendo a trabalhos de artistas chineses de diferentes séculos –, Rupestres – fazendo alusão a desenhos pré-históricas – e Curvas – linhas e fragmentos com inspiração na obra da artista Tomie Othake.

 

 

 

 

 

A fotógrafa destaca o desenvolvimento dos primeiros passos do trabalho durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. “A discussão com colegas e professores foi muito rica e impulsionou meu projeto. A partir daí passei a buscar mais imagens nas calçadas”, relembra Vera. Entre outros momentos, ela destaca a sugestão dos professores para explorar arquivos de imagens antigas que havia produzido, bem como as inúmeras sugestões de referências e abordagens. Nascida em 1962, em Porto Alegre, Vera Carlotto é formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul (2014). Nos anos 1990, viveu em Londres, dedicando-se à escultura e a estudos na Richmond Adult & Community College. Já realizou exposições como Portonírico (2012), na sala J.B. Scalco do Solar dos Câmara, e Mosaicografia (2016), no largo Glênio Peres, ambas na capital gaúcha, entre outras mostras.

 

Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, de Vera Carlotto
Salas Negras do MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/n° – Centro Histórico de Porto Alegre)
Até 15 de janeiro, sempre de terça-feira a domingo, das 10h às 19h

 

21
out

A vida aquática de Silvie De Burie

 

 

O fascínio pela vida aquática faz com que a fotógrafa belga Silvie De Burie se desloque anualmente ao resort Portulano Dive, nas Filipinas, para fotografar recifes de corais. Ela passa períodos de três meses – de janeiro a março – no local, fazendo, ao todo, mais de cem mergulhos. Silvie chega a passar seis horas diárias embaixo d’água, alternando imersões que alcançam os 15 metros de profundidade.

 

 

 

 

A rotina habitual de Silvie transcorre na cidade belga de Gent, onde ela trabalha como guia turística, mas sua paixão pela vida submarina tem mais de uma década. Somente nos últimos anos, no entanto, ela passou a levar uma câmera consigo para registrar os recifes. Em entrevista à revista Wired, Silvie conta que o mais comum entre os mergulhadores é nadar sem dedicar maior atenção aos corais – os quais, para ela, são o verdadeiro tesouro dos mares.

 

 

 

 

“Cada fotografia revela um padrão gráfico colorido e fascinante, que se trata, na verdade, de uma colônia de pequeníssimos organismos. Os recifes dos oceanos estão aí há milhões de anos. Deveríamos dar atenção a esse grande baú de tesouros”, reflete a fotógrafa.

 

 

 

 

Silvie De Burie estudou artes audiovisuais, época em que começou a explorar a fotografia. Em seus mergulhos, usa lentes macro em câmeras devidamente protegidas da água, e ilumina os corais com duas unidades de flash eletrônico especialmente projetadas para fotografia submarina. Muitas vezes, segundo a fotógrafa, só no momento de tratar as imagens é que ela consegue ver, de fato, as cores e texturas, dada a dificuldade de enxergar com nitidez sem luz artificial. Uma dedicação, portanto, repleta de surpresas.