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Posts from the ‘Entrevistas’ Category

20
out

Retratos de Silvia Giordani propõem jogos de representação

La Fiancée. Foto: Silvia Giordani.

Qual a criança que nunca brincou de vestir a roupa da mãe ou do pai? A artista Silvia Giordani parte dessa brincadeira que tantos têm no passado para criar a série de fotografias Mise en Scène. Na releitura de Silvia, quando o passa-tempo lúdico é transportado para o estúdio, coloca em jogo questões relacionadas ao corpo e a sua representação. Silvia se interessa pelas maneiras como as pessoas constroem a sua imagem diante da câmera. Com este trabalho, ela olha para o efeito que a expectativa de ser retratada, as roupas e o cenário causam na criança que ainda não aprendeu os códigos sociais de postura.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

Realizado em 2012 durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, Mise en Scène tem atraído atenção de especialistas e começa agora a percorrer uma série de espaços expositivos. Está em cartaz até 26 de maio em mostra do programa Exposições 2013, no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP). As cinco fotografias apresentadas lá, em sala reservada, são as fotos que compõem este post. Em setembro, Silvia apresenta o trabalho ao público gaúcho em exposição individual na Associação Chico Lisboa, e, no mês seguinte, em mostra coletiva no MAC-RS.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

La Femme. Foto: Silvia Giordani.

Nesta entrevista para o blog do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, a artista dá detalhes sobre a realização da série Mise en Scène:

O que te motivou a abordar essa brincadeira que as crianças fazem com as roupas dos pais?

A ideia surgiu ao observar crianças brincado desta maneira. Pensei em fotografar para observar o que aconteceria em um ambiente menos despojado do que o interior de uma casa. No estúdio já não era uma brincadeira, pois se tratava da representação de um adulto. Seria muito diferente se eu ficasse na espreita fotografando crianças brincando.

Depois eu fotografei outras sete crianças, meninas e meninos. Essas fotos ainda estão em estudo.

Comente as escolhas técnicas e estéticas que tu fizeste como o fundo escuro, o tapete e os outros elementos do cenário… qual o motivo para eles estarem lá?

Eu fiz vários testes com fotos na rua, em casa, em outras locações, mas no estúdio o fundo era limpo e a atenção se volta só para a criança e os objetos. Os tapetes têm a função de criar um cenário. Por um lado são uma marcação de território, para a criança não sair da área iluminada, e por outro, eles ajudam a compor a cena. Eu usei várias coisas: cadeira, almofada, telefone. Esses elementos ajudam na variação de poses, e também dão certo glamour.

Nas fotos de Mise en Scène existe uma distorção entre o corpo e a maneira como ele se apresenta. A criança está séria, fazendo poses artificiais, vestindo roupas que não são suas. Quais as reflexões que tu estás procurando despertar na pessoa que vai ver o teu trabalho?

Cada pessoa reage de forma diferente e faz reflexões de acordo com suas experiências.

Tu tens uma especialização em Teoria Psicanalítica e isso é perceptível nos teus trabalhos. Podes falar sobre a influência dessa formação no Mise en Scène?

Isso me favoreceu especialmente no momento de escolher a faixa etária das crianças e em saber que é importante a presença da mãe no momento de fotografar. A criança interagia com o olhar da mãe. Nessa faixa etária que eu escolhi, de 5 anos, no máximo 6, a criança tem uma espontaneidade maior. Depois é diferente. Com 8 anos a postura é outra, voltada para o que a sociedade espera de uma mulher ou de um homem, muito moldada por clichês.

Como é a tua interação com a criança no momento de fotografar?

A criança é que cria as poses. A única direção é que a criança permaneça na região onde a luz foi preparada. O tapete e a cadeira ajudam com isso, delimitam uma área, criam um palco.

Primeiro é feito um convite para a criança, pergunto “tu queres fazer fotos como se tu fosses a mamãe?” Aí se ela topa, a mãe e a criança escolhem juntas os trajes. A criança tem que “se achar”, tem que estar de acordo e satisfeita com a escolha do que ela vai usar. A participação dela nessa escolha de roupas e acessórios é importante. No estúdio, eu pendurava tudo em cabides, colares, bolsas, e perguntava o que ela queria usar primeiro. Eu também dava sugestões. Aí a criança já entrava no clima. As luzes dos flashes deixavam o estúdio com clima de palco.

Essa série é um desdobramento das questões que tu já vinhas trabalhando em outras ocasiões?

O desconforto de ver um corpo de criança com trajes adultos pode ser relacionado ao estranhamento causado pelas bonecas do projeto Das Unheimliche. A reação do fotografado diante da câmera já havia sido observada por mim no projeto coletivo Construções. A pesquisa sobre o corpo e a identidade têm permeado todos os meus projetos.

Para saber mais sobre Silvia Giordani, acesse o site da artista.

9
dez

Curso Anual de Fotografia encerra 2016 com apresentação de projetos dos alunos

 

 

“Tu aprendes a dar um novo sentido para o próprio olhar fotográfico, o que é até engraçado porque, depois de certo tempo, tu começas a enxergar potencial para uma boa foto nas cenas mais simples do cotidiano. Posso dizer que decidir fazer o curso foi uma das melhores decisões que eu tomei na minha vida até agora, sem sombra de dúvidas. Faria tudo de novo.” Assim a fotógrafa Camila de Oliveira define sua trajetória ao longo do Curso Anual de Fotografia, que concluiu suas atividades de 2016 no mês de dezembro.

 

 

 

 

Duas turmas completaram a formação oferecida pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul em uma apresentação de projetos com os professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos, que compuseram a banca, avaliando os projetos e sugerindo possíveis abordagens para futuros trabalhos dos alunos. “Quando comecei não tinha nenhuma técnica em fotografia, porém muita curiosidade. A troca de experiência com os professores e colegas me possibilitou conhecer um pouco desse mundo infinito da fotografia”, ressaltou a fotógrafa Jacqueline Baptista após a apresentação do seu trabalho.

 

 

 

 

A transformação na relação com a fotografia, proporcionada pela formação, é unânime nos comentários dos alunos. “O curso abriu milhares de portas de criação e imaginação no meu processo fotográfico. Entrei como amadora e hoje tenho a fotografia como profissão”, afirmou a fotógrafa Aline Brandão. Os projetos desenvolvidos seguem sendo trabalhados e revistos pelos fotógrafos nas carreiras que ganham forma a partir das experiências com colegas e professores no Curso Anual de Fotografia.

 

25
nov

Memórias e paisagens nas calçadas de Porto Alegre, de Vera Carlotto

 

 

“Para mim, muitas vezes, caminhar olhando para baixo é um ato de reflexão. Nesse caminhar me deparei com desenhos sob meus pés. Sempre digo que a pedra me escolheu, e eu pude ver os grafismos contidos nela.” Assim a fotógrafa Vera Carlotto descreve a gênese do projeto que deu origem à exposição Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, em cartaz nas Salas Negras do MARGS até 15 de janeiro.

 

 

 

 

 

A mostra apresenta 27 imagens que revelam grafismos – “camadas de rastros, respirações, pulsações, memórias, cores, linhas e formas”, nas palavras da fotógrafa – encontrados em superfícies de pedra basáltica das calçadas de Porto Alegre. Fora do MARGS, as fotografias que compõem a série também foram instaladas em calçadas da Praça Germânia, do Instituto Ling e do bairro Petrópolis (nas ruas Cel. Corte Real, Dario Pederneiras e Professor Langendonck).

 

 

 

 

 

Ao longo de cinco anos, percorrendo em torno de cinquenta ruas da cidade, foram capturadas mais de três mil imagens. “Os desenhos na superfície são fósseis, frutos da penetração de elementos da natureza na rocha, da riqueza de minerais que ela possui, da forma de extração e da exposição a intemperes”, descreve. As fotografias se dividem em três eixos: Natureza – remetendo a trabalhos de artistas chineses de diferentes séculos –, Rupestres – fazendo alusão a desenhos pré-históricas – e Curvas – linhas e fragmentos com inspiração na obra da artista Tomie Othake.

 

 

 

 

 

A fotógrafa destaca o desenvolvimento dos primeiros passos do trabalho durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. “A discussão com colegas e professores foi muito rica e impulsionou meu projeto. A partir daí passei a buscar mais imagens nas calçadas”, relembra Vera. Entre outros momentos, ela destaca a sugestão dos professores para explorar arquivos de imagens antigas que havia produzido, bem como as inúmeras sugestões de referências e abordagens. Nascida em 1962, em Porto Alegre, Vera Carlotto é formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul (2014). Nos anos 1990, viveu em Londres, dedicando-se à escultura e a estudos na Richmond Adult & Community College. Já realizou exposições como Portonírico (2012), na sala J.B. Scalco do Solar dos Câmara, e Mosaicografia (2016), no largo Glênio Peres, ambas na capital gaúcha, entre outras mostras.

 

Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, de Vera Carlotto
Salas Negras do MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/n° – Centro Histórico de Porto Alegre)
Até 15 de janeiro, sempre de terça-feira a domingo, das 10h às 19h