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Posts from the ‘Fotojornalismo’ Category

23
abr

Da fotografia à literatura: a perspectiva de Cláudia Andujar sobre a tribo Ianomâmi

Divulgação: Uol

Cláudia Andujar teve uma vida bastante tensa e agitada. Em 1931, nasceu na Suíça. Pouco tempo mais tarde, a sueca perdeu o pai, judeu, em um campo de concentração. Como se não fosse o bastante, a jovem menina acabou perdendo a maior parte de sua família na Segunda Guerra Mundial. Por esse motivo, Cláudia se mudou para os Estados Unidos, onde se formou em humanidades na Hunter College e, mais tarde, trabalhou como intérprete na Organização das Nações Unidas (ONU). Lá, casou-se com Julio Andujar, refugiado da Guerra Civil Espanhola, mas acabou se divorciando poucos meses depois. Apesar disso, Cláudia resolveu manter o sobrenome do casamento para começar uma vida nova sem os tormentos da guerra.

Anos mais tarde decide se mudar para o Brasil, onde já vivia sua mãe. Dessa forma, teve a possibilidade de naturalizar-se brasileira e, a partir daí, Cláudia passa a desenvolver sua vida como fotógrafa, direcionada para a área do fotojornalismo. Não muito tempo depois de iniciar a carreira, recebeu a proposta de fotografar para a revista Realidade, que, na época, estava fazendo um especial sobre a Amazônia. Sua tarefa para a revista seria fotografar a tribo indígena dos Ianomâmi, bastante isolada das demais tribos da região. Nesse projeto, Cláudia alavancou sua vida profissional, ganhando reconhecimento após o trabalho.

Foto: Cláudia Andujar

Contudo, o projeto enquadrou-se em algumas práticas irregulares de leis de regulamentação territorial e, por isso, em 1978, Cláudia foi expulsa da região da tribo por ordem da FUNAI. Após o ocorrido, a fotógrafa viaja para São Paulo onde desenvolve estudos e grupos para a preservação da tribo Ianomâmi, o que culminou na criação na ONG Comissão pela Criação do Parque Ianomâmi, projeto que levou à demarcação das terras da tribo, oficializada em 1992.

Foto: Cláudia Andujar

Conforme a luta pelos direitos indígenas se intensificava, Cláudia diminuía sua participação na fotografia. No entanto, deixou uma vasta contribuição na literatura, publicando mais de dez livros – entre os quais Yanomami: A Casa, A Floresta, O Invisível (1998) e Amazônia (1978) – e também no cinema, com o lançamento do documentário Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami (1972).

Foto: Cláudia Andujar

Foto: Cláudia Andujar

Foto: Cláudia Andujar

 

14
dez

Tim Hetherington: vida e morte na guerra

Retrato de Tim Hetherington

 

“Eu quero gravar eventos mundiais, uma grande história contada na forma de uma pequena história, a perspectiva pessoal que dá significado à minha vida. Meu trabalho é sobre construir pontes entre mim e o público”, disse Tim Hetherington cinco semanas antes de sua morte. Em abril de 2011, o fotojornalista premiado foi vítima de um ataque fatal durante a cobertura da guerra civil na Líbia.

Defensor dos direitos humanos e uma referência em inovação da mídia, Hetherington assina trabalhos que variam de ensaios fotográficos para revistas e documentários a instalações de arte, exibições multimídia e trabalhos investigativos para a Human Rights Watch e as Nações Unidas. O mais famoso de seus filmes é Restrepo. Indicado ao Oscar de melhor documentário no ano fatídico ano de 2011 e vencedor do Festival de Sundance em 2010, o filme é uma co-direção com o jornalista e escritor Sebastian Junger e mostra a guerra pela perspectiva dos jovens soldados americanos no Afeganistão.

Hetherington era britânico e se formou em 1992 em Oxford, com um diploma em Clássicos e Inglês. Também é graduado em fotojornalismo pela Universidade de Cardiff em 1997. Trabalhou inicialmente para a imprensa do Reino Unido e logo passou a se dedicar a coberturas internacionais. Ele trabalhou e viveu na África por muitos anos, explorou as consequências da guerra e chegou a documentá-lo, antes de se aprofundar em entender as origens e causas da violência. Descrito por Stephen Mayes, diretor-executivo do Tim Hetherington Charitable Trust, como um “homem de grande inteligência”, Hetherington fez da guerra um processo de autodescoberta: “Eu não conheço muitos outros homens heterossexuais discutindo masculinidade, mas definir sua masculinidade é parte do processo de guerra. A ação de ir (à guerra) é tão importante quanto o que vem à tona depois”.

Uma de suas obras, “Long Story Bit por Bit: Libéria Retold”, conta os seus oito anos na África Ocidental, quatro deles vividos na Libéria. É um livro com fotografias documentais, testemunho oral e memórias dos ocorridos, contando a tragédia e o triunfo na história recente da Libéria. O fotojornalista ficou fascinado com a dinâmica do poder que se desenrolava na África e, na obra, ele expressa esse sentimento.

Já a obra “Infiel” retrata o cotidiano do pelotão dos EUA no Vale do Korengal, área afegã considerada uma das mais perigosas na guerra contra os talibãs. Hetherington fez uma série de imagens que retratou a camaradagem e a vulnerabilidade dos militares. O livro também conta com imagens das tatuagens que os soldados deram um ao outro no acampamento, sendo uma homenagem aos “homens rudes prontos para fazer violência em nosso nome” e uma contribuição provocativa para a documentação da guerra em nosso tempo.

Infidel, Hetherington.

Infidel, Hetherington.

Long Story Bit por Bit: Libéria Retold, Hetherington.

Long Story Bit por Bit: Libéria Retold, Hetherington.

Long Story Bit por Bit: Libéria Retold, Hetherington.

Long Story Bit por Bit: Libéria Retold, Hetherington.

Em 2008, ele ganhou o prêmio Rory Peck Award, concedido a operadores de câmera freelancers que arriscam suas vidas para informar sobre eventos interessantes, como por exemplo, as guerras. Tim Hetherington trabalhava em todas as formas de mídia se redefinindo como artista e humanitário.

Para ver mais fotografias do Tim Hetherington, acesse: https://www.timhetheringtontrust.org/

Redigido por Márcia Fernandes
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23
nov

Evandro Teixeira e seus registros históricos do Brasil

Um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro, Evandro Teixeira presenciou importantes momentos da história do país. Hoje, aos 83 anos, o fotógrafo é lembrado por seus registros, em diferentes partes do mundo, e suas fotos integram acervos de museus como o de Belas Artes de Zurique, na Suíça, o Museu de Arte Moderna La Tertulia, na Colômbia, e o Masp, em São Paulo.

O papa João Paulo II em sua segunda visita ao Brasil (Salvador, Bahia, 1991)

Nascido na cidade baiana de Irajuba, iniciou sua carreira jornalística em 1958, no jornal O Diário de Notícias, em Salvador, mas logo foi transferido para o Diário da Noite, na cidade do Rio de Janeiro, onde mora até hoje. Tornou-se uma figura mítica do fotojornalismo em 1963, quando ingressou no Jornal do Brasil e nele permaneceu por 47 anos.

Evandro esteve presente em lugares e momentos marcantes da história do Brasil e até de outros países. Algumas das suas coberturas mais importantes foram a chegada do general Castello Branco ao Forte de Copacabana durante o golpe militar de 1964, a repressão ao movimento estudantil no Rio de Janeiro, em 1968, e a queda do governo Salvador Allende, no Chile, em 1973, entre outras.

Tomada do Forte de Copacabana no golpe de militar (1964)

Cavalaria em ação na igreja da Candelária, em protesto durante a missa pela morte do estudante Edson Luís (1968)

Passeata dos 100 mil (Cinelândia, Rio de Janeiro, 1968

O jornalista que cobriu duas ditaduras disse ao portal Photos que se orgulha de ser um profissional inspirador para seus colegas de profissão e que o fotojornalismo é uma ferramenta importante no registro da história. Por ocasião das manifestações de 2013, Evandro foi questionado sobre como foi a sensação de reviver os protestos de 1968 e disse que procurou participar e sentir de perto o movimento. “As reivindicações são outras, mas os ideais são os mesmos. Não podia ficar fora! Hoje, não estou mais preso a um jornal, mas continuo com a minha missão e paixão, fotografar. Afinal, esta é a minha profissão.”

Redigido por Carolina Camejo
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