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Posts from the ‘Fotojornalismo’ Category

21
mar

Chris De Bode: fotografando sonhos

 

 

I have a dream. A frase imortalizada por Martin Luther King dá nome ao ensaio do fotógrafo holandês Chris De Bode em torno da infância. Ele percorreu diversos países, retratando crianças de diferentes nacionalidades, buscando rostos e expressões que revelam uma mensagem universal. “Toda criança sonha em conquistar seu espaço nesse mundo, onde possam ser elas mesmas, sem que suas condições de vida as restrinjam”, conta o fotógrafo.

 

 

 

 

Suas imagens colocam os personagens em relação com seus entornos, deixando ver um pouco do contexto de suas vidas, em países como Haiti, Libéria, Jordânia, Índia, México, Turquia e Uganda. Ao mesmo tempo, os espaços contribuem para construir o componente teatral e onírico dos sonhos de cada criança.

 

 

 

 

“Algumas das crianças que conheci não eram desafiadas o bastante para fantasiar. Elas estavam simplesmente ocupadas em sobreviver. Para muitos de nós, o lugar em que nascemos determina nosso destino. Soa óbvio dizê-lo, mas essa é a dura realidade. Ainda assim, ninguém pode nos tirar nossos sonhos”, afirma o fotógrafo em entrevista ao site Lens Culture.

 

 

 

 

Fotógrafo, documentarista e cineasta, Chris De Bode passou a se interessar por fotografia em sua profissão anterior, como instrutor de escalada. Após uma viagem à Palestina, decidiu focar seu trabalho em questões humanitárias. Desde então, viajou a mais de 70 países coletando histórias, fotografando para instituições como Save the Children, Greenpeace e Oxfam.

 

 

 

17
mar

Richard Sandler: os olhos da cidade

 

 

Entre 1977 e 2001 o fotógrafo norte-americano Richard Sandler registrou rostos, corpos e paisagens de Nova York – com incursões também a Boston, especialmente nos primeiros anos –, desenvolvendo um relato visual sobre uma época que marcou a história da Big Apple. As imagens deste post integram o livro The Eyes of the City, lançado no ano passado.

 

 

 

 

Tudo começou nos anos 1970, quando Sandler foi presenteado com uma Leica 3F por Mary McClelland, esposa de um psicólogo de Harvard. Ela também lhe deu acesso a um laboratório de revelação, possibilitando, assim, o início da carreira do fotógrafo. À época, Sandler era um jovem que faltava às aulas para explorar as atrações da grande metrópole.

 

 

 

 

O escritor Jonathan Ames, que escreve o posfácio do livro, descreve a cidade representada pelas imagens de Sandler como “um jogo de ganância, decadência, venalidade, beleza, espera, significados ocultos, coincidências, amor, terror, vulgaridade, sofrimento, tédio e solidão”. Tudo isso compondo a matéria das contradições entre a ostentação de Wall Street e as marcas das tensões sociais expressas no grafite dos metrôs, sinais de uma Nova York repleta de conflitos.

 

 

 

 

A série de imagens de Sandler é uma investigação profunda do cotidiano nova-iorquino e das transformações que a cidade viveu do final dos anos 1970 até o início dos anos 2000, período que tem como marco final os atentados de 11 de setembro. Sandler mostra instantes de uma realidade que modificou-se muito nesse período e nos anos seguintes, mas que de certa forma ainda compõem o nosso imaginário da vida nas ruas de Nova York.

 

 

 

 

 

Além de fotógrafo, Richard Sandler é também documentarista, tendo filmado oito filmes sobre Nova York. Suas fotografias integram coleções de instituições como New York Public Library, Brooklyn Museum, New York Historical Society e Houston Museum of Fine Art.

 

 

24
jan

Valery Melnikov: as tensões na república de Lugansk

 

 

A revolução da praça Maiden, em Kiev, na Ucrânia, ocorrida entre 2013 e 2014, segue tendo consequências. Uma delas foi a intensificação de movimentos pró-Rússia no leste do país, o que levou a criação de duas repúblicas autoproclamadas: Donetsk e Lugansk, que se declararam independentes do governo ucraniano. A última é objeto de uma série de imagens do fotógrafo russo Valery Melnikov.

 

 

 

 

“Apesar das diversas tentativas de cessar-fogo e resolução do conflito, nenhum lado está pronto para baixar as armas”, conta o fotógrafo. Ao longo de aproximadamente três meses, a população de Lugansk ficou sem água e eletricidade, após cortes realizados pelo governo ucraniano.

 

 

 

 

Recentemente, negociações para trocas de prisioneiros avançaram, contribuindo para que o suprimento voltasse ao normal. Os conflitos na região levaram centenas de pessoas a buscarem novos lares. Enquanto isso, a tensão segue constante entre o governo de Kiev e os novos estados independentes pró-Rússia.

 

 

 

 

A posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos é mais um elemento que provavelmente terá consequências na situação geopolítica do leste europeu e nas relações entre Rússia e Europa ocidental. Novos capítulos da história de lugar de fronteira que demarca tensões entre as principais potências do mundo.

 

 

 

 

Valery Melnikov é um fotógrafo russo que já recebeu diversos prêmios por conta de coberturas de conflitos recentes como os da Síria e de Kiev. Dedica-se ao fotojornalismo desde o início de sua carreira e já teve imagens publicadas nos principais periódicos da Europa e dos Estados Unidos. Suas fotos de Lugansk lhe renderam um dos prêmios do concurso internacional da Magnum em 2016.